Percepções 2017, um pouco do que você gostaria que elas significassem (e o que elas não significam (ou algo assim))

Correlação não é causalidade, mas um jornal brasileiro resolveu colocar uma foto na matéria em que divulga a pesquisa sobre percepções que pode induzir o leitor mais distraído a achar que quem acha bonito sair por aí com a bandeira do Brasil é meio burro (confira lá na sua rede social), como notado por perspicaz personalidade do Twitter.

Bem, a pesquisa fala de erros de percepção e pode-se pensar no argumento de Caplan da irracionalidade racional para se discutir o tema (até onde sei, ele não comentou a pesquisa ainda). Como já cansei de falar aqui, correlação não é causalidade, mas a foto do jornal é uma maneira muito matreira de tentar nos induzir a isso.

Não tenho tempo para me dedicar a coletar e atualizar dados agora e, assim, eis algumas correlações que servirão, pelo menos, para você refletir sobre o tema.

Na primeira figura, faço a distinção dos países pela origem de seu código legal. Vemos que países que estão lá embaixo no ranking (ou seja, que erram menos na percepção) são também os que apresentam maior liberdade econômica (algo que, aliás, parte do pessoal que carrega bandeira do Brasil, curte).

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Mas vejamos mais um gráfico. Novamente peço desculpas ao leitor por não atualizar a base, mas vejamos o valor do índice do Failed States Index (Sudão e Iraque costumam ter altos valores nestes índices) e o ranking da percepção (quanto mais distante no ranking, repito, menos as pessoas erram, na concepção da pesquisa). Nada muito diferente do que eu esperaria.

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Finalmente, só para as ex-colônias, com a famosa variável dos estudos de desenvolvimento econômico.

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Sim, eu poderia ficar horas brincando aqui, mas como correlações não implicam causalidade, eu diria que associar os maiores erros de percepção de brasileiros a um certo posicionamento em termos político-ideológicos não é uma forma correta de divulgar a interessante medida.

Ah sim, pena que as percepções são captadas em tão poucos países (e, o mais interessante, elas variam no tempo). Então, a visão acima, que já deve ter servido para aumentar seu ceticismo quanto à mensagem da foto da manchete, tem ainda mais um complicador: as correlações podem mudar se as pesquisas mostrarem variações dos países ao longo dos anos.

Por exemplo, em 2016, o Brasil era o 6o colocado e, em 2015 era o 3o. Em 2014, salvo engano, nem estava na base de dados. Então, poderíamos dizer que a percepção do brasileiro quanto aos dados é algo que oscila tanto em três anos? Talvez sim, talvez não.

Fico com Caplan: a educação melhora a percepção das pessoas, aproximando-as das dos especialistas.

 

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