economia da defesa · Economia do Conflito · Economia do Crime · falhas de governo · Humor · segurança privada

Carro bom para se andar em um país no qual se paga impostos mas a segurança pública,…óóó..

Fonte: Esta.

O custo de se pagar mais um centavo de imposto para não se diminuir um único ponto percentual na violência é o exatamente o que me custa a oportunidade de pagar por uma empresa de segurança privada que faça isto de maneira decente.

No Brasil, de fato, discutir segurança privada (por exemplo, num contexto anarco-capitalista) é algo anacrônico. O brasileiro, mesmo o cronista/filósofo/palpiteiro de plantão que se pretende indignado com a “privatização” das tarefas de segurança já vive em um condomínio fechado, vigiado com seguranças privados e usa alarme eletrônico em seu carro.

Quando até os críticos já vivem como reclusos, a discussão parece mesmo estar até atrasada. Dia destes farei um post sobre o tema que, sim, fascina-me.

Bolívia · Economia do Conflito

Economia Política do Conflito: Bolívia

Eis aí algo curioso em um modelo teórico sobre conflitos:

Thus, from the simple model of conflict and appropriation (which is also consistent with much of the related literature that has examined more elaborate economic environments), we have derived the following implications:
• Conflict reduces the resources available for consumption and production.
• Conflict and (contestable) income are positively related
• Conflict and investment are negatively related
• Conflict and endogenously-generated growth are negatively related
• Conflict and exogenously-generated growth are either not related or positively related (the latter, when growth is anticipated).

Conflito e crescimento (exogenamente gerado) com uma relação positiva? Bem, é o resultado do modelo dos autores deste artigo que analisa a economia do conflito na Bolívia. Como assim? Vejamos outro trecho:

In fact, growth seems to reduce conflict when endogenously generated, while it seems to cause conflict when exogenously generated. After specifying a simple model that generates hypothesis that take into account of these two different types of growth, we found evidence consistent with the hypotheses. In particular, variation in incomes due to changes in the terms of trade can be considered exogenous and we find that increases in such income induce greater conflict. On the other hand, greater conflict tends to reduce private investment, at least some of which could be considered to be a main source of future (endogenously-generated) growth. Finally, the degree of government repression tends, not surprisingly, to reduce conflict.

Estranho, não? Bem, leia o artigo para saber mais.

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Turquia e Curdistão

Você acha que esta briga entre o governo turco e os curdos é novidade? Não, não é. Implicações? Várias. Principalmente no que concerne ao equilíbrio de poder entre o Iraque e a Turquia. Interessante, contudo, é pensar que, neste caso, não dá para culpar os colonizadores britânicos ou algum outro europeu. Afinal, a Turquia já é independente há anos e nunca quis ceder parte de seu território aos curdos.

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Segurança privada

Reproduzo da newsletter do The Independent Institute, um dos melhores Think Tanks que conheço.

Security Contractor’s Mistakes Reflect Government-Created Incentives, Not “Market Failure”

Earlier this month, the shooting deaths of 17 innocent Iraqi civilians brought unwanted publicity to Blackwater USA, a private firm under contract with the U.S. military to provide diplomatic security and similar services in Iraq and other hotspots. Some people may be tempted to view the Blackwater deaths as an example of the pitfalls of privatization, but in his characteristically nuanced column for the New York Times, George Mason University economist Tyler Cowen explains why this is gross oversimplification is highly misleading.

“The overall problem is not private contracting itself; contractors do not set the tone but rather reflect the sins and virtues of their customers, namely their sponsoring governments,” writes Cowen, co-editor of the Independent Institute book Market Failure or Success. “A private contractor doesn’t have a financial incentive to protect Iraqi citizens, who are not paying customers. Ultimately, this reflects the priorities of the United States military itself.”

Cowen notes some of the trade-offs that the use of private contractors entails. He also notes some of their unrealized potential. For example, had the UN chosen to hire private contractors in central Africa in the mid-1990s, as it had contemplated, instead of employing poorly trained police from Zaire, it’s conceivable that many of the 800,000 lives lost during Rwanda’s bloody civil war would have been spared.

Cowen also notes that his colleague (and Independent Institute Research Director) Alexander Tabarrok discusses the history of private contractors—namely, the privateers of the 19th century—in the spring 2007 issue of The Independent Review. Although Cowen doesn’t say so, Tabarrok’s article makes essentially the same point as his own. To paraphrase: the “contracting out” of security services should not be conflated with the full privatization of security, because the chain of “contracting out” is only as strong as its weakest link—in this case, Uncle Sam.

