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Tempo médio de substituições no futebol

Novo artigo publicado. Veja mais aqui.

Eis o resumo:

Este estudo analisa os padrões da primeira substituição de jogadores de cada time durante o intervalo ou o segundo tempo de jogos na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2014. Foram usados modelos MQO (Mínimos Quadrados Ordinários) e Tobit, ambos com correção para heterocedasticidade. Os resultados mostram que times que estão ganhando tendem a fazer a primeira mudança nos momentos finais da partida. Consequentemente, substituições defensivas ocorrem antes das ofensivas. Também existem evidências de que a classificação no campeonato de ambas as equipes em campo tem influência no momento em que a alteração ocorre.

PaperCamera2017-05-13-10-53-42

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Economia dos Esportes e “Big Data”

Let’s meet as usual: Do games played on nonfrequent days differ? Evidence from top European soccer leagues – Daniel Goller and Alex Krumer

Abstract: Balancing the allocation of games in sports competitions is an important organizational task that can have serious financial consequences. In this paper, we examine data from 9,930 soccer games played in the top German, Spanish, French, and English soccer leagues between 2007/2008 and 2016/2017. Using a machine learning technique for variable selection and applying a semi-parametric analysis of radius matching on the propensity score, we find that all four leagues have a lower attendance as the share of stadium capacity in games that take place on non-frequently played days compared to the frequently played days. In addition, we find that in all leagues except for the English Premier League, there is a significantly lower home advantage for the underdog teams on nonfrequent days. Our findings suggest that the current schedule favors underdog teams with fewer home games on non-frequent days. Therefore, to increase the fairness of the competitions, it is necessary to adjust the allocation of the home games on non-frequent days in a way that eliminates any advantage driven by the schedule. These findings have implications for the stakeholders of the leagues, as well as for coaches and players.

Agora pense nos calendários dos campeonatos estaduais e nacionais que temos…

 

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Economia do Futebol: o Pantera experimenta novo arranjo organizacional

Quem me acompanha há mais tempo sabe que me tornei mais e mais interessado na área de Sports Economics e, claro, passei a ler um pouco mais sobre clubes de futebol. Vez por outra, em meio às notícias esportivas, encontro curiosidades interessantes como esta (talvez só para assinantes hoje).

Em resumo, o Botafogo de Ribeirão Preto se reinventou como um clube-empresa. Certamente é um caso a ser estudado. Quem sabe não veremos artigos científicos sobre o tema algum dia destes? Mais sobre o tema aqui e aqui.

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Copa do Mundo e a Economia

P_20170606_105831_vHDR_On_1_1Embora os dois artigos a seguir não se digam como na área de Sports Economics, eles são totalmente compatíveis com a agenda de pesquisa que segue – paradoxalmente – pouco apreciada e conhecida por aqui.

Ei-los:

The Announcement Impact of Hosting the FIFA World Cup on Host Country Stock Markets

This study is an investigation of the impact of hosting the FIFA World Cup soccer tournament on the stock market of the host country when the tournament is announced. The sample under examination for this study consists of the 5 FIFA World Cups, between the period 1994 and 2010. Additional factors to be assessed include investigating whether stock markets react efficiently or show a positive reaction to hosting the FIFA World Cup. An event study research methodology is used to investigate the impact of hosting the FIFA World Cup on the stock exchange of the host country, by examining the movement of stock market returns across various event windows during the announcement and tournament starting date stages.

It is found that country stock markets react differently to the announcement of the tournament. For instance South Africa appears to show a positive trend in stock returns at the tournament announcement date, while Japan shows a decline in daily stock returns a day after the announcement of the tournament. It is found that for the tournament announcement, most countries show insignificant negative cumulative abnormal stock returns for different event windows. There are however few instances where country stock markets do show positive cumulative abnormal stock returns, with statistical significant results. The implication of this study is that FIFA World Cups have varied impacts on host country stock markets. This study contributes to the understanding of the impacts of mega sporting events on host country stock markets, with specific reference to the FIFA World Cup.

