Toda discriminação é condenável? Não

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Ah, a beleza atraente da minha pretendida…

Discutindo a questão da beleza (mas você pode facilmente inferir sobre outras questões tão caras às discussões sobre discriminação…e o autor faz isso nos exemplos a seguir), Hamermesh [O valor da beleza, Campus, 2012] nos diz:

Em muitos casos, nossas preferências contra o feio não são diferentes de nossa discriminação socialmente improdutiva contra as minorias. De fato, nesses casos nossas preferências discriminatórias são contraproducentes. Não existe ganho para a sociedade; e, por canalizar pessoas feias para certos papéis, a sociedade é menos eficiente em termos econômicos do que seria se as pessoas trabalhassem em empregos que utilizassem suas habilidades de modo mais eficiente, não importando suas aparências. [p.102]

Mas isso não é tudo.

Em outros casos, nossas preferências pela beleza são preferências pelos serviços que são inerentemente melhores do que seriam se fornecidos pelos feios. A beleza humana em algumas dessas atividades não é diferente da beleza artística. Seria difícil argumentar que Daniel Hamermesh cantando ‘La donna è mobile’ seja tão produtivo socialmente como Luciano Pavarotti cantando esta ária. Talento musical é inerente e deve ser visto como socialmente produtivo. [p.102]

Portanto, não tente amputar uma discussão sobre discriminação assumindo que nunca há discriminação socialmente produtiva. Não se deve impor à sociedade professores que não sabem ensinar só porque seu gênero ou raça ou religião, etc é tido como de uma “minoria”. Da mesma forma, ninguém quer ser obrigado a ouvir um cantor desafinado no bar (e pagar o couvert por isso) só porque ele é de uma minoria de pessoas com necessidades especiais de talento em afinação de voz. 

A discussão sobre a discriminação tem que passar, necessariamente, pelo que você aprendeu (caso tenha estudado um pouco de Economia) sobre externalidades. A discriminação gera benefícios privados e sociais, ok. Contudo, sem medir a diferença entre ambos, você estará apenas falando platitudes (sejam estas pró ou contra a discriminação).

p.s. O prof. Hamermesh está aqui.

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