economia da economia · economia dos economistas · prática científica no Brasil

Direto do forno…

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006. Econ. Apl., jul./set. 2007, vol.11, no.3, p.387-406. ISSN 1413-8050.Este paper estende a análise de Faria (2000) para o período de 1999-2006. O estudo analisa a produção de 750 economistas acadêmicos de 31 departamentos de economia com programas de pós-graduação no Brasil. Ao nível individual, somente 12 economistas conseguiram publicar pelo menos um artigo nas revistas acadêmicas mais importantes da profissão, e 96 economistas publicaram pelo menos um artigo nas revistas da lista de revistas internacionais. As áreas de pesquisa em que os brasileiros são mais bem sucedidos são: Economia Aplicada, Desenvolvimento Econômico, Economia Matemática e Economia Pós-Keynesiana. Há uma diferença marcante de qualidade entre os departamentos. A performance dos departamentos depende de esforços isolados de indivíduos. O número total de artigos publicados, de pesquisadores publicando em revistas internacionais e departamentos com membros publicando em revistas internacionais, cresceu durante o período.

Palavras-chave : rankings de departamentos e economistas; papel dos economistas.

Clique aí e descubra quem são os autores. ^_^

p.s. Eis outro artigo muito bom sobre a pergunta que sempre nos fazem: “como medir a qualidade“?

economia da academia · economia da economia

Incentivos do governo distorcem desempenho de acadêmicos?

Considere este trecho desta excelente entrevista:

Academicamente, nas publicações, o Brasil avançou muito, mas não tanto do ponto de vista das aplicações, de uso da ciência. Em geral, nosso sistema de incentivos ainda é muito acadêmico. Veja o caso da Capes, uma instituição que todo mundo considera muito bem-sucedida, mas que está chegando ao limite do seu modelo: está montada para a valorização do trabalho acadêmico, tem muita dificuldade para apoiar áreas interdisciplinares e desestimula qualquer tipo de atividade em que exista um benefício que tenha a ver com resultados, com aplicações. A Capes tenta colocar todos os programas de pós-graduação no país dentro de um sistema unificado e coordenado de avaliação, mas este sistema já começa a se extravasar. O Brasil até hoje não conseguiu avançar com os mestrados profissionais, que são os que predominam em todo o mundo, porque eles não se sairiam bem nas avaliações da Capes.

Lembra da discussão do Adolfo Sachsida (e minha) sobre os incentivos da CAPES e os programas de graduação e/ou pós-graduação de Economia? A dimensão acima – relação com o mercado – mostra que existe mais um problema sério a ser considerado.

Mas, e os incentivos à inovação?

Uma queixa comum na área empresarial é que é muito complicado usar os fundos públicos de inovação. Como os procedimentos são lentos e não se sabe quando o dinheiro vai sair, muitas empresas acham que não vale a pena o esforço. Se o financiamento à inovação é muito subsidiado, existe o risco de as empresas buscarem o dinheiro e usarem para outros fins. Outra questão é o estímulo, a necessidade que as empresas têm de inovar. É uma questão que já não é mais da ciência, mas de economia. Algumas empresas competem no mundo em termos de inovação e eficiência, enquanto outras trabalham mais em quantidade, baixando os preços, porque conseguem mão-de-obra mais barata, e não têm como competir no nível da tecnologia mais alta.

Notou, leitor, a deixa para se falar de “rent-seeking”? Subsídios podem gerar distorções nos esforços dos empresários, no sentido de levarem-nos a caçar renda (rent-seeking) e não a promover o bem-estar social através da busca de lucros.

Mais outro ponto: como os “progressistas” da “esquerda” “bolivariana”, os heróis dos alunos (doutrinados) de colégios atuam neste ambiente?

Em relação aos centros acadêmicos de pesquisa, é importante desenvolver sistemas de incentivos que favoreçam mais a aplicação e a busca de resultados, e não somente os critérios acadêmicos de qualidade. As fundações universitárias, que existem na USP e em muitas universidades públicas, são uma maneira interessante de criar pontes mais efetivas com o mundo externo. Há um movimento, que eu diria muito reacionário, que busca derrubar essas pontes, argumentando que a universidade pública não pode receber dinheiro fora do orçamento e o professor não pode ter complementação salarial. Deveria ser o contrário. Um professor competente na área de computação que possa fazer contribuições importantes não tem de ganhar o mesmo que um professor de história, geografia, sociologia, que é a minha área, ou de ciência política.

