Economia dos Esportes – Mando de Campo ou “Por que você deveria ir ao jogo da próxima quarta-feira?”

20160601_215320-001A Economia dos Esportes é uma área estabelecida mundialmente (ver, por exemplo, as páginas da NAASE, da ESEA, ou da IASE) embora, curiosamente, pouco se fale do tema no Brasil. Artigos sobre aspectos econômicos do futebol brasileiro, contudo, já podem ser encontrados de vez em quando por estas bandas. Promissor? Com certeza.

Para motivar o tema, eis aqui um assunto caro ao pessoal das ciências (d)esportivas: o fenômeno do mando de campo (home field effect). Por que ele seria relevante para economistas? Bem, se este efeito existe, ele pode ter impacto sobre as receitas dos clubes e, portanto, no desempenho dos mesmos (conforme a tendência européia de se modelar o comportamento dos clubes nesta área de pesquisa) ou sua lucratividade (conforme a tendência norte-americana).

Será que existe mesmo este efeito? Ao invés de citar um ou dois artigos (na verdade, acho que existem uns três, sendo que um deles já foi aceito e será publicado em breve em periódico da área de Economia), vou apenas tentar medir o efeito sem me preocupar em explicá-lo (o que é, com certeza, o mais importante e interessante aspecto do problema).

Tomando como exemplo a divisão de acesso (A2) do Gauchão, onde se encontra o glorioso Esporte Clube Pelotas (que teve uma derrota vergonhosa ontem), vejamos como os times se saem jogando fora e dentro de casa. Neste ano, a divisão de acesso é composta de dois grupos numa lógica mata-mata. Estamos na 11a rodada de quatorze antes das quartas de final (seguidas das fases semifinal, final). Até o dia 22/04 foram 84 partidas. Grosso modo, quando os times foram mandantes (i.e., jogaram em casa), obtiveram 41 vitórias, o que nos diz que o mando de campo, medido desta forma, foi de 48.8%.

Podemos entrar em mais detalhes, contudo. Vejamos os desempenhos dos times em seus respectivos grupos (à esquerda o Grupo A).

Exemplificando, tomemos o caso do Lobão (Esporte Clube Pelotas) e do Aimoré, que jogarão na Boca do Lobo (a casa do Lobão) na próxima quarta-feira. Percebe-se que o Pelotas foi mais efetivo em vitórias jogando em casa (venceu 60% das partidas) do que fora (venceu apenas 17% neste caso). Já o Aimoré tem desempenho oposto. Vence mais fora (75%) do que em casa (33%).

Repare que muitas coisas aconteceram até aqui. Vários times trocaram de técnicos, jogadores foram contratados, dispensados, etc. De certa forma, os números já trazem em si mesmos estas alterações. O acumulado de vitórias é o resultado de todas estas mudanças.

Como falei inicialmente, há várias hipóteses que buscam explicar o mando de campo e estamos longe de uma teoria sólida sobre o fenômeno. Mas isso não significa que não devamos trabalhar para que o mesmo se efetive. Neste sentido, voltando ao exemplo do próximo jogo do Lobão, na quarta-feira, eu diria que a torcida deveria ir em peso ao estádio e, sem violência (sempre sem violência!), mas com firmeza, pressionar o seu time e fazer mais barulho do que a torcida do adversário. Por que? Porque os dados nos mostram que o mesmo apresentou, até agora, um desempenho muito melhor fora de casa e é aqui que enfrentará o Lobão.

Caso tenha se interessado por Soccernomics ou mesmo pela Economia dos Esportes, saiba que, ocasionalmente, encontrará algum material por aqui.

Gostou? Comente. Não gostou? Comente também. Mas cite a fonte original sempre, ok?

A balconista que arredondava – continuação

Lembra do texto que escrevi sobre arredondamentos nos preços de produtos? Pois é. Eu sigo interessado no tema e, se você pesquisa economia, boas chances existem de que também esteja curioso. Bem, vamos tentar organizar as idéias. A literatura se refere a odd pricing effects quando “o vendedor estabelece o preço logo abaixo do arrendodamento mais próximo” (assim o definem Kinard, Capella & Bonner (2013), citado no texto anterior). Neste caso, pode-se pensar em preços como R$ 12,99, R$ 3,49 ou mesmo R$ 2,50 (alguns incluiriam preços como R$ 2,98, como se vê aqui).

Entretanto, há um subconjunto destes preços que são os preços para os quais não há troco. Quem leu o texto anterior notou que esta foi a tônica principal do meu texto. Eu estava incomodado não com o efeito psicológico (que é bem interessante também) do arredondamento, mas sim com o fato do preço ser tal que o consumidor poderia perder o troco.

Resolvi conhecer um pouco melhor a realidade local. Saí pela cidade obtendo panfletos de vários tipos de lojas e tabulei os dados. Não importa, nesta tabulação, se um produto é vendido individualmente ou em pacote. Considerei cada um como um produto distinto. Na verdade, considerei todos os preços à vista que constavam em cada catálogo. Eis o resultado desta rápida amostragem (nomes dos estabelecimentos foram excluídos).

semtroco

Como alguém poderia dizer, realmente o “não ter troco” é uma ocorrência mais comum em produtos não-duráveis do que nos duráveis. Isto é razoável? Talvez, já que a demanda de duráveis varia menos no tempo em relação a de não-duráveis (no sentido de que você não compra um sofá semanalmente como compra remédio, sabonete ou frutas). Logo, se há um ganho positivo, por menor que seja, em embolsar uns centavos do consumidor, talvez seja melhor fazer isso com produtos não-duráveis. Caso ele não reclame no balcão, azar o dele (e ele voltará, por exemplo, para comprar o remédio…).

