A estatística do futebol: chutes a gol que se convertem em gol

Conforme este interessante estudo, no modelo estendido, espera-se que um jogador médio (na amostra) acerte, jogando em casa, cerca de 11,4% para um chute a gol. No modelo mais simples, o percentual é de 10,2% (e 9,1% fora de casa).

A base de dados diz respeito ao campeonato inglês.

p.s. embora não seja um trabalho de economia do futebol, optei por citá-lo aqui pelo resultado interessante. Nunca vi algo similar para o Brasil, mas nunca pesquisei muito a respeito.

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Não, seu amigo de esquerda não é mais aberto a novas idéias do que você.

Ideology as Motivated Cultural Cognition – How Culture Translates Personality into Policy Preferences

Abstract

In different cultures, the same perceptions make for different policies. This paper summarises the results of a quantitative analysis testing the theory that culture acts
as an intermediary in the relationship between individual perceptual tendencies and political orientation. Political psychologists have long observed that more “left-wing” individuals tend to be more comfortable than “right-wing” individuals with ambiguity, disorder, and uncertainty, to equivocate more readily between conflicting viewpoints, and to be more willing to change their opinions. These traits are often summarised under the blanket term of “openmindedness”. A recent increase in cross-cultural studies, however, has indicated that these relationships are far less robust, and even reversed, in social contexts outside of North America and Western Europe. The sociological concept of culture may provide an answer to this inconsistency: emergent idea-networks, irreducible to individuals, which nonetheless condition psychological motivations, so that perceptual factors resulting in left-wing preferences in one culture may result in opposing preferences in another. The key is that open-mindedness leads individuals to attack the dominant ideas which they encounter: if prevailing orthodoxies happen
to be left-wing, then open minded individuals may become right-wing in protest. Using conditional process analysis of the British Election Study, I find evidence for three specific mechanisms whereby culture interferes with perceptual influences on politics. Conformity to the locally dominant culture mediates these influences, in the sense that open-minded people in Britain are only more left-wing because they are less culturally conformal. This relationship is itself moderated both by cultural group membership and by Philip Converse’s notion of “constraint”, individual-level connectivity between ideas, such that the strength of perceptual influence differs significantly between cultural groups and between levels of constraint to the idea of the political spectrum. Overall, I find compelling evidence for the importance of culture in shaping perceptions of policy choices.

Eis aí um artigo que nos ajuda a pensar cientificamente (não como em discussões de boteco) sobre “cultura”, “ideologia” e afins. Aliás, eis uma definição de cultura (lá no artigo):

One influential definition of culture is that it is a pattern of beliefs, a repetition of
ideas or behaviours across individuals in a way that is too systematic to be explained by individual choice alone, yet too variable to be attributed to biological “human nature” (Benedict, 2005).

Não encontro análises detalhadas e com esta qualidade sobre o tema em trabalhos nem de economistas, nem de cientistas políticos, há anos (com as exceções esparsas de sempre). Ah sim, o trecho abaixo resume o que eu sempre digo sobre o uso do termo “cultura” por aí.

Culture is perhaps the hardest to operationalise of all the concepts in this study. The concept is somewhat vague, has been underused in quantitative research, and historically has been understood to mean quite different things in different theoretical traditions (Soares et al, 2007).

Vou ter que ler as 107 páginas do artigo para entender melhor o que ele quer dizer (minto: são 33 apenas e o resto é apêndice!), mas já adianto que a conexão com os conceitos expostos nos últimos trabalhos de Douglass North e no livro de Pereira, Mueller e Alston (aquele, sobre o Brasil, já citado por aqui) parece direta.

O tema da “cultura” e da percepção ideológica atrapalhando ou ajudando na implementação de políticas públicas, este sim, não é tão estranho a alguns economistas (embora ainda haja quem diga, no Brasil, “que isso não é assunto de economista”, claramente ignorando mais de 50 anos de pesquisas…).