Notou, leitor? Tem sociólogo que deseja mesmo é ser, como diria Gaspari, ociólogo. Ou seja, o sujeito quer financiamento público (= mais impostos do resto da sociedade) para não fazer nada de aplicável. Que beleza! Os recursos escassos, gente passando fome (“quem tem fome tem pressa”, né?) e o sujeito quer dinheiro para fazer pesquisa sobre a fome sem qualquer aplicação prática. Até imagino aquele “construto” teórico bonito, cheio de desenhos e neologismos…mas sem nada de aplicável para resolver o problema da fome. Não acho ilegítimo que se construam teorias novas, claro. Mas Simon (o autor dos trechos) tem um ponto importante: mensuração de resultados.

Simon parece achar que a avaliação acadêmica está razoavelmente desenvolvida e, neste ponto, eu acho que ele é muito otimista. Mas isto não torna sua crítica menos relevante. Apenas mostra que o problema é maior.

Mas, claro, você poderia pensar que os acadêmicos da universidade pública devem estar revoltadíssimos com isto. Será?

Na época do governo Fernando Henrique Cardoso, o Paulo Renato de Souza, como ministro da Educação, tentou mexer com as universidades públicas, dando-lhes mais autonomia e responsabilidade pela qualidade de seus resultados e uso adequado de recursos. Houve uma reação contrária muito forte e nada se fez. Na época do Itamar Franco, todos na universidade gostavam de Murilo Hingel, o ministro da Educação; ele sempre elogiava as universidades e não tinha nenhuma política para o setor. O atual governo faz também um pouco isso.

Notou? Fala bem e dá dinheiro, sorrisos. Tente dar autonomia – o que significa mais responsabilidade – e você ganhará vaias. Lembra um pouco o comportamento de Peter Pan: não quer crescer nunca.

Bom, mas você pode se perguntar sobre o papel dos burocratas no desenvolvimento da ciência. Hoje mesmo discutimos eu e uns alunos sobre a tal política industrial.

Eu nunca acreditei no planejamento da economia e muito menos no planejamento da ciência. Para se ter ciência é preciso uma comunidade científica livre. Deve ser livre, acadêmica, tem de ter instituições com independência. Ben-David mostra bem, em seus estudos, como foi assim que a ciência ocidental se desenvolveu. Além dele, Robert Merton, um dos principais nomes da sociologia norte-americana, havia desenvolvido a idéia da ciência como uma comunidade livre de scholars, que se contrapunha às tentativas de atrelar a ciência aos regimes políticos que, nas décadas de 1930 e 40, tentaram amarrar a ciência aos regimes autoritários da Alemanha nazista, antes, e à União Soviética stalinista, depois. Esses autores se opunham à tradição que se pode chamar bernalista, de John Desmond Bernal. Bernal era um inglês que desenvolveu pesquisas originais na área de cristalografia e contribuiu ativamente para o esforço de guerra de seu país contra a Alemanha. Era fascinado pela União Soviética, que citava como um grande exemplo de como se coloca a ciência a serviço da sociedade. Nisso ele seguia a tradição de Jean Perrin, físico e Prêmio Nobel francês, responsável, junto com Irène Joliot-Curie, pela organização do sistema científico francês no período do Froint Populaire na década de 1930. Para eles, a ciência tem de estar dentro do Estado, a serviço do planejamento, e ajudar a organizar a sociedade de acordo com critérios científicos.

Conclusão? Gente muito inteligente em química nem sempre o é em economia (e vice-versa). Olha só como o sujeito bom de serviço desejava impor seu modo de ver à sociedade.

Vale a pena ler toda a entrevista. Mesmo.

Academia · economia da economia · economia dos economistas

Enquanto você aguarda o Prêmio Nobel de Economia…

…uma dica de leitura sobre como vai nossa ciência.

