Retrospectiva 2016?

lumgdecrescenteAlguns hits deste blog e alguns que achei interessantes (publicados em 2016). Desculpem-me a retrospectiva bagunçada, mas…bem, vocês já sabem como sou.

Desmascarando correntes…https://gustibuseconomia.com/2009/08/28/quando-a-moeda-circula-nem-sempre-a-economia-prospera/

Um apelo para que se olhe os dados: https://gustibuseconomia.com/2016/05/27/economia-do-crime-estupro-na-suecia-jamaica-bolivia/

Claro, o eterno campeão-zebra deste blog: https://gustibuseconomia.com/2007/09/15/receita-para-engordar/

Piadas malvadas: https://gustibuseconomia.com/2006/04/12/frases-para-se-colocar-em-papel-de-bombom/

Este aqui do André Carraro (que há anos fez parte do blog): https://gustibuseconomia.com/2007/08/29/um-sistema-socio-economico-ideal-seria/

A apostila do R (meu maior orgulho, neste ano?): https://gustibuseconomia.com/2016/10/16/nova-apostila-do-r-para-econometria-aplicada/

Impeachment: https://gustibuseconomia.com/2016/04/13/domingo-legal-vem-ai-e-a-ordem-de-votacao-importa/

Brasil estava lá: https://gustibuseconomia.com/2016/11/28/brasil-em-a-riqueza-das-nacoes/

Multiplicadores da política fiscal? https://gustibuseconomia.com/2016/12/08/multiplicadores-da-politica-fiscal-bem-menores-na-realidade-do-que-no-livro-texto-do-primeiro-periodo/

Estatísticas de crime no RS: https://gustibuseconomia.com/2016/11/23/estatisticas-de-crime-no-rs/

Táxis e Uber no Japão: https://gustibuseconomia.com/2016/05/22/taxis-e-uber-novamente-no-japao/

Todos meus posts sobre Tavares Bastos: https://gustibuseconomia.com/?s=tavares+bastos&submit=Pesquisa

O quinto do ouro: https://gustibuseconomia.com/2016/08/14/o-quinto-e-sempre-o-quinto-quanto-perderia-portugal-sem-o-imperio/

Alimentos e a ex-URSS: https://gustibuseconomia.com/2016/05/14/trade-offs-em-pesquisas-economicas-o-caso-do-consumo-de-alimentos-na-ex-urss/

Mr. Potato e os choques reais: https://gustibuseconomia.com/2016/08/31/mr-potato-e-os-choques-reais/

Alchian-Allen e os escravos: https://gustibuseconomia.com/2016/08/10/teorema-de-alchian-allen-na-pernambuco-colonial-o-caso-dos-escravos-exportados/

Herança portuguesa: https://gustibuseconomia.com/2016/01/15/heranca-portuguesa/

O número ótimo de navios no tráfico negreiro: https://gustibuseconomia.com/2015/10/19/mais-um-daqueles-exercicios-de-introducao-a-economia-o-caso-do-numero-otimo-de-navios-no-trafico-de-escravos/

Aversão ao risco: https://gustibuseconomia.com/2016/04/30/descubra-se-voce-tem-aversao-ao-risco/

Irracionalidade racional e os eleitores: https://gustibuseconomia.com/2016/04/20/irracionalidade-racional-e-o-eleitor-mediano-nas-manifestacoes/

Desigualdade e eficiência: https://gustibuseconomia.com/2016/05/29/desigualdade-e-eficiencia/

Preço do picolé: https://gustibuseconomia.com/2016/05/25/comprei-picole-por-um-preco/

Média e mediana na sua vida: https://gustibuseconomia.com/2016/06/15/por-que-voce-tem-que-aprender-os-conceitos-de-media-e-mediana-para-entender-melhor-as-politicas-publicas-no-seu-pais-sim-isso-mesmo/

Emporiofobia: https://gustibuseconomia.com/2016/06/14/breves-reflexoes-sobre-o-atentado-em-orlando-instituicoes-liberdades-emporiofobia-e-violencia/

Paródia poética: https://gustibuseconomia.com/2016/07/27/parody-attempt-1-when-i-heard-the-learned-economist/

Pareto e econometria: https://gustibuseconomia.com/2016/07/09/pareto-ja-tinha-intuicao-econometrica/

Pombal, o nacional-desenvolvimentista: https://gustibuseconomia.com/2016/08/10/politica-de-conteudo-nacional-circa-1772-3-ou-o-nacional-desenvolvimentismo-de-pombal-e-seus-amigos-monopolistas/

Feliz 2017!

