história

Terá sido assim no Brasil, ou importamos a prática?

O trecho é do ótimo “Accelerating Democracy: Transforming Governance Through Technology” de John O. McGinnis.

“For instance, graduated driver licensing—a practice by which young people are first issued restricted licenses and then permitted full driving privileges after a trial period—gained traction because of empirical findings. After empirical evaluations of successful use of such licenses abroad, they became widespread in the United States.” (Start reading this book for free: http://a.co/c86q55v)

Não fiz uma pesquisa sobre o tópico no Brasil. Caso alguém conheça a história das permissões para motoristas no Brasil, por favor, deixe um comentário.

economia da arte · Humor

Only Thoughts are Tax Free

Carl Spitzweg, Gedanken sind zollfrei - -

Pintura de Carl Spitzweg. Curiosa pois, conforme este trecho da autobiografia de Hoffmann, o fotógrafo de Hitler:

“It was from a Munich art dealer that Hitler acquired the picture Thought is Free of Tax, which is one of the best known of Spitzweg’s paintings and depicts a scene at a frontier station.” [Start reading this book for free: http://a.co/5WUQQKE]

Desnecessário dizer que a ironia da coisa toda é impagável. Há ainda, no mesmo capítulo, uma interessante história de como Hitler tentou criar um mecanismo de incentivos para que obras de arte que ele admirasse fossem parar em suas mãos (ou em seus museus). Tudo começou com a tentativa de Göring em presentear Hitler com um quadro que ele mesmo havia se recusado a comprar (por conta do elevado preço resultante do leilão).

“On one occasion, Hitler refused to buy a picture, Bismarck, by Lenbach, because he thought that the price, thirty thousand marks, was too high. Shortly afterwards, the picture was put up for auction at Lange’s in Berlin. ‘Get it!’ ordered Göring. And when the third hammer-stroke fell, he was seventy-five thousand marks out of pocket over the deal! I happened to be there when Göring presented the picture to Hitler as a birthday present. The latter was astonished to receive as a gift a picture that he himself had refused to buy; but when he heard the price paid, he flew into a real rage. The net result was that he instituted ‘The Führer’s First Refusal’. By order, no picture of historical and artistic merit could be sold without the previous consent of the Führer. If Hitler were interested in any picture, he would direct Posse, the Director General of the Dresden Gallery, and when he died, his successor, to fix the price.”

Pois é. Mas o plano de Hitler não funcionou. Diante de outra obra de arte, que Hitler queria para si, Göring deu um lance mais alto, arrematando-a. Hitler pensou que, novamente, Göring iria presenteá-lo mas isso não aconteceu. Pior, ironicamente, disse que cumpria ordens do führer, já que o quadro não sairia da Alemanha. Desnecessário dizer que Hitler ficou muito irritado.

A moral da história, se alguma há, é que pensamentos – inclusive ideias – podem ser livres de impostos, mas ideias ruins têm seu preço.

Humor · humor negro · humor off topic

Humor na Alta Cultura

Variantes regionais de um discurso estranho

“A arte mineira da próxima década será heróica e será regional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente mineira, posto que profundamente vinculada às aspirações do povo mineiro, ou então não será um trem bão”.

“A arte mineira da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será queijeira com doce de leite e igualmente saborosa e vinculante, ou então não será nada, sô.”

“A arte carioca da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será morena com biquíni e sol ardente com biscoito Globo e limãozinho, ou então não será nada.”

“A arte gaudéria da próxima década será heróica e será regional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional com o churrasco e será igualmente trilegal, posto que profundamente vinculada às aspirações do povo gaúcho, ou então não será só um chimarrão estragado”.

 

R

O mundo está ficando mais racional. E o Brasil? (Dica R do dia/Momento R do dia)

“Racional”, no sentido do autor deste texto. Ok, é só um post. Mas resolvi traduzir os termos (quase todos) e incluir um outro e ver se a busca no google por palavras-chave associadas a estas maluquices diminuiu ao longo do tempo.

Os resultados falam por si. Veja as imagens. Observo que: (a) o terraplanismo segue a mesma tendência de seu equivalente em inglês do post original e (b) os reptilianos, que não estavam no original, tiveram um curioso pico há alguns anos (a propósito, quem assistiu Iron Sky e sua continuação devem ter adorado a participação dos reptilianos no filme).

Economia da Religião · economia e demografia

A queda de fertilidade de cristãos do sudeste europeu e a igreja

Os autores dizem:

We offer an alternative explanation: the Catholic church retreated in the mid1960s from providing a variety of family-friendly services that had previously reduced the cost of Catholic childrearing. Nuns were key to the provision of those services, and the Second Vatican council of 1962–65 (known as “Vatican II”) led to a dramatic decline in the number of nuns (as well as priests) and thus raised the cost of childrearing.

Há também um modelo teórico microeconômico – elegante – e estimativas. As conclusões? Descubra aquiSpoiler: não são as preferências que mudaram (^_^)

economia do futebol

Economia do futebol (teórico)

Não sei porque os autores não fizeram uma versão em inglês deste artigo, à época. É uma contribuição importante e de dois brasileiros.

Eis o resumo.

O presente trabalho modela teoricamente o problema da divergência de objetivos existente no futebol brasileiro como uma relação de agente-principal. O principal, a torcida, delega para o agente, o dirigente, a tarefa da produção de vitórias e resultados positivos. Contudo, nem sempre o dirigente do clube deseja maximizar o número de vitórias. Entre seus objetivos podem estar manter o orçamento do clube equilibrado ou obter mais sócios, por exemplo. Os principais resultados do trabalho encontram evidência empírica: podemos entender as agressões a dirigentes, jogadores e técnicos de futebol e as invasões de campo protagonizadas por torcedores.

Griebeler e Baldusco são os autores.