ditados populares · e-book · economia · provérbios

Lembra do e-book dos provérbios?

Pois é. O Jornal do Commercio, de Pernambuco, fez uma matéria sobre ele. Uma versão ampliada da mesma, feita pelo jornalista Renato Lima, está aqui. Eis um trecho:

Há muito de economia em ditos populares, como “faz a fama e deita na cama” ou “de graça, até injeção na testa”. O que poderia ser apenas uma interpretação isolada ganhou conteúdo e análise pormenorizada através do livro eletrônico “Em terra de cego quem tem um olho é rei: usando a teoria econômica para explicar ditados populares”, organizado pelo doutor em economia e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Adolfo Sachsida.

“O objetivo é mostrar aos alunos e a comunidade em geral que a teoria econômica é algo aplicável. Não é apenas teoria, mas que ela está aí para resolver problemas práticos do dia-a-dia”, diz Sachsida. A própria idéia do livro surgiu durante uma aula no curso de economia e contou com a rápida adesão de alunos e outros professores. Assim, vários colaboradores pensaram ditados populares e como eles poderiam ser analisados de acordo com o instrumental econômico.

Aliás, este blog do Renato fará parte dos links laterais em instantes…

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ditados populares · e-book · Sushi

Só para lembrar…

O grande sucesso da primeira versão já agregou mais material (inside information minha).

E-Book 2

Desde a publicacao de nosso e-book, alguns dos autores identificaram alguns erros ortográficos e solicitaram alterações.

Vamos fazer o seguinte: TODOS os autores que quiserem alterar seus textos, por favor me enviem as novas versões até o dia 17/11. Meu e-mail: sachsida@hotmail.com

Se algum leitor estiver interessado em se juntar a esse e-book basta me enviar seu artigo até o dia 17/11, e ele será incluído na versão final do livro.

No dia 19/11 estarei postando nesse blog a versão final de nosso E-book: Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

2 comentários

 Não deixe o tempo passar. Mande logo sua contribuição. O prazo final é hoje.

ditados populares · e-book · Freakonomics · Sushi

Valeu, gente

Agradeço ao Selva pela divulgação do e-book novo e do antigo. O que dizer? O Sachsida é conhecido meu de pouco tempo mas já vi que pensa como eu em diversos aspectos, desde o uso da Economia até a visão social. Mas se estamos aqui, hoje, fazendo sucesso entre diversos colegas de trabalho e, quem diria, entre alunos de economia, isto só foi possível porque, um dia, nós passamos a admirar a Ciência Econômica.

Sem bons professores, isto não seria possível. Há muitos responsáveis por isto em cada caso, claro. Mas eu destacaria o nomes de Antônio Aguirre, Affonso Celso Pastore, Eduardo P. Ribeiro e William Summerhill. Não que os outros não tenham sido importantes. Foram-no. Ou porque me ensinaram o que não fazer, ou vice-versa. Mas estes aí, de alguma forma, enquanto professores, ensinaram-me algo útil para minha forma de estudo e pesquisa.

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Faz a fama, deita na cama…e espera o e-book!!

Enquanto o Adolfo não mostra o e-book (estou ansiosíssimo), fique com…(trecho)

Faz a Fama e Deita na Cama

“Faz a fama e deita na cama”. Acho este um dos ditados populares que melhor refletem o Brasil. Mas qual é o real sentido desse ditado. Simples, esse ditado diz de maneira muito clara que: “é importante trabalhar duro no começo da carreira, e você deve continuar assim até que as pessoas reparem que você trabalha duro e é eficiente. A partir desse momento – ou seja, tão logo você receba o carimbo de trabalhador e eficiente –, você pode relaxar. Não precisa mais se preocupar em trabalhar duro e nem em cumprir metas. Afinal, as pessoas já o identificam como alguém de sucesso e você não perderá mais esse status”. Note que a validade deste ditado esta intimamente ligada ao grau de competição à que a economia do país está exposta. Países pouco abertos e com pouca competição são o terreno onde este ditado popular pode prosperar.

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Atirou no que viu, matou o que não viu

Este provérbio ecoa em minha cabeça toda vez que tomo conhecimento de alguma nova tentativa de se alterar algum aspecto da realidade através de políticas públicas. Política pública é coisa séria demais para ser feita sem a devida atenção ao óbvio fato de que – aí vai meu mantra – pessoas respondem a incentivos.

Parece bobagem dizer algo assim. Não seria óbvio que todos os formuladores de tais políticas são sujeitos inteligentes e bem-intencionados? Nem sempre. E, independente disto, o potencial destrutivo de políticas públicas mal-desenhadas continua elevado. Como assim?

Pense no exemplo de uma política protecionista, freqüente e pomposamente chamada de “política industrial”. Imagine que se resolva proteger um setor da economia, digamos, os fabricantes de lâmpadas. O burocrata, por algum motivo que não vem ao caso, diagnosticou este setor como uma indústria infante, um setor tão jovem que merece proteção de seus crescidos e musculosos primos chineses, japoneses, norte-americanos ou ingleses.

Ao fazer isto, o burocrata literalmente segue o dito popular: atirou no que viu, matou o que não viu. Por que? O que ele viu? Ele viu um setor da economia que, segundo ele, segue alguma forma de crescimento análoga à que vemos nos livros de biologia. Assim, ele “atira” criando uma proteção para este setor.

Ocorre que nossos fabricantes de lâmpadas não são como os carvalhos ou os girassóis. Ao perceberem que o governo deseja protegê-los da concorrência externa, seu esforço para a produção de lâmpadas melhores, mais duradouras ou econômicas são substituídos por maior empenho na eternização de sua proteção. Afinal, que empresário não deseja ser o único do seu ramo?

A política de nosso amigo burocrata matou o que não viu. Consumidores que, de outra forma, poderiam pagar preços mais baixos para obter uma lâmpada similar à nacional (ou até melhor), são prejudicados. Pagam mais. Têm sua vida piorada de forma não-intencional pelo burocrata.

Note que a análise acima supõe que burocratas (iluminados?) e nossos (iluminadores?) fabricantes de lâmpadas não praticam (obscuras?) transações ilícitas. Não houve corrupção no exemplo. Se houvesse, claro, o tamanho do problema seria maior ainda.

O que você acabou de ler é conhecido desde a exposição inicial de Frédéric Bastiat (1801-1850), como as conseqüências não-intencionais de ações intencionais (na verdade, Bastiat, originalmente, chamou isto de o que é visto e o que é não visto).

A mensagem central deste texto talvez seja a de que é preciso muito cuidado e sagacidade para se entender todas as dimensões das ações humanas afetadas por uma mudança de incentivo (o que chamamos de design dos incentivos). Mais ainda, mesmo com toda nossa inteligência, somos limitados e, portanto, o risco de se atirar no que se vê e se atingir o que não se vê não é, de forma alguma, algo desprezível.

A história da intervenção estatal é pródiga em atirou no que viu… e o mais importante é perceber que, conquanto seja óbvio que incentivos importam, muito mais importante é entender todas as conseqüências de diferentes arranjos (designs) de incentivos que encontramos nas propostas de nosso “faroeste político”. Lembre-se: estes sujeitos usam o seu dinheiro para atirar no que vêem…e nem sempre parecem ter o mesmo cuidado na hora do disparo, matando o que nem sempre vêem: o seu bem-estar.