Desenvolvimento econômico · Economia do Crime · Gary Becker

Combate ao crime no Brasil: novos parâmetros?

360px-garybecker-may24-2008Políticas públicas devem ser baseadas em evidências. Quando se fala em deixar psicopatas nas ruas ou não, imagino, este embasamento científico deve ser mais sério. Ou não?

O novo Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária parece trilhar por um caminho mais difícil, sem tantos holofotes e aplausos de midiáticos, mas mais comprometido com as evidências empíricas.

Trechos:

Por outro lado, há diretrizes calcadas em elementos que não encontram respaldo na íntegra do Plano ou em outras não reveladas bases de dados. Políticas que merecem estudo sério e empírico, como a justiça restaurativa e a mediação penal, não podem servir de desculpa para justificar simplificações ou “combate à cultura do encarceramento” (…)

A abordagem do tema passa, de modo inevitável, pela consideração do sempre atual
modelo proposto em 1968 por Gary S. Becker, para quem, entre outros fatores que podem determinar a quantidade de atos criminosos praticados por um indivíduo, ganham relevo a probabilidade de sua detenção e a severidade da punição, caso detido. O objetivo da sociedade, para diminuir os custos financeiros da criminalidade, passa a ser a otimização dos recursos finitos, o que se alcança por meio da dissuasão (aumento da probabilidade de detenção e a severidade da punição).

(…)

Ademais, não só a população de baixa renda merece realce, mas a igualdade de direitos,
envolvendo questões correlatas à orientação sexual, portadores de necessidades especiais, cor, raça e etnia, sendo estas questões transversais em quaisquer diretrizes que visem o aperfeiçoamento da gestão criminal e penitenciária no Brasil. A garantia à dignidade humana não permite exceções.

Promissor, não? O documento completo está aqui.

Desenvolvimento econômico · Economia do Setor Público · public choice

Alberto Alesina no Brasil, dia 28

É, ele estará na Enap, para a entrega do Prêmio Tesouro Nacional. Leitores deste blog sabem – ou têm forte desconfiança de – que é um dos meus autores favoritos. Caso você ainda não o conheça – imperdoável! – eis a página dele, lá na Harvard.

Veja lá os trabalhos dele sobre consolidação fiscal.

Um dia ele leva o Nobel. ^_^

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abertura econômica · Desenvolvimento econômico · instituições

Brasil, economia fechada

Impressiona o que se vê neste estudo.

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Até Cuba, sabidamente uma ditadura cujo governo reclama de embargos, parece ser mais aberta que o Brasil (sejamos justos: as duas praticamente “empatam”).

Socialistas seguem defendendo que pessoas não tenham o direito de viver em sociedades globalizadas. Um dos argumentos é que a globalização destrói os valores locais. Ao mesmo tempo, são contra o embargo cubano (*). Não é preciso dizer muito mais.

A abertura de uma economia tem um significado muito mais profundo do que o que geralmente se discute na superfície dos debates. Uma economia aberta recebe imigrantes e, portanto, promove uma complexa remodelagem de sua matriz institucional (no sentido de North, por óbvio!) já que novos valores culturais e produtos passam a integrar a sociedade local (com o surgimento de novos produtos!).

Basta pensar na São Paulo antes dos imigrantes e depois dos mesmos. O surgimento de salgados e doces árabes, restaurantes japoneses, chineses e coreanos são apenas uma faceta deste processo rico de integração que nunca é simples (e nem sempre desejado pelos próprios imigrantes, como bem o sabem vários dos que nasceram aqui no Brasil de pais estrangeiros).

Os números do comércio acima são apenas uma dica do quanto um país perde por permanecer fechado, ignorando as sociedades vizinhas que ocupam o mesmo planeta. Fechar uma economia é fechar uma sociedade não apenas ao comércio, mas ao intercâmbio de ideias.

(*) Devo esta observação a uma conversa com um ex-comunista que conheci recentemente no III Fórum Mackenzie de Liberdade Econômica.

carga tributária · Desenvolvimento econômico · Economia Brasileira

A carga tributária ótima é de 20%?

Paulo Guedes disse que a carga tributária “ideal” é de 20% (ela foi de 32% em 2017). Em nosso estudo de 2017, estimamos algo em torno de 29%.

Claro, não contávamos com tantas mudanças como as que parecem estar por vir. Pessoalmente, até prefiro 20%, mas é difícil saber, agora, se esta será mesmo a carga tributária ótima. Por que? Porque não sabemos qual o tamanho da máquina governamental (que otimize o bem-estar) a ser sustentada.

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Longo, longo prazo

Existe uma literatura recente que busca raízes bem longínquas nas explicações do desenvolvimento econômico (um desdobramento inevitável dos insights de North lá no início desta brincadeira toda).

Um working paper recente busca testar a hipótese para os EUA. Bem, vejamos seu resumo.