Where Economics Has Been Headed? Multiple Identities and Diversity in Economic Literature – Evidence from Top Journals Over the Period 2000-2006 – A First Note

LUIGI CAMPIGLIO
Catholic University of the Sacred Heart of Milan – General
RAUL CARUSO
Catholic University of the Sacred Heart of Milan August 2007
Abstract:
This short paper presents some preliminary results of an ongoing research work focusing on richness and diversity of economic literature. The key idea is that each article published in an economic journal retains multiple identities. These multiple identities are captured through the use of Jel codes. A sample of ten top generalist journals has been selected. The relative abundance of all Jel categories has been computed for the period 2000-2006. Moreover, a degree of diversity has been proposed for both the sampled journals and the entire Econlit database.
Keywords: JEL, Econlit, Economic Journals, multiple identities, identity, relative abundance, diversity, evenness, richness.

JEL Classifications: A10

Working Paper Series

Academia · economia da economia

A Economia Política da Pós-Graduação

Leitores deste blog acompanharam meu diálogo com Adolfo Sachsida – assim o conheci – em um dos tópicos que mais acho interessante: o estudo dos incentivos na academia. Bem, para minha surpresa – e para a alegria do Adolfo – ele tem uma boa notícia.

Eu já dei dicas sobre esta área de pesquisa aqui. Chamo-a sempre de economia da economia (ou economia dos economistas). De qualquer forma, é bom ver que os burocratas da CAPES souberam revisar o seu ranking de forma a torná-lo menos imperfeito.

UPDATE: Parece que o novo ranking vai gerar briga. Acabo de ver o arquivo (veja o link no blog do Erik, o Moral Hazard). Estou curiosíssimo para ver a reação do pessoal da EPGE/FGV.

economia da economia · economia dos economistas · falhas de governo · Humor · irracionalidade racional · pterodoxia

Irracionalidade Racional, o Mito da Eficiência da Democracia e uma Observação sobre a UCB

I. Overture

Quando eu li o “Mito do Fracasso da Democracia” (numa tradução algo sofrível), anos atrás, eu o fiz por causa do Byran Caplan. Depois, Caplan prosseguiu no desenvolvimento de sua tese da irracionalidade racional e eu fui ler outras coisas.

Pois aí eu abro meu computador, passeio pelo Google Reader e encontro isto. Nada mais interessante. Aliás, os textos do debate parecem estar disponíveis para leitura (UPDATE: veja isto também).

II. Andante ma no troppo (ou algo assim)

Mudando um pouco de assunto, ontem eu apresentei um artigo escrito com o Ari e o Jocka lá na UCB. Eu não conhecia a UCB, nunca havia visto o Adolfo Sachsida pessoalmente e, em resumo, eu digo o seguinte: os professores da pós são muito simpáticos e o debate que tivemos foi muito bacana. No meio da discussão, claro, tentei jogar uma piada mas, como sempre, ninguém me entendeu (o que nos leva a pensar sobre dois erros: “erro tipo I”- meu humor é muito sofisticado, mas ninguém entende; e “erro tipo II” – meu humor é muito ruim, mas todo mundo gosta).

O artigo, para quem (ainda) não sabe, tem lá um ranking de produtividade dos departamentos de economia brasileiros (não todos, apenas os que têm pós-graduação strictu sensu). A UCB ficou bem no ranking e, após as bem-humoradas colocações do Adolfo sobre meu potencial de criar inimigos com este artigo, concluí que há uma hipótese testável adicional: somente seremos convidados para expor o artigo nos departamentos melhores colocados. ^_^

Ah sim, a piada. A piadinha me foi dita pela primeira vez pelo meu ex-orientador, o Ronald Hillbrecht. Trata-se de uma paródia, por assim dizer, de um antigo texto inacreditavelmente celebrado pela pterodoxia nacional, o “Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias”, de um tal Sraffa. A piada, no contexto da produção acadêmica de artigos, é falar que existe uma função de produção de artigos que é a “Produção de Artigos por Meio de Artigos”. Claro, só entende a piada quem foi aluno de gente pterodoxa (aqueles que passam metade de suas aulas dizendo que o que ensinam não presta para nada, exceto quando a tonalidade política do item exposto lhes é favorável), o que, creio, não é o caso da S.W.A.T. que leciona na UCB.