“To Know Contractors, Know the Government,” by Tyler Cowen (The New York Times, 10/28/07)

Market Failure or Success: The New Debate, edited by Tyler Cowen and Eric Crampton

“The Rise, Fall, and Rise Again of Privateers,” by Alexander Tabarrok (The Independent Review, Spring 2007)

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A demografia da guerra

Será que Levitt também compraria esta idéia?

“LOOK AT IT THIS WAY,” Gunnar Heinsohn said. “Your family is in a shooting war with a family across the street. Your forces consist of a father, mother and one child, perhaps two. The other family has a father, mother and seven children, perhaps eight or nine. For your family, the loss of one person would be devastating. The larger family can take casualties and continue fighting.”

We were in London, having coffee before a Jane’s Cityforum conference on “Defense to 2020 and Beyond.” As we talked, generals, staffers, and defense contractors maneuvered among the pastry tables. Heinsohn is director of the Raphael-Lemkin Institute at the University of Bremen and author of Sons and World Power: Terror in the Rise and Fall of Nations, an academic best-seller in Germany. Later in the day he would be lecturing professional soldiers on the “demographic dimension” of future warfare.

“My point,” Heinsohn continued, “is that the strength of a nation’s military is affected by the size of a nation’s families. Falling birth rates in Western countries mean that even light casualties in Iraq and Afghanistan bring cries of pain in Europe and America. But Iraq and Afghanistan are growing rapidly. Their populations are swollen by youth bulges. Their average family has five or six children. They are in what I call ‘extreme demographic armament.'”

Neste caso, o aborto seria uma forma de desarmamento? Provavelmente não. Lembre-se que o argumento de Levitt sobre a relação entre aborto e criminalidade tem a ver com o não-nascimento de crianças indesejadas. A tese de Heinsohn faz lembrar muito o argumento do próprio Hitler de que a função social das mulheres era ser mães de vários filhos, esta coisa meio “espartana” de que “mais homens é igual a maior exército”.

O que Heinsohn diz não entra, pelo menos nesta entrevista, no mérito de se diferentes métodos de concepção (no sentido de sexo consensual ou não) são diferentes em seus efeitos sobre o tamanho do potencial de soldados de um país. Pode ser que não faça diferença e que estupros em massa como os promovidos pelos militares sérvios, vergonhosamente, na desintegração da Iugoslávia, gerem, realmente, um bando de soldados violentos e prontos para o combate. Mas pode ser que ocorra o contrário. Pode ser que estes filhos “párias” sejam mais propensos ao crime.

Eis aí um tópico interessante para se pensar: a alocação de um talento de um indivíduo entre combate e produção é decisão pessoal. Mas isto independe, de certa forma, de quantos destes indivíduos nascem. Logo, porque é que o simples nascimento de filhos geraria um exército maior? Faltou um pouco de microfundamento nesta análise. Ou, claro, o argumento de Heinsohn é bem mais detalhado no livro e a reportagem não foi profunda o suficiente para expor sua tese em detalhes.

Sim, fiquei curioso. Acho que vou ter que comprar este livro. Talvez eu comece lendo isto ou (se meu alemão ainda for minimamente útil) isto.

Ah sim, uma observação que não tem a ver com guerra mas talvez com demografia é esta. Na verdade, achei que não valia a pena fazer outro post só para uma linha sobre Acemoglu. ^_^

Economia do Conflito · falhas de governo · história · uso político da ciência

Novas aquisições

O primeiro, já na fila, é decorrência de minhas leituras iniciais sobre o uso bolivarian..digo, politicamente correto da ciência na Alemanha nazista (valeu, Cisco!). O segundo, na verdade, é um sonho de consumo antigo, adquirido graças à taxa de câmbio atual e é um clássico para qualquer um que estude Economia do Conflito.

Ou seja, um é lazer, o outro é trabalho.

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Defesa: um bem privado?

An inconvenient truth missing in the debate over Blackwater (which is currently in trouble with the Iraqi government over a shooting incident), is that the US military is completely dependent on private military companies (PMCs). This dependency can’t be wished away or reversed. If anything, given the trend lines, PMCs will increasingly replace conventional military forces well into the future.

Por que? Leia aqui.

Economia do Conflito

Funcionária americana diz o óbvio. O problema é que ninguém quer ouvir

Anne Patterson diz o que já me disseram vários brasileiros: a Tríplice Fronteira é uma terra de ninguém.

E é um perigo.

Um país pequenininho como o Brasil não deveria deixar de olhar para suas fronteiras. Um SIVAM apenas é pouco. Mas, claro, este é um problema de segurança pública. Mais um, digo…

Claudio

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Economia do Conflito

Jack Hirshleifer

Os leitores deste blog sabem que eu gosto muito do recém-falecido Jack Hirshleifer, notadamente por seus escritos em Economia do Conflito.

