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Multiplicadores da política fiscal: bem menores na realidade do que no livro-texto do primeiro período

Pois é. Nunca é demais lembrar, não? Para o Brasil, o que temos?

Estimamos multiplicadores fiscais em torno da unidade ou um pouco abaixo disto para a economia brasileira de 2004 a 2011. Nossos cálculos indicam que o impacto de um impulso fiscal atinge seu pico em cerca de um ano e meio – período para o qual estimamos multiplicadores entre 0,7 a 1,0. Em três anos, o resultado acumulado do multiplicador cai para 0,5 a 0,8.

O trecho acima foi retirado do texto de Oreng [Oreng (2012)] disponível aqui. Parte da moral da história é que a política fiscal (esta que aumenta gastos encantando os que apenas começaram a caminhada nas leituras de macroeconomia) é bem menos potente do que parece.

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Correlação não é causalidade, mas vamos brincar com a ignorância

Tem um pun intended aí, claro. A notícia foi publicada no Gazeta do Povo, em 2015 (um ótimo jornal, lá de Curitiba). A pesquisa é esta. Já sabemos que brasileiro não vai bem em testes básicos de proficiência matemática e, portanto, eu não esperaria nada muito diferente. Ok, eu vou usar o ranking dos países (e sua leitura deve ser cuidadosa, já que a escala do ignorance diz respeito ao ranking). Vamos brincar um pouco.

ignorance_trust

Ok, países que se encontram nas primeiras colocações em ignorance (ou seja, estão, no eixo vertical, mais próximos do zero) também são países em que as pessoas confiam pouco umas nas outras (trust). Causalidade? Claro que não.

Outra divertida: a relação com o índice de crony capitalism (o famoso capitalismo de compadrio, ou seja, o capitalismo estragado pela corrupção e troca de favores, algo que, claro, conhecemos bem e muita gente confunde com livre mercado, um erro comum e de difícil correção).

ignorance_crony_2016

Temos aqui dois rankings. Assim, países que sofrem menos com o cronismo estão mais à direita no eixo horizontal e, você já sabe, países que estão mais perto da origem no eixo vertical são também os com maiores índices de ignorância. A correlação é positiva indicando que países com maior incidência de cronismo também são os que apresentam maior grau de ignorância.

Ah sim, eu não falei antes, mas a legenda à direita dos meus gráficos diz respeito ao tamanho das bolinhas que você vê nos gráficos. Elas aumentam de tamanho quanto maior o nível de capital humano dos países (a famosa base de dados de Barro & Lee).

Bem, se estas correlações nos dizem algo sobre causalidade? Claro que não. Você precisa sair do mundo das correlações e trabalhar com um pouco mais de rigor estatístico para poder pensar começar a falar algo (ufa!) sobre causalidades. Então, não se anime muito. A base de dados é pequena e o que ela nos diz é que, ironicamente, ser ignorante quanto à causalidade pode levar a diagnósticos desastrosos…