Economia do Setor Público

Breve observação sobre Mariana, Brumadinho, Arrow e a taxa de desconto

Este pequeno artigo de Shepsle, homenageando Arrow, tem alguma intuição interessante sobre o valor presente de obras como as barragens que, infelizmente, causaram grandes tragédias.

Em resumo, o resultado de Arrow-Lind é que a taxa de desconto intertemporal não precisaria considerar aspectos de aversão ao risco quando o projeto em questão envolve uma grande quantidade de indivíduos. Nas palavras do autor:

The intuition is that as n gets large the utility function of an individual, whatever her risk preferences, becomes approximately linear in the (shrinking) range of possible outcomes, thus rendering her approximately risk neutral. The implication for public projects is that the flow of net benefits needs to be discounted only for time and not for risk. The present value of a public project is just the sum of expected values discounted for time.

Mas, e aí vem a reflexão do próprio Shepsle: esta conclusão não seria válida para bens públicos. A intuição é que, para bens públicos, os benefícios não são divisíveis (lembra da sua aula de Economia do Setor Público?), como suposto no raciocínio que leva ao resultado de Arrow-Lind. Afinal, no rompimento de uma represa (ou barragem de detritos):

Everyone sinks or swims together.

Interessante, não?

 

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