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Como não diminuir a pobreza? Proibindo o comércio – o caso das capitanias hereditárias

Comecemos com o trecho que nos interessa.

Proíbe-se, igualmente, que qualquer pessoa, “assim de meus reinos e senhorios como de fora deles”, comercie com os gentios da terra, devendo fazê-lo “somente com o capitão e povoadores dela”. No caso de desobediência, “que perca em dobro toda a mercadoria e coisas que com os ditos gentios contratarem, de que será a terça parte para a minha câmara e outra terça parte para quem os acusar e a outra terça parte para o hospital que na dita terra houver e não o havendo aí será para a fábrica da igreja dela”. [Tapajós, Vicente C. S. História Administrativa do Brasil – 2. A Política Administrativa de D. João III. FUNCEP/Editora da Universidade de Brasília, 1983, p.39]

O sistema de incentivos descrito acima é interessante. Primeiro, ele estimula o monopólio do comércio em uma economia fechada de tal forma que nem os índios podem fazer parte dela. Achou desumano? Hoje em dia há quem diga que índios não devem ser inseridos no mercado (já ouvi gente com curso superior dizer isto, acredite).

Mas há mais: repare no que se faz com o confisco. Digamos que eu tentei comercializar X mercadorias com um nativo e fui pego. Assim, tenho que pagar 2X para as autoridades e quem me delatou ganha 2X/3. Note que 2X/3 < X < 2X, de forma que o estímulo para a delação é, na verdade, a perspectiva de receber 2/3 da quantia negociada originalmente. Quanto ao restante, 2X/3 vai para os políticos e os restantes 2X/3 vão para o bem público (hospital ou igreja).

Trata-se de uma multa interessante e eu me pergunto o que aconteceria se o sujeito não tivesse o dobro da quantia negociada. De qualquer forma, o triste é excluir os nativos das trocas (não se trata de pau-brasil, cujo monopólio, ensina-nos o autor, também era imposto pela Coroa com punições aos que tentassem aumentar a concorrência…).

Custos de Transação da Marvel Comics

Em Marvel Comics – a história secreta, de Sean Howe (Editora Leya, 2013), encontro um exemplo para se explicar o conceito de custo de transação que me lembra muito o que a profa. Farina usava no mestrado.

Bem, ela falava de costureiras no bairro do limão (em SP), mas vejamos como era o caso do famoso Stan Lee. Ele criou uma seção de resposta ao leitor que vendia a idéia de que o ambiente de trabalho era um no qual “…os joviais artistas trocavam piadas enquanto labutavam alegremente sob o mesmo teto” [p.53].

Entretanto, não era bem assim. Jack Kirby aparecia lá uma vez por semana, por exemplo. Vejamos o depoimento de Don Heck: “Aquilo era um negócio que o Stan Lee botava nas revistinhas, mas os artistas ficavam esparramados pela ilha (…). Eu ia ao escritório umas duas vezes por semana e outros iam também duas vezes…mas a gente nunca se cruzava”.[p.53-4]

No exemplo da profa. Farina, as costureiras não se concentravam em um único espaço físico porque o custo de se fazer isso seria maior do que deixá-las em suas casas. O custo da transação de se colocar todas num mesmo galpão seria maior do que na opção de se buscar os produtos nas casas das costureiras.

De certa forma, isso me lembra o conceito de subaditividade de custos (a idéia de que o custo de se ter uma planta produzindo vários bens é menor do que a soma de custos de várias plantas produzindo os mesmos vários bens). Pensando no caso da Marvel, é como se tivéssemos o contrário, ou melhor, a não-subaditividade de custos, pois cada desenho seria produzido na casa de cada desenhista. Pensando mais ainda, é um processo um tanto quanto mais interessante, pois, parte do processo era o desenho, mas Stan Lee daria seu toque final no escritório.

Bem, é isso por enquanto. Até mais.

Momento R do Dia – Gastos per capita e Gastos em Percentual do PIB

O livro de finanças públicas de Joseph Stiglitz, em sua segunda edição, apresenta um gráfico interessante em seu capítulo 2. Ele diz respeito à correlação entre o percentual do gasto do governo no PIB e a renda per capita para um conjunto de doze países para 1982. Usando os dados do Banco Mundial para o ano de 2014, resolvi ampliar a base de dados.

Primeiramente, tive que excluir alguns subconjuntos de países que o Banco Mundial usa para manter uma amostra apenas de países e não de grupos como “alta renda”, “baixa renda”, etc. Em segundo lugar, para a renda per capita, utilizei a renda por população empregada calculada na PPP de 2011.

Claro, usei o R.

