cingapura · demografia · economia · falácias econômicas · população

Cingapura tem muitos funcionários públicos por quilômetro quadrado (embora isto não nos diga nada de relevante sobre a qualidade de seu governo)

É verdade. Olha o tamanho do país. Além disso, Cingapura passa por um modesto crescimento populacional. Eis aí um país para o qual deveríamos dedicar um pouco mais de atenção.

Anúncios
demografia · Economia do Conflito · guerra

A demografia da guerra

Será que Levitt também compraria esta idéia?

“LOOK AT IT THIS WAY,” Gunnar Heinsohn said. “Your family is in a shooting war with a family across the street. Your forces consist of a father, mother and one child, perhaps two. The other family has a father, mother and seven children, perhaps eight or nine. For your family, the loss of one person would be devastating. The larger family can take casualties and continue fighting.”

We were in London, having coffee before a Jane’s Cityforum conference on “Defense to 2020 and Beyond.” As we talked, generals, staffers, and defense contractors maneuvered among the pastry tables. Heinsohn is director of the Raphael-Lemkin Institute at the University of Bremen and author of Sons and World Power: Terror in the Rise and Fall of Nations, an academic best-seller in Germany. Later in the day he would be lecturing professional soldiers on the “demographic dimension” of future warfare.

“My point,” Heinsohn continued, “is that the strength of a nation’s military is affected by the size of a nation’s families. Falling birth rates in Western countries mean that even light casualties in Iraq and Afghanistan bring cries of pain in Europe and America. But Iraq and Afghanistan are growing rapidly. Their populations are swollen by youth bulges. Their average family has five or six children. They are in what I call ‘extreme demographic armament.'”

Neste caso, o aborto seria uma forma de desarmamento? Provavelmente não. Lembre-se que o argumento de Levitt sobre a relação entre aborto e criminalidade tem a ver com o não-nascimento de crianças indesejadas. A tese de Heinsohn faz lembrar muito o argumento do próprio Hitler de que a função social das mulheres era ser mães de vários filhos, esta coisa meio “espartana” de que “mais homens é igual a maior exército”.

O que Heinsohn diz não entra, pelo menos nesta entrevista, no mérito de se diferentes métodos de concepção (no sentido de sexo consensual ou não) são diferentes em seus efeitos sobre o tamanho do potencial de soldados de um país. Pode ser que não faça diferença e que estupros em massa como os promovidos pelos militares sérvios, vergonhosamente, na desintegração da Iugoslávia, gerem, realmente, um bando de soldados violentos e prontos para o combate. Mas pode ser que ocorra o contrário. Pode ser que estes filhos “párias” sejam mais propensos ao crime.

Eis aí um tópico interessante para se pensar: a alocação de um talento de um indivíduo entre combate e produção é decisão pessoal. Mas isto independe, de certa forma, de quantos destes indivíduos nascem. Logo, porque é que o simples nascimento de filhos geraria um exército maior? Faltou um pouco de microfundamento nesta análise. Ou, claro, o argumento de Heinsohn é bem mais detalhado no livro e a reportagem não foi profunda o suficiente para expor sua tese em detalhes.

Sim, fiquei curioso. Acho que vou ter que comprar este livro. Talvez eu comece lendo isto ou (se meu alemão ainda for minimamente útil) isto.

Ah sim, uma observação que não tem a ver com guerra mas talvez com demografia é esta. Na verdade, achei que não valia a pena fazer outro post só para uma linha sobre Acemoglu. ^_^

demografia · Desenvolvimento econômico · economia · incentivos · microeconomia

Quer estudar menos? Faça campanha para que se adote um cachorro ao invés de pedir um irmãozinho

Todo mundo quer, eu sei. Ok, você achou que eu ia falar de incentivos. É verdade que tem tudo a ver com incentivos, mas há mudanças de parâmetros que não são incentivos, digamos, propositalmente criados por alguém com o objetivo de fazer o sujeito estudar menos.

Veja, por exemplo, este caso:

One out of five college students did comparatively little studying to prepare for college entrance exams in their last year of high school from 2005 to 2006, a nationwide survey by a University of Tokyo research group showed Saturday.

Overall, half spent less than two hours a day in their final year preparing for the traditionally crucial exams, the survey showed.

The results indicate that entering a good college is becoming a less competitive event due in part to the declining birthrate. This in turn is reducing high school students’ motivation to enter “exam hell,” the traditionally prolonged period of intensive exam preparation, the group said.

A questão interessante é: será que os estudantes de países que passem por esta transição demográfica tendem, em média, a estudar menos? De outra forma, qual seria a elasticidade-envelhecimento populacional da alocação de tempo para estudos?