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Os centenários no Brasil

Pessoal da demografia, sempre me trazendo bons estudos.

Does anyone know the exact number of centenarians in Brazil? Since the nineteenth century, the census has provided the number of 100-year-olds in one of the most populous countries worldwide. In 1900, 4,438 individuals reported themselves to be centenarians, and 100 years later, 24,576 centenarians were recorded in the census. Due to data quality issues, we are skeptical about the real growth of the recorded population in the census. Therefore, we produce new statistics of the centenarian population through the variable-r method combined with different mortality models. We offer a set of estimates of the most likely number of centenarians in Brazil over the period 1900-2000. There was virtually no centenarian at the beginning of the twentieth century, and only in the 1990s, the centenarian population surpassed 1,000 individuals. Our estimates confirm an extensive over-enumeration of centenarians in census records since 1900. The good news is the improvement in census data collection over time.

Legal, não?

queimadas · R

Queimadas e Quebras Estruturais

Meu amigo Cristiano Oliveira, da FURG, fez um ótimo texto sobre as queimadas usando boa econometria na rede social que não mais uso. Podemos aproveitar sua análise para brincar um pouco com o R.

Primeiro, é possível ver que os dados apresentam sazonalidade marcante.

Rplot01

As médias sazonais?

sazon

Como qualquer um pode perceber, as queimadas aumentam sempre no mês de Setembro. Dito isso, algo displicentemente, busquei quebras endógenas na série. Eis o que encontrei.Rplot

O algoritmo encontrou duas quebras estruturais na série (pensando em termos de média), mas os intervalos de confiança não me inspiram confiança. As quebras seriam algo como Junho de 2002 e Agosto de 2007 seriam as supostas quebras.

Contudo, buscar quebras estruturais em séries sazonais não é algo trivial como aponta este artigo e este pequeno post.

A propósito, agradeço ao Cristiano pelo ótimo post. É inspirador ver meus colegas ajudando na melhoria da qualidade do debate público.

Ciência · Feynman · Natsume Souseki · pesquisa · pesquisa acadêmica

O imensurável, o incompreensível e o picareta…segundo um gato

Existe uma certa dignidade no imensurável e há algo impossível de se menosprezar dissimulado no incompreensível. Por isso, enquanto o homem comum se dá ares de entender aquilo que na realidade não compreende, os acadêmicos explanam o que compreendem como se não o houvessem entendido. É de conhecimento geral que nos cursos universitários os professores que discorrem sobre assuntos incompreensíveis se tornam populares e aqueles que explicam claramente o que sabem não são apreciados. [Souseki, Natsume. “Eu sou um gato”, Estação Liberdade, 2008, p.347]

O grande Souseki tinha uma sabedoria e um deboche inigualáveis.

Lembro de uma ocasião em que debochava, em uma cantina, com uma aluna, dos pomposos discursos recheados de jargões que são o ganha-pão de muito consultor de porta-de-cadeia. Lá pelas tantas, uma outra estudante que nos observava, disse-me seriamente:

– O senhor poderia ser candidato!

Mesmo lhe explicando que meu discurso era um arrazoado ilógico, ela insistiu e, mais ainda, falava seriamente. O gato de Souseki não poderia estar mais correto. Quanto a você, leitor, cuidado com aqueles que Pondé chama, pejorativamente, de moderninhos. Eles dizem ser criativos, conectados, inovadores mas, muitas vezes, são apenas vendedores de remédios que não funcionam, embora sejam tãããããoooo sedutores…

No mundo da pesquisa também existem estas criaturas execráveis que buscam vender aos inexperientes suas soluções “mágicas” para produzir sem muito esforço. Mas qualquer um que já tenha enfrentado uma banca de professores minimamente sérios sabe que pesquisa não se faz sem sofrimento. Já disse Feynman:

Sabe, tenho a vantagem de ter descoberto como é difícil saber mesmo alguma coisa, como a gente tem de tomar cuidado para conferir as experiências, como é fácil cometer erros e se enganar. [Os melhores textos de Richard Feynman, Blucher, 2015, p.39]

Você acha mesmo que sabe algo? Talvez o gato saiba mais…

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Tempo médio de substituições no futebol

Novo artigo publicado. Veja mais aqui.

Eis o resumo:

Este estudo analisa os padrões da primeira substituição de jogadores de cada time durante o intervalo ou o segundo tempo de jogos na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de 2014. Foram usados modelos MQO (Mínimos Quadrados Ordinários) e Tobit, ambos com correção para heterocedasticidade. Os resultados mostram que times que estão ganhando tendem a fazer a primeira mudança nos momentos finais da partida. Consequentemente, substituições defensivas ocorrem antes das ofensivas. Também existem evidências de que a classificação no campeonato de ambas as equipes em campo tem influência no momento em que a alteração ocorre.

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