Como é interessante ver trabalhos de cientistas sociais que realmente se preocupam em analisar dados (ou seja, a realidade) ao invés de dispararem palpites genéricos por aí…

Substituição de importações diminuirá a desigualdade…eles diziam.

Latin American earnings inequality in the long run (Cliometrica, Sep/2017)
Leticia Arroyo, Pablo Astorga Junquera
This paper traces between-group earnings inequality for six Latin American countries over two centuries based on wage and income series compiled from a large array of primary and secondary sources. We find that inequality varied substantially by country and by period, questioning the notion that colonial legacies largely dominated the evolution of inequality. There is a broader inequality trajectory over the long run in the form of an “m” pattern with peaks around 1880 and the 1990s and a trough around 1920/1930s. Export-led growth does not necessarily imply a rise in inequality, while the import-substitution industrialisation efforts did not translate into a more egalitarian distribution of income. More notably, Latin America’s experience does not exhibit the great inequality levelling as seen in the North Atlantic economies from the 1930s to the 1970s.

Parece que não foi bem assim, não?

Humanos e humanos

Humans are a peculiar species. We’re relatively hairless, we walk on our hind legs, we dance and sing like nobody’s business. We laugh, blush, and shed tears. And our babies are among the most helpless in all the animal kingdom. (Robin Hanson, The Elephant in the Brain, 2017, página desconhecida)

Uma boa descrição.

Preço justo

Eis um bom texto sobre o tal preço justo. Por estes dias andei citando trechos do livro antigo de Alec Nove (A Economia Soviética) e o primeiro tópico do oitavo capítulo, A Formação dos Preços dos Fatôres de Produção, chama-se, vejam só, Os objetivos contraditórios da política de preços.

Acho que isso resume tudo. ^_^

Governos populistas e investimento externo

Ótima dica de leitura:

A signaling model of foreign direct investment attraction
Marcelo de C.Griebeler, Elisa M.Wagner

Resumo
Investidores estrangeiros diretos são incertos sobre o tipo do governo do país onde desejam investir. Em um jogo de dois períodos, permitimos que o governo de tal país mitigue essa incerteza ao enviar um sinal através da política fiscal. Nosso principal resultado estabelece que um governo populista pode imitar um conservador a fim de atrair investimento estrangeiro direto (IED), e essa escolha depende principalmente do grau de impaciência e do estoque de IED originalmente planejado. Destacamos o papel da reputação do governo em atrair capital externo e assim fornecemos algumas recomendações de política. Além disso, nosso modelo explica porque alguns governos considerados populistas adotam políticas conservadores no início do seus mandatos.

Modelo teórico interessante – que encontra respaldo em análises empíricas – é sempre bem-vindo. É o caso.

Mais sobre a economia soviética: incentivos que não funcionavam como em uma economia de mercado

Nada mais agradável do que descobrir que Alec Nove lia Janos Kornai. Ainda comentando os absurdos incentivos criados pelos soviéticos para resolverem o que sempre acusaram a economia de mercado de não fazer (ou seja, resolver o problema da eficiência e da distribuição), ele diz:

As instruções devem deixar muita coisa para ser resolvida na ocasião ou por negociações entre as partes diretamente interessadas (como o atacadista e a fábrica) mas o que não encontra recompensa de forma alguma é o ‘valor de uso’, ou satisfação da procura. Como Kornai bem disse, ‘se o artigo não estiver defeituoso (…) e ainda assim não fôr procurado por pessoa alguma, isso não tem conseqüências. Não afeta o fato de que será contado como parte do valor da produção creditado à empresa interessada”. [Nove, A. (1963). A Economia Soviética, Zahar, p.200]

Nove prossegue dizendo que, obviamente, a coisa toda não é tão absurda a ponto de se produzirem mercadorias inúteis (ao menos como regra, não exceção). Mas ele prossegue:

No entanto, há todos os motivos para supormos que o sistema de incentivos que guia o diretor da emprêsa a optar entre alternativas age com freqüência de modo enganador, assim causando certa má distribuição de recursos. [p.200]

Claro, eventualmente, as empresas soviéticas poderiam ter lucros.