O segundo é o: Does the World Cup get the economic ball rolling? Evidence from a synthetic control approach

In this paper we analyze the impact of hosting the FIFA Soccer World Cup on GDP per capita in a worldwide sample of countries using a transparent statistical methodology for data-driven case studies ⿿ the synthetic control method. Using country level annual-data covering all events occurring in the period between 1978 (Argentina) and 2006 (Germany), we show that the estimated average treatment effectwas either zero or negative for all but one of the countries analyzed. Our results, therefore, support the general claim that World Cups are not statistically associated to development and economic growth.

Interessante, não?

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Mais sobre o efeito mando de campo

Após nosso artigo na RAE, sigo notando que o tema – interdisciplinar, obviamente – segue em alta e, de vez em quando, vejo alguns artigos sobre o tema.

Neste artigo de 2016, por exemplo, busca-se analisar a influência da idade dos jogadores (e as suas expectativas) no mando de campo. A causalidade, como se percebe, segue sendo um problema.

Eis um trecho:

Similar to the increasing trend of home advantage across age groups youth players’ perception of a home advantage in their own league showed an increasing trend. It can be assumed that youth players experienced more home victories and adapt their estimation with increasing age. On the other hand, the increased expectation of a home victory could lead to more challenging goals in home games. A trend towards less satisfaction with a tie in home games compared to away games was found for older youth players. It is plausible that athletes set higher goals and are therefore more successful in home games. The importance of goals is widely acknowledged in sport sciences (Kyllo & Landers, 1995; Latham & Locke, 1985), yet with regard to home and away games very little is known (Staufenbiel et al., 2015).

O tema segue interessante, não?

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A Análise Econômica do Direito encontra a Economia dos Esportes

Duas áreas que me são muito queridas se encontram neste artigo meu com Ari e Frank. O resumo?

In this article we used the approach of economic analysis of crime to understand the determinants of punishment for offences in games of Brazilian Soccer Championship in 2012. Models on the determinants of the most serious offenses committed by athletes from clubs in the Brazilian Championship, punished with red and yellow cards (Poisson regression models and negative binomial) were estimated. In fact, athletes seem to respond to economic incentives. Our results suggest that: (a) the athlets of the home team receive, on average, a smaller number or red and yellow cards; (b) there is a positive trend of punishments through the championship and (c) there is non-linear relationship between punishments and goals.

É isso aí.

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Divulgando

O pessoal deste blog entrou em contato comigo para…divulgar o blog. Gostei. Não sei quem são os autores (não achei nomes por lá), mas achei muito bacana o conteúdo. Como um dos temas mais recentes aqui é o de Economia dos Esportes, notadamente do Futebol, fica esta ótima dica.

Embora não seja um blog de Economia dos Esportes, per se, sua abordagem quantitativa já eleva o tom do debate sobre futebol uns “n” passos acima do achismo.

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Mais um artigo publicado

O artigo “PPPs e Copa do Mundo: Desenho contratual para estádios acaba de ser publicado na Revista da AMDE, v.15, p.86-108, 2016. Tenho a honra de ser o co-autor, juntamente com Rodrigo N. Fernandez e João A.C. Castro nesta empreitada.

Eu diria que o artigo está ali no limiar entre a Economia dos Esportes  e a nossa conhecida Análise Econômica do Direito. A sugestão, claro, é que avancemos na coleta de dados e…bem, anotado na agenda.

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Balanço Competitivo na Divisão de Acesso do Gauchão 2017: os dois grupos da fase classificatória foram igualmente competitivos?

Baseado no trabalho em que medimos o Balanço Competitivo para os campeonatos brasileiros (1971-2009), resolvi, por curiosidade, verificar o valor do balanço competitivo da divisão de acesso do gauchão de 2017. Basicamente, olhei para a fase mais longa, a classificatória, em que os times estavam divididos em dois grupos (cada time jogou 14 partidas) e usei duas das medidas citadas no artigo: o índice de Hirschman-Herfindahl (H) ajustado e razão de concentração C4 (C4). Note que o primeiro é medido observando-se a variável vitórias e, o segundo, os pontos ganhos.