The Deep Roots of Economic Development in the U.S. States
CATO Working Paper No. 44

Ryan H. Murphy
Alex Nowrasteh

Abstract
There is a large and growing economics literature that seeks to explain how modern economic development and cross-country income differentials are the result of ancient historic, cultural, genetic, or other factors, whose effects persist in the modern world (Spolaore and Wacziarg 2013). Referred to by some as the “Deep Roots” literature, it broadly finds that these long-standing differences, whatever their mechanism, have powerful, positive predictive power in explaining modern levels of GDP per capita and other indicators of economic development.

Drawing on Putterman and Weil (2010), we study the impact of deep roots as measured by ancestry by U.S. state, considering the average of how long each state’s ancestors have lived:

(1) under a centralized state, a variable known as “State History,” and

(2) with settled agriculture, a variable known as “Agricultural History.”

The other contributions to this literature primarily focus on how State History and Agricultural History of the population affect economic development outcomes across countries. Instead, we look at its effects on economic output per capita across the U.S. States.

We can only establish very marginal support for Putterman and Weil’s (2010) findings at the state level. Furthermore, there is no statistically significant relationship between the Deep Roots Variables score and the liberalness of a state’s economic institutions. Given the large literature on the importance of liberal economic institutions for economic growth and other outcomes (see, e.g., De Haan et al. 2006; Hall and Lawson 2014), the lack of a relationship between the quality of economic institutions and the Deep Roots Variables eliminates this institutional channel from the deep roots hypothesis.

No final do artigo, no apêndice, uma tabela que poderia ser interessante, inclusive, para pesquisadores sérios de História Econômica do Brasil.

Corrupção · Desenvolvimento econômico · liberdade

Ladrão bom é ladrão rico?

This article adds to the empirical literature on the relationship between corruption and economic growth by incorporating the impact of economic freedom. We utilize an econometric model with two improvements on the previous literature: (1) our model accounts for the fact that economic growth, corruption, and investment are jointly determined, and (2) we include economic freedom explicitly as an explanatory variable. Using a panel of 60 countries, we find that for countries with low economic freedom (where individuals have limited economic choices), corruption reduces economic growth. However, in countries with high economic freedom, corruption is found to increase economic growth. Our results contradict the generally accepted view that corruption lowers the rate of growth.

Leia mais aqui.

Desenvolvimento econômico · nova economia institucional

Outro bom artigo

Ownership and Control in the Entrepreneurial Firm: An International History of Private Limited CompaniesTIMOTHY W. GUINNANE
Yale University – Department of Economics; CESifo (Center for Economic Studies and Ifo Institute for Economic Research)
RON HARRIS
Tel Aviv University – Buchmann Faculty of Law
NAOMI R. LAMOREAUX
University of California, Los Angeles – Department of Economics; National Bureau of Economic Research (NBER)
JEAN-LAURENT ROSENTHAL
University of California, Los Angeles – Department of Economics December 2007

Yale University Economic Growth Center Discussion Paper No. 959
Abstract:
We use the history of private limited liability companies (PLLCs) to challenge two pervasive assumptions in the literature: (1) Anglo-American legal institutions were better for economic development than continental Europe’s civil-law institutions; and (2) the corporation was the superior form of business organization. Data on the number and types of firms organized in France, Germany, the UK, and the US show that that the PLLC became the form of choice for small- and medium-size enterprises wherever and whenever it was introduced. The PLLC’s key advantage was its flexible internal governance rules that allowed its users to limit the threat of untimely dissolution inherent in partnerships without taking on the full danger of minority oppression that the corporation entailed. The PLLC was first successfully introduced in Germany, a code country, in 1892. Great Britain, a common-law country followed in 1907, and France, a code country, in 1925. The laggard was the US, a common-law country whose courts had effectively killed earlier attempts to enact the form.

Desenvolvimento econômico

Sua vida é muito boa

Já a de quem está no Quênia…

… o imperfeito processo eleitoral queniano que ignorou a razão de os resultados sempre terem sido anunciados a partir dos centros de apuração mostrou que nós ainda não internalizamos a democracia. A democracia é simplesmente uma ferramenta para malabaristas determinarem quando e quem deve estar no poder. Esse malabarismo deu impulso às forças que irão reverter os poucos ganhos que os quenianos alcançaram. A destruição da propriedade privada, o desrespeito e o abuso do estado de direito, a caça tribal às bruxas e a luta de classes estão acontecendo agora.

Estou sendo mantido refém em meu próprio vilarejo. Não posso pegar meu carro e voltar para Nairóbi, porque eleitores de diferentes partes do Quênia bloquearam as estradas, em protesto contra a democracia malabarística. É inacreditável ver produtos básicos desaparecerem das prateleiras das lojas porque caminhões que os entregariam não podem se movimentar. Bombas d’água estão secas, a famosa indústria da telefonia celular está parando, pois cartões de recarga já não podem ser entregues. Toda noite eu luzes no horizonte. Quando ligo o rádio, só escuto apelos por orações e penso alto a respeito de quenianos e africanos substituírem a democracia por orações.

brasil · Capital Humano · Desenvolvimento econômico

Galera tá matando aula de montão!

