Economia Brasileira · economia política · educação · Educação Superior

Mitos e realidade sobre universidades públicas

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Economia do Crime · economia política

Mais armas, menos crimes? (mais uma vez)

M26PrevolverInfelizmente, não é tão simples (como já dito aqui várias vezes). Eis mais uma resenha, com foco em homicídios.

É um direito do cidadão? É. É sinônimo de segurança pública? Não parece porque não pode ser uma medida isolada, nem tem eficácia comprovada (embora isso dependa do tipo de crime analisado e, no caso do Brasil, tenhamos enormes problemas com as bases de dados que, espero, sejam minimizados a partir de agora).

A propósito, o novo decreto está aqui.

 

ciclos econômicos · economia política · grupos de interesses

Grandes Momentos da Administração da Silva

Os cientistas políticos e (s)ociólogos (thanks, Gaspari) que sempre fecharam os olhos para as “malufadas” (sorry, Maluf, não queremos compará-lo a este povo) da esquerda, nunca acreditaram muito em responsabilidade fiscal ou em Ciclos Político-Econômicos (exceto quando a não-esquerda-deles estava no poder).

Bem, eles têm que rever seus paradigmas. Isto é que dá ser “cabeça-de-word” (no caso, sem dicionário).

brasil · Capital Humano · economia política · falhas de governo

Educação

“…: boa parte dos melhores cursos universitários está nas instituições estatais, mas, dadas a dificuldade do exame de acesso e a má qualidade do ensino escolar estatal, a maioria dos alunos vem de abastadas escolas privadas. Perverso? Talvez, mas isso é obra da legislação brasileira sobre educação, dos planejadores governamentais, e não um efeito da “maldade do capitalismo”. Aliás, tente perguntar a algum professor universitário de um curso de prestígio se ele preferiria ver suas turmas repletas de alunos menos qualificados, todos oriundos da rede estatal.”

A pergunta está no ar. Quantos professores gostariam de responder a perguntinha do Pedro?

CPMF · economia política · falhas de governo

O que é ser responsável?

Suponha a seguinte situação: você e um bandido estão em uma sala. O bandido tem uma arma. Ambos sabem que ele vai matá-lo de qualquer jeito. Você seria irresponsável se pedisse para ele acabar logo com sua vida ou se tentasse tirar a arma da mão do fascínora? Lembre-se: ele vai matá-lo de qualquer jeito.

Pensou? Agora pense nisto. Note que nem entro no mérito da elástica “ética” da antiga oposição que, hoje em dia, diz que todo seu berreiro era, digamos, um blefe de mau gosto. O ponto da crítica não é ideológico ou ranzinza quanto à cara-de-pau dos políticos. Mais ainda: o governo está a criar muito caso em torno da CPMF. Alguém duvida que seus aliados tentarão impor qualquer outra medida de aumento de receita (mas não de queda de gastos públicos, até porque gente do IPEA diz que temos poucos fiscais por quilômetro quadrado…) se o dito imposto não for aprovado?

brasil · economia política · falhas de governo · intervencionismo · lula · rent-seeking · socialismo real

O governo não-liberal aumenta o custo social?

indícios e há medidas que servirão para estudos futuros, caso sobre alguém para fazê-los. Curioso mesmo é a visão dos empresários: antes a favor, agora críticos. Nada misterioso, claro, quando se lembra que nosso país vive sob intensa atividade rent-seeking. Indícios disto não faltam.

câmbio · economia política · escolha pública · falhas de governo

A língua portuguesa nunca foi levada a sério neste país, né?

Pense na palavra “emergência”. O que lhe vem à cabeça? Um sujeito vestido de bombeiro correndo para um incêndio ou um político gorducho sentado em seu gabinete cochilando?

