Brasil em “A Riqueza das Nações”

Eis um antigo artigo injustamente esquecido pelos contemporâneos sobre o Brasil no clássico de Adam Smith. Sim, é o “Uma nota sobre a presença do Brasil em The Wealth of nations“, do falecido Antonio C. Lemgruber.

São apenas oito páginas e dois tópicos interessantes: um sobre Brasil-colônia e outro sobre o Tratado de Methuen. No primeiro deles, um insight interessante (que aparece também na tese de doutorado de Fernando Zanella e que usei em minha análise de São Vicente e Pernambuco) que é o de que a falta de atenção de Portugal à colônia (gerada pela não-descoberta de metais preciosos) no início da colonização teria ajudado o desenvolvimento local.

Muita gente já falou sobre isso depois, com microdados, etc, mas nem sempre creditando o autor mais antigo deste insight: ninguém mais do que o grande Adam Smith.

Nada como encontrar um artigo destes para alegrar a segunda.

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Hangout sobre a PEC 55 (a famosa) com Adolfo Sachsida, Thais Waideman e Guilherme Stein

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Está tão pesado que segurar é difícil mesmo…

Hoje, às 20:00 h, por meio da ferramenta de hangout do Google, terei o prazer de mediar/moderar a conversa de três pesquisadores com qualificado conhecimento na área de Economia: a professora Thais Waideman (UDESC), o pesquisador Guilherme Stein (FEE-RS) e o grande Adolfo Sachsida (IPEA).

Pela lógica da ferramenta e pelos meus limitados conhecimentos, funcionará mais ou menos assim: usarei meu canal no YouTube e divulgarei o link no Facebook alguns minutos antes da transmissão. Assim, se você não tem conta no último, fique de olho no canal. Caso contrário, acho que não será difícil se informar.

Você pode se perguntar: por que mais um debate? Pela insatisfação. Fico insatisfeito quando vejo pessoas mentindo de forma deliberadamente sobre a PEC. Não me chateia a ignorância – por isso a gente gosta de debates com regras mínimas e honestidade e não de “debates” nos quais a platéia (e membros da mesa, como me relatou um colega de uma federal aqui do RS) passam o tempo todo xingando o palestrante. Não é possível chamar isso de diálogo ou debate.

Que alguma desinformação seja gerada pela nossa ignorância, ótimo, é parte da vida. Agora, que alguns mintam para que você pense que a PEC é o que ela não é, isso tem que ser veementemente combatido. Talvez o hangout nos dê a chance de falar um pouco mais sobre a PEC. Aí você vai lá, assiste, estuda um pouco e tira suas próprias conclusões. Não sei se haverá espaço para muitos debates ou perguntas. Estamos com três especialistas e uma hora de transmissão em pleno domingo à noite. Veremos o que podemos fazer neste tempo, mas espero que seja um debate informativo e interessante para economistas e não-economistas.

Aguardamos vocês lá.

p.s. caso isso funcione, quem sabe o blog não inagura uma seção de hangouts? Ah sim, prometo colocar o link para a discussão aqui posteriormente.

Dia dos Finados

Calhou de me lembrar do Olavo Rocha, o jovem que decidiu nos deixar após ter feito poucos, mas ultra-divertidos, vídeos de economia (alguns com tons mais liberais). Sempre me choca saber que ele não quis mais viver conosco. Pena que não pude conhecê-lo pessoalmente mas, graças a um amigo, consegui ler a monografia de graduação dele e, digo, foi uma perda irreparável.

Relembro também outros tantos finados tão importantes na minha vida – e outros nem tanto – e penso que o mundo continua um pouco mais triste aqui, ou pouco mais alegre ali. De onde eles estiverem, se isso for possível, o que pensariam de mim?

Tivesse um incenso aqui, hoje seria dia.

A blogosfera econômica cresceu e se diversificou. Contudo…ajudou nos debates? Venceu algum?

Como tudo começou – Equilíbrio Parcial

Comecei na blogosfera no Economia Everywhere, com Leo Monasterio e outros que, eventualmente, escreviam lá (não vou lembrar de todos, acho que tivemos convidados também). Sim, eu criei o blog e logo convidei o Leo e, durante anos, fomos blogueiros frenéticos. Foi uma época intensa. Alguns outros blogs surgiram e o Leo resolveu sair para tocar sua vida e criar um blog somente dele.

