Mais médicos, mais sigilo, mais câncer

Eis uma história de médicos cubanos, erro médico e ditaduras latino-americanas…

Quando os primeiros sintomas do câncer começaram a se manifestar, em janeiro de 2011, Chávez negou-se a fazer os exames pedidos.

(…)

Em nome do controle absoluto das informações, Chávez entregou sua vida nas mãos dos cubanos. Ele foi submetido a uma série de exames no Centro de Investigaciones Médico Quirúrgicas (CIMEQ), considerado o melhor hospital do país e especializado em atender a elite chavista ou turistas dispostos a pagar pelo tratamento. Sob os cuidados dos mesmos médicos de Fidel Castro, ele foi diagnosticado com um tumor do tamanho de uma bola de beisebol, localizado entre o ânus e o saco escrotal. Avisado da descoberta, foi levado para uma sala de cirurgia e exposto a uma intervenção que, segundo os relatórios médicos, obtidos posteriormente, viria a seer sua sentença de morte.

Ao extirpar os tumores de cólon e próstata, os cubanos deixaram para trás grandes porções do tecido canceroso. O erro médico foi agravado pelo fato de que Chávez já apresentava um quadro de metástase, e a retirada da próstata nessas condições não era recomendável. [Coutinho, L. “Hugo Chávez, o espectro: Como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global. Vestígio, 2018, 1a ed, p.19]

A história fica mais bizarra quando o falecido ditador recorre a uma espécie de curandeirismo venezuelano e a um famoso místico brasileiro (o chamado “João de Deus”) no desespero para se curar. O dito cujo lhe receitava umas pílulas de maracujá e, a propósito, eis um trecho que ilustra a descrença das pessoas na alopatia (ou a crença em soluções místicas):

Mas as pílulas não poderiam ser classificadas como placebo, pois serviriam de veículo para a ação dos espíritos. Aqueles que creem nos poderes sobrenaturais de João de Deus explicam que as entidades espirituais que incorporam o médium direcionam para as cápsulas os efeitos necessários ao tratamento do paciente. [Coutinho, L. “Hugo Chávez, o espectro: Como o presidente venezuelano alimentou o narcotráfico, financiou o terrorismo e promoveu a desordem global. Vestígio, 2018, 1a ed, p.22]

Incrível, não? Eis aí mais um exemplo de irracionalidade racional (o tema de minha palestra, há algumas semanas, lá na FURG, citada neste blog…).

p.s. pela lógica dos “crentes”, imagino que os espíritos decidiram que o ditador merecia morrer.

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