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Males do Estado Brasileiro…ao longo dos séculos

Si o mais seguro meio de attingir á reducção do imposto é o de reduzir simultaneamente a despeza, haja um governo patriotico que se levante sobre as ruinas dos ministerios aulicos, e combata as grandes causas permanentes dos nossos embaraços financeiros,- o funccionalismo exagerado pela centralisação, o luxo administrativo, os subsidios estrangeiros, a onerosa politica de intervenção e protecção. [Tavares Bastos, A.C. A Província, 1870, p.332]

Ou seja, não foi por falta de aviso, né? ^_^

p.s. Tavares Bastos tinha uma hipótese sobre a causalidade entre receita e despesa?

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Substituição de importações e fechamento da economia…na visão de Tavares Bastos

Commettemos tambem a inepcia de fazer das tarifas das alfandegas um ponto de apoio da industria nacional contra o que chamava-se em França a invasão dos productos estrangeiros. (…) As industrias protegidas desapparecem ou definham, mas as taxas perduram. [Tavares Bastos, A.C. Cartas do Solitario, 1863, 2a ed., p.20]

O mais engraçado é que, outro dia, li crítica similar ao mercantilismo pombalino, que, no caso, obrigou os colonos a comprar tachos com buracos e mais caros do que os melhores (e mais baratos) ingleses.

Que tal um pouco de noção sobre o excesso de regulação no transporte marítimo?

Aqui mesmo na côrte sabemos que as commissões do arsenal teem declarado aptos para navegarem vapores em circumstancias pouco animadoras. E’ assim que a restricção fomenta a fraude das companhias, uma vez que os particulares depositam inteira confiança no resultado de um exame instaurado por commissarios do governo. [idem, p.21-2]

Tavares Bastos merecia, realmente um estudo mais profundo por parte de quem geralmente mais entende de Ciências Econômicas, ou seja, os economistas.

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Tavares Bastos e o capital humano

Abolicionista que era, mas também ciente das restrições que ocorreriam caso a abolição viesse de uma só vez, Tavares Bastos tinha uma proposta que avançaria marginalmente (o que teria evitado a crise financeira da abolição estudada por John Shultz?).

Interessante mesmo é ver que Tavares Bastos entendia bem a importância do capital humano. Por exemplo:

Entre as providências sugereidas, ressalta pela importância, esta – criando para cada senhor de cinqüenta escravos a obrigação de manter uma escola, destinada à educação de suas ‘crias’ e dos meninos das vizinhanças, sob multa de liberdade de dois escravos adultos, em quanto aproximadamente estimava a importância das despesas anuais pelo serviço escolar previsto.
Sem quaisquer preconceitos de raça, e levado por observações a respeito da capacidade e aptidões do negro, capacidade e aptidões já comprovadas em círculos dos Estados Unidos, Tavares Bastos propunha a educação na Europa, por conta do Estado, de certo número de negros libertos, em determinadas indústrias, artes e ofícios. [Pontes, C. “Tavares Bastos (Aureliano Cândido, 1839-1875). Coleção Brasiliana, v.136, Companhia Editora Nacional, 1979, 2a ed (original de 1938), p.154]

A primeira medida é uma tentativa de criar custos aos escravocratas, ao mesmo tempo em que sinaliza pela necessidade de se qualificar a mão-de-obra ao longo do tempo. Pode-se discutir se a medida seria mais ou menos eficiente, mas a idéia de que Tavares Bastos pensava seriamente no capital humano dos futuros libertos é clara.

Já a segunda, muito interessante, lembra a iniciativa do governo japonês, quando de sua modernização (era Meiji) em enviar alguns japoneses para o exterior para que aprendessem melhor os aspectos da civilização ocidental (os Choshu 5 Satsuma 14).

Tavares Bastos era, de fato, um liberal de idéias interessantes e com boa percepção acerca dos incentivos econômicos.