Em uma competição perfeitamente balanceada, tanto H como C4 seriam iguais a 100. Em qualquer uma delas, por exemplo, uma queda de 25% no grau balanço competitivo levaria as medidas a 125 (este é, exatamente, o exemplo dos autores do artigo).

Assim, para o grupo A, H = 108.59 e C4 = 120. Para o grupo B, H = 130.86 e C4 = 132.88. Dito isto, percebe-se que, segundo o índice H, o grupo A apresentou um grau de balanço competitivo maior do que o do grupo B (pois 108.59 é menor do que 130.86). O mesmo pode ser dito do índice C4 (120 contra 132.88).

Por que medir o balanço competitivo? A literatura aponta esta variável como importante na receita dos clubes, embora isto não seja consensual entre os pesquisadores da área. A idéia é de que o público será mais atraído ao estádio quanto maior for o grau de indecisão sobre quem poderá ser o vitorioso (um exemplo oposto extremo seria o de um campeonato com um super-time acompanhado de times absurdamente fracos…para quer ir ao estádio ou mesmo comprar pacotes pela TV paga?).

Seria interessante que os que planejam as regras de uma divisão de acesso como esta pensassem na receita dos clubes já que, nestes casos, ela é baixa (e os borderôs, infelizmente, não possuem muita credibilidade como fontes fidedignas de receitas com jogos…). Supondo que algum grau de competitividade seja importante para atrair torcedores aos jogos, ceteris paribus o amor ao clube e outras variáveis, talvez o grupo B tenha sido ligeiramente pior em termos de receita para seus componentes. Será? Precisaríamos olhar mais para os dados.

De qualquer forma, trata-se de um exercício interessante que pode ser feito por qualquer estudante de Ciência Econômica (ando de mau humor, então usarei o singular. Estou cansado de charlatanismo…).

p.s. existe um verbete em português na Wikipedia sobre a divisão.

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Economia dos Esportes – a divisão de acesso (continuação da continuação)

acordeibemEu sei, eu sei. Já beira ao “doentismo” do torcedor. Mas como ontem a vitória foi sofrida, lembro do que eu disse anteriormente: os adversários eram igualmente bons. Pelotas tinha 60% das vitórias em casa e Aimoré tinha 60% das vitórias fora de casa. E ambos vinham de uma derrota anterior, curiosamente pelo mesmo placar: um a zero.

A rodada não acabou ainda, mas com os resultados até ontem, até o momento, temos 91 partidas e, destas, 44 resultaram em vitória dos mandantes (48%). Sobre o Lobão (E.C. Pelotas), seu desempenho na minha medida – vitória do time em casa sobre o total de jogos em casa – aumentou de 60% para 67% (ou seja, aumentou sete pontos percentuais ou 7 p.p.). No grupo A da divisão de acesso, o Internacional de Santa Maria é o que tem, por enquanto, melhor desempenho em casa – nesta medida – com 80% de vitórias obtidas em casa. Já no grupo B, o Lajeadense é quem se sai melhor em casa, com 83% das vitórias nesta métrica (ou medida, se quiserem..são sinônimos).

O juiz, os acréscimos e tudo o mais…

Ah, sim, um caso que vale a pena comentar é que a vitória ontem foi de pênalti marcado nos acréscimos (aos 49 minutos do segundo tempo). Há sempre muito choro, muita paixão e emoção nestes momentos mas ontem eu vi um artigo (que ficou em algum lugar…) sobre o tema. Um resumo sobre o tema (não do texto específico cujo sumiço começa a me incomodar…) – com mais comentários – aparece neste post deste blog. Ah, claro, você pode se perguntar se isto é um tema de economia. Eu diria que sim, mas você pode checar este livro (e me presentear com ele) ou este texto para discussão do IZA, para citar apenas alguns poucos exemplos.

