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Até um boliviano sabe a diferença entre selva e civilização

Eis um trecho de entrevista interessante sobre o – ainda muito pouco concorrencial – mercado de aviação civil brasileiro. Há o que se discutir sobre esta entrevista, mas é bom ver que a distinção entre selva (que inclui, sim, mineiros bairristas, Minas Gerais) e a civilização é conhecida por outros. Ironicamente, não é um brasileiro quemo diz.

Existe uma política de cobertura ao duopólio?

Existia até agora. Tenho certeza que o governo quer modificar isso aí. O caso BRA é mais um alerta para as autoridades de que é preciso se preocupar com o que o Brasil necessita e não com o que o duopólio quer.

E como modificar?

É só fazer com que o marco regulatório seja respeitado. Veja essa resolução do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil) com as restrições de vôos em Congonhas. Não estão respeitando, estão ignorando.

Mas a lei tem brechas, foi mal escrita.

Nos países civilizados, a Constituição tem uma folha só. Se as pessoas estão bem intencionadas, interpretam e fazem direito. Não existe inocência. Tenho certeza de que quando a nova diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) assumir, sob orientação do ministro Jobim, vai fazer com que as regras sejam respeitadas.

Depois volto a comentar o cartel mais bem protegido do Brasil. Por enquanto, fiquemos com a frase do boliviano que nos chamou – corretamente – de selva e sua – notável – política de elogios ao governo, o grande responsável pelo não cumprimento das leis e, também, grande detentor do poder de criá-las. Stigler, se vivo fosse, diria algo a respeito…

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Complexo Industrial-Militar terá licitações “flexibilizadas”

Lembra do que falei ontem, sobre o complexo industrial-militar brasileiro? Pois é. Hoje eu leio que:

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que o governo vai flexibilizar a Lei de Licitações para beneficiar as empresas brasileiras na compra de materiais, equipamentos e insumos bélicos para Exército, Marinha e Aeronáutica.

Isto dá uma pá de boas perguntas: (a) por que o setor de Defesa sim e o de Educação não?, (b) que interesses ganham com este aumento do gasto público?, (c) qual a justificativa teórica para se dizer que um tanque é mais bem público do que um remédio?, (d) como funciona a lei de licitações e quais os motivos de ela ser tão (pouco) flexível? Não vale culpar o governo já que é o próprio governo que está a flexibilizá-la agora (opa, olha a dica aí…).

Interessante que o novo ministro – celebrado porque iria resolver o problema da falha governamental no setor aéreo – seja notícia, agora, quase que exclusivamente por causa destas suas ações no ramo militar.