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O mundo está ficando mais racional. E o Brasil? (Dica R do dia/Momento R do dia)

“Racional”, no sentido do autor deste texto. Ok, é só um post. Mas resolvi traduzir os termos (quase todos) e incluir um outro e ver se a busca no google por palavras-chave associadas a estas maluquices diminuiu ao longo do tempo.

Os resultados falam por si. Veja as imagens. Observo que: (a) o terraplanismo segue a mesma tendência de seu equivalente em inglês do post original e (b) os reptilianos, que não estavam no original, tiveram um curioso pico há alguns anos (a propósito, quem assistiu Iron Sky e sua continuação devem ter adorado a participação dos reptilianos no filme).

Economia da Religião · economia e demografia

A queda de fertilidade de cristãos do sudeste europeu e a igreja

Os autores dizem:

We offer an alternative explanation: the Catholic church retreated in the mid1960s from providing a variety of family-friendly services that had previously reduced the cost of Catholic childrearing. Nuns were key to the provision of those services, and the Second Vatican council of 1962–65 (known as “Vatican II”) led to a dramatic decline in the number of nuns (as well as priests) and thus raised the cost of childrearing.

Há também um modelo teórico microeconômico – elegante – e estimativas. As conclusões? Descubra aquiSpoiler: não são as preferências que mudaram (^_^)

economia do futebol

Economia do futebol (teórico)

Não sei porque os autores não fizeram uma versão em inglês deste artigo, à época. É uma contribuição importante e de dois brasileiros.

Eis o resumo.

O presente trabalho modela teoricamente o problema da divergência de objetivos existente no futebol brasileiro como uma relação de agente-principal. O principal, a torcida, delega para o agente, o dirigente, a tarefa da produção de vitórias e resultados positivos. Contudo, nem sempre o dirigente do clube deseja maximizar o número de vitórias. Entre seus objetivos podem estar manter o orçamento do clube equilibrado ou obter mais sócios, por exemplo. Os principais resultados do trabalho encontram evidência empírica: podemos entender as agressões a dirigentes, jogadores e técnicos de futebol e as invasões de campo protagonizadas por torcedores.

Griebeler e Baldusco são os autores.

eleições · public choice

Elasticidades do seu voto

We find that an increase of 1 percentage point in the valid vote to turnout ratio for state representatives increases health spending by 1.8%; education by 1.4%; public employment by 1.25%; intergovernmental transfers by 1%; and local taxes by 2.6%.

Tirei daqui e o artigo é de Schneider, Athias e Bugarin. Li só o resumo, mas é impossível não lembrar do clássico Meltzer & Richard (1981), aliás, citado pelos autores…

Capital Humano · economia · Economia do Conflito · Economia do Crime

Onze (não dez) melhores livros de 2019

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No apagar das luzes do ano, eis alguns livros que gostei de ler em 2019. Uma lista incompleta, com livros ordenados aleatoriamente.