Falando um pouco da tabela, no caso das farmácias, há uma clara divisão: três delas apresentam muitos preços para os quais não há troco e duas se comportam basicamente de forma oposta.

Não pude ir ao outro supermercado da cidade, mas no que fui, existiam dois panfletos separados: um para a seção de higiene pessoal (na tabela, “Higiene/Limpeza” e o resto (que chamei de “Alimentícios”, mas este não é um nome exato pois nesta seção tem-se produtos como amaciante de roupas…depois mudarei o nome). Note que o uso de preços “sem troco” é elevado neste estabelecimento.

Uma única loja com um panfleto bem pequeno é a exceção a esta regra. Trata-se de uma loja de moda íntima (se bem que cuecas e sutiãs não são exatamente não-duráveis ou duráveis, embora eu tenda a classificá-los como mais duráveis).

As lojas de departamento praticamente usam todos seus preços na forma “R$x9,xx, mas os centavos são sempre de forma a permitir a devolução de troco. Então, ok, pode-se até dizer que elas usam odd pricing, mas nunca deixam o consumidor sem troco, mesmo quando percebemos que negociam bens duráveis para os quais, geralmente, paga-se por meio de cartões ou cheques, o que, presumo, até facilitaria cobrar preços “sem troco”.

A pergunta que me perturba agora é a seguinte: diante de uma situação em que o vendedor não tem troco, o que ele faz? Arredonda para baixo ou para cima? Minha experiência pessoal, em Belo Horizonte, é que geralmente o arredondamento é para baixo. Como sou chato com isto, minha memória está treinada para me alertar quando o vendedor tenta levar embora meus centavos. Mas, aqui em Pelotas, será assim? Minha experiência com a balconista não foi desagradável, mas me deixou muito desconfiado.

Ah sim, não poderia encerrar o texto sem dizer que vou tentar acompanhar a evolução deste fenômeno daqui para diante e, talvez, tentar também estudar um pouco mais de odd pricing. Outro ponto legal de se coletar estes panfletos é tentar verificar a existência de custos de menu, mas esta idéia já foi bastante explorada.

Evidentemente, também é interessante pensar se haveria algum motivo exógeno ao mercado (alguma lei) que obrigaria o vendedor a colocar preços estranhos como R$ 2,98. Eu duvido, mas vivo em um país que já teve lista de preços “congelados” em jornal, o que me dá motivos para me preocupar com isto, embora eu aposte (contra minha própria experiência?) que isto não seja um problema sério.

Bem, é isso. Deu um pouco de trabalho, mas talvez algum leitor tenha aproveitado a leitura deste textinho. Gostou? Cite o original. Não gostou? Cite também. Tem referências bibliográficas interessantes? Envie para mim. Será um prazer.

A hipótese nula é que este mini-texto é engraçado

Você matou a aula de Estatística mas tem dois colegas – Nicodemos e Parmênides – que foram e anotaram as definições de erro tipo I e II. Um deles é mais distraído que o outro mas você supõe que Nicodemos tenha anotado corretamente e está se preparando para a prova final quando então lhe ocorre o seguinte pensamento:

Erro tipo I: – É verdadeira a hipótese de que Nicodemos tenha anotado as corretas definições de erros tipo I e II, mas você rejeita esta hipótese.

Erro tipo II – É falsa a hipótese de que Nicodemos tenha anotado as corretas definições de erros tipo I e II, mas você não rejeita esta hipótese.

Refletindo um pouco, você conclui (sem realizar teste algum) que faltar à aula e depender do caderno alheio é, realmente, uma droga!

p.s. como professores também podem se confundir com slides, melhor ler o livro (e uma anedota similar se aplica).

Pepe Guardiola e sua vida no mestrado de Economia

220px-josep_guardiola_0525Passei os olhos pelos dez mandamentos de Pepe Guardiola e resolvi adaptá-los para sua vida no mestrado. Como sabemos, você entrou no mestrado crente que seria aquela moleza da graduação, só que com menos festas durantes os dias da semana. Então você fez um curso de verão e descobriu que a vida adulta é algo como: no pain, still no gain.

Eu sei. Você chorou. Lá no fundo, secretamente, você chorou. Pensou até em jogar “Baleia Azul”, mas ainda lhe resta alguma força de vontade. Eis que você busca algum estímulo em coisas que gosta. Alguma motivação. Então você começou procurando “motivação” ou “auto-ajuda” na rede e, sem querer (mesmo), caiu aqui. Bem, seus problemas acabaram (ou vão piorar muito) porque meu humor não é dos melhores (por isso nunca me convidaram para apresentar talk shows).

Pensando em sua angústia, elaborei minha adaptação original dos princípios de Pepe Guardiola. Sei que não serão o best-seller do mestrado (este lugar já foi ocupado pelo Leo Monasterio) mas, o que me importa? Vai que alguém encontre aqui alguma dica útil para si mesmo aqui. Caso não encontre, pelo menos poderá se divertir um pouco. Apresento-lhes, então…

Os dez mandamentos de Pepe Guardiola adaptados por Claudio Shikida em prol de sua sanidade mental no mestrado (e também em prol da sanidade mental de quem corrigirá suas provas)™

1. Ball Possession: possession is only a tool.

Este princípio é importante. Vamos usar a regra básica dos manuais de auto-ajuda que é transformar isso em algo diferente usando a metáfora mais elástica possível. Bem, no seu caso, mestrando, a posse de bola equivale a algo que você reputava inútil quando da graduação, principalmente se você é destes frágeis seres da geração Y-Z.

Sim, falo da posse do livro. Não me venha com esta de passar o dedo pelo celular. Tenha o livro em mãos. Sim, o livro físico. Deixe o ebook como apoio, como reserva, no banco mesmo (ele serve como reforço no banco do ônibus, privada, etc). Livro físico é investimento, não gasto. A posse do livro não é suficiente, mas é condição necessária para vencer o jogo.

