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Cartas de recomendação (Tullock)

Leia esta antiga história sobre Gordon Tullock e a tese de doutorado de um ex-aluno (e tente não rir).

Academia · plágio · tradução

Plágio: uma praga pior que a saúva?

Direto do Café Colombo:

A tradutora Denise Bottman nos escreve informando do abaixo-assinado feito por tradutores contra a prática abusiva de plágios em traduções. Casos recentes foram identificados nas edições da Martin Claret. Mais informações no blog “Assinado: Tradutores”.

Claro que a culpa é do plagiador, mas muitos colegas de Academia fazem vista grossa para o problema, ajudando a disseminar esta prática péssima para o desenvolvimento do país.

Academia · economia política da academia · esquerda anaeróbica · pterodoxia

Dívida por Quilômetro Quadrado?

Estou me preparando para ler “A volta do Idiota”. Como? Lendo o “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano” [Mendoza, Montaner e Llosa (o filho)]. Não havia lido ainda porque não costumava ligar para “eles” (talvez por puro desleixo, reconheço). Acho que estou de saco cheio, a idiotice chegou a um limite insuportável (pode ser bobagem ou uma avaliação tardia, mas avaliação é minha, assumo as devidas responsabilidades).

 

Entre tantas explicações e características apontadas pelos autores sobre o “idiota” me defronto com uma interessantíssima. A bíblia do “idiota”: ao contrário do que muitos poderiam esperar – “O Capital” ou “O Manifesto” – a bíblia tem que ter a mesma origem do “idiota” (claro que influenciada por referências estapafúrdias como as citadas acima). Trata-se de “As Veias Abertas da América Latina” de Eduardo Galeano. A revisão feita por Mendoza, Montaner e Llosa no capítulo III do “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano” sobre o texto de Galeano é realmente hilária, mas uma passagem me prendeu e não tenho como não relacioná-la às pérolas ditas recentemente pelo “PROFESSOR do IPEA”. Lembram? Sugeriu que ao invés de normalizarmos as variáveis macroeconômicas pelo PIB, deveríamos agora fazê-lo pela área. Alex já deu uma breve aula sobre isso. De onde ele [o PROFESSOR] teria tirado essa brilhante idéia?

 

Não sei, mas……..Transcrevo agora a passagem na qual Galeano afirma que a alta taxa de crescimento populacional da América Latina não é [era] alarmante:

 

“Na maior parte dos países latino-americanos não sobra gente: ao contrário, falta. O Brasil tem 38 vezes menos habitantes por quilômetro quadrado do que a Bélgica; o Paraguai, 49 vezes menos que a Inglaterra; Peru, 32 vezes menos que o Japão”. (p.18)

 

Vou dizer mais o quê?

Academia

Macroeconomia: um debate bacana

The Heterogeneous State of Modern Macroeconomics: A Reply to Solow

V. V. Chari and Patrick J. Kehoe

NBER Working Paper No. 13655

November 2007

ABSTRACT

Robert Solow has criticized our 2006 Journal of Economic Perspectives essay describing “Modern Macroeconomics in Practice.” Solow eloquently voices the commonly heard complaint that too much macroeconomic work today starts with a model with a single type of agent. We argue that modern macroeconomics may not end too far from where Solow prefers. He is also critical of how modern macroeconomists use data to construct models. Specifically, he seems to think that calibration is the only way that our models encounter data. To the contrary, we argue that modern macroeconomics uses a wide variety of empirical methods and that this big-tent approach has served macroeconomics well. Solow also questions our claim that modern macroeconomics is firmly grounded in economic theory. We disagree and explain why.

Academia · material

Não tem chororô….

Já ouvi diversas vezes colegas reclamarem que não entendem a explicação do professor com desculpa pela falta de estudos.

Agora (já tem algum tempo) os professores podem passar para os alunos o link do MIT. Isto mesmo, o MIT coloca muito material de diversos cursos online. O link para os cursos de economia é esse.

Vale pena dar uma olhada.

Ah, o inverso também é válido: vale a pena dar um conferida e para cobrar dos professores também.

Academia · blogosfera

Parabéns, Tambosi

Reproduzo na íntegra.

Professores e alunos

 

O filósofo Roberto Romano homenageia hoje em seu blog alguns ex-alunos, entre os quais este escrevinhador e Paulo Araújo (que, aliás, não conheço pessoalmente). Paulo desmontou a fraude criada pelos chavistas no dia do referendo venezuelano – na qual caíram, vergonhosamente, todos os jornalistas (ver posts abaixo).
Professores têm poucas satisfações na vida. Quase sempre enfrentam as ciumeiras dos colegas, a concorrência por nada (visto que ser conhecido ou “respeitado” na assim dita “comunidade” (rá-rá-rá) acadêmica é igual ao pregado no Eclesiastes, “poeira, nada” (uso a tradução de Haroldo de Campos). A única alegria encontra-se em alunos. Mas não em todos. Existem os estudantes que já nos primeiros anos da graduação escolhem a quadrilha acadêmica a que pertencerão. E também escolhem os seus “amigos” e “inimigos” (praticam Carl Schmitt sem saber, na espera de praticá-lo com plenos conhecimentos, mais tarde) entre os colegas e docentes. Depois vêm os alunos sem rumo e voz, os que “nem estão aí” para os saberes expostos em sala de aula. Depois vêm os desprovidos de capacidade intelectiva, mas esforçados, que merecem suas notas porque atravessam noites com os olhos grudados nos livros. Estes me comovem. Não raro, resultam em bons profissionais, honestos e competentes. Existem os inteligentes preguiçosos, que levam os cursos com os pés nas costas, mas que serão, sempre, apenas espertos. Existem os de inteligência aguda mas de coração pequeno. Existem os sectários, existem milhares de tipos entre os estudantes. Existem (são os que mais me irritam) os que tuteiam o professor, para intimidá-lo forçando uma intimidade impossível, na verdade para conseguir dominar a vontade do mestre. Existem os frios, que nada dizem, nada acenam, até que apresentam um trabalho excelente, mas sem alma. Existem, existem… os que se irritam com a mínimas correções na escrita ou na fala, como se fosse crime o professor exercitar a função para a qual é pago: notar os defeitos e realçar as qualidades dos alunos. Angariei muitos inimigos ferozes entre alunos furiosos porque diminui alguns pontos em suas notas, por causa de alguns defeitos graves de gramática, sintaxe, semântica. Dar uma nota, como viver, é muito perigoso.