Direto do “A Voz do Cidadão”:

A Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana/Ritla divulgou esta semana o terceiro Relatório de Desenvolvimento Juvenil, desta vez em sua versão 2007, que realizou um extenso cruzamento de dados do IBGE e dos ministérios da Educação e da Saúde e chegou a algumas conclusões alarmantes.

Por exemplo, segundo o relatório, nada menos que 53% dos 35 milhões de jovens entre 15 e 24 anos no país não freqüentam salas de aula. Além disso, 19% deles não trabalham nem estudam, uma porcentagem grande, que fica maior ainda quando se analisa apenas as classes mais pobres: 34%!

Clique aqui para conhecer e baixar a íntegra da pesquisa de Desenvolvimento Juvenil, da Ritla >>

Para quem quiser mais detalhes, o site da entidade é o www.ritla.net.

Desenvolvimento econômico · desigualdade de renda

Artigos interessantes

Measuring Ancient InequalityBRANKO MILANOVIC
World Bank – Development Research Group (DECRG); Carnegie Endowment for International Peace
PETER H. LINDERT
University of California, Davis – Department of Economics; National Bureau of Economic Research (NBER)
JEFFREY G. WILLIAMSON
Harvard University – Department of Economics; National Bureau of Economic Research (NBER); Centre for Economic Policy Research (CEPR); Institute for the Study of Labor (IZA) November 1, 2007

World Bank Policy Research Working Paper No. 4412
Abstract:
Is inequality largely the result of the Industrial Revolution? Or, were pre-industrial incomes and life expectancies as unequal as they are today? For want of sufficient data, these questions have not yet been answered. This paper infers inequality for 14 ancient, pre-industrial societies using what are known as social tables, stretching from the Roman Empire 14 AD, to Byzantium in 1000, to England in 1688, to Nueva España around 1790, to China in 1880 and to British India in 1947. It applies two new concepts in making those assessments – what the authors call the inequality possibility frontier and the inequality extraction ratio. Rather than simply offering measures of actual inequality, the authors compare the latter with the maximum feasible inequality (or surplus) that could have been extracted by the elite. The results, especially when compared with modern poor countries, give new insights in to the connection between inequality and economic development in the very long run.
Keywords: Inequality, Rural Poverty Reduction, Poverty Impact Evaluation, Services & Transfers to Poor

Cultura · Desenvolvimento econômico · história econômica · liberalismo

Quem são os conservadores no Brasil?

Ainda sobre o mesmo texto sobre o qual eu falava…

As Veliz comments, “the cultural tradition of the Spanish-speaking peoples … proved unresponsive … to industrial capitalism” and their governments often sought to repress the market forces for change. Socialism, progressivism, and other collectivist ideologies in this sense were not a force for modernization—as many of their leading advocates preached—but a conservative movement to limit the extremely rapid pace of social transformation that capitalism was bringing about. Reflecting a fear of an unknown market-driven future, those peoples in Spain and Latin America whose values were shaped by a Spanish colonial history “appear to be sheltered (imprisoned?) by a magnificent past, unable to come to terms with a disappointing present,” reflecting a Spanish Catholic culture that for centuries manifested “an overriding affection for persons rather than a respect for things; a reluctance to sever the cords of the safety net; … a distrust of novelty and, generally, a sturdy disinclination to step outside the dependable protection of the dome, even in this, our own century of modernity” [Veliz 1994:201, 202].

Pense no seguinte: o discurso católico atual na América Latina é um discurso conservador, no sentido citado acima? Eu aposto que sua resposta é “sim, e muito”. Este é um desafio não apenas para o batalhão de militantes que se dizem qualquer coisa menos conservadores, mas também para uma vertente de liberais que pensa ser liberalismo um sinônimo do catolicismo (quando não falam de alguma suposta não-separabilidade entre ambos).

A questão da sua fé em Deus é, exclusivamente, sua. Não há dúvida quanto a isto. Agora, se a doutrina católica, tal qual transplantada para a América Latina produz algum efeito sobre a atitude média do latino-americano em relação ao funcionamento dos mercados é uma outra questão completamente diferente e, talvez, mais importante do que uma reles discussão sobre Deus, Marx ou Darwin. Pelo menos no que diz respeito ao desenvolvimento econômico.

América Latina · autoritarismo · bolivarianismo · Desenvolvimento econômico · história econômica · protecionismo · socialismo real

História Econômica

Ao contrário do que se ensina (desensina…) por aí, a América Latina sempre foi um local fértil em protecionismo e não-liberalismo. Acha que isto é discurso? Acha que tirei isto da minha cabeça? Ok, pode achar o que quiser, mas leia um pouco antes.

Depois deste gráfico, quero ver o poder do wishful thinking em ação para manter suas dissonâncias cognitivas…