Melhor com Chavez, melhor ainda sem ele

Eis um contrafactual interessante do prof. Grier sobre Chavez e seu suposto impacto econômico na Venezuela.

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Artigos…

Mais um artigo publicado e alguns aceitos. Esta semana foi pródiga (fazia tempo que não tinha uma semana assim, acho que nunca tive).

Preço Médio da Gasolina em Julho (2017), RS, conforme amostragem da ANP

grafico

Ah sim, o histograma.

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Percebe-se que trabalhar com variáveis em nível (e não em variação) nem sempre é divertido, não é? De qualquer forma, dá para se ter algumas informações interessantes (média, moda, desvio-padrão, etc).

Obviamente, se eu fosse aluno de Economia, seria levado a me questionar sobre os determinantes da oferta e da demanda de gasolina em diferentes cidades e períodos de tempo. Sim, eu teria que aprender a estimar um painel de dados.

Seu curso não tem duas Econometrias e a matéria já é imensa para as provas? Pois é. Peça por mais uma cadeira de Econometria. Esta é a hora. ^_^

Até que algo aconteça, fique com os salgados preços da gasolina na bomba na amostra de municípios do RS.

Receitas e gastos públicos: como os privilégios explicam o problema

Esta semana foi polêmica por conta das discussões sobre o aumento do imposto na gasolina. Isto me fez lembrar…

Quando o estão chefe da Receita, Osiris Lopes Filho, obrigou os integrantes da seleção a declarar o que traziam, Teixeira e os jogadores aemaçaram devolver as medalhas do título conquistado, presentes de Itamar Franco, e não participar dos desfiles programados para festejar a Copa. Branco chegou a entregar a taça conquistada, uma réplica, ao fiscal da Receita, dizendo: “Toma, pode confiscar”. Muito antes desse episódio, quando a Copa ainda estava em andamento, Teixeira havia pressionado o governo Itamar a aliviar a fiscalização da Receita, alegando que os jogadores estavam ficando “nervosos” com a possibilidade de serem autuados na volta – uma óbvia chantagem. Osiris foi afinal desautorizado pelo ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, e pediu demissão no dia seguinte. No episódio, os jogadores saíram como muambeiros – para 70% dos brasileiros, segundo pesquisa, eles tinham de pagar os impostos devidos – e o governo apareceu como fraco e hesitante, uma marca da administração Itamar. [Guterman, Marcos. O futebol explica o Brasil, Contexto, 2009, p.246]

É por essas e outras que o Brasil é conhecido como o país dos privilégios.

A função de produção Cobb-Douglas é…de Wicksell

wick2Provavelmente isso é ignorância minha, mas algum professor me disse que a função de produção Cobb-Douglas havia sido inventada por ambos. Então, agora, tentarei me redimir com qualquer um que tenha ouvido de mim que Cobb e Douglas foram os caras que criaram a função.

Hoje, conversando com alguns alunos após o final da aula, discutíamos a elasticidade de substituição constante e o assunto ficou em minha cabeça (quando aluno quer discutir um tema divertido, a gente acaba prolongando os pensamentos na direção do tema).

Em casa, ao ler o bom e velho Brems (Quantitative Economic Theory – A Synthetic Approach), um livro de 1968 que sempre me acompanha, vi que o correto é que Cobb e Douglas foram os primeiros a estimar a função (o artigo clássico está aqui). Adivinhe quem propôs a função?

Conforme Brems, foi ele! Quem? O homem da regra da unanimidade (que Buchanan reputava como um dos pais da Public Choice), o cara dos insights sobre taxa de juros natural. Sim, ninguém mais, ninguém menos que…Knut Wicksell (o nome que está impresso na minha camisa da seleção sueca ^_^).

De fato, como indicado por Brems, na p.128 do clássico livro de Wicksell, você encontra a funçãozinha. Fui lá conferir e…bem, olha ela aí embaixo, toda serelepe.

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Momento R do Dia – belo exercício para replicação (quebra estrutural e aquecimento global)

Este é um dos mais didáticos posts que já vi para replicação em R. Talvez as conclusões sofram com estes dados de baixa frequência, mas o exercício é didaticamente bem descrito).

Novamente o terrorismo

Com tantos “especialistas” de fêiçibúki, talvez o gráfico abaixo nem faça tanta diferença assim, né?

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De qualquer forma, ele está neste estudo recentíssimo do Cato Institute. O que temos? Bem, alguém poderá dizer que há uma mudança de tendência em 2009, no caso de ataques terroristas não-islâmicos, embora pareça haver algo similar no caso dos ataques islâmicos. A diferença de médias é gritante, mas eu ainda gostaria de ver o gráfico com as taxas de variação.

p.s. para quem gosta de análise de regressão, o apêndice tem lá um material para se divertir.

(Meta-)Erros Tipo I e II

De Netter, Marks R. An Applied Statistician’s Creed (publicado em Journal of the Royal Statistical Society, Series C, v.45, n.4, vem a tabela mais engraçada da Estatística (até agora, para mim).

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Agora imagine os erros tipo I e II sobrepostos nesta divertida tabela. ^_^

Demanda por ingressos de futebol (exemplo para aula de Econometria)

Este é um post sem maiores pretensões. É apenas um exemplo de variáveis instrumentais em Econometria para ser usado em sala de aula. O objetivo é discutir o uso de uma variável instrumental com base em uma amostra de países que fez parte de uma matéria jornalística sobre o preço dos ingressos de futebol no Brasil, lá em 2013.

A matéria apresenta uma tabela interessante que nos dá a possibilidade de pensar em uma estimativa de curva de demanda por ingressos de futebol. Há diversos problemas importantes. Primeiro, o preço médio do ingresso parece (embora não esteja claro) ser mensal. Segundo, a amostra não parece ser nada aleatória, mas motivada por algum critério que desconhecemos. Terceiro, não sei se os valores em reais foram ajustados para as inflações do Brasil e dos respectivos países cujos dados formam a tabela.

Mesmo assim, vou tentar ilustrar o problema econométrico aqui. Trata-se do fato de que temos apenas a quantidade vendida (portanto comprada) de ingressos (a cada mês), logo, temos o ponto de equilíbrio das curvas de oferta e de demanda. Como obter uma curva de demanda a partir disto? Precisamos de um instrumento que desloque apenas a curva de oferta, o que nos ajudaria a identificar a curva de demanda.

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Assim, procurei algo que geralmente impacta apenas a oferta. Escolhi a precipitação média anual de chuvas. A idéia é que as preferências dos consumidores não seriam afetadas pelo mau tempo, mas a oferta de ingressos sim (estou supondo que os clubes baixarão os preços de venda para atraírem mais consumidores em dias chuvosos).

Pode não ser o melhor instrumento do mundo (e este é um bom debate para outro dia), mas como a idéia é só ilustrar o método em sala de aula (terei que gastar um pouco mais de tempo em sala, claro), aí vai o resultado utilizando o bom e velho Gretl.

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Observamos uma elasticidade-preço unitária, o mesmo valendo para a elasticidade-renda. O resultado é bastante limitado (além do que eu disse lá em cima, há o fato de termos apenas 16 observações…), mas poderemos ver em sala de aula que o teste de sobre-identificação (o teste de Sargan) nos diz que o instrumento utilizado está ok.

Eu sei que não é o melhor exemplo de economia do futebol que alguém poderia fazer, mas como exemplo para uma aula de variáveis instrumentais (cuja utilidade estou longe de ter explicado aqui, eu sei), até que ficou um exemplo simpático.