2. Numerical superiority in defense and numerical or positional in the center of the field.

Este princípio pode ser traduzido como: faça exercícios de todos os tipos. Exercícios básicos e intermediários te dão musculatura (mental e física…as mãos doem, filho da era digital, quando se escreve). Exercícios avançados são importantes. Eu diria que uma combinação convexa dos mesmos é importante, sendo os avançados os que te colocam ali no centro do campo.

3. Maximum width of the field to find the greatest possible depth, combining them with sequences of passes to attract opponents and free an attacker for their individual duel.

Spock_(mirror)Ah sim, contra quem estamos jogando? Contra nossos similares do mundo paralelo no qual Spock tem barba. Sim, estamos jogando contra nosso lado preguiçoso e festeiro. Temos que enganar estes malignos seres e vencê-los. Como fazer isso? Ocupar o máximo possível do tempo com estudos e tentar viver um lazer mais interativo com o que se estuda (entender, rir ou até mesmo formular piadas de economistas pode ajudar).

4. Place the players on different lines to facilitate the start of the game and the compact advancement.

Planeje seus estudos com organização. Organize seus exercícios conforme as linhas de jogo (básicos, intermediários, analíticos, algébricos, numéricos, enfim, escolha sua taxionomia). O importante é estar bem compacto (fechado e limitado) para a batalha.

5. Search for “3rd man” in all actions of construction of the game and “free men” between pressure lines of the opposing team (“3rd man” = search for “free man” from a triangle).

Perceba aqueles elementos da teoria que se encaixam em soluções que vão te ajudar a sair dos problemas (algo como f'(k) = n + ρ ou a produtividade marginal ser igual à remuneração real). Estes caras sempre nos são úteis…

6. Defensive protection through possession of the ball (as Pep Guardiola says: “the best way to cool a warm environment is to have the ball”) and the selective use of pressure after its loss.

Digamos que você está no meio do exercício (geralmente ele ocupa cinco ou mais páginas) e descobriu que errou um sinal lá na segunda linha da primeira página. É psicologicamente devastador e dá raiva né? Mas você tem que preparar seu material de estudo para a proteção defensiva.

Minha dica é: use apenas um lado da folha e deixe o verso vazio. Passei a adotar isto há tempos e, embora use mais folhas, sempre tenho o verso para corrigir (e não jogo fora o papel, marcando claramente meu erro o que me ajuda a não cometê-lo novamente). Ah sim, você pode até não seguir minha dica, mas deve ter alguma solução similar.

7. Respect the positions, encouraging the exchange of players in them, and giving priority to be the ball arriving to the player who is waiting for it and not vice versa.

Exercícios a serem resolvidos devem estar sempre muito bem organizados em seu caderno. Respeite a ordem de solução e tenha cuidado ao fazer fatorações. Em especial, no caso da Ciência Econômica, há que se isolar termos de forma inteligente, como dizia um professor meu.

Por exemplo, vamos falar de respeitar posições aqui. Digamos que você precise encontrar uma razão entre elasticidades distintas. Então tente rearrumar os termos da expressão algébrica até chegar lá. Jamais seja preguiçoso! Novamente: não basta chegar em um resultado algébrico que ninguém consegue intepretar economicamente (inclusive você). Daí a importância de se isolar, fatorar, reorganizar, enfim, fazer o que for possível para que a expressão final tenha um sentido claro.

8. Excellence in the technical gesture, including in relation to the body position in the reception and in the pass, and look for passes that improve the position of the teammate.

Talvez este princípio possa ser aplicado em nosso contexto para falar de capricho nos exercícios (ou nas respostas que você redigirá em prova). Não, não se trata de ter letra de professora de criança. Assim como jogadores de futebol não precisam ser modelos de beleza, você não precisa ser o mais belo (embora isso possa ajudar no mercado de trabalho). Entretanto, a técnica apurada (e Musashi Miyamoto já dizia o mesmo em seu clássico O Livro dos Cinco Anéis) é importante. Gráficos têm nomes nos eixos, nomes de variáveis devem estar claros ser claras e as passagens entre uma operação e outra devem ser claramente indicadas. Isso ajuda muito não apenas para o professor que corrigirá a prova, mas também para sua própria organização mental.

9. Maximum intensity in all moments of the game, understood as concentration capacity.

O mestrado (pelo menos o de Ciência Econômica) é cruel. Não se pode distrair por um segundo que a revelação da identidade de Roy passa despercebida (e talvez você nunca mais a encontre…). Não é que você não possa tomar café, almoçar ou fazer uma caminhada para relaxar. Mas, como no futebol, concentração é tudo. Ao fazer uma lista de exercícios, evite o celular ou o computador (eu sei, é difícil) ou a TV. Foco é fundamental durante toda a lista/prova/mestrado.

10. Dominant position in the field (reflected in the advanced defensive line) and clearly offensive orientation.

Ah sim, nosso inimigo é o Spock de barba, não é mesmo? Ele assusta, eu sei. Seria muito mais tranquila a sua vida se você não tivesse feito a prova da ANPEC mas, claro, você enfiou na cabeça que um mestrado seria uma ponte para você enriquecer, mudar de vida, sair das asas de sua mãe dominadora ou, sei lá, achou que iria ganhar muitas mulheres lindas na noite usando argumentos tirados da Microeoconomia, não é mesmo?

Não é difícil perceber que as coisas podem não terminar tão bem assim agora que você se embanana todo com a derivação de uma nota de rodapé do livro de microeconomia do Varian (é, eu sou raiz, não “nutella”).

