Custos humanos do terrorismo

Trecho da conclusão:

At the same time, the impact of terrorism is placed into context against two standards. For a representative year, the median number of disability adjusted life years lost to terrorism is 486,378. That is, terrorism lies in the bottom 9% of the global burden of disease. Similarly, it is shown that the benefit–cost ratio for DHS counterterror expenditures can be no greater than 0.47.

That calculation suggests that a significant portion of counterterror expenditure is non-instrumental, i.e., a public spending rationale that includes something other than its effect on terrorists. For example, cross-country panel analyses suggest that terrorism increases the statistical likelihood of cabinet changes in parliamentary governments, implying that counterterror policy has a role to play as a form of organizational and/or coalitional maintenance for those currently holding power. 

Artigo novo lá na Public Choice.

Anúncios

O que fazer com os imigrantes? Alguns pontos sobre o recente episódio de Roraima

Texto didático para uso em aula que reproduzo aqui. 

Excelente oportunidade para falar de imigração. Os comentários de Joel Pinheiro neste vídeo são oportunos. Meus pensamentos iniciais sobre o tema:

1. O aumento de indivíduos em um território gera uma tensão acerca dos direitos de propriedade. Quais “direitos” e quais “propriedades”? Por exemplo, o direito à propriedade do uso da mesma rua que o brasileiro, do serviço público de saúde, do serviço de segurança pública, etc. Veremos mais à frente sobre isso no curso, mas este choque de demanda gera uma natural demanda por regulação dos direitos (e.g., qualquer venezuelano pode? Mesmo criminosos, ainda que refugiados? Apenas adultos? E assim por diante).

2. Como já disse McCloskey, em seu antigo livro-texto de Teoria dos Preços (curso, hoje, mais conhecido como Microeconomia), a ausência de uma estrutura legal definidora dos direitos de propriedade numa América pré-ingleses, rica em diversidade de povos (e, portanto, de culturas), pode ser explicada pelo mesmo motivo: a baixa densidade demográfica não enseja uma criação de supervisão formal dos direitos de propriedade (os próprios interessados, informalmente, podem resolver isso).

3. A imigração é boa para um país? Não responderei. Mas qualquer pista sobre possíveis respostas cientificamente sólidas pode ser encontrada nas breves postagens do prof. Monasterio.

3.1. Diga-se de passagem, nem sempre imigrantes são inicialmente bem recebidos nos países em que chegam. A imigração japonesa, em seu início, foi alvo de campanhas negativas (veja, por exemplo, os escritos de Oliveira Vianna (conheça um pouco mais sobre ele aqui)) e o Imigração Japonesa nas Revistas Ilustradas de Marcia Y. Takeuchi (EDUSP, 2016) é uma referência interessante (e divertida, caso você goste de caricaturas) que ilustra um pouco deste aspecto.

4. Obviamente, as questões relativas à imigração envolvem sempre um componente de xenofobia, como transparece no item anterior e muitas vezes há um certo temor da violência potencial dos “novos residentes”. A relação entre imigração e terrorismo existe? Tal e qual o câncer de pulmão e a caixa de fósforos, a causalidade não é tão óbvia (onde estão os cigarros, cara-pálida?).

Por exemplo, este estudo levanta a hipótese de que a marginalização do imigrante pode acentuar aspectos do comportamento radical que induzem ao terrorismo. Já este outro mostra que, de 1975 a 2015, uma fração ínfima (0.000038%) dos imigrantes ilegais nos EUA se voltaram para atividades terroristas. Para você ter uma ideia do número, cito textualmente:

Only 10 illegal immigrants became terrorists, a minuscule 0.000038 percent of the 26.5 million who entered from 1975 through 2015 as summarized in Table 7. In other words, 2.65 million illegal immigrants entered the United States for each one who ended up being a terrorist.

Como se percebe, imigração em qualquer país geralmente ocorre sob por controles legais de fronteiras (hoje em dia mais sofisticados do que nunca).

Discussões sobre casos particulares de imigrantes (eu-conheço-um-amigo-que-foi-espancado-por-um-XX) não podem servir de guia para uma discussão séria, científica, acadêmica (você não está mais no colégio, estamos falando de Ciência…). Ainda que estudos de casos sejam importantes, há uma metodologia científica a ser respeitada. O mesmo vale para estudos outros que não estudos de casos, claro.