Pois é. Esta é a importância das palavras. Um sujeito que não sabe o significado de “emergência” é capaz de confundir alhos com bugalhos. Agora pense na origem da CPMF. Lembra de seu caráter emergencial? Muito antes de Bush justificar seus erros e acertos com a ameaça terrorista, o governo não-liberal deste país inventou a catástrofe da saúde.

Mas os anos se foram e o caos não veio.

Aí você pensa nos grupos de interesses que adoram pedir esmola ao governo e vislumbra uma burocracia eficiente no cumprimento de seus desejos. Como nada é assim, você logo diz: “bobagem, isto não existe: a burocracia é muito lenta. Este papo de grupo de interesse é balela”.

O socorro do governo aos setores considerados “órfãos” do câmbio foi divulgado no dia 12 de junho, mas a regulamentação só foi concluída há cerca de 20 dias. Embora a medida tenha sido anunciada como emergencial, as empresas interessadas tiveram de esperar mais de cinco meses para poder solicitar os recursos. 

Mas, será mesmo? Ou será que o atraso é do interesse dos que pedem o benefício? Em Economia Política é comum ver hipóteses teóricas nas quais o atraso faz parte do jogo (qualquer um que entenda minimamente de estratégia sabe do que falo).

O que é engraçado mesmo, para mim, é como uma “emergência” pode durar meses. Se eu realmente precisasse de socorro, eu faria como certos movimentos sociais: invadiria a granja do presidente e ficaria lá acampado até o final do dia. É uma estratégia muito mais visível, inteligente e com apelo na mídia do que esperar…5 meses.

Ou então não tem emergência e a língua portuguesa é apenas uma ilusão da mente…

Economia do Setor Público · economia política · Política fiscal

A política fiscal do desastre

O governo Lula se iniciou com o ministro Palocci alardeando que o governo brasileiro gastava muito e gastava mal. Isto é verdade, mas ao longo do governo Lula a qualidade da política fiscal somente piorou. O Brasil tem uma política fiscal pró-cíclica, e o crescimento acelerado dos gastos públicos vem merecendo os aplausos do presidente da República, que em recente entrevista afirmou que “a época do arrocho acabou”. Um cínico diria que isto não tem importância, porque os superávits primários vêm produzindo a queda da relação dívida/PIB, mas quem vem suportando o maior peso dessa queda são os Estados e municípios, e não o governo federal, cuja dívida líquida vem crescendo em relação ao PIB, mostrando que seus superávits primários deveriam ser maiores, e não menores. A outra razão para esse comportamento foi apontada por Claudio Haddad (Valor 19/11/2007), quando analisou o comportamento do déficit público “acima e abaixo da linha”: o governo central vem dando implicitamente subsídios nos repasses do FAT ao BNDES e elevando os custos da dívida com a esterilização da acumulação de reservas.

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brasil · economia política · eleições · marketing político

Marketing político importa?

Talvez você goste deste tema. A pergunta, normalmente, é assim: “mais gastos em campanha aumentam a probabilidade de eleição”? Mas, no caso brasileiro, talvez a pergunta tenha que ser readaptada. Este texto faz isto de maneira bem interessante.

Para o leitor-aluno fica a observação: às vezes desistir do tema muito cedo é uma saída válida apenas para os que estão muito acomodados. A moral? A de sempre: se você escolher um tema de que gosta muito, invariavelmente fará algo bacana.

economia política · ONG · regulação

Ligações perigosas

O discurso “social”, a cada dia, perde um pouco de sua máscara. Veja só esta:

Catorze dos 51 gerentes de unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) da capital paulista, todos funcionários públicos, recebem um salário complementar de entidades parceiras sem fins lucrativos que eles deveriam fiscalizar.

Daí a importância de um modelo regulatório sério. Quem fiscalizará os fiscalizadores? Se levarmos este raciocínio ao absurdo, não teremos solução. Logo, você precisa formatar os incentivos.

