Economia do Futebol – Relembrando a Divisão de Acesso do Gauchão 2017

As imagens a seguir mostram a evolução do desempenho das equipes participantes da Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho de 2017 em termos dos gols fora e dentro de casa (ou seja, como “mandantes” e como “visitantes”). Vale lembrar que, em apenas um jogo, entre Internacional de Santa Maria e Glória e Pelotas, houve necessidade de decisão por pênaltis, motivo pelo qual há um pico na produção do primeiro time (5 gols). O resultado, sem pênaltis, foi de 1 x 0 (nos pênaltis: 4 x 2).

No primeiro gráfico, o desempenho de cada equipe como visitante (o eixo horizontal ordena as partidas e o eixo vertical apresenta o número de gols). No segundo, com os mesmos eixos, o desempenho de cada equipe como mandante.

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Difícil achar uma tendência, não? Aparentemente, apenas o Santa Cruz apresentou alguma evolução, mas como visitante. Quer ver o desempenho dos mandantes na métrica “gols marcados menos gols sofridos”? Eis aqui o gráfico (por algum motivo, que ainda não consegui corrigir, o título saiu cortado).

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Hoje é domingo e o Lobão (EC Pelotas) tem uma decisão importante. A equipe é bem diferente da que disputou a divisão de acesso e, bem, vamos torcer!

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Divulgando

O pessoal deste blog entrou em contato comigo para…divulgar o blog. Gostei. Não sei quem são os autores (não achei nomes por lá), mas achei muito bacana o conteúdo. Como um dos temas mais recentes aqui é o de Economia dos Esportes, notadamente do Futebol, fica esta ótima dica.

Embora não seja um blog de Economia dos Esportes, per se, sua abordagem quantitativa já eleva o tom do debate sobre futebol uns “n” passos acima do achismo.

Neymar e a economia do futebol

Promoting healthy participation in sports like football is a valid social objective, but restricting the rights of players for the purpose of producing more professional football players is highly dubious as a mater of national public policy. As far as I know, no one thinks it would make sense for my employer, the University of Michigan, to have to compensate Oxford University or Birkbeck College for the education they gave me, still less Raynes Park High School or Pelham Middle School. If we want more professors for the public good we use taxpayer money to subsidise education rather than imposing a specific tax on people who are already professors. But football is not governed by the state, it is a private activity governed by organizations such as FIFA and UEFA. IF these organizations, and their member clubs, want to promote the development of professional players they can agree on a system of taxing clubs to do so.

Um belo trecho deste artigo do Szymanski sobre o sistema de transferências no futebol europeu. Ah, sobre o Neymar, aqui.

Demanda por ingressos de futebol (exemplo para aula de Econometria)

Este é um post sem maiores pretensões. É apenas um exemplo de variáveis instrumentais em Econometria para ser usado em sala de aula. O objetivo é discutir o uso de uma variável instrumental com base em uma amostra de países que fez parte de uma matéria jornalística sobre o preço dos ingressos de futebol no Brasil, lá em 2013.

A matéria apresenta uma tabela interessante que nos dá a possibilidade de pensar em uma estimativa de curva de demanda por ingressos de futebol. Há diversos problemas importantes. Primeiro, o preço médio do ingresso parece (embora não esteja claro) ser mensal. Segundo, a amostra não parece ser nada aleatória, mas motivada por algum critério que desconhecemos. Terceiro, não sei se os valores em reais foram ajustados para as inflações do Brasil e dos respectivos países cujos dados formam a tabela.

Mesmo assim, vou tentar ilustrar o problema econométrico aqui. Trata-se do fato de que temos apenas a quantidade vendida (portanto comprada) de ingressos (a cada mês), logo, temos o ponto de equilíbrio das curvas de oferta e de demanda. Como obter uma curva de demanda a partir disto? Precisamos de um instrumento que desloque apenas a curva de oferta, o que nos ajudaria a identificar a curva de demanda.

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Assim, procurei algo que geralmente impacta apenas a oferta. Escolhi a precipitação média anual de chuvas. A idéia é que as preferências dos consumidores não seriam afetadas pelo mau tempo, mas a oferta de ingressos sim (estou supondo que os clubes baixarão os preços de venda para atraírem mais consumidores em dias chuvosos).

Pode não ser o melhor instrumento do mundo (e este é um bom debate para outro dia), mas como a idéia é só ilustrar o método em sala de aula (terei que gastar um pouco mais de tempo em sala, claro), aí vai o resultado utilizando o bom e velho Gretl.

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Observamos uma elasticidade-preço unitária, o mesmo valendo para a elasticidade-renda. O resultado é bastante limitado (além do que eu disse lá em cima, há o fato de termos apenas 16 observações…), mas poderemos ver em sala de aula que o teste de sobre-identificação (o teste de Sargan) nos diz que o instrumento utilizado está ok.

Eu sei que não é o melhor exemplo de economia do futebol que alguém poderia fazer, mas como exemplo para uma aula de variáveis instrumentais (cuja utilidade estou longe de ter explicado aqui, eu sei), até que ficou um exemplo simpático.

Vale a pena encher vários ônibus de torcedores para jogos fora de casa?

