Plágio: não pode!

plagioHá anos escrevi um texto sobre o tema. Há pouco tempo, reescrevi o texto. Descoberto por uma professora, recebi o convite para participar de uma obra coletiva cuja intenção é a melhor possível: promover a integridade científica o que inclui, claro, atacar o problema do plágio na pesquisa científica.

Uma vez aceito o convite, trabalhei novamente em meu antigo texto buscando, desta vez, alterar sua linguagem (pensei em torná-lo mais agradável ao leitor…não tenho certeza sobre se tive sucesso nisso…).

Claro, agradeço ao Philipe pelo olhar atento e à professora Cassimiro pelo convite. Foi uma honra participar do trabalho.

Ah, eu disse que minha pequena contribuição é parte de um livro que é, inclusive, gratuito? Pois é. Ele está disponível aqui.

Anúncios

Regulação mata?

Regulations of various kinds seek to reduce mortality risk. Typically, such rules relate to health, safety, security, and the environment. While it is obvious how regulations can reduce the risk of death, since reducing risk is often the primary aim of regulations, it is less obvious how rules might also increase mortality risk. Nonetheless, many regulations result in unintended consequences that increase mortality risk in various ways. These adverse repercussions are often the result of regulatory impacts that compete with the intended goal of the regulation, or they are direct behavioral responses to regulation.

Mais aqui.

Imigração é ruim?

Globalisation of labour markets has prompted many countries to re-evaluate the merits of dependence on imported skilled labour. Amongst arguments in defence of accepting foreign workers is that, where they work in teams with domestic employees, as is typical in the creative sector, they are likely to improve the performance of those domestic employees. Amongst the mechanisms for this effect is that locals will learn new techniques and practices brought from the origin countries of the immigrants.

Pois é. Menos xenofobia, mais eficiência (e mais bem-estar), ok?

Tudo o que você gostaria de saber sobre o Bolsa Família, mas não tinha coragem de perguntar

Novo artigo com dois amigos de alto nível sobre o Bolsa Família recém-publicado. Trata-se de um survey e, por isso, o título bem-humorado (e verdadeiro, creio) deste post.

Mais Liberdade Econômica…(brincando com as correlações parciais)

O pessoal da Mackenzie lançou os dados do índice de liberdade econômica estadual. É o início de um trabalho de maior fôlego, espero. Os dados são de 2015, embora o nome do índice possa deixar o leitor com a impressão de que os dados são de 2017 (o ano que, aliás, ainda não acabou).

Obviamente, espero que divulguem as planilhas para que pesquisadores possam trabalhar com os dados, tal como faz o Fraser Institute, instituição, da qual, aliás, vem a metodologia utilizada.

Apenas para matar a curiosidade, eis duas correlações. Uma com a variação na taxa de vítimas por homicídios dolosos entre 2014 e 2015 e outra com a a taxa de 2015.

lib_hom2lib_hom1

Não se obtém relações muito claras e, claro, seria legal testar para o nível geral de criminalidade e para os diversos tipos de crimes existentes mas isso fica para o leitor. Os dados de crime vieram do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Rawlsiano é também Actoniano?

Roberto Campos, sempre ele, cita-me Lorde Acton, em sua “Autocrítica”, capítulo de famoso livrinho seu dos anos 70:

Os homens que pagam salários não deveriam ser os senhores políticos dos que os recebem, pois a[s] leis devem ser moldadas por aqueles que correm o maior risco no país, para os quais o desgoverno não significa apenas o orgulho mortificado ou o luxo prejudicado, mas privação, dor e degradação, e perigo para as suas próprias vidas e para as almas dos seus filhos. [Roberto de Oliveira Campos, A Técnica e o Riso, APEC, 1976, 73-4]

Entendo que a discussão do véu da ignorância de Rawls abraçou Lorde Acton aqui, heim?

Quando o resultado do artigo incomoda…

Justamente por não ser uma questão religiosa é que a ciência se torna interessante. Por exemplo, imagine quando resultados empíricos não te agradam ou questionam suas crenças. Claro, há sempre o que discutir quanto ao método, fundamentação teórica, etc.

Algo bem diferente da religião, que é uma área da vida em que você faz perguntas diferentes.

