Capital Humano · desenvolvimento · pobreza

Bolsa-Família importa?

Dos três apresentadores, Eduardo Pereira, do Ministério da Previdência Social, foi o único que tratou efetivamente de dinâmica populacional. Ele mostrou que, com o envelhecimento da população, o sistema previdenciário brasileiro é insunstentável a longo prazo, porque haverá um número crescente de velhos recebendo benefícios para um número decrescente de jovens. E que isto não muda com a economia crescendo, porque, se tiver mais gente pagando a previdência hoje, haverá mais gente também recebendo depois, e vivendo muito mais tempo. O Ministério preparou estes dados, na forma de várias simulações, para apresentar ao Forum Nacional da Previdência Social, aonde estão representados os sindicatos, aposentados, pensionistas, empregadores e o governo federal, e, pelo que parece, ninguém lá gostou da tese de que os benefícios da previdência deveriam mudar. O problema é que os principais interessados na reforma, nossos filhos, que vão ter que pagar a conta ou conviver com um sistema previdenciário falido, não estavam presentes, e não havia ninguém no fórum, aparentemente, que defendesse seus interesses.

O outro apresentador foi Pedro Olinto, do Banco Mundial, que antecipou os principais resultados de uma avaliação que o Banco está fazendo de um grande número de programas de tipo Bolsa Família que o Banco vem apoiando e incentivando em um número crescente de países, inclusive o Brasil. O ponto principal foi mostrar como estes programas são, em geral, bem focalizados, e de fato melhoram em alguma medida as condições de vida das populações mais pobres. O que me pareceu mais novo foi a conclusão de que os programas não tem impacto sobre o acesso à escola em países em que a quase totalidade da população já está na educação básica, como no Brasil; e que o impacto sobre a qualidade da educação parece ser inclusive negativo. Eu já vinha dizendo e discutindo isto há vários anos, e fico contente em ver que agora o Banco Mundial reconhece isto. Aliás, se entendi bem, a avaliação do bolsa família brasileiro feita por Eduardo Rios-Neto mostra a mesma coisa.

Humm…

desenvolvimento · economia · Petróleo · política cambial · Política monetária

Porque os empresários amam o câmbio livre e valorizado.

A explicação é simples: graças a ele, o insumo-vilão de todo discurso de empresário, o petróleo, está barato. Agradeçam ao Banco Central, meninos.

Claro, agradeçam também à visão de mercado dos gestores do BCB, principalmente na época do governo Cardoso, quando o câmbio começou a flutuar “sem medo de ser feliz”.

Capital Humano · desenvolvimento · educação · política industrial

Sabe aquela história de fazer política industrial?

Pois é. Há um debate interessante aqui e aqui sobre o tema. Eu continuo a pensar que o mais importante é investir em educação. Ainda mais com evidências como esta. Já pensou? Ganhos de 75% em menos de 20 anos? E sem gerar o mesmo ônus para o contribuinte que grupos de interesse tanto gostam (desde o MST até a FIESP, passando por outros sindicatos deste país selvagem…)?

Queria, agora, ter nascido na Hungria há uns 30 anos…

Capital Humano · desenvolvimento · educação · pobreza

Apartheid, já (é o que dirão os apressados)

Crianças que estudam em favelas de bairros ricos no Rio de Janeiro têm um desempenho pior na escola do que aquelas que vivem em favelas situadas em bairros que destoam menos da sua realidade social, indica um estudo de pesquisadores cariocas.

Como é? Eu não vi a metodologia da pesquisa, mas temo pelos apressadinhos que certamente vão propor um “apartheid” social, agora em nome do bolivarianismo. Ou então farão passeata por uma maior igualdade de renda, só que com todo mundo pobre (já que ser rico é minoria na sociedade, dirão, e como as necessidades da maioria são sempre preferíveis às da minoria, então…).

O resultado, contudo, não deixa de ser um desafio para os pesquisadores sérios e não comprometidos com o financiamento do governo para suas atividades (o potencial de viés, neste caso, é muito alto) que se preocupam com um dos problemas mais sérios do Brasil: a pobreza.

Note que não digo que qualquer pesquisador bolsista de agências públicas é viesado, mas é muito preocupante que, até hoje, não se tenha feito uma avaliação externa para se descobrir o potencial de viés e de práticas nefastas ao desenvolvimento de pesquisas por conta disto (e.g. se um burocrata do governo encomenda um índice, sei lá, de qualidade de vida, e se a pesquisa não der o resultado esperado…pode o burocrata simplesmente recusar o resultado?).