Humor · pandemia

Como sabemos, o mercado é uma doença: a culpa é do neoliberalismo

Vi muita gente esquecer o alfabeto e a matemática básicas – sem falar na cortesia – e passar a semana passada toda xingando um tal de neoliberalismo cuja definição, ao longo dos anos, tem sido alterada conforme o gosto do acusador.

Pensando nestas almas perdidas, resolvi estudar profundamente (?) a relação entre atividade econômica (trocas, mais-valia, exploração do trabalho, fora Temer) e Covid-19. Obviamente, deve haver uma relação.

Usando a econometria de séries de tempo burguesa, analisei dois estados neoliberais: MG e RS. Claro que tive o cuidado de usar as diferenças dos logaritmos porque o neoliberalismo engana muita gente com uma tal tendência que pode ser determinista ou estocástica segundo a econometria burguesa.

Existe um detalhe pouco importante, exagerado pela economia burguesa (portanto neoliberal) relativo ao baixo número de observações, mas não se engane: é tudo uma tramóia da burguesia que se auto-transmuta em aristocracia cafeeira ou burguesia industrial de forma aleatória.

As variáveis? Ora, os IBCR do Banco Capitalista do Brasil (BCB) medidos para os respectivos estados (dessazonalizados por algum método imperialista que bem poderia ter sido desenvolvido por algum brasileiro competente) e uns indicadores da pandemia.

O que os dados nos mostram?

No caso de MG, as correlações entre atividade econômica (o índice neoliberal do Banco Central) claramente pretendem enganar a classe trabalhadora. Note que só é forte – negativa com indicadores do número médio de novas morte e mortes acumuladas. Ou seja, mais atividade econômica, menos mortes. Não se deixe enganar: isso provavelmente é resultado do auxílio-emergencial keynesiano (logo, socialista) que ajuda a diminuir mortes. Mas nada se vê quanto aos novos casos.

Mas o caso do RS neoliberal é marcante: a atividade econômica não se relaciona fortemente com nenhum dos indicadores, o que, claramente, é fruto da luta entre patrões e empregados gaúchos contra a pandemia: a intensidade da luta anula as forças pró e contra o socialismo causando estas correlações fracas que, inclusive, são contraditórias (dialética!) no que diz respeito a casos e mortes.

O resultado líquido dos dois casos é claro: a luta contra o neoliberalismo segue forte (é preciso queimar pneus, principalmente se seu grupo socialista não tiver CNPJ). Em MG, graças ao auxílio keynesiano (um aliado momentâneo da luta que descartaremos assim que a vitória do proletariado estiver certa), o socialismo ganha uma sobrevida contra o mercado demoníaco (e pandêmico). No RS, a luta pelo socialismo não logrou gerar a correlação politicamente (e historicamente) correta – que é a positiva – entre a Covid-19 e a atividade (exploradora) econômica.

Como se percebe, o neoliberalismo segue como o culpado de nossa crise.

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