Ah sim, é previsível que todo grupo de interesse se organize (as ONGs têm a ABONG) e, claro, veremos nos próximos dias algumas discretas queixas contra o “poder da grande imprensa”, como se um jornal pequeno fosse sinônimo de “imparcialidade”. A cabeça deste pessoal funciona assim: “se eu edito um boletim e divulgo, sou muito mais crível do que o grande jornal”. Como se o Brasil só tivesse ladrão rico. Sacou?

Ontem me contaram uma história ótima. Em Belo Horizonte havia uma peça de teatro e os sujeitos garantiram vagas porque contrataram um serviço privado. A prefeitura de Belo Horizonte proibiu e deixou todos na mão, porque afirmou que o serviço privado prejudicava o serviço dos “guardadores voluntários de carros”, os mesmos que, sem uma moedinha, podem arranhar o seu carro com – pelo visto – a complacência da prefeitura.

Este é o discurso “social”, sem máscaras. E é por isto que de “social” eu nada tenho e nunca terei.

bem público · economia política · escolha pública · falhas de governo · tv pública

De como o governo realmente (não?) sabe o que faz

Este vai na íntegra, pelo aspecto de utilidade pública:

De como você será assaltado via satélite

A TV pública do Lula estréia em 2 de dezembro.

Nos primeiros seis meses, porém, ela vai se limitar a transmitir programas produzidos e veiculados pelos canais públicos já existentes. Durante este período, serão realizadas consultas populares para saber o que o cidadão quer assistir. Só depois, de posse de tais informações, a grade de programação da nova TV será definida.

Ou seja: o governo Lula criou uma TV pública com base na argumentação de que ela é extremamente necessária mas não sabe, até agora, que necessidades são essas. Não contente, resolveu colocar a coisa no ar, ao custo de R$ 2,5 milhões por mês, para, só então, tentar descobrir para que ela serve.

Em qualquer país decente, um investimento desta natureza – que se sobrepõe a outros já existentes – não seria nem mesmo cogitado sem uma pesquisa prévia que demonstrasse, de forma inconteste, sua necessidade.

No Brasil de Lula, porém, os companheiros Franklin Martins e Tereza Cruvinel podem se dar ao luxo de torrar R$ 58 milhões dos cofres públicos enquanto fingem pesquisar as preferências populares. “Fingem” porque é óbvio que, para tanto, bastaria submeter os programas das atuais TVs públicas – os mesmos que eles vão levar ao ar durante seis meses! – a uma pesquisa.

É isso mesmo, leitor contribuinte: sendo otimista, já é certo que entre 2 de dezembro de 2007 e 2 de junho de 2008, você será assaltado via satélite. Como eles são petistas – adoram, portanto, se perder em reuniões tão numerosas quanto improdutivas – é provavel que o “período de pesquisa” se estenda muito além de junho.

Não que isto seja, para eles, um problema. Embora Lula sonhe com uma TV nos moldes chavistas, o projeto em si só precisará estar funcionando a pleno por volta de 2009. Por ora, a TV Pública tem uma necessidade muito concreta e imediata a sanar: servir de cabide de emprego para a companheirada que se empenhou na última campanha presidencial – cujas nomeações têm sido dificultadas pelo endurecimento da oposição no Senado.

Sim, o original está aqui. Engraçado como a blogosfera que vê opus dei e militares em qualquer crítica ao governo não notou nos nomes que foram chamados para a televisão estatal. Depois falam de conspiração. Por falar nisto, é bom ver que existem várias conspirações por aí (um bom exemplo na série de três textos que começam com este).