Agradeço sua leitura e eventuais comentários. Os textos anteriores estão aqui e aqui. Gostou e quer citar? Fique à vontade. Só não faça plágio, ok?

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Coisas que passarinhos verdes me contam

Em um destes departamentos de economia da selva brasílica, uma aluna fez seu projeto em Economia dos Esportes (precisa mais referências do que dizer que existe o Journal of Sports Economics?). A orientadora, por algum motivo, resolveu reprovar a aluna, após resenha feita no projeto entregue. A justificativa? O que me chega aos ouvidos não é que o projeto é ruim ou que a aluna não fez o prometido (motivos, claro, razoáveis), mas sim que “Economia dos Esportes” não é tema de economia.

Pode?

Vejamos algumas referências: esta palestra, a esportometria e, claro, o que foi publicado em uma das mais importantes revistas de economia, a RBE.

Então, é verdade que aluno tem que pesquisar o tema, mas também é verdade que professores de economia precisam entender de economia…

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Incentivos: perguntas para você

Considere o seguinte:

A Portuguesa ganhou aliadas poderosas para voltar à elite do futebol brasileiro: as padarias paulistas. Diretores do sindicato e da associação das panificadoras (Sindipan e Aipan) fundaram um movimento para ajudar o clube a fugir da grave crise financeira. “É o PPP, Padarias Pró-Portuguesa”, explica Antero Pereira, presidente do Sindipan e da Aipan.

Mais de 50 padarias já aderiram ao projeto. “Mas é pouco ainda, já que temos 4 mil panificadoras em São Paulo”, lembra Pereira, torcedor da Lusa desde 1968 – “quando cheguei ao Brasil, com 14 anos”. Cada padaria entrará com um valor mínimo de R$ 250,00 – alguns torcedores, garante Pereira, já falaram em contribuir com R$ 1 mil. Um prêmio para os jogadores caso o time consiga o acesso à Série A. “Mas vamos pagar independentemente se a Portuguesa subir ou não”, fala Pereira. “Sabemos dos problemas do clube e vamos ajudar financeiramente, para a Lusa voltar a ser um dos maiores (clubes) de São Paulo”, acredita. 

Perguntas: (i) você acha que pagar algo desvinculado ao desempenho é um bom incentivo? (ii) faz diferença, para sua resposta anterior, se o valor está abaixo de algum mínimo ou não?

Espaço aberto para respostas nos comentários.

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Quanto mais times no campeonato…melhor?

Eis aí um artigo que nos dá novas hipóteses testáveis.

Sports League Expansion and Consumer Welfare
LAWRENCE M. KAHN
Cornell University and Princeton University
This article studies sports league expansion and consumer welfare. The author assumes that as a sports league expands, the average quality of playing talent falls, and each fan sees superstars fewer times per season. Expansion thus imposes a negative externality on existing fans. If all revenues come from local sources, such as gate receipts and local media, then the optimal league size (which maximizes total fan utility net of team opportunity costs) is the same as the monopoly league size that maximizes total league profits, but the competitive (free entry) league size is too large. If all revenues are national, split evenly, and where a broadcast network charges a uniform national price to viewers, the optimal league size is between the larger competitive size and the smaller monopoly league size. The more elastic the supply of talent is, the closer the competitive size is to the optimum.

Deu lá no Journal of Sports Economics, v.8, n.2, Apr/2007.

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Economia do futebol

Artigos que acho sem querer:

Título: O fim do passe e seu impacto sobre o desequilíbrio competitivo entre as equipes de futebol
Autor: Fábio Augusto Pera de Souza e Claudio Felisoni de Angelo

Bacana, não? Já o havia citado aqui, neste blog, em sua dissertação de mestrado (refiro-me ao Fábio). Como se percebe, o estudo econômico dos esportes só progride no Brasil…