Escravidão…em África

Como era a escravidão em África antes da chegada dos portugueses? Era uma barbaridade. Os relatos são esclarecedores e são todos retirados de Carreira, A. As Companhias Pombalinas, Editorial Presença, Porto, 1983.

Almada narra alguns casos elucidativos, em especial nas rias do sul da Guiné: ‘vendiam os Manes alguns /escravos/ por pouco preço, e quando os vendiam, se os nossos os recusavam, diziam eles que lhes não dava nada, porque se os não comprassem os comeriam. Os mesmos cativos apegavam dos nossos, rogando e pedindo por amor de Deus que os comprassem. [p.69]

Pode ser a estratégia de marketing mais arriscada da história, mas parece bem fiel aos fatos. Afinal, a escravização entre os reinos da África era algo disseminado. Motivos para escravizar alguém não faltavam…

“…as razões da redução à condição de escravo variavam entre a chamada guerra justa às provas mágicas, à apanha pela força ou pelo subterfúgio, até à propriedade dos mandões”. [p.72]

Não existia bom selvagem nem aqui, nem em África. Ah sim, eis um relato que mostra que a lógica econômica atuava tanto lá quanto em qualquer outro lugar do mundo.

“No tocante à escravidão por dívida, este autor elucida: (…) Quando alguém tem dificuldade em pagar as suas dívidas e foge para outra parte, prendem então um morador qualquer da sua aldeia, como refém, até que os parentes do preso paguem a dívida pelo seu resgate; e não há ninguém que castigue estas prepotências! [p.74]

Ironicamente, este último trecho me lembra a estratégia do microcrédito que deu a Yunus o Nobel da Paz.

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