# reproduz a figura 2.8 do livro de Stiglitz de setor público.
data <- read.delim("clipboard")
data<-as.data.frame(data)
data
library(ggplot2)
ggplot(data, aes(x=GDP_per_person_employed_2011_PPP, y=General_gov_final_cons_expenditure_perc_of_GDP))+
  stat_smooth(method="auto",level=0.99)+
  geom_text(aes(label=Code), size=3)+
  ggtitle("Breve correlação - 2014") +
  xlab("GDP per person employed - 2011 PPP") +
  ylab("General gov. final cons. exp. in percent of GDP") 

ggplot(data, aes(x=log(GDP_per_person_employed_2011_PPP), y=log(General_gov_final_cons_expenditure_perc_of_GDP)))+
  stat_smooth(method="auto",level=0.99)+
  geom_text(aes(label=Code), size=3)+
  ggtitle("Breve correlação - 2014 (ambas em log)") +
  xlab("GDP per person employed - 2011 PPP") +
  ylab("General gov. final cons. exp. in percent of GDP")

O gráfico obtido é pouco elucidativo (no código acima, repare que copiei os dados do Excel e colei no R com o bom e velho “clipboard”).

stiglitz1
Assim, passei ambas para a escala logarítmica para, ao menos, visualizar melhor os países que apareciam bem misturados no início do gráfico.

stiglitz2
Os códigos dos países e as variáveis você encontra aqui. Há, certamente, muita coisa para se incomodar nestes gráficos.

Primeiro, há a questão de se entender a proxy de renda per capita utilizada pois países como Brunei (BRN) aparecem em uma – intrigante – alta posição no que diz respeito à esta variável, por exemplo.

Em segundo lugar, não há uma relação clara entre as duas variáveis e talvez isso possa querer dizer alguma coisa. Volto a isto adiante.

Em terceiro lugar, claro, existe a questão de se olhar para um fenômeno apenas em um período de tempo. Um painel seria interessatne, mas a visualização ficaria mais complicada.

Em quarto lugar, há quem goste de brigar por conta do uso de um “gasto de X em percentual do PIB” em uma suposta contraposição ao “gasto de X per capita”. Os gráficos acima não fazem um contraponto a este suposto problema, é verdade. Mas o interessante é que ele faz uma correlação que deve incomodar alguns: compara o gasto governamental em percentual do PIB com o PIB per capita para diversos países (alguma discussão interessante sobre isto aqui).

A idéia era apenas a de ver o que Stiglitz parecia apontar: países com renda per capita mais alta tenderiam a apresentar um gasto do governo mais alto (em percentual do PIB). Bem, o próprio Stiglitz chama a atenção para a cautela de se comparar países distintos e acaba limitando seu gráfico para uma amostra de países desenvolvidos. Em princípio, eu esperava obter grupos de países separados nos gráficos acima. Contudo, não encontrei nada nem perto disto. Talvez os problemas acima sejam importantes para se prosseguir com o tema, mas a idéia era apenas a de fazer um exercício em R.

Até a próxima!

Presente de Natal – Publicação na (infelizmente extinta) REA do Insper

A decisão que mais lamento é esta do Insper de encerrar um periódico tão bom como a REA. Enfim, os números atrasados foram atualizados e meu último artigo lá foi, finalmente, publicado. Infelizmente, a data é retroativa e saiu no último volume (o de 2014), número 3. Parece que só regularizarão o acesso ano que vem (a página está com problemas técnicos).

É um artigo em homenagem ao falecido Ernani Teixeira, o pai do Ibmec Minas Gerais.

Política Monetária, Produto e Preços: Contribuições de Peláez e um teste de tri-causalidade para o período 1861-1970

Claudio Djissey Shikida, Ari Francisco de Araujo Jr, Erik Figueiredo

Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar se o uso do protocolo moderno para tratamento de séries temporais corrobora os resultados encontrados anteriormente na literatura. Especificamente, analisamos o argumento não-estruturalista dos efeitos de política monetária desenvolvida na década de 70. As contribuições deste artigo são: (a) revisar os argumentos não-estruturalistas tal como expostos por Carlos Manuel Peláez e Wilson Suzigan e, posteriormente, em toda a obra do primeiro e, (b) testar a causalidade entre moeda, produto e preços, central no argumento dos autores, sobre a importância da política monetária, com um teste de tri-causalidade, desenvolvido por Hill (2007). Os resultados originais dos autores são corroborados, já que a política monetária (medida pela base monetária) tem efeitos sobre o produto nominal, mas não sobre o real.
Palavras-chaves: Política Monetária, Tri-Causalidade, História Econômica do Brasil, História do Pensamento Econômico Brasileiro.

