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Venezuela

Nunca deixo de repetir: este artigo é essencial para se entender a Venezuela. O autor, aliás, começou sua carreira ao lado de Chávez e, ao contrário de muitos brasileiros (que nunca pisaram em Caracas, exceto como turistas…e olhe lá), abandonou o barco quando viu o que realmente era aquilo.

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Inteligência nanica

Trecho do (sensacional) texto:

Segundo artigo publicado recentemente nesta Folha o estado brasileiro é nanico, o que me trouxe uma revelação inesperada: “nanico”, seguindo as regras do duplipensar orwelliano, deve ser exatamente o contrário do que nos informam os dicionários (pequeno, acanhado), resolvendo o mistério milenar que cercava tão saboroso fruto.

No artigo o autor apresentou um trabalho empírico sólido para caracterizar a pequenez do Estado nacional: enquanto a Bélgica e a Holanda apresentam respectivamente 310 e 227 fiscais de impostos por 1.000 km2, o Brasil tem apenas 0,9. Por este raciocínio, o país deveria ter entre 1,9 e 2,6 milhões de fiscais de impostos, alguns dos quais responsáveis pelas áreas densamente povoadas da Reserva Raposa do Sol, garantindo que se respeite o sagrado direito dos ianomâmis pagarem impostos (mesmo porque os fiscais terão que ser pagos, não?).

Trata-se de uma revolução analítica: ao invés de normalizarmos as variáveis macroeconômicas (gasto, tributação, investimento) pelo PIB, passaremos agora a fazê-lo pela área. Graças a isto o Brasil, em vez de simplesmente ganhar o grau de investimento, passará direto à categoria AAA (mínimo risco) quando a dívida pública for medida com relação à extensão territorial.

Como se vê, a pterodoxia manipula dados e métricas igualzinho ao que criticavam nas – supostas (como gostam os jornalistas) – práticas dos governo militares. Alexandre tem razão: é triste. O mais incrível, para mim, é que jornalistas não percebam (ou fechem os olhos) para estas coisas quando fazem suas matérias. Falam muito mal de economistas – um dia li um que fazia beicinho porque “os economistas gostam de mandá-los ler livros ao invés de ensiná-los tudo de graça”.

Para gente assim, uma história do meu falecido professor de Hegel, o Baesse. Contava ele que estava no doutorado em Campinas quando, numa turma de doutorandos multidisciplinar, foram a um bar no qual um sujeito tocava piano.

Para azar dele, o sujeito era conhecido da doutoranda de Música (ou algo assim). Ao final da música, convidaram-no para a mesa. Foram-lhe apresentando um a um: “este aqui é fulano, doutorando em Física”, “este é beltrano, doutorando em Matemática”….até que chegaram no Baesse: “este é o Baesse, doutorando em Filosofia”.

Contava-nos o professor que os olhos do pianista brilharam. “Ah, filosofia? Que barato. Eu também curto filosofia. Adoro Lobsam Rampa (não tenho coragem de colocar um link para isto…). E você? Curte que filósofo?”

Baesse diz que se enfureceu, mas, educadamente, segurou e disse: “eu estudo Hegel”.

Mas as coisas ficaram piores. O sujeito soltou mais uma: “Hegel? Que legal? Qual é a do Hegel?”

Baesse, sem se aguentar, respondeu: “Meu amigo, estou aqui há cinco anos tentando entender o que Hegel disse. Não dá para explicar assim”.

O pianista, tal como o jornalista que fez beicinho porque o economista não lhe explicara o não-trivial de forma macacal, disse, em tom desafiador: “Se você for mesmo um bom filósofo, você me explica Hegel em 15 minutos!!!”

Aí veio a resposta de Baesse: “Façamos um trato. Eu lhe ensino Hegel em 15 minutos se você me ensinar tocar Bach no piano em 15 minutos!”

Conversa encerrada e o pianista não tocou mais no assunto. A moral da história é óbvia demais ou quer que faça um desenho? Isto me lembra algo importante: não é questão de se fazer uma pergunta absurda de forma educada (“por favor, senhorita transeunte, posso lhe estuprar?”). A questão é que tem perguntas que não se deve fazer e ponto final. O mesmo vale para observações idiotas.