A TV pública, como qualquer outra obra deste ou daquele governo, é sujeita, sim, a falhas. Pelo que diz a Nariz Gelado, autora do post acima, já começou bem, conforme o que qualquer estudioso de Escolha Pública poderia prever. Por que não houve tal previsão? Bem, talvez porque seja óbvio. Ou talvez porque boa parte dos interessados recebem recursos públicos para fazerem pesquisa científica e, veja, esta é uma questão que, uma hora, os coleguinhas economistas e outros cientistas sociais terão que estudar com rigor: o quanto de crítica não é feito porque o governo é o senhor do cheque.

economia política · falhas de governo · ONU

Falhas de governo: o caso da ONU

Várias vezes aqui eu chamei a atenção para o estranho comportamento de muitos de nossos “(de) formadores de opinião” (e também de muita gente séria) sobre análises da realidade. Fala-se muito de “falhas de governo” para o Brasil ou para qualquer outro país, mas há um silêncio profundo quando a crítica começa a se direcionar para a mega-burocracia global, a ONU. Há vários motivos para isto. O mais rasteiro e ruim é o famoso “se o governo dos EUA falar mal de X, eu falo bem, mesmo que X = Hitler”.

Não há motivos, teoricamente falando, para se analisar a economia política do governo brasileiro, do FMI e ignorar a ONU. É como se a ONU nunca falhasse, fosse perfeita, a despeito de todas as evidências em contrário.

Este tipo de discurso serve a muitos interesses, claro. Muita gente no Brasil ganha recursos do PNUD ou mesmo trabalha em escritórios da ONU. Destes, claro, não se pode esperar muita crítica (os caras têm que pagar as contas no final do mês, é bem compreensível o seu silêncio). Mas do resto da academia eu esperava mais. Na minha opinião, faltam estudos críticos sobre a ONU. Há muita celebração sobre as estranhas metas do milênio, mas pouca análise sobre como as mesmas foram decididas. Não falo de surrados manuais cepalino-marxistas sobre países “centrais” e “periféricos”. Não é questão de encaixar a realidade na camisa-de-força da (hipótese-jamais-falseável da luta de classes). É questão de analisar as escolhas públicas na ONU.

Afinal, se toda burocracia erra, por que a ONU não erra quando o assunto são as metas do milênio (muitas bolsas para muitos pesquisadores brasileiros!!!), mas erra quando o assunto é etanol?

Uma vez eu vi um artigo muito interessante sobre a influência das votações no FMI em decisões da ONU. Seria interessante ver algum de nossos bons pesquisadores analisar o padrão de votação do Brasil nestes órgãos. Se há ou não um padrão eu não sei. Mas eu gostaria de ver uma pesquisa como esta. Ela desmistificaria muito do discurso de jornalistas que enxergam conspiração nos lugares errados, ou até mesmo nos mostraria que não existem conspirações.

Eu sei: é polêmico. Mas aí é que está a graça de uma pesquisa assim.

decisão · economia política · microeconomia · viés

Viés

When it comes to surveillance and terrorism, are we not doing enough to prevent the next terrorist attack, or are we collecting too much unnecessary information?

In the mortgage market, are we making it too difficult or too easy for first-time homebuyers to purchase homes?

Would one have expected that the cost of restoring order after an invasion of Afghanistan to be relatively light compared to the cost of restoring order after an invasion of Iraq?

Most people approach these issues with hindsight bias. In situations of uncertainty, hindsight bias causes a number of problems.

Clique aqui para ler mais deste bom texto do Arnold Kling.

burocracia · Economia Brasileira · economia política · escolha pública · falácias econômicas · finanças públicas

A tragédia do discurso oficial

O que você pensaria se Delfim Netto, nos bons anos de chumbo, diante da proposta da oposição de lhe cortar receitas de tributos, dissesse que isto prejudicaria os programas sociais? Eu sei o que você pensaria. Palavras como “chantagista”, “mentiroso”, “falso”, “safado” e outras que bloqueariam este blog em bons lares deste país estariam sambando em sua mente.

Mas, e se os tempos forem outros?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que seria trágico para o País se a renovação da CPMF não for aprovada pelo Congresso Nacional. “Teríamos de desativar programas como o Bolsa Família e reduzir o superávit primário. A emenda 29 (que estipula a destinação de recursos para a Saúde) teria de ser discutida”, afirmou Mantega.

Trágico, não?