Os co-autores dispensam apresentações, não é?

Modelos…e você aí reclamando do seu IS-LM-BP…

The first macroeconomic model was built 80 years ago by Jan Tinbergen in 1936. The model was Keynesian with 32 stochastic equations based on the macroeconomic ideas of John Maynard Keynes. Important for the purposes of this workshop, the model was developed to answer an important monetary policy question: Whether a small open economy’s currency should be devalued in order to stimulate the economy.

É, velho, 32 equações! Não quero ver mais choro.

Capacidade estatística e instituições orçamentárias

Working Paper interessante do FMI. Eis o resumo.

Can Statistical Capacity Building Help Reduce Procyclical Fiscal Policy in Developing Countries?

Neree C.G.M. Noumon, Sampawende Tapsoba, Robert York
Abstract:
Few papers have attempted to assess the role of ‘capacity,’ especially in the area of macroeconomic statistics. Consequently, we make an attempt to advance this literature through the construction of a ‘statistical capacity building index,’ and then test its explanatory power on the cyclicality of government spending. Using panel data from 62 developing countries, we find evidence that improvements in this index are associated with less procyclicality of government spending over the period 1990-2012; with the significance of this relationship dependent upon the quality of administrative and technical capacity of budgetary institutions.

Interessante, não? Em tempos como estes, em que a sociedade resolveu se interessar por aspectos da gestão fiscal, nada mais adequado do que começar se perguntando sobre a qualidade das estatísticas (ou mesmo do ensino de estatística, geralmente menosprezado em certos círculos…) mensuradas no país.

Ampliando a base de dados sobre liberdade econômica

Este novo artigo promete.

Economic Freedom of the Worlds in the 1950s and 1960s

Ryan H Murphy, Robert A. Lawson
November 28, 2016

Abstract:
This paper uses newly gathered and available data and autoregressive methods to create an economic freedom index for the 1950s and 1960s for up to 95 countries. This index is designed to be as compatible as possible with the Economic Freedom of the World (EFW) index published annually by the Fraser Institute. Finally, the new index is used to investigate recent a claim attributed to Jeffrey Sachs by Tyler Cowen that institutions are poor predictors of long term economic growth.

Novos grupos de análise de conjuntura – o caso da UFES

Untitled 171O Nepom foi um marco, eu sei. Aí veio o GECE, do pessoal da UFF. Só aqui tivemos duas externalidades: Pedro Sant’Anna seguiu muito além da econometria da graduação e do Nepom e o Ricardo Lima (ex-GECE) ajudou a criar o SAMA, no além-mar.

Agora, para compensar tantas notícias ruins de 2016, o Vitor me chama a atenção para o novo Grupo de Estudos e Pesquisas em Conjuntura da UFES. Desnecessário dizer que me sinto muito feliz com mais este grupo dando sua cara à tapa na internet.

São estas notícias que me fazem ter alguma esperança em alunos de graduação de Ciências Econômicas.

E se o Grande Irmão fosse…todos nós?

Invertendo o jogo do clássico 1984 de George Orwell? Assim como Alchian e Demsetz mostraram que o sombrio mundo previsto por Galbraith não ocorreria, agora o pessoal do Reclame Aqui vira o jogo com o Vigie Aqui, transformando-nos todos em vigilantes.

O preço da liberdade, disse alguém (nunca sei quem), é a eterna vigilância. As ruas lotadas de manifestações pacíficas mostraram-nos isso.

Feliz Natal (parte 2)

 

2016-12-13-11-33-25Chegou o Natal. É, eu sei. Já coloquei um vídeo na parte 1. O Natal é uma época que também envolve escolhas. Escolhas são necessárias quando você não pode tudo, não é mesmo? É abrir mão de algo para obter outra coisa.

No Natal também escolhemos. Vamos continuar educando nosso filho de forma displicente? Ou vamos mudar de atitude? Vamos continuar tratando mal fulano? Ou vamos fazer um esforço para ao menos lhe dar um bom dia sincero? Será que, no dia do nascimento do Cristo que tanto significa para os amigos, vamos passar o dia falando, provocativamente, sobre o aborto?

Será que vamos falar de Economia o tempo todo? Ou vamos buscar ouvir os matemáticos e biólogos? Será que vamos dar presentes por obrigação? Ou vamos tentar fazer isto com um pouco mais de amor? E quem recebe? Fará o mesmo? Nem sempre podemos comprar tudo, eu sei, mas o importante não está na atitude?