  1. Open Borders – the science and ethics of immigration. Livro em quadrinhos de Bryan Caplan e Zach Weinersmith. Minha opinião: não traduzí-lo (e publicá-lo) seria um crime (contra a humanidade, eu diria).
  2. The Political Economy of Special Economic Zones – Concentrating Economic Development. Livro de Lotta Moberg. Minha opinião: por muito pouco não é um livro sobre cidades experimentais (charter cities), mas tem um ótimo arcabouço conceitual para se estudar o tema.
  3. Hive Mind: how your nation’s IQ matter so much more than your own. Livro de Garett Jones. Minha opinião: mais um daqueles livros que precisam ser traduzidos. Pessoal que fala de capital humano precisa enfrentar o tema do QI com menos preconceito e mais coragem (e a coleta sistemática de dados já caducou o que, ironicamente, diz algo a nosso respeito como país em desenvolvimento…).
  4. The Trust Revolution: how the digitization of trust will revolutionize business and government. Livro de M. Todd Henderson e Salen Churi. Minha opinião? Um dos melhores do ano. Falam muita besteira por aí sobre Uber e aplicativos afins. Não neste livro. As perspectivas para o governo são interessantes. Há, no livro, bons insights para, seriamente, pensarmos em novas formas de governo (ou governança pública, caso prefira o termo).
  5. None of my business: from bestselling political humorist P.J.O’Rourke. Minha opinião? Qualquer livro do P.J. O’Rourke vale a pena. Ponto final.
  6. The Worlds of Gerry and Sylvia Anderson: the story behind International Rescue. Livro de Ian Fryer (complementa o Filmed in Supermarionation, de Stephen La Riviere). Minha opinião: gosto muito de toda a obra de Gerry e Sylvia Anderson e, mais ainda, dos aspectos pouco conhecidos desta interessante função de produção que é a dos filmes e programas de TV.
  7. Small Wars, Big Data: The Information Revolution in Modern Conflict. Livro de Eli Berman, Joseph H. Felter, Jacocob N. Shapiro e Vestal McIntyre. Minha opinião: livro que indico sempre que posso. Um dos melhores livros sobre o uso de big data em estudos científicos acerca de conflitos modernos (estas tais guerras assimétricas). Em outras palavras, quem estuda crime organizado ou terrorismo vai adorar.
  8. Hugo Chávez – o espectro. Livro de Leonardo Coutinho. Minha opinião: um dos melhores livros sobre o regime de Chávez e suas pouco analisadas (surpreendentemente) conexões com aspectos político-criminais pelo continente. Serve como reflexão sobre até onde um político pode ir quando a imprensa e os eleitores se deixam seduzir por belos discursos…vazios.
  9. Lucros de Sangue: como o consumidor financia o terrorismo. Livro de Vanessa Neumann. Outro livro essencial para quem sempre achou que a “Tríplice Fronteira” não deveria ser desprezada quando se fala do combate ao crime (ou terrorismo).
  10. Pancadaria: por dentro do épico conflito Marvel vs DC. Livro de Reed Tucker. Quem me conhece sabe do quanto gosto dos aspectos econômicos do mundo dos quadrinhos. Divertido e útil para, novamente, entender aspectos da criatividade e da função de produção deste incrível mundo dos gibis.
  11. Eu sou um gato. Livro de Soseki Natsume. Minha opinião: o mais famoso escritor japonês da era Meiji, Soseki me foi apresentado pelo pequeno e divertido Botchan (há versão para cinema, mas não me recordo dos detalhes). Já em “Eu sou um gato”, o autor narra o cotidiano de uma família centralizado em seu personagem principal, o gato. “Sonhos”, de Kurosawa, foi baseado na vida de um discípulo de Soseki, Hyakken Uchida, que escreveu uma espécie de resposta/complemento a este clássico da literatura japonesa (fica meu apelo para que o traduzam). Talvez seja o único livro de ficção desta lista.

Em retrospecto, vejo que sigo em busca de livros que me ajudem a compreender aspectos de pesquisas que, vez por outra, geram artigos científicos. É uma lista incompleta e deixou alguns ótimos livros de fora, mas creio que é isto.

Capital Humano · Desenvolvimento econômico

O capital humano brasileiro é coisa nossa…

Veja a imagem abaixo. Nela você vê dois kits de higiene bucal. O da esquerda eu comprei em Belo Horizonte. O outro, no aeroporto Charles de Gaulle. Percebe-se que o kit é o mesmo, mas alguém escolheu mudar o formato da escova de dente portátil.

Pois bem, adivinhe qual das escovas nunca firma após o encaixe para uso. Sim, a nacional. Terrível, mas não é uma surpresa.

Desenvolvimento econômico · nova economia institucional

Experiência e Instituições

The Impact of Experience on How We Perceive the Rule of Law
Benito Arruñada
Pompeu Fabra University and BGSE, Barcelona (Spain)

Abstract
Experience is a major source of knowledge. Could institutions be improved by eliciting the additional knowledge held by experienced individuals? I show here that in several areas of the law experienced individuals are more critical of institutional quality than inexperienced individuals. Moreover, performance indexes built with experienced subsamples substantially alter country rankings. Assuming no unmeasured confounders, more knowledge arguably leads experienced individuals to revise the more benign view held by the general population, composed mostly of inexperienced individuals. Moreover, experience is a stronger driver than alternative sources of knowledge, including education, which might therefore be reinforcing milder and, arguably, incorrect assessments of institutional quality. After observing how this “experience effect” varies systematically across countries, I conclude by proposing that evaluations of institutional quality pay greater attention to experienced individuals and cautioning against basing inferences on assessments made by the general population.