Por falar no Adolfo e por falar em pterodoxia, eis um teste simples para você saber se existe ou não doutrinação pterodoxa em seu curso: cheque o que é efetivamente lecionado no total das cadeiras que normalmente tratam da História do Pensamento Econômico. Se elas não ultrapassam Marx, então há apenas as seguintes possibilidades: (i) seu professor é um ignorante e nunca estudou nada além do século XIX (e olhe lá), (ii) seu professor conseguiu transformar um curso de 60 horas em algo incrivelmente monótono, (iii) seu professor é, sim, um pterodoxo doutrinador.

Na verdade, eu acho que são somente duas possibilidades, mas eu concedo o benefício da preguiça (a hipótese (ii)) como opção entre a ignorância e a doutrinação deslavada.

Academia · economia da economia · falhas de governo · pterodoxia

Há PhD’s e PhBos…

Dani Rodrik, Princeton: “call me naive, but I also think that Mugabe would not have pursued his policies for this long if he had a better grasp of debt dynamics.”

Anil Hira: Simon Fraser University: “This article examines more carefully the oft-made hypotheses that (1) “technocrats” or politicians with an economics background are increasingly common and (2) that this “improvement” in qualifications will lead to improvements in economic policy….Using statistical analysis, the article finds that we cannot conclude that leadership training in economics leads to better economic outcomes.”

So I ask you ladies and gentlemen, who ya got??

O trecho acima é do Mungowitz/Angus. E o que podemos concluir do que foi dito acima? Basicamente, que em processos decisórios que não envolvem o mercado (como é o caso da burocracia), incentivos políticos são importantes. Enquanto no setor privado, o incentivo econômico seja o mais atuante (o incentivo político atua, mas uma perspectiva de prejuízo já muda um bocado a opinião do chefe), no setor público sua competência não é tão importante assim.

Agora, às qualificações.

Primeiro, é claro que muita gente insegura, cheia de medos, adora fazer concurso público porque não confia no diploma que acaba de adquirir e prefere um emprego estável com algum salário. Neste sentido, a estatização da economia também funciona como uma fonte de perpetuação dos problemas psicológicos de alguns carinhas.

Segundo, vamos admitir que a expertise de um economista seja sinônimo de bons conhecimentos técnicos (muito economista tem um diploma, mas não tem nada na cabeça). Suponhamos, para simplificar, que todos os economistas com diploma sejam, realmente, melhores do que os sem diploma. Dado que os incentivos políticos atuam, prejudicando o bom andamento da política econômica, o que seria melhor? Deixá-los no setor privado ou colocá-los no governo?

A resposta passa, provavelmente, pela vantagem comparativa dos economistas em relação às falhas de governo. Se as falhas forem tão fortes que não adianta colocar no governo um economista bom, a sociedade ganha mais com este economista no setor privado.

E isto nos leva à última observação que alguém provavelmente resumiria, após ler o último parágrafo, na seguinte e indignada frase: “- Mas, Claudio, isto é maldade com o povo”.

De fato, é maldade. Mas o povo elege representantes que, por sua vez, escolhem tanto burocratas como também o tamanho do governo. No exemplo simples acima, o povo poderia até desconfiar (já que todo economista inteligente diria que o tamanho do governo além do ponto ótimo não seria recomendável), mas no mundo real, no qual existem pterodoxos e economistas, as recomendações sérias podem ser expulsas do mercado das idéias pelas recomendações populistas (alguém poderia batizar isto, ironicamente, de Lei de Gresham da política econômica).

Na verdade, o que Mungowitz e Angus dizem não é algo tão novo assim. Os estudiosos de Escolha Pública se dedicam a isto desde, pelo menos, 1953, quando Arrow falou daquela incômoda impossibilidade…

economia da economia

A Economia dos Economistas

Conversamos sobre isto ontem, né? Pois olha o que temos aqui:

“Is Peer Review in Decline?”
NBER Working Paper No. W13272

Contact:  GLENN ELLISON
Massachusetts Institute of Technology (MIT) –
Department of Economics, National Bureau of
Economic Research (NBER)
Email:  
gellison@mit.edu
Auth-Page:  
http://ssrn.com/author=21500

Full Text:  http://ssrn.com/abstract=1002051

ABSTRACT: Over the past decade there has been a decline in the
fraction of papers in top economics journals written by
economists from the highest-ranked economics departments. This
paper documents this fact and uses additional data on
publications and citations to assess various potential
explanations. Several observations are consistent with the
hypothesis that the Internet improves the ability of high-profile
authors to disseminate their research without going through the
traditional peer-review process.