Roberto Campos deveria assessorar candidatos (sérios) a qualquer cargo público

Cheio de ironia, Campos declarava-se um recém-convertido ao nacionalismo (hoje seria chamado de “nacional-desenvolvimentista”, “heterodoxo” e assemelhados). Concluía, em seu Elogio da Ineficiência:

  1. O Brasil não deve exportar nada que esteja em alta demanda no mercado mundial. O melhor é esperar que haja superprodução, porque aí não temos nenhum sofrimento em entregar os nossos bens ao estrangeiro.
  2. É melhor exportar pouco, a preços altos, que muito, a preços mais baixos. Se algum de nossos exportadores pretende vender mais barato a fim de aumentar o volume e deslocar concorrentes no exterior, subordinando-se servilmente ao mercado mundial, pancada nele, que a intenção é suspeita e o caso é de polícia.
  3. Deve-se sempre vender caro e comprar barato. Se é assim que os homens ficam ricos, por que não as nações?
  4. Quanto a produtos mineirais, o melhor mesmo é conservá-los no subsolo, até que possam ser decididamente industrializados. Assim não ficam buracos nem se estraga a paisagem.
  5. Cumpre preservar cuidadosamente os déficits de Governo, que são fontes de geração de riquezas; e a empresa pública é sempre preferível à privada, pois descobriu o segredo de dar emprego sem dar trabalho.

Está lá em “A Técnica e o Riso, APEC, 3a ed, 1976, p.27. Ah sim, sobre a xenofobia deste discurso, vale a conclusão do capítulo, na p.28:

Em verdade, em verdade vos digo: o único mal deste país é ter sido descoberto por estrangeiros.

roberto-campos

 

Meu mundo acabou – versão Paul Samuelson

Paul Samuelson, senhoras e senhores (SAMUELSON, P. A. A Catenary Turnpike Theorem Involving Consumption and the Golden Rule. American Economic Review, v. 55, n. 3, p. 486–496, 1965) diz-nos como o mundo acaba.

fimdomundo1

No final de sua conclusão, um conselho de apóstolo: Acumulem! Acumulem! Acumulem! Mas não mais rápido do que a Lei de Ramsey e somente se você compartilhar da filosofia de que não há preferência temporal. (a preferência aparece apenas na oitava nota de rodapé)

fimdomundo2

Foi realmente um dos maiores economistas que já tivemos…

Nova ferramenta do governo e uma aplicação rápida para os dados relativos a Pelotas

O Ministério do Planejamento lançou um ótimo bem público (economistas sabem que uso o conceito econômico de bem público) que é este portal sobre transferências federais.

Aproveitei para ver como o município de Pelotas, no RS, aparece neste quesito, olhando por órgãos federais. Eis algumas figuras bastante ilustrativas.
pelotas1pelotas2

Claro, eu poderia melhorar mais a análise observando o status dos projetos (estão em execução? Já encerrados?), mas isso fica para o leitor. Peço desculpas, também, pelos títulos dos gráficos. A bem da verdade, o grande transferidor de recursos para o município é o Ministério da Educação e eu poderia ter feito, basicamente, só um gráfico.

O significado disto tudo? Vários pontos interessantes podem ser destacados aqui, mas isso fica para outro dia. Comentários, como sempre, são bem-vindos.

Ah sim, parabéns aos que disponibilizaram mais esta fonte de dados públicos. Ficou ótimo!

Seu professor está de olho em você

O pessoal quer métodos pedagógicos que aumentem a honestidade acadêmica ao menor custo. Digo, o pessoal da sala dos professores porque os alunos, bem, os alunos querem assistir ao hilário Como se tornar o pior aluno da escola (eu assisti, é bom mesmo).

No que os professores estão pensando? Nisso, nisso e nisso (e olha que eu poderia citar mais uns três artigos…).

p.s. (não?) queria ser aluno dos autores citados…

 

 

Às vezes é por erro

Treisman tem um novo working paper no NBER. Essencialmente, ele argumento que 2/3 de sua amostra são de países nos quais a democracia surgiu por “erro” mesmo. Ponto interessante porque, muitas vezes, esquecemo-nos que o ser humano é falível, imperfeito e é este mesmo ser humano que exerce o poder em um regime mais fechado.

Ao argumento desenvolvido pelos autores deste ótimo livro,  portanto, temos uma adição interessante: muitas vezes a mudança se dá por erros da elite de uma ordem de acesso limitada (OAL), não necessariamente por janelas de oportunidade.

O que assusta é o percentual que Treisman reputa aos “erros”: 2/3. Mas é mais um ponto a ser estudado por quem curte pesquisar mudanças institucionais e seus impactos no bem-estar.

Eu tenho lampejos de bom humor. Estes são dois deles.

Estou fazendo este post apenas para tentar me livrar do mau humor que tomou conta da minha tarde. O pior é que nem pude ir lá no Cruz. Os caras adoram fechar o boteco no sábado à noite.

propaganda_alma_do_negocio