economia monetária · Lei de Greshaw

O que acontece em uma economia com múltiplas moedas?

Eis o caso da Suécia. Um trecho:

Apparently, systems with multiple monies are so persistent that they must have been of importance to contemporary actors. They are also prevalent in history. The Swedish case is only one of many historical situations in which monies of various descriptions and origins have circulated side by side. Still, in those cases when multiple monies are scholarly discussed, they are often perceived as anomalies which eventually were to disappear by an evolutionary process. Most of this research perceives different monies as competing substitutes. It is argued that a system with perfect competing monies would be efficient. However, since most historical cases of multiple monies are far from fulfilling the conditions of a free market, we are obliged to continue to look for some other logic behind the persistence and prevalence of multiple monies. Limited research is made to understand the reasons for or impact of the co-existence of different monies. Differences between monies are neglected and lost when all monies in circulation are reduced to substitutes for what is
regarded as ‘real’ money.

Mais um pouco:

In our empirical analysis, we address four questions: 1) We analyse what was used as money both on an aggregated level by looking at the money supply in absolute and relative terms and on a micro level by looking at the content of monetary remittances. 2) We study the relative value of different monies in parallel circulation. Our aim is to understand why some cases of multiple monies where successful in maintaining a fixed relative value whereas others where not. 3) We believe that the value of money is determined by the demand for money and since demand fluctuates in relation to economic activities, we try to establish seasonal variations in both use and value. 4) Kuroda has in his previous research identified complementarity between monies floating in different monetary circuits. We will therefore try to see whether money of different origin circulated in different ways.

We find that in the Swedish case one kind of money could not fulfil the basic monetary function of providing sufficient liquidity and at the same time keep a relatively stable monetary value in relation to foreign currencies. In the Swedish experience ‘real’ money was not only scarce; it was also unevenly dispersed between different parts of the country and unevenly demanded over the seasons in line with the needs of the agricultural economy. A system of complementary served to solve the dilemma of sufficient liquidity domestically and
a stable currency value both internally and externally.

Interessante, não? Para o Brasil, existe um artigo do Gustavo Franco com, se não me engano, Winston Fritsch, que estuda a questão do padrão-ouro em nossa economia. Problema diferente, mas intimamente relacionado ao que é tratado no artigo dos suecos. Um tema interessante de história econômica, tanto quanto de teoria.

economia monetária · liberalismo · libertarianismo · Milton Friedman · Paul Krugman

Por que Paul Krugman errou em tudo que falou sobre Milton Friedman?

Krugman pode ter feito contribuições interessantes à tal Nova Geografia Econômica, mas, no afã de atacar qualquer pensador ideologicamente distante de seu próprio umbigo pop, falou muita besteira sobre Milton Friedman. Nada que bons economistas não possam corrigir com um pouco de esforço.

Hic Krugman, hic salta.

desestatização da moeda · economia monetária · hayek

A desestatização da moeda

Diz um comentarista neste blog:

Professor Claudio,

como não tenho um e-mail para te enviar enviar essa questão, escrevo aqui então.

A questão é: Sou estudante de direito, e tenho que apresentar a monografia de direito, que será a respeito da emissão privada de dinheiro, como quer Hayek, desestatização do dinheiro.

Até aí tudo bem, salvo um problema: o professor que orienta o projeto de monografia (que não é o que me orientará na monografia em si) é completamente cético quanto à isso. Acredito eu que tenha ele boas intenções, mas não coopera muito.

Assim, em toda aula de TCC tenho que mover uma montanha para prosseguir no projeto. Mas não irei desisitir de forma alguma.

Gostaria de saber o seguinte: como não tem ninguem que realmente me oriente (que conheça o assunto), será que poderia tirar contigo algumas dúvidas que porventura apareçam pelo caminho?

Mesmo que não concorde com o tema da emissão privada, a visão de um economista ajudaria em muito, pois os que existem há muito tempo se renderam ao pensamento keynesiano e não quero perder meu tempo com eles.

Abraços, Guilherme.

Primeiro, Guilherme, obrigado. Eu gostaria de ter o tempo necessário para ajudá-lo mas não posso prometer muito. Entretanto, eu acho que você tem um tema interessante em mãos. Primeiro, você precisa da bibliografia. Quem são os caras? Sem dúvida, o começo de tudo é com Hayek. Mas há George Selgin e Lawrence White que você não pode deixar de ler. De jeito nenhum.

Bom, dito isto, há alguns pontos que podem te ajudar. Você precisa entender um pouco sobre moeda, lastro e moeda fiduciária. Ben McCallum tem um livro de Economia Monetária de nível intermediário-avançado, em inglês (procure por Benneth McCallum) em que, em um dos capítulos, ele resume o padrão ouro que é muito importante para você entender o princípio da Lei de Gresham (quando existem padrões bimetálicos) que é importante para você (talvez seja até o calcanhar de Aquiles desta teoria). Vá anotando estes conceitos aí. A outra coisa importante é a discussão acerca dos currency boards que tem muito a (de)ver à esta idéia do Hayek.

Aliás, eis aqui uma observação para alunos de Economia. Em uma época, um amigo meu, o Emanuel, lecionava Economia Monetária e mostrou o texto do Hayek (na verdade, mostrou uma citação do Hayek em uma apostila que fiz, que resumia o modelo do padrão-ouro do Barro, tal como didaticamente exposto por McCallum). Aí um aluno apressado – sempre há um assim – soltou algo como: “- Ah, mas por que estudar isto? Isto não existe. Não serve para nada”.

O erro do aluno é achar que a realidade só se entende…com a realidade. Como ir à Lua em um foguete se você não entende de Física? E, cá entre nós, quer algo mais abstrato que Física? Só a Matemática. E como fazer Física sem Matemática?

Pois é. A mesma coisa se aplica neste caso. O que, aparentemente, não parece servir para nada pode ser importante para você amanhã. Você sequer sabe o que pensará daqui há um segundo. Por que é que devo acreditar que você é esperto o bastante para entender economia sem recorrer a um único conceito teórico?

Mas voltemos à pergunta do Guilherme. Guilherme, minha área, hoje em dia, não é mais a Economia Monetária. Mas, no seu lugar, eu começaria com o material/autores que te indiquei. O que conheço de “desestatização da moeda” é o que está em Hayek e mais as referências acima. Procure por textos de Selgin e White e você, sem dúvida, encontrará material interessante. Não sei se posso te ajudar muito por causa do tempo que é, realmente, escasso. De qualquer forma, é um tema interessante e é provável que mais gente apareça aqui para comentar e, quem sabe, ajudar-te?

Espero ter ajudado um pouco.