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A Nova Matriz Econômica do Império e os juros altos como prova irrefutável da grande prosperidade dos (rent-seekers dos) países

Mais um trecho ótimo do – infelizmente não reeditado – Mauá empresário do império de Jorge Caldeira. Desta vez, na página 275, temos outra teoria exótica.

A baixa anormal dos juros, longe está de ser um indício de prosperidade, mormente num país novo, trouxe a especulação imprudente e a diminuição do capital flutuante que foi procurar melhor mercado. O aperto que daí resultou fez recuar aqueles que tinham excedido seus recursos e a alta do juro chamou de novo à nossa circulação não pequena quantidade de capitais. Os bancos que, depois de provocarem em grande parte, por meio de suas excessivas facilidades, os apuros em que muitos se acharam, vieram finalmente a idéias mais razoáveis.

Quem lê esta racionalização publicada no Jornal do Commercio em 06/07/1853 fica imaginando que se trata de um economista austríaco invertido (já que os bancos é que, por agirem como agem, provocam boom and bust artificiais…).

Ou então imaginam que o problema seja a eterna juventude do país (país novo) que, por algum motivo mágico, suspende ou inverte as leis econômicas básicas (este é um expediente maluco, mas muito comum entre quase-economistas: falar da juventude de um país como barreira para se implementar alguma reforma que seja necessária).

Finalmente, temos a baixa anormal dos juros, que mostraria uma relação inversa com o desenvolvimento econômico (Caldeira descreve isso corretamente como exótica teoria segundo a qual a dificuldade de obter capital era um bem e o pagamento de grandes juros prova da prosperidade nacional).

O mais interessante é que sempre os que dizem que não estudamos História são os primeiros a demonizar a atividade bancária ou as leis econômicas básicas. Parece que a História (e não a (e)história) não é bem assim.

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Nova Matriz Econômica · Uncategorized

“Seu economista alienado, vá estudar história!”

Os primórdios da Nova Matriz Econômica no Brasil imperial

Em vez dos donos de projetos viáveis economicamente, o país desviava o dinheiro para outro tipo de gente, os detentores de padrinhos políticos viáveis. Quem tinha acesso a eles conhecia o milagre da riqueza sem riscos: o progresso concedido do alto era o melhor, pois não exigia esforços nem sacrifícios. [Caldeira, J. “Mauá – empresário do império, Companhia das Letras, 1997, p.318]

Quem precisa estudar economia agora é o historiador. ^_^