Achei que conseguiria me desconectar da blogosfera, mas pouco tempo depois surgiu este blog – cujo domínio é o pior possível – numa tentativa de recomeçar. De lá para cá nem sei quantos anos fazem e estou com preguiça de abrir uma nova aba para me informar melhor. De qualquer forma, tenho tentado ter mais foco no blog e, após ler o Manual de Sobrevivência do Leo (aquele que em breve será editado como livro), comecei a me sentir bastante errado. Primeiro, parecia que eu só falava comigo mesmo (e com uns três ou quatro leitores) e, segundo, parecia também que eu estava investindo um tempo em uma atividade dispersiva. Claro, nunca tentei ganhar uns trocados por aqui (e mesmo minha lista de livros indicados na Amazon nunca foi destaque, sem falar que as configurações eram confusas).

Passei um tempo pensando sobre o que fazer com o blog. Até que, em algum momento, surgiu o R e passei a usar o blog, parcialmente, como uma forma de divulgar alguns exercícios simples. Também passei a falar um pouco mais de temas mais específicos (e a usar tags para não me perder). Chegamos até aqui. Esta foi a análise de equilíbrio parcial. Mas, lembrando da metáfora de Simonsen, e a floresta?

Nós na blogosfera – Equilíbrio Geral

Outros blogs surgiram. Blogs bons. Houve o do Cristiano Costa que, inclusive, promoveu três encontros de blogueiros (estive nos três: um na FEA, outro na FUCAPE e um terceiro no IBMEC-MG). Temos ainda o do Alexandre Schwartsman. Depois surgiram alguns blogs coletivos. Citando alguns de cabeça, sendo injusto com tantos outros – mas que certamente foram quase todos lembrados na barra lateral à direita de links – temos o Prosa Econômica, o Terraço Econômico, o Escolhas e Consequências, o Além das Curvas (notem que alguns dests estão até inativos, tamanho meu saudosismo…), o Matizes Escondidos, o blog do Mansueto, o blog do Sachsida, o Raciocínios Espúrios, o Random Walk (da Roseli), o Economia e Governo (do pessoal da assessoria do Senado),  o blog do Roberto Ellery, o Drunkeynesian, etc.

Muitas vezes divulguei aqui os blogs alheios, sempre lhe deixando o link, o que, infelizmente, nem sempre foi algo que outros blogs fizeram com este. Claro, não há obrigação de reciprocidade, mas talvez alguns tenham partido para a monetização e, neste caso, citar outro blog é “dar asas à concorrência”. Ou talvez seja a preguiça de colocar um link como acabo de fazer em todo este texto. Talvez eu tenha simplesmente produzido material de baixa qualidade, na opinião de outros, que não mereceria menção. Ou talvez tudo isso seja uma grande cisma minha. Reparem: só rememoro e registro, não é uma cobrança. Talvez apenas um lamento simples. Ou talvez eu esteja em um dia ruim.

De qualquer forma, eu me lembro de um aluno que tirou sua idéia (é, grafia antiga) para a monografia de algum post deste blog. Era alguém da Bahia. Foi um dos momentos mais legais aqui. Sempre tentei jogar idéias, textos, perguntas livremente por aqui, afim de que gerassem possíveis trabalhos científicos. Certa vez, ao fazer um exercício de R, a Luciana Yeung me perguntou: por que não fazer um artigo ao invés de publicar o exercício? Pois é. Mas às vezes é melhor deixar alguém mais competente aprofundar o tema. Talvez algum dia eu veja um agradecimento ao blog em algum artigo.

Aliás, o avanço dos anos nos trouxe o Facebook que, honestamente, não é algo me agradou. Ok, é legal para outras coisas, mas creio que muito do que era legal da blogosfera sumiu porque tem gente que diz pensar fora da caixa mas não consegue sair da caixa do Facebook. Em algum momento eu fiz a página do blog lá. Minha audiência talvez tenha aumentado um pouco (estou, novamente, com preguiça de verificar isto). Enfim, eu queria mesmo era que os comentários – quase não tenho comentários, graças a Deus – fossem centralizados no blog. Mas não é o que consegui. Fui, mais uma vez, vencido.

Venceu-se algum debate?

O Leo me instigou com esta pergunta. De fato, posso me considerar o pai de muitos blogs que surgiram depois, embora poucos o reconheçam e esta paternidade posssa ser facilmente contestada. Eu e ele começamos lá no Economia Everywhere numa época em que realmente ninguém apostava em blogs de economia. Talvez algum historiador do pensamento econômico brasileiro, algum dia, equipado com ferramental de big data, diga se, de fato, nós fomos os pais (ou se eu fui o pai e o Leo a mãe, ou vice-versa, etc).