Promissor, não?

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Brumadinho 2.0: o salto para o futuro

O maior ativo do ser humano, seu último recurso, são as ideias, a sua criatividade. A criatividade é o motor que aperfeiçoa instituições milenares e também é o que as altera com tanta força que, às vezes, não as reconhecemos mais.

Ideias. Ideias surgem de um processo que não entendemos muito bem e têm um caráter muito interessante. Recentemente, na Enap, o prof. Bernardo Mueller (UnB) apresentou um aperitivo de sua pesquisa sobre a inovação. Em poucas palavras, a inovação surge do que alguns chamam de cérebro coletivo.

Paul Romer, Nobel de Economia de 2018, tem dito que a capacidade humana de gerar ideias é virtualmente ilimitada, o que é uma ótima notícia já que somos animais sociais, ou seja, temos maiores chances de sobrevivência vivendo em sociedade.

Sociedade. Sociedades se moldam de várias formas e, uma delas, são as cidades. Em qualquer lugar do planeta observamos cidades. Mas, à noite, conforme famosa foto tirada do espaço, vemos cidades reluzentes ou quase totalmente apagadas. Por que isso acontece? Há várias explicações e, uma delas, é a de que algumas sociedades adotam instituições que promovem a prosperidade mais do que as outras.

Não à toa, muitos sonham em sair de suas cidades miseráveis e morar em uma Berlin, uma Paris ou mesmo uma cidade do interior dos EUA. A imigração – voluntária ou de refugiados – é um fato que brasileiros passaram a conhecer bem com o fracasso de governos como os da Venezuela ou do Haiti nos últimos anos.

Rápido corte. Entra Brumadinho. Uma das cidades mais belas da poética Minas Gerais, Brumadinho sofreu com uma catástrofe ambiental há um ano. Várias ideias têm surgido aqui ou acolá sobre como recuperar Brumadinho mas nenhuma suficientemente ousada como a de transformá-la em uma cidade experimental.

Cidade experimental. Trata-se de uma ideia do mesmo Paul Romer. Uma ideia que possui variantes – ou seja, não há um modelo único – e que vem ganhando adeptos pelo mundo. Uma cidade experimental realmente permite a seus habitantes utilizar regras distintas daquelas do resto do país. Não, não é uma espécie de Zona Franca de Manaus recauchutada. É um Canal do Panamá, uma Hong Kong, uma Dubai. Melhor, é algo que ainda será criada.

Nossa proposta é ousada, mas humilde. Propomos que se promova um concurso público internacional para uma cidade experimental em Brumadinho. O júri seria composto por estudiosos e inovadores que trabalham com o conceito de cidades experimentais (vamos aproveitar a criatividade mundial que, aliás, teria uma chance de fazer algo de concreto pela cidade brasileira que tanto noticiou…). Simultaneamente, as administrações municipal, estadual e federal trabalhariam na aprovação de regras que permitissem a Brumadinho experimentar a possibilidade de dobrar sua renda per capita em duas ou três gerações.

Gerações. É nelas que o poder público diz pensar quando se propõe a fazer mais do mesmo. Nossa proposta não é uma panaceia, mas somos otimistas quanto ao que elas significam, em potencial, para as futuras gerações. Brumadinho 2.0 já!

Claudio D. Shikida
Marcus R.S Xavier

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Tecnologia e gibis

Pequena, mas interessante, matéria sobre o impacto da tecnologia nas revistas em quadrinhos.

Trecho:

Um quadrinista pode ganhar US$ 100 por página, mas geralmente só faz uma por dia. Um letrista ganha menos por página, mas produz várias em um só dia de trabalho.

Em outras palavras, indivíduos se adaptam às novas tecnologias buscando a melhor forma de seguir faturando com o mercado.

Veja só como os efeitos não são triviais. A própria função de produção muda com um choque tecnológico, e não necessariamente para pior. Custo de oportunidade muda (possivelmente novos custos de oportunidade surgem devido a novos insumos, etc).