Certamente, parece haver algum interêsse, por parte da emprêsa, em obter lucros, principalmente lucros além do plano. No entanto, sob as condições atuais, há muita evidência de que tal incentivo funciona irracionalmente e também de que não influencia muito o comportamento empresarial, a não ser em que o aumento dos lucros podem ser conseqüência acidental do cumprimento do plano de redução de custos. [p.201-2]

É inacreditável, tragicômico (já que ainda há quem pense neste modelo como um bom arrnajo para gerar eficiência e redistribuição), risível mesmo que a maximização de lucros, comum ao pipoqueiro, ao sapateiro, ao dono da siderúrgica e aos gerentes de uma empresa qualquer só pudesse ser obtido, na URSS, por mero acaso.

Claro que, como economistas, desejamos entender que incentivos existiam para que instituições tão absurdas prevalecessem. A resposta não é muito diferente daquela que encontramos no famoso capitalismo brasileiro de compadrio. Quem conhece um pouco a literatura (ou frequenta este blog há mais tempo) sabe quais são as pistas para se construir uma explicação para a existência de instituições aparentemente sem sentido.

Não há uma única explicação possível, mas obviamente as boas explicações não supõem que os dirigentes soviéticos fossem loucos.

Carro sem motorista? Nem chega perto do “uber” soviético

Ainda o livro de Alec Nove, de 1963 (edição brasileira), A Economia Soviética, nas páginas 198-9 vem a inacreditável e talvez mais engraçada tentativa dos planejadores socialistas de criar incentivos sem considerar a lógica econômica.

Também há relatórios de que os motoristas de táxi  verificam ‘valer a pena’ gastar gasolina dirigindo um táxi sem passageiro, de modo a cumprir o plano, desde que seu abono por cumprimento do plano exceda a quantidade em que no taxímetro ‘falta’. [p.198-9]

Imagino o observador ocidental inocente, dos anos 60, maravilhado com a quantidade de táxis circulando por Moscou, dando uma impressão de movimento e atividade econômica quando, na verdade, vários deles estavam, literalmente, indo de lugar algum para lugar nenhum (ou o contrário)…

Pensar fora da caixa pode não ser uma boa idéia…o caso da extinta (mas viva em nossos corações) URSS

okishioAlec Nove, em seu antigo A Economia Soviética, da Zahar, livro de 1963, observa algo que ouvi de um professor como uma anedota há anos: o problema dos planejamentos baseados em qualquer coisa que não a teoria econômica que conhecemos hoje como mainstream (ou ortodoxa, para alguns). Em outras palavras, não se usa preço, mas sim a quantidade. É até simples de pensar, se você é um matemático sem noção de economia.

A receita total com a demanda de um bem é dada pelo produto do preço unitário (burguês, capitalista) com a quantidade de produto demandada. Sendo o preço algo ideologicamente reprovável, usa-se a quantidade como indicador para as metas. Genial, não? Nem tanto. Pense na falta de incentivo econômico neste caso. Não visualizou? Eis alguns exemplos.

É claro que um plano de produção expresso em têrmos de toneladas incentiva à escolha de uma variedade em que um determinado pêso é conseguido com o menor dispêndio possível dos recursos não relacionados com êle. Por exemplo, as fábricas que produzem blocos de cimento pré-fabricados preferem fazer blocos grandes embora, como acontece, o resultado seja uma escassez de blocos menores destinados a completar partes dos edifícios em construção. O próprio Krushev apresentou um exemplo especialmente absurdo: o plano para lustres e candelabros foi expresso em toneladas, de modo que os lustres e candelabros se mostraram desnecessàriamente pesados. [p.192]

Isso jamais acontece em um sistema econômico movido pelo lucro (ou pelas sobras, para os simpatizantes das cooperativas), como sabemos. Ah sim, a piada que sempre ouvi era a de que uma fábrica de lâmpadas recebia metas em tonelagem e fabricavam lâmpadas que caíam. Certamente baseada no relato dos lustres e candelabros acima…

Neste caso, pensar fora da caixa é uma boa idéia se você vive em uma sociedade maluca como a soviética ilustrada acima. Caso contrário, pensar fora da caixa pode te levar exatamente a uma sociedade como esta. Todo cuidado é pouco.

p.s. a grafia dos anos 60 foi, como se viu, integralmente respeitada na citação acima.

