Economia do Setor Público · teorema de coase

Externalidades, bens públicos e polinização

Coase estaria sorrindo agora. Trecho:

Na prática, o aplicativo facilita o contato entre agricultores e apicultores por meio de uma plataforma de geolocalização, evitando longos deslocamentos. Além de conectar pela proximidade, um time de técnicos auxilia em todas as etapas, com avaliação de déficit de polinização da lavoura, orientação sobre quais espécies de abelhas são recomendadas e a quantidade de colmeias a serem alugadas. Do lado do criador de abelhas (tanto europeias ou africanas quanto nativas), a equipe da Agrobee auxilia no controle de insumos usados na plantação, para não colocar a vida das abelhas em risco.

Quem estudou Teorema de Coase, ou mesmo bens públicos, vai amar a notícia. Como sempre digo, choques reais (= tecnológicos) geram consequências imprevisíveis nas funções de produção (quando não extinguem algumas e criam outras, como diria Schumpeter).

Notícia que me lembrou do meu encontro com os alunos do GEDE/UnB há poucos dias no qual tentei algumas piadas de economista sem muito sucesso…

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Desenvolvimento econômico · Economia do Setor Público · public choice

Alberto Alesina no Brasil, dia 28

É, ele estará na Enap, para a entrega do Prêmio Tesouro Nacional. Leitores deste blog sabem – ou têm forte desconfiança de – que é um dos meus autores favoritos. Caso você ainda não o conheça – imperdoável! – eis a página dele, lá na Harvard.

Veja lá os trabalhos dele sobre consolidação fiscal.

Um dia ele leva o Nobel. ^_^

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Economia do Setor Público

Breve observação sobre Mariana, Brumadinho, Arrow e a taxa de desconto

Este pequeno artigo de Shepsle, homenageando Arrow, tem alguma intuição interessante sobre o valor presente de obras como as barragens que, infelizmente, causaram grandes tragédias.

Em resumo, o resultado de Arrow-Lind é que a taxa de desconto intertemporal não precisaria considerar aspectos de aversão ao risco quando o projeto em questão envolve uma grande quantidade de indivíduos. Nas palavras do autor:

The intuition is that as n gets large the utility function of an individual, whatever her risk preferences, becomes approximately linear in the (shrinking) range of possible outcomes, thus rendering her approximately risk neutral. The implication for public projects is that the flow of net benefits needs to be discounted only for time and not for risk. The present value of a public project is just the sum of expected values discounted for time.

Mas, e aí vem a reflexão do próprio Shepsle: esta conclusão não seria válida para bens públicos. A intuição é que, para bens públicos, os benefícios não são divisíveis (lembra da sua aula de Economia do Setor Público?), como suposto no raciocínio que leva ao resultado de Arrow-Lind. Afinal, no rompimento de uma represa (ou barragem de detritos):

Everyone sinks or swims together.

Interessante, não?

 

Economia do Setor Público · economia política · Política fiscal

A política fiscal do desastre

O governo Lula se iniciou com o ministro Palocci alardeando que o governo brasileiro gastava muito e gastava mal. Isto é verdade, mas ao longo do governo Lula a qualidade da política fiscal somente piorou. O Brasil tem uma política fiscal pró-cíclica, e o crescimento acelerado dos gastos públicos vem merecendo os aplausos do presidente da República, que em recente entrevista afirmou que “a época do arrocho acabou”. Um cínico diria que isto não tem importância, porque os superávits primários vêm produzindo a queda da relação dívida/PIB, mas quem vem suportando o maior peso dessa queda são os Estados e municípios, e não o governo federal, cuja dívida líquida vem crescendo em relação ao PIB, mostrando que seus superávits primários deveriam ser maiores, e não menores. A outra razão para esse comportamento foi apontada por Claudio Haddad (Valor 19/11/2007), quando analisou o comportamento do déficit público “acima e abaixo da linha”: o governo central vem dando implicitamente subsídios nos repasses do FAT ao BNDES e elevando os custos da dívida com a esterilização da acumulação de reservas.

Leia tudo.

democracia · Economia do Setor Público · ideologias · liberalismo · libertarianismo

Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).

Economia do Setor Público · escolhas públicas · falhas de governo · leviatã · suécia

O Leviatã sueco

Johnny Munkhammar, program director at Timbro, a free-market think tank in Stockholm, explains that, even with its piecemeal approach, the Reinfeldt government is swimming against the tide of public opinion. “This government plans to sell a number of companies,” he says, “but because they have failed in communicating how and why, public opinion is not behind the measures.” Recent polling data show that a plurality of Swedes are opposed to offloading state companies (which could add some $22 billion to the government’s coffers). Given such public hostility, few expect Reinfeldt to engage in an aggressive privatization campaign.