Eu não havia visto esta entrevista, mas vale a pena ler tudo. Eis um bom trecho.

W.P: Fine. I don’t know if this is a sensitive point for you or for Americans in general, but is there anything you would like to say regarding the recent terrorist attacks to the U.S.? How do you interpret that from your perspective?

J.H: Yes, that is quite interesting. I have a recent paper on appeasement in the American Economic Review . Sometimes we hear or we read in history that it never pays to appease an aggressor. Before World War II, at Munich, British Prime Minister Neville Chamberlain was trying to appease Hitler to say, “oh, I will give you this, I will give you that, then you’ll be satisfied, we hope, and we will not have a war”. Whereas, Winston Churchill, said, “no, no, it will not work”, and of course Churchill was absolutely right. Now the question is how general is that? Is it always true that you should never appease someone who is hostile to you? Or might it be the case that sometimes appeasing might make sense? This paper in the American Economic Review says, yes, there are circumstances where it might make sense. Nevertheless even though there are circumstances in which appeasement might make sense, they did not apply to Hitler. So Churchill was right, but that doesn’t mean that it’s absolutely always right, never, never to appease. Here is the key idea. Assume the other party is hostile. Even so, it might pay to appease him if, by making him richer, he becomes less hostile. The point is that as he gets wealthier, he will devote less effort to attacking you, then it might pay to buy him off. But, if, when he gets wealthier, he will devote more effort to attacking you, then it goes the other way. So, in the case of Hitler, Chamberlain thought: well, he’s really not a very nice man, but it could be that if we make him more powerful or wealthier, then he’ll realize that it makes sense not to go to war. Whereas Churchill thought that would be giving him the resources with which to buy weapons and attack us more. In my opinion that’s the situation here also. Let’s say we’re talking now about anti-American extremists or Islamic extremists, are they people who can be bought off? My own belief: no, they can’t. I don’t think this is a case where appeasement pays. Appeasement can sometimes pay, but I’d say no, not in this case. I don’t think these are people who can be bought off. So, going easy on them, giving them more resources, in my opinion, is not going to work.

Claudio

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Economia do Conflito

Economia está em todo lugar…até na guerra

Sobre a guerra no Iraque, disse o prof. Keith Hartley:

“If we are going to continue our role as a world military power, we can’t ignore the economics. The cost of equipment and personnel are rising and something has to give. We could abandon our role as a world military power leading to considerable savings on our defence budget, probably of the order of 0.5 per cent of Gross Domestic Product a year,” he added.

É, não dá mesmo para ignorar o papel do economista em políticas públicas, ainda que sejam estas…

Claudio

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Economia do Conflito

A Economia Política do Anti-Semitismo Venezuelano

Lembra da declaração do Chávez de tons anti-semitas? Agora tá explicado.

The Iranian news agency MEHR said last year that the two countries have signed contracts valued at more than $1 billion. In sum, Iranians, presiding over an economy that is itself crumbling into disrepair, are going to build Venezuela 10,000 residential units and a batch of manufacturing plants, if MEHR can be believed. Chávez reportedly says these deals–presumably financed with revenues that might be better employed repairing the vital bridge–include the transfer of “technology” from Iran and the importation of Iranian “professionals” to support the efforts.

Foi só o dinheiro aparecer que o neo-bolivarianismo mostrou sua verdadeira face. Cuidado Dr. Jekly Guevara, Mr. Hyde Hitler mora ao lado.

Claudio

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Economia do Conflito

Vidro, bombas e o mercado

O Shikida me mandou essa saborosa notícia. Vejam que o mercado funciona até no Iraque: ele fornece vidro para as casas destruídas por bombas.
Mas o ponto mais curioso, está no fim da notícia. A informação é que existe uma produção doméstica de bombas em Bagdá por pessoas que não tem qualquer relação com os insurgentes. São pessoas que só pensam no $.
Ou seja: “São os incentivos, mané!”

Leo

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Economia do Conflito

O Duopólio da Coerção

Acho que todo economista que já passou por livros ou artigos de Jack Hirshleifer teve a oportunidade de dizer que o fato de a economia estudar a alocação de recursos escassos não significa que esta alocação se dê apenas de forma pacífica (= mercado). Bom, James Buchanan já nos lembrou que coerção legalizada (= governo) também é uma forma de realocar recursos.

Ok, o que Hirshleifer fez foi ampliar o escopo para alocações através de coerções não consentidas (= conflito). Desde Gary Becker que temos estudos interessantes sobre a economia do crime (tópico preferido do prof. Ari F. Araújo Jr, do IBMEC-MG, por exemplo).

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