PaperCamera2017-05-13-10-53-42Esta é uma pergunta válida porque times de futebol têm recursos escassos e decidir como alocá-los é uma tarefa sabidamente difícil. Não fiz uma pesquisa ampla, mas achei interessante este resultado encontrado para o beisebol dos EUA. Vejamos o resumo:

We examine the role of attendance in home-field advantage for Major League Baseball, using a dataset of all MLB games played from 1996 to 2005. Using two-stage least squares, we find that attendance has a significant effect on the home-field advantage. Our results indicate that a one standard deviation increase in attendance results in a 4% increase in the likelihood of a home team win. We also find that if attendance as a percent of stadium capacity were to increase by 48%, we would expect the home team’s run differential to increase by one run. We show that the additional home-field advantage is driven by increased home team performance.

Bem, digamos que o mesmo ocorre em outras amostras de esportes como o futebol (uma hipótese heróica, eu sei, mas só para estimular o debate). Neste caso, teríamos que torcida seria importante em jogos em casa (ou seja, o efeito home advantage), ceteris paribus (= “tudo o mais constante”) outros fatores. Claro, não adianta ter uma torcida gigante se o conjunto composto de equipe técnica e plantel da equipe não funcionar.

Ah sim, antes de terminar este texto encontrei uma referência a um estudo que mostraria que a torcida é importante, mas novamente em jogos realizados em casa. O complicado desta pergunta, acho, está em se entender o mecanismo de transmissão da torcida: como é que a pressão da torcida se traduz em desempenho melhor da equipe da casa?

Talvez o efeito seja relativo, ou seja, quando o time joga em casa – e a distância entre as sedes dos times é considerável – o tamanho da torcida do time da casa geralmente supera o do time visitante. Então, na verdade, o efeito seria relativo ao tamanho das torcidas. Caso isso seja correto, então, sim, valeria a pena encher vários ônibus com torcedores quando seu time jogar fora de casa.

Claro, ainda não fica claro, para mim, como é a transmissão do efeito da torcida sobre o clube, mas imagino que fatores psicológicos sejam importantes. Ah sim, vale a pena lembrar que isso não garante, por si só, resultado de jogos: estamos apenas detalhando um dos fatores que possivelmente explicam o bom desempenho de um time.

Economia dos Esportes – A divisão de acesso (complemento)

Eu não costumo fazer isto, mas aqui vai, apenas para desencargo de consciência, a atualização das tabelas do post que publiquei sobre a divisão de acesso na qual se encontra um dos meus dois times favoritos, o E.C. Pelotas (Lobão!).

Faço a atualização porque aí temos completas as onze primeiras rodadas da divisão de acesso. Dos 88 jogos até agora, 42 vitórias foram obtidas nos campos dos mandantes, o que nos dá 48% de “mando de campo” (ok, já discuti anteriormente isto, não vou me repetir). Ah sim, lembro que o próximo jogo é quarta-feira (amanhã) e você pode conferir mais aqui.

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Economia do Futebol – novamente

Outro artigo novo sobre o tema. Eis o resumo:

Playoffs or Just League: A Debate in Brazilian Football
Thadeu Gasparetto and Angel Barajas
Abstract:
After several consecutive seasons in the league, the Campeonato Brasileiro may return to the playoffs format. The Brazilian Football Confederation (CBF) and some Brazilian clubs commented that this format will provide higher competitive balance and increase the interest of Brazilian football fans. Therefore, the objective of this paper is to assess the competitiveness and the interest of Brazilian fans in the last twenty-four seasons: Playoffs (1991-2002) and League (2003-2014). The competitiveness is evaluated by Herfindahl Index of Competitive Balance (HICB) and C4 Index of Competitive Balance and the interest measured by the average attendance to the stadiums. The results show that Brazilian League has become more balanced since 2003 season and football fans are more interested in the tournament with league format. The main conclusion is that the change to the playoffs would not improve the competitiveness and the interest of fans. Moreover some problems of the Brazilian football market are commented and some solutions proposed to improve it.
É, também estou curioso para ler o artigo.

Quanto mais times no campeonato…melhor?

Eis aí um artigo que nos dá novas hipóteses testáveis.

Sports League Expansion and Consumer Welfare
LAWRENCE M. KAHN
Cornell University and Princeton University
This article studies sports league expansion and consumer welfare. The author assumes that as a sports league expands, the average quality of playing talent falls, and each fan sees superstars fewer times per season. Expansion thus imposes a negative externality on existing fans. If all revenues come from local sources, such as gate receipts and local media, then the optimal league size (which maximizes total fan utility net of team opportunity costs) is the same as the monopoly league size that maximizes total league profits, but the competitive (free entry) league size is too large. If all revenues are national, split evenly, and where a broadcast network charges a uniform national price to viewers, the optimal league size is between the larger competitive size and the smaller monopoly league size. The more elastic the supply of talent is, the closer the competitive size is to the optimum.

Deu lá no Journal of Sports Economics, v.8, n.2, Apr/2007.

Economia do futebol

Artigos que acho sem querer:

Título: O fim do passe e seu impacto sobre o desequilíbrio competitivo entre as equipes de futebol
Autor: Fábio Augusto Pera de Souza e Claudio Felisoni de Angelo

Bacana, não? Já o havia citado aqui, neste blog, em sua dissertação de mestrado (refiro-me ao Fábio). Como se percebe, o estudo econômico dos esportes só progride no Brasil…