Bacana, né?

Academia · Ciência · ciência econômica · economia da economia

A economia da economia

Algumas pessoas que visitam este blog ficam curiosas sobre o tipo de pesquisas que seus autores desenvolvem. Deixe-me falar de uma de nossas agendas de pesquisa (minha e do Ari): a Economia da Economia. Não, você não leu errado. É isto mesmo, “Economia da Economia”. Conheci esta área por causa de conversas com João Ricardo Faria e por causa das pesquisas do Tom Coupé. Aliás, vejamos a definição que este último faz sobre esta agenda de pesquisa:

Economics of Economics is studying the behavior of economists and the characteristics of the economics profession. Maybe this is less wackonomics than the others as it’s mainly of interest to economists. At the other side, some people clearly do not like it. Click here for some evidence of this!

Por que eu gosto disto? Bom, a economia é ciência dos incentivos, por excelência. Nada mais interessante do que observar os incentivos que regem as ações dos próprios economistas. Muita gente reclama que os economistas são “imperialistas” porque desenvolvem modelos para explicar coisas como o crime, o conflito ou decisões políticas. A reclamação tem muito de ciúme dos concorrentes das outras áreas do conhecimento (o mercado das idéias também tem gente que adora criar barreiras à entrada…) e muita injustiça. Afinal, existe a economia da economia. Em outras palavras, somos honestos o suficiente para olharmos para nós mesmos e nossas práticas de trabalho e fazermos um estudo sobre isto.

Mas estudo de que, especificamente? Há vários tópicos interessantes. O mais popular deles – e que causa muita briga boba entre os colegas – é o “ranking”, seja ele de pesquisadores, departamentos de economia ou publicações. Outro bom tópico é o da análise do mercado editorial e suas imperfeições. Talvez o melhor seja eu reproduzir alguns dos títulos dos artigos produzidos pelo Jocka conosco ou com outros autores para você ter uma idéia mais clara do que falo.

The tenure game: Building up academic habits (2008) Japanese Economic Review, forthcoming (with Goncalo Monteiro)

Negatively correlated author seniority and the number of acknowledged people: Name-recognition as a signal of scientific merit? (2008) Journal of Socio-Economics, forthcoming. (with Nathan Berg)

Proliferation of academic journals: Effects on research quantity and quality (2007) Metroeconomica, forthcoming (with Rajeev Goel).

The game academics play: Editors versus authors (2005) Bulletin of Economic Research 57, 1-12.

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006 (2007) Economia Aplicada, forthcoming. (with A. Araujo and C. Shikida)

The citation pattern of Brazilian economists (2007) Estudos Econômicos 37, 151-166. (with A. Araujo and C. Shikida)

Is there a trade-off between domestic and international publications ?(2005) Journal of Socio-Economics 34, 269-280.

Some reflections on incentives for publication: The case of the CAPES’ list of economic journals (2004) Economia Aplicada 8, 791-816.

What type of economist are you: r-strategist or K-strategist ? (2003) Journal of Economic Studies 30, 144-154.

An analysis of rankings of economic journals (2002) Brazilian Journal of Business Economics 2, 95-117.

Rent seeking in academia: The consultancy disease (2001) American Economist 45, 69-74.

The research output of academic economists in Brazil (2000) Economia Aplicada 4, 95-113.

Note bem, leitor. Não é que não exista este tipo de crítica em outras áreas do conhecimento (embora eu não tenha conhecimento de nada similar), mas os artigos acima não se limitam a apontar problemas. Há uma análise de dados, há hipóteses e teorias formuladas, enfim, há uma tentativa de entender o(s) problema(s) que permeiam a produção acadêmica dos próprios economistas.

Sinceramente, acredito que uma História do Pensamento Econômico Brasileiro não pode escrita de forma completa se não abordar problemas como estes que nós, da Economia da Economia, estamos a estudar.