A Nova Matriz Econômica do Império e os juros altos como prova irrefutável da grande prosperidade dos (rent-seekers dos) países

Mais um trecho ótimo do – infelizmente não reeditado – Mauá empresário do império de Jorge Caldeira. Desta vez, na página 275, temos outra teoria exótica.

A baixa anormal dos juros, longe está de ser um indício de prosperidade, mormente num país novo, trouxe a especulação imprudente e a diminuição do capital flutuante que foi procurar melhor mercado. O aperto que daí resultou fez recuar aqueles que tinham excedido seus recursos e a alta do juro chamou de novo à nossa circulação não pequena quantidade de capitais. Os bancos que, depois de provocarem em grande parte, por meio de suas excessivas facilidades, os apuros em que muitos se acharam, vieram finalmente a idéias mais razoáveis.

Quem lê esta racionalização publicada no Jornal do Commercio em 06/07/1853 fica imaginando que se trata de um economista austríaco invertido (já que os bancos é que, por agirem como agem, provocam boom and bust artificiais…).

Ou então imaginam que o problema seja a eterna juventude do país (país novo) que, por algum motivo mágico, suspende ou inverte as leis econômicas básicas (este é um expediente maluco, mas muito comum entre quase-economistas: falar da juventude de um país como barreira para se implementar alguma reforma que seja necessária).

Finalmente, temos a baixa anormal dos juros, que mostraria uma relação inversa com o desenvolvimento econômico (Caldeira descreve isso corretamente como exótica teoria segundo a qual a dificuldade de obter capital era um bem e o pagamento de grandes juros prova da prosperidade nacional).

O mais interessante é que sempre os que dizem que não estudamos História são os primeiros a demonizar a atividade bancária ou as leis econômicas básicas. Parece que a História (e não a (e)história) não é bem assim.

“Seu economista alienado, vá estudar história!”

Os primórdios da Nova Matriz Econômica no Brasil imperial

Em vez dos donos de projetos viáveis economicamente, o país desviava o dinheiro para outro tipo de gente, os detentores de padrinhos políticos viáveis. Quem tinha acesso a eles conhecia o milagre da riqueza sem riscos: o progresso concedido do alto era o melhor, pois não exigia esforços nem sacrifícios. [Caldeira, J. “Mauá – empresário do império, Companhia das Letras, 1997, p.318]

Quem precisa estudar economia agora é o historiador. ^_^

Custo de oportunidade trágico: Hans Staden

O alemão Hans Staden foi tratado como guerreiro valoroso e [após capturado pelos tupis] preparado para o sacrifício. Porém, quando chorou na hora em que ia ser morto, a cerimônia foi interrompida: um covarde sem honra transmitiria a covardia aos que ingerissem sua carne. Por essa atitude desprezível, Staden foi transformado em escravo. [Caldeira, Jorge. História da Riqueza no Brasil, GMT Editores, 2017, p.32]

“Estes imigrantes alemães chegando para amolecer nossa cultura nativa com suas lágrimas covardes”, diriam os xenófobos da época. ^_^

Lei de Gresham das Redes Sociais

20160121_084322Conforme Carl Sagan: “Na cultura popular prevalece uma espécie de lei de Gresham, segundo a qual a ciência ruim expulsa a boa”. Está lá em “Antologia Maldita”, de Gustavo Franco e Fabio Giambiagi (p.144).

Assim também o é nas redes sociais: “Nas redes sociais prevalece uma espécie de lei de Gresham, segundo a qual o texto ruim expulsa o bom”. [acabo de enunciar, todos os direitos reservados]

Interesses “ocultos” na imigração alemã para o Brasil, globalização, etc

Trecho interessante sobre a imigração alemã.

