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Defecando e inventando: o lado pouco citado dos ciclos reais

…Edmund Cartwright (…) gastou sua fortuna aperfeiçoando um tear movido a energia. Ele se inspirou em autômatos como o pato mecânico de Jacques de Vaucanson, que assombrava a corte em Versalhes batendo as asas, comendo e defecando! (Voltaire gracejou: “Sem o pato de Vaucanson, não teríamos nada para lembrar a glória da França”). Se um mecanismo podia defecar daquela maneira, não poderia também fazer algo útil? [Allen, R.C. (2017) “História Econômica Geral – uma breve introdução”, L&PM, p.50]

Pois é. Voltaire perdeu o insight de que choques reais não ocorrem como ele gostaria. A relação entre o tear de Cartwright e o famoso patinho talvez seja o melhor exemplo de consequências não-intencionais de certas intenções (e Hayek, inevitavelmente, surge como uma inspiração importante para se pensar em arcabouços institucionais que sejam menos voltarianos e mais pró-criatividade.

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Curiosa vida

Ontem eu acompanhava minha esposa a uma agência bancária não exatamente perto de casa. Enquanto ela era atendida, assustei-me ao ser abordado por outro funcionário (breve digressão: não, não vem aí um texto sobre a maldade do setor bancário, da opressão do fantasioso capitalismo financista, etc).

O diálogo foi mais ou menos assim:

– Oi, você não vai se lembrar de mim porque nunca fui seu aluno, sou o XXX.

– Prazer, XXX.

Curioso, não? Nunca havia sido meu aluno, mas me cumprimentou. O interessante é que ele seria meu aluno numa faculdade da qual me desliguei há algum tempo. Para ser mais exato, quando ele ia me alcançar, eu saí.

Conversando um pouco, descobri que ele se graduou há pouco tempo (e faz parte de uma turma que lançou até alguns alunos para o mestrado). Não apenas seus bons modos fizeram-me renovar minhas esperanças no futuro, como também fiquei feliz por ser lembrado como um professor com o qual, segundo ele, valeria a pena estudar.

Torço para que, um dia, no futuro, ele se sinta como eu me senti ao apertar sua mão.