Avance suas linhas defensivas. Vamos marcar mais em cima, né? Mãos à obra. A meta é começar o dia com intensidade, lendo muito e fazendo muitos exercícios. Não caia na conversa do Spock de barba. Ele vai tentá-lo como Satanás. Vai tentar convencê-lo com palavras bonitas, descontextualizadas. Tentará convencê-lo de que a sociedade-é-culpada-de-você-estar-assim-tão-ansioso-fora-neoliberalismo ou coisas assim.

Jamais lhe dê ouvidos. Você escolheu seu destino e agora deve encará-lo. Pense nos 10 princípios de Pepe Guardiola adaptados – brilhante e modestamente – por mim, aqui, de maneira meio solta, como um guia para ajudá-lo a se readaptar para uma vida melhor, ainda que ela não lhe pareça próxima agora.

Você pode assumir a liderança na tabela deste campeonato! Como no futebol, isso demandará um bocado de esforço. Bem, eu sobrevivi (sequelado, eu sei…). Por que é que você não conseguiria? Seja generoso com você mesmo e se dê a chance de viver esta experiência. Pode ser que valha a pena.

p.s. gostou das dicas? Comente aí. Quer criticá-las ou comentá-las em seu texto/blog/undsoweiter? Por favor, honestidade acadêmica: cite a fonte.

A balconista que arredondava: o curioso caso do fio dental de R$ 9,19

Fui à farmácia comprar fio dental que, nos tempos de inflação e considerando milhares de características do mercado local, na supra-citada farmácia, conforme a etiqueta anexada no produto, custa R$ 9,19.
O diálogo a seguir se deu no caixa.
– Fio dental, R$ 9,20.
– A senhora quer dizer R$ 9,19?
A balconista me mostra a embalagem.
– O que o senhor achou que era? (sic)
– R$ 9,19.
– Ah sim, eu falo R$ 9,20, mas não posso lhe cobrar R$ 9,20 e sim R$ 9,19. O comércio não tem mais moedas de um centavo (como se eu não soubesse, mas tudo bem).
– Sendo assim, não seria melhor cobrar um preço já arredondado?
– Mas a matemática é exata. (outra frase que soou estranha para mim, mas…).
– Eu sei, mas porque não arredondar?
– Se o sistema (sempre há um “sistema” misterioso, tipo um cachorro atrás de uma criança…) permitisse…
Voltei para casa pensando em vários pontos deste diálogo.
Muita gente despreza o capitalismo ou o empreendedorismo porque já foi vítima de conversas desonestas. Talvez esta seja uma destas conversas, talvez não. Mas possui tanto cheiro de malandragem (ora é a matemática, ora é o sistema, como se fosse fácil confundir qualquer cliente…) que eu não tenho como não compartilhar deste desprezo. Mercados se baseiam em trocas voluntárias e as mesmas necessitam de um ingrediente essencial chamado (agora vou eu usar tom professoral, como a balconista ao citar a matemática) “reputação”. Malandragem quebra reputação como um elefante destrói um copo de plástico.
Talvez a conversa seja honesta, digo, talvez a balconista realmente seja um pouco confusa, mas honesta. Neste caso, parece que ela nunca teve contato com este imenso debate que não é só de boteco, mas também acadêmico, sobre preços como R$ 1,99 (ver, por exemplo, isto, notadamente a bibliografia e os links externos para começo de conversa).
Uma explicação é que os consumidores tenderiam a perceber R$ 1,99 como algo mais barato do que R$ 2,00 (ok, é mais barato, mas não tanto). Supondo que isso seja interessante para me atrair ao produto e decidir comprá-lo, por que uma balconista jogaria o preço para cima, como no meu caso, anulando o efeito (e me causando uma sensação de que tentaram me levar R$ 0,01)? Será que a balconista pensa que o desprezo por R$ 0,01 é tal que eu não deveria pensar em querer pagar R$ 1,98 ao invés de R$ 2,00, por exemplo? Ok, o argumento dos centavos seguiria, mas eu tenderia a caminhar para R$ 1,95.
Pesquisando rapidamente, descobri que, segundo Kinard, Capella & Bonner (2013), acredita-se que estes preços “quebrados” (chamados de odd prices) teriam sido criados para pegar empregados malandros:
Although odd pricing is believed to have begun nearly a century ago as an attempt to deter theft by employees who would be forced to make change during a sale (Gendall et al., 1997; Twedt, 1965), consumer behavior theory proposes that the practice of odd pricing continues today because of its ability to distort consumer’s perception of a good or service (Stiving and Winer, 1997).
 Mas o artigo cita diversos outros fatores para esta prática (leia-o aqui) e chama a atenção para o fato de que não existiriam evidências robustas de que a prática destes preços teria efeitos positivos sobre as vendas (os efeitos seriam mistos).
Agora, o que continua, mesmo, a me intrigar é a postura da balconista…
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UPDATE: Ainda sobre este tema, ao sair da farmácia eu peguei o catálogo de ofertas. Ele tem uma capa (com três produtos) e as seções “Higiene” (53 produtos), “Saúde” (25), “Infantil” (20), “Beleza” (29) e, na penúltima página, uma oferta única, totalizando 131 produtos anunciados.
O percentual de odd prices, por área, são:  “Higiene” (40%), “Saúde” (36,1%), “Infantil” (55%), “Beleza” (34,49%). Talvez isso não signifique muita coisa e o relevante é olhar o total. Neste caso, o percentual é de 41,22%. Em outras palavras, aproximadamente 41% (54 produtos de 131) em um catálogo de ofertas diz respeito a produtos com preços como R$ 12,99, R$ 4,49, R$ 21,46, R$ 30,67 ou R$ 9, 98, por exemplo.
Como não se consegue dar troco nestes casos, caso o vendedor seja desonesto e arredonde para cima, neste catálogo, considerando que se venda uma unidade de cada produto (para efeitos de simplificação), ele tiraria do consumidor o total de R$ 0,65. Obviamente, a conta correta não é esta porque a demanda não deve ser tão uniforme assim (pessoas demandam diferentes quantidades de produtos).
O mais curioso, para mim, é a proporção de produtos com preços quebrados no catálogo: 41% . Acho difícil acreditar na conversa da balconista. Parece-me, muito mais, uma estratégia de vendas.