Por outro lado, seria mister desviar a emigração alemã de países como Estados Unidos, Austrália e Argentina que de fato com as suas exportações baratas se estariam transformando em perigosos concorrentes dos produtos agrários alemães. No sul do Brasil, os colonos alemães produziriam para o mercado interno brasileiro, embora consumissem antes de tudo produtos importados da Alemanha. Daí, contribuiriam à criação de um grande mercado para a indústria e comércio alemães. [Richter, Klaus. “A sociedade colonizadora hanseática de 1897 e a colonização no interior de Joinville e Blumenau. 2a ed., Florianópolis, UFSC, FURB, 1992, p.28]

Obviamente, muita gente vai dizer que isso é “globalismo” e tentará associar a imigração alemã para o sul do Brasil a alguma conspiração comandada pelo Soros (bom, não vai dar, neste caso, por conta da época, mas o pessoal sempre tenta, né?).

Claro que pessoas podem ter interesses, por assim dizer, conspiratórios, o que não quer dizer que conspirações se sustentem  facilmente como qualquer um que tenha estudado um pouco de Teoria dos Jogos (e História Econômica, com ênfase em Organização Industrial) poderá atestar. Isso tudo, claro, assumindo que exista, de fato, uma conspiração, o que nem sempre é verdade.

Um ponto interessante do raciocínio citado no trecho é que, ao promover a emigração para diversos países do mundo, cada país promoveria maior integração por conta das peculiaridades locais (produtos do país de origem). De certa forma, isso nos lembra que maior e mais integrado comércio global pode valorizar muito produtos locais ao contrário do que dizem alguns. Deve ter algo de interessante naquele modelo do Sachs de tradeables-non-tradeables (modelo TNT) para ser usado aqui, acho eu.

 

Defecando e inventando: o lado pouco citado dos ciclos reais

…Edmund Cartwright (…) gastou sua fortuna aperfeiçoando um tear movido a energia. Ele se inspirou em autômatos como o pato mecânico de Jacques de Vaucanson, que assombrava a corte em Versalhes batendo as asas, comendo e defecando! (Voltaire gracejou: “Sem o pato de Vaucanson, não teríamos nada para lembrar a glória da França”). Se um mecanismo podia defecar daquela maneira, não poderia também fazer algo útil? [Allen, R.C. (2017) “História Econômica Geral – uma breve introdução”, L&PM, p.50]

Pois é. Voltaire perdeu o insight de que choques reais não ocorrem como ele gostaria. A relação entre o tear de Cartwright e o famoso patinho talvez seja o melhor exemplo de consequências não-intencionais de certas intenções (e Hayek, inevitavelmente, surge como uma inspiração importante para se pensar em arcabouços institucionais que sejam menos voltarianos e mais pró-criatividade.

Curiosa vida

Ontem eu acompanhava minha esposa a uma agência bancária não exatamente perto de casa. Enquanto ela era atendida, assustei-me ao ser abordado por outro funcionário (breve digressão: não, não vem aí um texto sobre a maldade do setor bancário, da opressão do fantasioso capitalismo financista, etc).

O diálogo foi mais ou menos assim:

– Oi, você não vai se lembrar de mim porque nunca fui seu aluno, sou o XXX.

– Prazer, XXX.

Curioso, não? Nunca havia sido meu aluno, mas me cumprimentou. O interessante é que ele seria meu aluno numa faculdade da qual me desliguei há algum tempo. Para ser mais exato, quando ele ia me alcançar, eu saí.

Conversando um pouco, descobri que ele se graduou há pouco tempo (e faz parte de uma turma que lançou até alguns alunos para o mestrado). Não apenas seus bons modos fizeram-me renovar minhas esperanças no futuro, como também fiquei feliz por ser lembrado como um professor com o qual, segundo ele, valeria a pena estudar.

Torço para que, um dia, no futuro, ele se sinta como eu me senti ao apertar sua mão.