Repito: (i) é importante pensar na demanda por direitos de propriedade formalizados que um choque demográfico induz, (ii) é importante pensar na demanda e oferta por imigrantes (e também na demanda e oferta por migração), (iii) a relação entre imigrantes e terrorismo não pode ser pensada de forma ingênua, irresponsável (ou de ambas as formas) como uma correlação simplista.

 

Novamente o terrorismo

Com tantos “especialistas” de fêiçibúki, talvez o gráfico abaixo nem faça tanta diferença assim, né?

terror_aha

De qualquer forma, ele está neste estudo recentíssimo do Cato Institute. O que temos? Bem, alguém poderá dizer que há uma mudança de tendência em 2009, no caso de ataques terroristas não-islâmicos, embora pareça haver algo similar no caso dos ataques islâmicos. A diferença de médias é gritante, mas eu ainda gostaria de ver o gráfico com as taxas de variação.

p.s. para quem gosta de análise de regressão, o apêndice tem lá um material para se divertir.

Muçulmanos moderados nos EUA e percepções sobre o terrorismo

Recentemente assisti este vídeo da Prager University sobre o que muçulmanos moderados significa, do ponto-de-vista dos próprios muçulmanos. É um vídeo polêmico, mas levanta pontos interessantes para uma discussão sobre o terrorismo.

Bem, agora que você já assistiu ao vídeo, eis uma questão interessante: será que muçulmanos são idênticos em suas preferências por ataques terroristas ao redor do mundo? Esta nova pesquisa feita nos EUA – para uma amostra de muçulmanos dos EUA – ajuda a colocar as coisas em perspectiva (ainda que tenha diversos problemas metodológicos, um deles a falta de um modelo teórico, por exemplo). Resumindo a pesquisa (literalmente), temos:

Tracking Radical Opinions in Polls of U.S. Muslims
Veronika Fajmonová, Sophia Moskalenko, Clark McCauley

Abstract

This Research Note examines two telephone polls (2007, 2011) and three Internet polls (2016) to track opinions of U.S. Muslims relating to the war on terrorism. Results indicate that a small but consistent minority (five to ten percent) justify suicide bombing of civilians in defense of Islam, while those seeing the war on terrorism as a war on Islam have declined from more than half to about a third. This decline coincided with a decline in perception of discrimination against Muslims in the U.S., and correlational results confirm that perceived discrimination is one source of seeing the war on terrorism as a war on Islam. Other results from both the Pew and Internet polls show that disapproval of U.S. foreign policies affecting Muslims also contributes to seeing a war on Islam.Discussion emphasizes the value of Internet polling for tracking shifts in the opinions of U.S. Muslims, but acknowledges that polling has not yet discovered what is different about the small minority who justify suicide bombing.

Percebemos que se sentir discriminado nos EUA é uma fonte de apoio ao terrorismo por parte dos muçulmanos. O que é se sentir discriminado, contudo, não é algo tão simples de se entender.

Afinal, um ponto importante que se depreende do vídeo é saber se os muçulmanos desejam ser vistos como parte de uma nova sociedade, preservando alguns valores, mas tolerando (ou até assimilando parte de) outros valores ou, por outro lado, se desembarcaram nos EUA dispostos a impor seus valores religiosos a outros, usando a força se necessário.

Neste sentido, o artigo citado aponta para a importância de se entender bem as preferências de um grupo de imigrantes. Querem ser aceitos mantendo seus valores – mas sem obrigar outros a seguí-los? – ou querem impor seus valores na sociedade que lhes recebe?

A virtude da sociedade norte-americana tem sido, ao longo dos séculos, resolver este dilema de forma pacífica (no cômputo geral da história do país, creio que soluções pacíficas ganham, a despeito de conflitos aqui e acolá).

Ah sim, economia do terrorismo é um campo de pesquisa importante (faça uma busca no google) e que vale a pena ser explorado.

Economia do Terrorismo

O Selva Brasilis hoje surtou – no bom sentido – e falou sobre terrorismo duas vezes. Nós fomos infectados pelo seu vírus. Eis aqui uma terceira notícia sobre o tema. Trecho:

An index company and a security advisory firm have teamed up to create a series of screened indexes to help investment plan sponsors meet “terror-free” investing goals as more states adopt these strategies.

OAS_RICH(“Middle”);FTSE Group, a London-headquartered global index company, and Conflict Security Advisory Group, an independent research provider based in Washington today signed an agreement to create The FTSE CSAG Terror-Free Index Series, scheduled for release in 2008.

Vejamos quantos alunos de Finanças se interessam pelo tema.