Aliás, o Leo migrou para o Twitter – que também não é muito legal para mim, mas, novamente, eu me rendi e deixa para lá – e agora, raramente, publica algo no blog. Não sei porque não quer deixar sua marca no blog e porque prefere esta terrível limitação de espaços do passarinho. Talvez seja sua atitude humilde. Talvez ele pense que não tem muito de relevante a dizer sobre muita coisa (ceticismo + humildade = boa prática científica). Pode ser que eu também seja cético, um pouco menos humilde (e isso é muito ruim) e mais obcecado com o registro dos fatos (uma espécie de Uatu da blogosfera, com um pendor maior para o registro depois de anos lecionando a maldita Técnicas de Pesquisa em Economia).

Agora, vencemos algum debate? Os blogs contribuíram em algo? Eu poderia falar do Mansueto e do Alexandre de imediato. Ou das revistas e portais que adotaram os blogs como parte de seu portfolio (João Pinho de Mello, Vinícius Carrasco, etc). Indubitavelmente, aqueles que se especializaram mais do que eu – que passei anos lecionando para a graduação apenas – geram conhecimento em quantidade e qualidade, em muitos casos (sou humilde, mas não sou idiota), melhor do que o que consigo gerar. Eles venceram vários debates.

Talvez, Leo, a gente possa dizer que, sim, a blogosfera foi um daqueles choques reais que alteram a tendência da produção científica. Não sei até que ponto isso mudou. Este texto tem tantos “talvez” que vou tentar não ser mais repetitivo. Não consigo perceber é se há influência da blogosfera na geração de novas idéias e artigos/teses/monografias. Mas vejo que o debate de conjuntura, por exemplo, parece ter sido fortemente alterado.

Sei que não é meu melhor texto aqui, mas a pergunta do Leo ficou me martelando nestes dias. Como meu humor tem oscilado um bocado, talvez seja a hora de dar vazão ao meu lado notoriamente mais pessimista (acho que ele ocupa uns 90% de minha cabeça).

p.s. hoje vi que um aluno curtiu o Terraço Econômico por divulgarem minha apostila do R. Não divulgam o blog, mas apenas minha página, fazendo uma ligação direta que facilita o acesso ao material. O que foi engraçado, Leo, foi perceber que o aluno não conhece este blog, mas fica orgulhoso com a menção no Terraço (e eu também fico feliz com a menção, claro). Isso é que, finalmente, fez-me escrever este breve texto que talvez tenha saído um pouco menos feliz. Quem sabe em outra oportunidade?mabuse.jpg

Artigo novo publicado – Impactos da Arrecadação Tributária no Crescimento Econômico: Uma análise empírica para países do G20

Mais um artigo publicado (meu 52o). Desta vez, com Rodrigo Fernandez, Gabrielito e Dianifer. Eis o abstract:

ABSTRACT:

The relation with economic growth and the taxation has a prominent position of many policymakers and academic members, for being an important instrument of economic policy, where the use of tax collected by the government should serve to attend the social demands. This work aims to obtain some evidences about the impacts of the tax inflow at the economic growth, using panel data with fixed effect to the member countries of the G20, in a time horizon of 2005 to 2014. For these countries, the empirical results suggest that the effect of government spending, care and income tax revenues have significant effects on GDP growth. On the other hand, taxes on international trade had no effect on the growth of the product. Thus, these results provide evidence that may support the hypothesis that the literature indicates where fiscal policy has statistically significant effects on economic growth.
Keywords: Tax Collection, Economic Growth, the Countries of the G20.

Econometria aplicada…em português

Já se vão anos desde minha apostila sobre o Eviews que, segundo me dizem, já ajudou muita gente por este país. Recentemente publiquei a apostila para o R (está aqui) e o Vitor Wilher publicou a dele (que não é gratuita e está aqui) e não é que tenho o prazer de saber, por meio do prof. Gabrielito, da FURG, que o pessoal da FEE (órgão estadual do RS) acaba de publicar uma apostila gratuita para o Eviews?

Outro dia o Leo Monasterio me instigou a publicar um post retrospectivo sobre a blogosfera no debate. Não sei se tenho ânimo para tanto, mas eis aqui uma evidência de que a internet e a blogosfera mudaram, inclusive, a forma como aprendemos e também como ensinamos. Apostilas de pacotes econométricos em português a um preço baixo (ou mesmo gratuitas)? Foram anos vendo materiais em inglês e, aos poucos, vemos a mudança aparecer por aqui.

Que ótima notícia!