Fredrik Erixon, a Swedish economist with the Brussels-based European Center for International Political Economy (ECIPE), laments that, despite reforms of income taxes, social security, and school policy, “nothing much has happened yet” on privatization. “The government has prepared for privatizing six companies,” he says, but “that’s not much considering the government’s portfolio of 55 companies.”

Aparentemente, Reinfeldt está longe do que lhe acusam os opositores socialistas. Mas, convenhamos, lutar contra tantos grupos de interesse de uma só vez é muito difícil.

Economia do Setor Público

Choque de Gestão.

Como é que o governo pode fazer para que alguém que gasta um dinheiro que não é seu se preocupe com a forma com que esse dinheiro é gasto? Não tem como. Eu sei, vocês sabem, e o governo sabe. Ao dizer que ao contratar mais funcionários públicos o governo está realizando um choque de gestão, ele deve estar se referindo ao fato dos funcionários ficarem se batendo, dentro de um inchado escritório de serviços públicos. Nem o multiplicador keynesiano é capaz de explicar esse choque.

Choque de gestão aqui e aqui.

André

Economia do Setor Público

O papel do governo

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal argentino La Nación avalia que as autoridades brasileiras podem ter autorizado a “utilização até as últimas consequências” da pista de Congonhas para evitar o custo político dos atrasos e do caos aéreo brasileiro.

Sob o título “Uma catástrofe anunciada após vários meses de caos”, o jornal é um dos raros que se aventuram a especular sobre razões políticas capazes de interferir na decisão técnica da Infraero de permitir pousos e decolagens no mais movimentado aeroporto do país.

Outros jornais mundiais – entre eles os americanos New York Times e Washington Post, o espanhol El Pais e o britânico The Independent – noticiaram o acidente com o vôo 3054 da TAM apenas notando que a tragédia se desenrola em meio a um clima de tensão que já minava a confiança no setor aéreo do país.

Mas, para o La Nación, “o pior acidente na história do Brasil não é um fato isolado, mas um novo capítulo, o mais trágico, da crise”.

Claudio

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Economia do Setor Público

A obesidade do Estado…e nós

Alguém aí comprou este livro? Ok, eu sei que é vaidade minha, mas o livro não só composto de liberais como eu, o que dá uma dica de que o problema é bem mais importante do que parece. Aliás, Armínio Fraga, sobre isto, está genial:

Faz parte da nossa cultura ibérica gostar do afago do Estado. Mas, como escreveu Eça de Queiroz, a mãe governo é pobre; como é pobre, paga pouco, e essa pobreza vai se perpetuando.” Com essa constatação, o economista Armínio Fraga defende que os brasileiros cortem seus laços de dependência de favores, subsídios e esmolas do Estado. Só assim, segundo ele, serão livres para gerar riquezas e a economia perderá a apatia que já dura duas décadas. Fraga presidiu o Banco Central (BC) de 1999 a 2002, quando ajudou a escrever um capítulo decisivo da história econômica recente do país. À frente do BC, introduziu o sistema de metas de inflação e o câmbio flutuante, peças centrais da engrenagem que hoje permite ao Brasil amortecer as intempéries financeiras. Aos 49 anos, ele teme que o governo atual perca, neste início de segundo mandato e em meio a um momento raro de prosperidade mundial, sua última oportunidade para concluir a segunda geração de reformas – justamente a que, ao reduzir o tamanho do Estado, tornaria o país mais independente da “mãe governo”. Atualmente, Fraga administra 2,8 bilhões de dólares no fundo Gávea de investimentos, empresa que abriu depois de deixar o governo.

Não pense que ele é o maior investidor deste país, meu caro. Para saber quem é, olhe a carga tributária, os gastos e a dívida pública. Aí você descobrirá quem realmente aloca recursos no país erroneamente acusado de ser “neoliberal”.

Claudio

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Economia do Setor Público

Déficit Zero, Responsabilidade Fiscal …nos EUA

O mesmo Tyler Cowen, em outro post, fala de idéias sobre limitações no tamanho do Estado que podem ser interessantes se você está pensando na proposta do deputado Delfim Netto, de Déficit Nominal Zero (já abordada aqui algumas vezes).

Do post de Cowen, o leitor poderá apreciar uma boa crítica sobre a política fiscal do segundo Bush, bem como conhecer em detalhes o debate sobre a limitação do poder de tributar do governo do Colorado.

Guardadas as devidas proporções, o movimento que implodiu a MP 232 pode ser pensado como um pequeno passo do eleitorado brasileiro para a compreensão de que um Estado “pequeno” não é necessariamente um Estado “fraco”. O problema, no caso do Brasil, acho, é o de que o federalismo aqui não é realmente flexível para experimentações de políticas públicas com respeito a diferentes formas de se controlar o gasto excessivo do governo.

Bom, talvez eu seja otimista, mas o tempo dirá se estou certo ou não.

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