Economia dos Esportes e Soccernomics: Expectativa de Gols

Eis um exemplo interessante de aplicação de soccermetrics (embora pareça não haver uma direta relação com a a Economia dos Esportes, especificamente, com Soccernomics, pode apostar, tem.

A expectativa de gols é uma medida utilizada, no Brasil, pelo comentarista da Rádio Gaúcha, Gustavo Fogaça. Não conheço – mas não pesquisei muito – outros comentaristas que façam o mesmo no Brasil (aceito dicas).

O modelo do blog Soccermetrics é, basicamente, uma curva logística sem maiores fundamentações teóricas, possivelmente contaminada por problemas de endogeneidade e, portanto, bastante promissora em termos de refinamentos e novas pesquisas.

Entrou para a lista de leituras: ideologia e mudança institucional

Este texto entrou em minha lista de leituras. Veja só o resumo.

The Ideological Roots of Institutional Change

Murat Iyigun
Jared Rubin

Abstract
Why do some societies fail to adopt more efficient institutions in response to changing economic conditions? And why do such conditions sometimes generate ideological backlashes and at other times lead to transformative sociopolitical movements? We propose an explanation that highlights the interplay ― or lack thereof ― between new technologies, ideologies, and institutions. When new technologies emerge, uncertainty results from a lack of understanding how the technology will fit with prevailing ideologies and institutions. This uncertainty discourages investment in institutions and the cultural capital necessary to take advantage of new technologies. Accordingly, increased uncertainty during times of rapid technological change may generate a ideological backlash that puts a higher premium on traditional values. We apply the theory to numerous historical episodes, including Ottoman reform initiatives, the Japanese Tokugawa reforms and Meiji Restoration, and the Tongzhi Restoration in Qing China.

A ligação entre choques tecnológicos e institucionais é uma área difícil de se pensar analiticamente e todo esforço bem-sucedido é válido. Vale a pena dar uma olhada no texto. Logo me veio à mente o caso dos aplicativos como os do Uber, Cabify, etc. Será que a narrativa do texto nos permite visualizar o que tem ocorrido nestes casos? Só lendo.

 

United e nós

Eis um texto interessante sobre o overbooking com uma proposta.

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Eis aí o gráfico das ações da United (no Yahoo Finance, procure por UAL). Notamos que o mercado foi bem rápido (o episódio ocorreu no domingo) em mostrar à empresa o que a sociedade achou do episódio. Só porque há um problema econômico interessante a ser pensado não significa que você tenha que resolvê-lo de forma desastrada.

Teorema de Araujo-Shikida do Nada de Relevante

Nada disso importa muito (por isso o nome do teorema). Mas é assim: sempre que dois homens se encontram para conversar, eles falam mal de n, com n∈ N, em que N = conjunto dos conhecidos (amigos ou não). Quando t→∞, n→N.

A segunda parte do teorema diz que se forem duas mulheres que se encontram, elas falam de n = N para todo t ∈ T.

O teorema foi proposto por Shikida (2017, à toa mesmo) de forma primitiva e aperfeiçoado após sugestões de Araujo (Jr, 2017, idem). Há um grande debate na academia sobre o que ocorre se o encontro for de um homem com uma mulher. Generalizações para as outros supostos gêneros criados no século XXI ainda não surgiram na literatura. Entretanto, nada impede que mais tempo seja alocado para inocuidades como esta.

p.s. economistas pterodoxos afirmam que falam mal de todos que não sejam de sua tribo, mesmo que observem alguns da mesma falando asneiras (ou jumentices, burrices ou cavalices). Entretanto, não aceitam que isso seja traduzido em forma matemática porque, claro, não sabem a linguagem (matemática?).

 

 

A divisão do trabalho funciona e ainda promove interações sociais (in)esperadas: o caso do arroz

When Tsutomu Murashima opened his restaurant in 1963, he left the main cooking chores to his wife so he could focus on his specialty, fixing the rice. The method he developed produced a soft-textured rice that was so good it earned him a reputation in the business as a “wizard of rice.”

Outro ótimo trecho:

But he found “the Chinese people place accompanying dishes on top of the rice to season it. Their preference with regard to sticky rice is different from the Japanese.”

Sem falar que, agora, até os chineses querem saber como ele cozinha. Leia lá na notícia.