Veja, não há escolha certa, universalmente falando. Cada qual sabe o que é melhor para si. Não tenho pretensão de ensinar o que é melhor para outra pessoa que não eu mesmo. Aliás, sequer sei o que é melhor para mim. Digo, acho que sei (ou talvez isto seja algo que a gente descobre ao longo da vida).

Mas há uma regra, no caso das escolhas no Natal: faça aquilo que você, honestamente consigo mesmo, ache que maximizará a felicidade de todos. Você só precisa pensar um pouco antes mas, como é Natal, eu confio em você: sei que você tentará fazer isto com sinceridade. Experimente e…

…Feliz Natal, leitores.

 

Outro bom momento do ano

Talvez o melhor momento do ano tenha sido o nascimento do meu sobrinho que não pode ouvir falar de Economia que cai no sono.

img-20161210-wa0014

Agora são uma sobrinha e um sobrinho para alegrar o meu Natal (e vice-versa). A propósito, quando o imperador Meiji nasceu, seu avô compôs o seguinte poema:

Ama terasu/kami no mi mago/wo/ware ya to no/mono to yorokobu/kyou no ayashiki

Ou:

How marvelous that/Today I rejoice, thinking,/The holy grandson/Of the gods that shine in heaven/Is none other than my own!

(tradução “adaptada” de Donald Keene, autor de Emperor of Japan – Meiji and his world, 1852-1912).

Certamente o gorducho aí não é um imperador (e espero que não seja tratado como tal…sabemos como estragam crianças por estes tempos…), mas a alegria de ver um novo sobrinho alongando a existência de uma família é imensa.

 

Alguns momentos emocionantes de 2016: E.C. Pelotas

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Um momento emocionante foi ir, sem saber, um dia antes do aniversário do Estádio da Boca do Lobo, à sala de troféus. Coincidência cósmica? Vai saber…

20160601_215320-001

Falando no time, quase chegamos. Quase. Foi triste não termos conseguido o acesso, mas pior ainda foi ficar com o time fechado no segundo semestre. Bem, nem tudo ficou parado. Tivemos…

20160821_164444-003

…o futebol feminino que, no final, sagrou-se campeão gaúcho sub-17!

 

O termo “Contabilidade Criativa” não foi invenção brasileira – HPE para “dummies” como eu

Estive pesquisando uns artigos na manhã e tarde de hoje e me deparei com este interessante trabalho de 2008: BERNOTH, K.; WOLFF, G. B. Fool the markets? creative accounting, fiscal transparency and sovereign risk premia. Scottish Journal of Political Economy, v. 55, n. 4, p. 465–487, 2008.

Ok, você não perde por esperar. Parece até que os autores vieram ao Brasil e entrevistaram alguns ministros da época, não? Ou vieram ao Brasil e passearam pela Argentina. O interessante é que não. Quer ver a definição de contabilidade criativa? Bem, ela está no apêndice:

Recent work by Koen and van der Noord (2005) and von Hagen and Wolff (2006) suggests that governments systematically use creative accounting to beautify their fiscal position. Creative accounting consists of two parts:

CAt =c + et                                                                       (A1)


where
c is a constant and measures the average use of creative accounting of a country, and et is a zero mean normally distributed error term. We assume that is common knowledge to financial markets. [p.482]

Viu só? Tem até equação! Claro, tem mais depois, mas não vou estragar a surpresa.

Ah sim, o acesso não é aberto, mas se você tiver acesso ao Periódicos CAPES, ele está lá. Pois é. Quem diria que alguém já teria até criado o termo na mesma época em que o governo brasileiro usava e abusava da contabilidade criativa…falta saber se alguém por aqui testou hipótese similar à dos autores com dados tupiniquins.

Multiplicadores da política fiscal: bem menores na realidade do que no livro-texto do primeiro período

Pois é. Nunca é demais lembrar, não? Para o Brasil, o que temos?

Estimamos multiplicadores fiscais em torno da unidade ou um pouco abaixo disto para a economia brasileira de 2004 a 2011. Nossos cálculos indicam que o impacto de um impulso fiscal atinge seu pico em cerca de um ano e meio – período para o qual estimamos multiplicadores entre 0,7 a 1,0. Em três anos, o resultado acumulado do multiplicador cai para 0,5 a 0,8.

O trecho acima foi retirado do texto de Oreng [Oreng (2012)] disponível aqui. Parte da moral da história é que a política fiscal (esta que aumenta gastos encantando os que apenas começaram a caminhada nas leituras de macroeconomia) é bem menos potente do que parece.

Três artigos que fiquei com vontade de ler

Um sobre economia do crime, outro sobre história econômica da China e um sobre as contribuições de James Buchanan à economia monetária. Este pessoal da George Mason University é bom mesmo.