Em outras palavras, a história da ciência econômica no Brasil vai muito além de um livro de história sobre as reuniões que deram origem à ANPEC (existe um interessante nas livrarias, mas não me lembro da referência agora) ou sobre o que pensava José Bonifácio sobre o livre comércio. Estas coisas são importantes, claro, mas ilustram apenas o lado das preferências dos economistas. É importante ver como este discurso (não) se traduz em determinadas práticas. Aí é que a coisa fica bem interessante…

economia da economia

Mais um artigo sobre a pesquisa na selva

Você já sabe que eu, Ari e João R. Faria temos um artigo sobre a pesquisa dos economistas acadêmicos publicado (e outro a ser publicado em breve).

O Laurini (Marcio Laurini, um dos maiores econometristas que conheço, até porque é meio gordinho, he he he) acaba de me avisar da existência deste outro:

A pesquisa em economia no Brasil: Uma avaliação empírica dos conflitos entre quantidade e qualidade

Walter Novaes

Departamento de Economia, PUC-Rio – 19 de Julho de 2007

Resumo

Como em várias outras atividades, a pesquisa em economia internaliza um conflito entre qualidade e quantidade. Para avaliar tal conflito, este artigo documenta as publicações de 94 pesquisadores do CNPq e 1.149 pesquisadores de 54 centros americanos de referência em economia (44 ortodoxos e 10 heterodoxos). Os dados mostram que, entre 1999 e 2004, a média de publicações internacionais dos pesquisadores do CNPq é extremamente pequena, quando comparada com a de seus pares americanos com mesma orientação metodológica. Ainda assim, o número médio total das publicações dos pesquisadores no Brasil é estatisticamente maior, sugerindo um sacrifício de qualidade para aumentar o número de publicações.

Eu não li o artigo ainda, mas pense no que disse meu orientador de mestrado e doutorado, o Ronald, uma vez: “você pode dizer absolutamente nada em economia só com matemática ou só com verborragia”. O artigo do Walter, creio, mostra evidências disto.

Bom, vamos parar que eu quero ler isto agora!

UPDATE – olhe só isto:

A tabela 5 caracteriza o padrão de publicação dos pesquisadores do CNPq. Logo na segunda coluna do painel A da tabela, vê-se uma diferença marcante relativamente aos pesquisadores nos EUA: a média de publicação dos pesquisadores do CNPq é bem maior. Enquanto que a publicação média dos centros americanos ortodoxos é de 4,2 artigos nos seis anos, ela chega a 5,2 para os ortodoxos brasileiros; uma diferença estatisticamente significativa com p-valor de 0,068 (vide o painel B da tabela). E a diferença de publicação é ainda maior para os heterodoxos brasileiros, que, nos seis anos da amostra, publicaram uma média de 5,1 artigos contra 1,9 dos heterodoxos americanos.

Hum….

Claudio

Continue lendo “Mais um artigo sobre a pesquisa na selva”

economia da economia

Os acadêmicos safados

Um dos economistas mais criativos (e temperamentais, he he he) que conheço é o João Ricardo Faria. Este artigo dele já é antigo (2001), mas é bem útil para quem quer entender melhor o que tenho dito aqui – desde daquele “post” do prof. Sachsida (UCB) sobre imperfeições no critério de avaliação da CAPES.

Em algum momento, no link, pede-se o registro. Mas é gratuito e, neste caso, vale muito a pena. Ah, já me esquecia, um trecho para fazer vontade:

The Consultancy disease is a type of rent seeking behavior in academia, and occurs when scholars spend time searching and working in public and private consultancies. It is shown that the Consultancy disease leads to lower equilibrium levels of academic work. Higher standards for scientific productivity and publications help to fight the disease.

Gostou? Pois é…

Claudio
p.s. é, eu sei. Estou aqui em casa, hoje à noite. Deu uma vontade louca de trabalhar e eu resolvi dar uma rápida saída para uma mini-janta e, bem, cá estou. É a vida. Tem dias que você quer mesmo é trabalhar (espero que a vontade se mantenha até sexta-feira, para meu próprio bem e o dos meus alunos).

Continue lendo “Os acadêmicos safados”