Por que tanto lixo publicado na minha “timeline”? – Uma hipótese

Eis meu modelo para o lixo que aparece de vez em quando na minha timeline.
Motivação:
Por que alguém entra aqui e diz: “a terra é plana”, “o time precisa contratar Messi, mas não preciso propor mudanças no planejamento do time”, “modelo econômico não serve para nada” e outras baboseiras?
Modelo de alguém impaciente demais para perder tempo com isto:
1. Custo de falar bobagem é inversamente relacionado ao grau de inteligência (como dizem, para falar bobagem, basta abrir a boca e não pensar muito) e o benefício é positivo (popularidade, polemizador, clickbaits…). Simplificando, os símbolos para o custo e o benefício de falar bobagens na minha timeline (“b”) são: Cb(k) e Bb(k) em que k é o capital humano. Como falar asneira é barato e gera benefícios, Cb’ < 0 e Bb’ > 0.
2. Já o benefício de não falar bobagem é baixo pois o público mediano não pensa muito e não quer ler muito (ok, talvez isso possa variar com o grau educacional mediano de cada amostra (região, país, etc) e nem gera muito clickbait, aliás, você será conhecido como o chato da turma. Além disso, o custo de não falar bobagem é positivo (tem que ter retórica boa, estudar, conhecer nuances, capacidade de abstração, etc). Analogamente ao item 1, os símbolos são: Ci(k), Bi(k), em que “i” denota a inteligência. Aqui, Bi’ > 0, Bi” < 0 e Ci’>0, Ci” >0.
3. A hipótese proposta é que: Bb(k) – Cb(k) > Bi(k) – Ci(k) para todo k não-negativo (podendo, inclusive, ser o caso em que, para alguns, Bb(k) e Cb(k) nunca se encontrem).
Ok, não é o melhor modelo do mundo, mas serve de catarse. Lembrei do Carlo Cipolla agora…

Um monte de livros (ou ebooks) não é sinônimo de mais capital humano

Sabe aquele cara que tem um monte de livro na estante, mas não sabe ler? Ou aquele que vê uma letra, mas acha que é só um desenho bonito? Pois é. Veja o trecho abaixo.
 
“(…) inscribed artefacts from China dating back to about the beginning of the Christian era have been recovered from various mid-Yayoi period sites, indicating that writing was physically introduced at that period, although it may well not have been recognised then as such by the Japanese”. [Seeley, C. “A History of Writing in Japan”, University of Hawai’i Press, 1991, p.9]
 
Este é um belo exemplo de como se deve ter cuidado com correlações apressadas.
Uma versão engraçada é esta de que você pode ter um monte de livros, mas isso não significa necessariamente que você entende o que há neles.
A versão triste – e familiar dos brasileiros – é a do analfabetismo funcional, problema que diz respeito à formação de má qualidade que supostamente ensina um sujeito a ler em uma certa língua, embora o mesmo não consiga interpretar frases simples na mesmíssima língua. 
p.s. “Yayoi” é um período da história do Japão, um período bem antigo.

Cliometria vem aí! O 8o Congresso Mundial de Cliometria será em Strasbourg.

Reproduzo a mensagem.

The 8th World Congress of Cliometrics

Strasbourg, France from July 4-7, 2017

We invite you to attend and participate in the 8th World Congress of Cliometrics that will take place in Strasbourg, France, July 4-7, 2017.

 The World Congress is designed to provide extensive discussion of new and innovative research in economic history, with 88 papers to be presented and discussed by Congress participants.

 A 45-minute session is devoted to each paper, in which authors have 5 minutes to make an opening statement and the rest of the session (40 minutes) is dedicated to discussion among all session participants in the spirit of the annual cliometric conferences.

 For information about the World Congress, hotel reservations, and conference registration, please go to the Congress website:

 http://www.cliometrie.org/en/conferences/world-congress-of-cliometrics

 All sessions will be held at the Strasbourg Convention Centre: http://www.strasbourg-events.com/en/agenda/convention/uds-8th-world-congress-cliometrics

 Calendar:

– Deadline for early registration at $350 and $200 for students:  June 1, 2017

– World Clio Meeting in Strasbourg: July 4-7, 2017

 Funding to help support the conference is provided by the Association Française de Cliométrie, the Association Française de Science Economique, the Banque de France, the Bureau d’Economie Théorique et Appliquée, the Centre National de la Recherche Scientifique, the Cliometric Society, the National Science Foundation, the Université de Strasbourg, Private donors, Springer Verlag…

 Questions? Please contact clio2017@hawaii.edu and/or cdiebolt@unistra.fr

Michael Haupert

Professor of Economics, University of Wisconsin-La Crosse

Executive Director, Cliometric Society

403V Wimberly Hall

Incentivos importam: a votação do UBER

Como políticos da bancada do táxi, para usar um termo que não é fictício agiram para excluir qualquer audiência pública sobre um projeto claramente ruim para todos e ainda conseguiram aprová-lo?

Descubra neste detalhado texto.

Uma observação adicional: há tempos desisti de chamar à razão alguns entusiastas de causas com as quais tenho até afinidades ideológicas. Alguns chegam ao ponto de dizer que qualquer investigação científica é “desnecessária” ou, pior, fruto de meu “apego à econometria que não serve para nada”, sem falar no popular “modelos em economia não ajudam”.

Não conheço o autor do texto acima, mas vi que ele não escreve de forma superficial e precisou estudar um bocado para entender os incentivos políticos que – de forma muito clara – desnuda ao leitor.

É um texto de qualidade que apóia minha tese: sem evidências empíricas, sem método científico, sem o ceticismo sincero, não se avança em nada, exceto na gritaria habitual (que pode até render alguma audiência, mas não adiciona valor ao debate). Eu sei, é um desabafo. O lado bom é que encontrei este texto (graças à minha ex-orientanda, Luciana), o que é um bom sinal de que existe uma interessante comunidade na blogosfera para se ler.

Oferta e Demanda para todos (oferta – e demanda – válidas para todos os dias)

c8grh7ixyaa98uqBem fácil esta: há aumento de demanda no dia do jogo, a firma percebe que pode vender em um dia em que estaria fechada (ou seja, a expectativa de que o custo seja menor que a receita no dia do jogo está valendo). Aí ela abre e faz promoçãohá aumento de demanda no dia do jogo, a firma percebe que pode vender em um dia em que estaria fechada (ou seja, a expectativa de que o custo seja menor que a receita no dia do jogo está valendo). Aí ela abre e faz promoção.

Como é que oferta e demanda não funciona, minha gente?

p.s. desta vez, a propaganda é gratuita. Mas só desta vez.