Dentre todos os alunos, ou ex-alunos, alguns se distinguem pela imensa polidez, capacidade intelectual, finura no trato, firme convicção nas idéias. Estimo, sobretudo, os que sustentam idéias diferentes das minhas, porque odeio mimetismos.

Orlando Tambosi e Paulo Araújo constituem motivo de orgulho para mim. Inteligentes, bem educados, eruditos, autônomos, eles me ajudam a enxergar coisas no mundo jornalístico e político, coisas das quais não suspeito, apesar de queimar as pestanas para entender este mundo, vasto mundo sem solução.

Segue mensagem recebida por mim, enviada por Paulo Araújo. Apesar do tom pessoal, creio que ela pode ajudar muita gente a perder as escamas dos olhos, sobretudo em relação ao tirano da Venezuela.

Boa leitura das janelas abertas por Tambosi e Araújo. E coração prevenido, porque a Venezuela não está situada nos antípodas, mas abre suas goelas bem ao lado de nossa terra. Leia no
Contra a Raison d’Etat).

Obrigado, mestre.

Academia · economia austríaca

Desafio aos economistas austríacos

Dan Sutter tem um bom ponto. Eis o parágrafo inicial do artigo:

The efficacy of the decentralized market process is perhaps the foremost contribution of Austrian economics. But if Austrians are correct about the performance of spontaneous order processes, the paucity of Austrian economists in academic positions seemingly undermines their methodological critique of neoclassical economics.

Austríacos precisam, realmente, responder este questionamento antes de reclamarem da vida. Bom artigo para se começar a pensar no tema…

p.s. eis aqui e aqui formas dos austríacos tentarem construir um diálogo sólido com os economistas não-austríacos.

Academia

Título muito criativo: Who wears the trousers?

Who wears the trousers? A semiparametric analysis of decision power in couples
Melanie Lührmann and Jürgen Maurer
CWP25/07: 08 Oct 2007

Decision processes among couples depend on the balance of power between the partners, determining the welfare of household members as well as household outcomes. However, little is known about the determinants of power. The collective model of household behavior gives an operational definition of decision power. We argue that important aspects of this concept of power are measurable through self-assessments of partners’ say. Using such a measure, we model balance of power as an outcome of the interplay between both partners’ demographic,socioeconomic, and health characteristics. Advancing flexible, yet parsimonious empirical models is crucial for the analysis, as both absolute status as well as relative position in the couple might potentially affect the balance of power, and gender-asymmetries may be important. Appropriately, we advance semiparametric double index models that feature one separate index for each spouse, which interact nonparametrically in the determination of power.Based on data from the Mexican Health and Aging Study (MHAS), we find education and employment status to be associated with more individual decision power,especially for women. Moreover, health and income have independent effects on the distribution of power. We also show that contextual factors are important determinants of decision power, with women in urban couples featuring more decision power than their rural counterparts.

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Economia em um dos departamentos mais interessantes do mundo

O departamento de economia da George Mason University é descrito de forma não-usual por Arnold Kling. Há algo simpático em sua visão (eu compartilho de muito do que vejo e leio do pessoal de lá), mas não entendo a birra de Arnold com a matemática. Hey, Arnold, deixa de ser implicante.

Por outro lado, os economistas da GMU ainda não me parecem bem em rankings de produtividade acadêmica. Pode não ser uma crítica, mas é um sinal de que talvez o maravilhoso mundo da Masonomics ainda necessite de muitos ajustes. De qualquer forma, vale a pena ler o artigo e pensar em um futuro doutorado ou pós-doutorado lá.

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Enquanto você aguarda o Prêmio Nobel de Economia…

…uma dica de leitura sobre como vai nossa ciência.

Where Economics Has Been Headed? Multiple Identities and Diversity in Economic Literature – Evidence from Top Journals Over the Period 2000-2006 – A First Note

LUIGI CAMPIGLIO
Catholic University of the Sacred Heart of Milan – General
RAUL CARUSO
Catholic University of the Sacred Heart of Milan August 2007
Abstract:
This short paper presents some preliminary results of an ongoing research work focusing on richness and diversity of economic literature. The key idea is that each article published in an economic journal retains multiple identities. These multiple identities are captured through the use of Jel codes. A sample of ten top generalist journals has been selected. The relative abundance of all Jel categories has been computed for the period 2000-2006. Moreover, a degree of diversity has been proposed for both the sampled journals and the entire Econlit database.
Keywords: JEL, Econlit, Economic Journals, multiple identities, identity, relative abundance, diversity, evenness, richness.

JEL Classifications: A10

Working Paper Series