ciência econômica · Economia Brasileira

Defender sua saúde é o mesmo que defender gastos com sua saúde?


Nem sempre. Exemplo simples: (a) tenho uma gripe e compro um remédio e me curo versus (b) tenho uma gripe, vou a todos os especialistas médicos existentes, faço vários exames e no final, eu me curo porque era uma simples gripe.

Note que, nestas duas pequenas histórias, eu estaria mais bem servido se fosse menos hipocondríaco (como o sujeito “b”) e mais racional no uso do meu dinheiro com a saúde. Note também que o resultado final (o fim da gripe e o tempo que levará até isso) dependem não apenas de mim, mas também de outros fatores (eu poderia ter alterado parâmetros nas minhas duas opções como o clima, a poluição, etc). A minha gestão da minha saúde, por melhor que seja, ainda pode estar sujeita a problemas externos à minha capacidade de controle.

Isso tudo significa que, na vida real, minimizamos danos e o mínimo não é zero (exceto por coincidência) e temos que escolher jeitos eficazes de lidar com nossa saúde.

Agora, defender a pesquisa também não é o mesmo que defender o (maior) gasto em pesquisa. Nem defender a educação é o mesmo que defender o (maior) gasto em educação.

Aliás, há nestas duas últimas questões, um ponto adicional: o dinheiro gasto nestas coisas não é apenas o meu (minha parte é apenas uma fração do gasto total em cada uma destas áreas e nem por mim é administrada).

Há até quem use do expediente de “discutir a qualidade do gasto” por um tempo absurdamente longo para, justamente, jamais melhorar a qualidade do mesmo (já que sabe que, provavelmente, a maior qualidade signifique menor nível de gasto). Há um tempo ótimo para se discutir qualquer coisa, como sabe qualquer um que já tenha participado de uma reunião (desde as de família até às de trabalho).

Não é tão fácil como nos induzem a pensar os cartazes (e os memes), né?