Economia do Crime e Drogas (mas não do jeito que você deve estar pensando…)

Não, não estou falando da polêmica do Bolsonaro sobre castração química, embora o assunto possa ser considerado como um tópico de pesquisa relacionado. De fato, estupro (rape) aparece como um dos crimes analisados pelos autores. Vale a pena pensar no tema? Responda para si mesmo após ler o resumo abaixo e, se possível, o artigo.

A Cure for Crime? Psycho-Pharmaceuticals and Crime Trends

Dave E. Marcotte
Sara Markowitz

Abstract
In this paper we consider possible links between the diffusion of new pharmaceuticals used for treating mental illness and crime rates. We describe recent trends in crime and review the evidence showing that mental illness is a clear risk factor both for criminal behavior and victimization. We summarize the development of a number of new pharmaceutical therapies for the treatment of mental illness that came into wide use during the “great American crime decline.” We examine limited international data, as well as more detailed American data, to assess the relationship between rates of prescriptions of psychotropic drugs and crime rates, while controlling for other factors that may explain trends in crime rates. Using state-level variation in the rates that various drug therapies disperse within populations to identify impacts on crime rates, we find some evidence that the expansion of psychiatric drugs is associated with decreased violent crime rates, but not property crime rates. We find no robust impacts on homicide rates and no effects on arrest rates. Further, the magnitudes of the estimated effects of expanded drug treatment on violent crime are small. Our estimates imply that about 5 percent of the decline in crime during the period of our study was due to expanded mental health treatment. © 2010 by the Association for Public Policy Analysis and Management

Animalis Economicus

Psychonomic Bulletin & Review, 2002, 9 (3), 482-488

Self-control by pigeons in the prisoner’s dilemma
FOREST BAKER and HOWARD RACHLIN 

Pigeons played a repeated prisoner’s dilemma game against a computer that reflected their choices: If a pigeon cooperated on trial n, the computer cooperated on trial n +1; if the pigeon defected on trial n, the computer defected on trial n + 1. Cooperation thus maximized reinforcement in the long term, but defection was worth more on the current trial. Under these circumstances, pigeons normally defect. However, when a signal correlated with the pigeon’s previous choice immediately followed each current trial choice, some pigeons learned to cooperate. Furthermore, cooperation was higher when trials were close together in time than when they were separated by long intertrial intervals

Ficou difícil reclamar do paradigma do homo economicus de uns tempos para cá. O melhor é, realmente, deixar os preconceitos e os livros de auto-ajuda e partir para análises mais detalhadas dos comportamentos humanos e não-humanos.

p.s. (mal-humorado) Tem muita coisa interessante por aí mas pouca gente querendo pesquisar. Fazer política, gazetear e se fazer de vítima dá mais ibope entre os amiguinhos (como sempre foi). Sim, por isso vamos patinar muito nos testes mundias de educação.

Professor, você ensina Economia! Por que não é rico?

Por diversas causas, mas eu prefiro esta explicação. É mais ofensiva (para alguns) e mais engraçada (para mim).

The dark side of emotion in decision-making: When individuals with decreased emotional reactions make more advantageous decisions

Baba Shiva,T, George Loewensteinb , Antoine Becharac

Cognitive Brain Research 23 (2005) 85 – 92

Abstract

Can dysfunction in neural systems subserving emotion lead, under certain circumstances, to more advantageous decisions? To answer this question, we investigated how individuals with substance dependence (ISD), patients with stable focal lesions in brain regions related to emotion (lesion patients), and normal participants (normal controls) made 20 rounds of investment decisions. Like lesion patients, ISD made more advantageous decisions and ultimately earned more money from their investments than the normal controls. When normal controls either won or lost money on an investment round, they adopted a conservative strategy and became more reluctant to invest on the subsequent round, suggesting that they were more affected than lesion patients and ISD by the outcomes of decisions made in the previous rounds.

Oferta e demanda no espaço

Eis um artigo legal sobre o tema. Trechos:

Currently, the prices of launch are still high enough that demand remains relatively inelastic. At a recent Mitchell Institute for Aerospace Studies panel event, part of the conversation centered around that discussion of inelasticity. One of the panelists, Dr. Scott Pace, the director of the Space Policy Institute at George Washington University, argued that thus far SpaceX has been successful at winning market share, but that its lower prices have not yet generated a spike in increased demand. He also pointed out that, on the demand side, technological progress is creating competition between plans for smaller satellites in larger numbers and larger satellites with improved capabilities. How that competition plays out will help determine the nature of the demand for space launch, which will also change elasticity to price.

These are, as-of-yet, hypotheticals. It may well be that SpaceX’s reusable rockets move prices below a point that opens up more demand for launch. Increasing demand for space-based data, mixed with lower access costs, could be the right mix to spark a long-awaited renaissance in space use.

Será?

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Momento R do Dia – Replicando um exercício…com outra base de dados

Uma das maneiras mais simples de se aprender qualquer coisa – inclusive R – é ganhar confiança replicando um exemplo, ainda que você não tenha condições, no início, de entender todas as implicações do que está fazendo. Funciona bem com tudo na vida (ou você sabia andar de bicicleta antes de subir nela pela primeira vez?) e, claro, também no R.

Depois de replicar, claro, é legal mudar a base de dados e treinar novamente. Assim, após replicar o exemplo de cross-validation do BlogR, resolvi, como economista, fazer um exercício de, digamos, estática comparativa. Tudo o mais constante, mudei a base de dados. Mas o que vamos fazer? O que é cross-validation, ou melhor, o que é leave-one-out cross-validation? Citando o autor:

Leave-one-out is a type of cross validation whereby the following is done for each observation in the data:

  • Run model on all other observations
  • Use model to predict value for observation

This means that a model is fitted, and a predicted is made n times where n is the number of observations in your data.

