Finanças

Começando 2019…

Começamos 2019 com um novo artigo publicado em parceria com os ótimos Regis e Camila. Eis o resumo:

Evidence of the Dividend Month Premium in the Brazilian Stock Market
Camila Cardoso Pereira, Regis A. Ely, Cláudio Djissey Shikida

Abstract

We test the presence of the dividend month premium in the Brazilian stock market. This premium consists in the existence of abnormal returns when companies are predicted to issue a dividend. We build portfolios based on predicted dividends and estimate asset pricing multifactor models to check for the existence of returns not associated with risks. We present evidences of a positive monthly premium of about 1%, but results are less robust when we exclude low liquidity assets from the sample. Also, the effect is larger for small caps and assets with higher dividend yields.

armas · Economia do Crime · Law & Economics

Mais armas, menos homicídios? Mais informações

M26PrevolverEu tentei explicar um pouco o problema positivo (não normativo) das armas e suas limitações aqui. Obviamente, há muita polêmica e muito disso é ruído (xingamentos, opiniões que relevam dados, opiniões que torturam dados, etc), mas há também as boas argumentações de quem discorda.

Para ajudar, eis alguns dados/matérias jornalísticas: (a) mulheres vítimas de armas de fogo; (b) a opinião dos produtores rurais. No caso específico de (b), repare como grandes produtores rurais usam mais a tecnologia, investindo em segurança privada, o que talvez explique porque nem sempre são fervorosos defensores do posse ou mesmo do porte de armas (algo que detectamos lá na época do referendo). Sai muito mais barato usar drones do que enfrentar um processo na Justiça por atirar em alguém.

Economia do Crime · economia política

Mais armas, menos crimes? (mais uma vez)

M26PrevolverInfelizmente, não é tão simples (como já dito aqui várias vezes). Eis mais uma resenha, com foco em homicídios.

É um direito do cidadão? É. É sinônimo de segurança pública? Não parece porque não pode ser uma medida isolada, nem tem eficácia comprovada (embora isso dependa do tipo de crime analisado e, no caso do Brasil, tenhamos enormes problemas com as bases de dados que, espero, sejam minimizados a partir de agora).

A propósito, o novo decreto está aqui.

 

empreendedorismo · histórias em quadrinhos

Cultura corporativa e criação

Ambas as empresas agora operam sob sistemas editoriais orientados (…). Já se foram os dias em que os roteiristas da Marvel podiam escrever uma história sob efeito de alucinógenos estranhos nos anos 1970 e conseguir publicá-los contanto que fosse dentro do prazo.

(…)

O que é esquecido é que a maior parte dos bilhões de dólares que as corporações estão tão desesperadas para proteger foi criada por artistas que seguiam seus instintos e lançavam coisas legais. [Tucker, Reed. “Pancadaria”, Fábrica231, Rio de Janeiro, 2018, p.268-9]

Ler sobre a evolução empresarial da D.C. e da Marvel leva à inevitável reflexão sobre como empresas passam por estas fases. Imediatamente me vem à mente o caso do ensino superior.

Faculdades (privadas e públicas, ainda que os incentivos sejam distintos) geralmente crescem e alcançam este ponto que pode significar a morte da criatividade ou não do corpo docente. Talvez este seja o lado ruim da padronização (deve haver uma espécie de curva de Laffer entre a padronização do ensino e a criatividade…).

Profissionais talentosos, contudo, conseguem superar estas dificuldades…como se vê no livro de Tucker.

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Economia Política da Reforma do Judiciário e a “Cultura”

193px-Juiz-sergio-moro-reforma-cC3B3digo-penal-Foto_-Lula-Marques-_AgC3AAncia-PT-3Então você achava que havia algo errado em nosso Judiciário e que isso seria uma jabuticaba brasileira, não é? Bem, eu tenho uma, digamos, boa notícia para você: não é uma jabuticaba. Eis o resumo do artigo que me anima a dizer isso.

Judicial independence in the EU: a puzzle
Jerg Gutmann, Stefan Voigt

Abstract Based on data from the EU Justice Scoreboard, we identify a puzzle: National levels of judicial independence (as perceived by the citizens of EU member states) are negatively associated with the presence of formal legislation usually considered as conducive to judicial independence. We try to resolve this puzzle based on political economy explanations and specificities of legal systems, but to no avail. We then ask whether cultural traits can help to put together the puzzle. And indeed, countries with high levels of generalized trust (and to a lesser extent individualistic countries) exhibit increased levels of de facto judicial independence and, at the same time, reduced levels of de jure judicial independence. The combination of these two effects can explain why judicial reforms that should be conducive to an independent judiciary may seem to have adverse consequences. We conclude that cultural traits are of fundamental importance for the quality of formal institutions, even in societies as highly developed as the EU member states.

Aliás, eis um trecho que ajuda a entender o conflito entre Executivo e Judiciário:

This aspect is essential for the independence of judges, because if the government can legally threaten to transfer a judge (possibly to a court in a remote area of the country, to a less reputable position at a court or even to serve in a government department), this is expected to incentivize judges not to act against the government (see Ramseyer and Rasmusen 2003: 130).

A importância da confiança (trust) e de uma sociedade individualista (sim, individualism) – ambas características inegavelmente associadas ao liberalismo (no sentido clássico, se é que preciso dizer isso aqui) – para um Judiciário mais independente que emerge do trabalho dos autores é um sinal de alerta. Caso seus resultados sejam indicativos de um fenômeno que não se restrinja à Comunidade Européia, então o juiz Sérgio Moro poderá ter muito mais trabalho do que imagina embora, sim, digam por aí que a nossa sociedade é muito “conservadora”, o que não quer dizer que a confiança e o individualismo estejam em alta por aqui.

Afinal, diariamente, a mídia tenta vender a imagem de que “individualismo é ruim”, com exemplos anedóticos e superficiais, deixando de lado uma visão mais profunda e complexa (embora sempre anuncie estar ouvindo “especialistas”…) do conceito. Algo parecido acontece com o conceito de “confiança”, creio.