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O ensino de Economia

Certamente é uma discussão relevante. O trade-off, contudo, é o seguinte: ao mudar o foco para menos sofisticação teórica, o fosso entre a graduação e o mestrado/doutorado aumenta bastante.

Uma solução seria a flexibilização de currículos, com a criação de disciplinas intermediárias para os que desejam avançar para a pós-graduação.

Será que o novo ministro fará algo nesta direção?

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Retrospectiva 2018 – Uma indireta homenagem aos meus ex-alunos

E-books nos quais participei e/ou editei (atualizando um post de 2007 ou 2008):

De tempos em tempos alguns ex-alunos reaparecem e me lembram de que ensinar é divertido quando a oferta e a demanda do desejo de aprender se encontram.

Claro, desnecessário mencionar o Nepom ou o Projeto 42 que tantas alegrias me proporcionaram e, espero, aos alunos envolvidos (há uma outra iniciativa, em vídeo, citada em uma outra retrospectiva – estou caducando…).

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Aproveito para deixar aqui também algumas notas de aula que fiz (várias delas precisam de uma revisão, mas ficam aí como dicas).

Ah sim, um resumo que divulgo, ainda que seja muito preliminar, é este. Faço-o porque já passou da hora de se popularizar a nova análise histórica promovida por Lee Alston, Bernardo Mueller, Douglass North, Barry Weingast, dentre outros, em língua portuguesa.

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O tamanho ótimo das Constituições

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Bjornskov & Voigt (2014), adaptam o clássico gráfico de Buchanan & Tullock sobre os custos da decisão social (lá no Calculus of Consent) para um problema famoso entre os estudiosos de Economia Política Constitucional que diz respeito ao tamanho ótimo de uma Constituição.

Trata-se do tamanho em relação à verbosidade constitucional, ou seja, medida conforme seu comprimento (em palavras) e detalhamento.  Assim, na figura 1 acima, “M” é a má conduta (misconduct)  que deve ser potencialmente menor conforme a maior verbosidade da Constituição (talvez Diogo Costa discorde disso, como você pode ver aqui). Note a curva pontilhada quase paralela abaixo da curva M, que representa a mesma curva para um país ceteris paribus dotado de maior confiança social (social trust).

A segunda curva, que forma um “U”, é a curva “D”, que diz respeito aos custos de decisão e implementação. A maior verbosidade teria como objetivo, dizem os autores, aumentar a probabilidade de que decisões com grandes benefícios marginais para grupos mais abrangentes da sociedade (no sentido de serem grupos simétricos aos famosos “grupos de interesse específicos”) sejam adotadas. Nas palavras dos autores: Constitutional verbosity constrains politicians, bureaucrats and judges, and hence reduces their discretionary leeway.

Finalmente, uma Constituição seria socialmente ótima se a verbosidade adotada gerasse a menor soma de M e D, ou seja, M+D. Novamente citando os autores:

Given that the members of the constitutional assembly are sufficiently well-informed about the trust culture of their country and the likely overall consequences of various costs and risks, we would expect actual constitutions to reflect this level of trust if no other overriding considerations are salient around constitutional birth. In particular, even though we expect high-trust populations to, on average, write shorter constitutions, the immediate experiences after violent events such as civil wars may provide  alternative motives and preferences that supersede the trust culture.

O restante do artigo discute a possível endogeneidade entre a confiança (social trust) e a verbosidade constitucional, além de testar algumas hipóteses sobre o impacto da primeira sobre a segunda. Em geral, sociedades com maiores níveis de confiança parecem gerar Constituições menos verborrágicas.

Para quem nos viu na discussão lá no evento do Mackenzie (ou no Livrescast acima citado), este foi um aspecto das Constituições que busquei discutir com o público. Um tema que, certamente, merece mais estudos.

Bibliografia

BJØRNSKOV, C.; VOIGT, S. Constitutional verbosity and social trust. Public Choice, v. 161, p. 91–112, 2014.