Seu exemplo usa a (já) clássica base de dados do R, mtcars. Eu resolvi usar uma do pacote AER , a base OECDGrowth.

Um ponto importante é que a amostra precisa ser formatada para uso com os comandos do exemplo original. Veremos isso a seguir.

A regressão que vou replicar é uma equação de crescimento que Kleiber e Zeileis estimam na seção 4.4 de seu ótimo livro (obviamente, o Applied Econometrics with R), quando discutem resistant regressions.  Trata-se desta equação:

solow_lm <- lm(log(gdp85/gdp60) ~ log(gdp60) + log(invest) + log(popgrowth + .05), data = OECDGrowth)

Vejamos o que fiz.

Primeiro criei as variáveis já em logaritmos para evitar possíveis problemas com o uso de fórmulas dentro das funções utilizadas no exemplo (por via das dúvidas, prefiro me precaver). Eis o código.

library(AER)

data("OECDGrowth")
# vamos criar a base das variaveis usadas na solow_lm
solow_lm &lt<- lm(log(gdp85/gdp60) ~ log(gdp60) +
                    + log(invest) + log(popgrowth + .05), data = OECDGrowth)

gdp85<-OECDGrowth$gdp85
gdp60<-OECDGrowth$gdp60
invest<-OECDGrowth$invest
popgrowth<-OECDGrowth$popgrowth
lgdp85_60<-log(gdp85/gdp60)
lgdp60<-log(gdp60)
linves<-log(invest)
lpopgrowthplus005<-log(popgrowth+0.05)
data1<-data.frame(lgdp85_60,lgdp60,linvest,lpopgrowthplus005)

Pronto para a replicação? É bom ler o código original com atenção. Ao fazer isso, descobre-se facilmente que é preciso alterar o nome da base de dados original – e o da variável dependente – para não ter surpresas desagradáveis. O trecho do código abaixo pode ser comparado com o original citado lá no início deste pequeno texto.

library(pipelearner)
pl <- pipelearner(data1, lm, lgdp85_60 ~ .)
pl <- learn_cvpairs(pl, k = nrow(data1))
pl <- learn(pl)

# ou
pl <- pipelearner(data1, lm, lgdp85_60 ~ .) %>% 
  learn_cvpairs(k = nrow(data1)) %>% 
  learn()

O que está acontecendo? Não é esta a minha preocupação, neste estágio do exercício (como disse no início do texto). Mas você pode descobrir um pouco mais aqui. Basicamente, estamos usando um algoritmo de machine learning na regressão de crescimento original.

Os passos seguintes não necessitam alterações. Para não ficar tão igual, vou traduzir os elementos textuais do gráfico (ok, eu sei que é preguiça).

library(tidyverse)

# Extrai os valores observados e previstos da variavel dependente para cada observação
pl <- pl %>% 
  mutate(true = map2_dbl(test, target, ~as.data.frame(.x)[[.y]]),
         predicted = map2_dbl(fit, test, predict)) 

# Resumo dos resultados
results <- pl %>% 
  summarise(
    sse = sum((predicted - true)^2),
    sst = sum(true^2)
  ) %>% 
  mutate(r_squared = 1 - sse / sst)

results

pl %>% 
  ggplot(aes(true, predicted)) +
  geom_point(size = 2) +
  geom_abline(intercept = 0, slope = 1, linetype = 2)  +
  theme_minimal() +
  labs(x = "Valor observado", y = "Valor previsto") +
  ggtitle("Valores Observados contra previstos baseados\n em leave-one-one cross validation")

Agora, vejamos o gráfico.

crossvalidation_2017

Comparando com o gráfico do autor para seu exercício em mtcars confesso que não consigo dizer se há alguma superioridade no ajuste. Isto é bastante razoável, dado que o R² obtido por ele (0.95) não é tão distante do que o obtido aqui (0.94).

Ok, concluímos o nosso objetivo de refazer os passos do exercício original com outra base de dados. Vale ressaltar que o pipelearner tem funções mais interessantes e talvez você queira estudar outros exemplos criados pelo autor do pacote (aliás, caso você queira realmente entender o que foi feito aqui, é bom dar uma olhada lá). Aliás, após o sucesso de um exercício como este, a gente ganha confiança para, justamente, seguir em busca de maior compreensão, não é?

Até a próxima.

O índice de desconforto (“misery index”) de Arthur Okun…para o Brasil

Pode não ser lá aquelas coisas, mas é divertido de se ver o misery index de Arthur Okun para o Brasil. Na figura abaixo, duas alternativas: um com a taxa de desemprego da região metropolitana de São Paulo e outra com a taxa de desocupação. Ambas com o IPCA e o período escolhido simplesmente por questões de disponibilidade de dados.

misery

Claro, pode-se pensar em mais diversão com este índice. Outros gostam de inventar “moda” com o mesmo. Eu gosto da simplicidade e despretensiosidade do original: ninguém está a dizer que é uma variável importante, que não tem erro de medida, nem nada. Mas a tendência do mesmo condiz com minha sensação de desconforto com os rumos recentes da economia.

Ok, você pode fazer pesquisas mais sérias com ele, mas a busca de artigos fica por sua conta.

Artigos que você tem que ler antes de morrer

Vou citar dois hoje. Dica gratuita (não existe dica gratuita).

LEESON, R. Internalising the Externalities of Homoeconometricus: Turning Silicon Astrologers into Popperian Bookmarkers. History of Economic Review, v. 34, n. 1, p. 146–159, 2001.

LEIJONHUFVUD, A. Life Among the Econ. Western Economic Journal, v. 11, n. 3, p. 327–337, 1973.