Quando o argumento é honesto e de qualidade, pode-se até mudar de opinião.

Joel é o único que conseguiu me mostrar argumentos relevantes contrários ao projeto. É diferente do lero-lero ideológico que pretende estender a doutrinação a todo custo reclamando do projeto. O argumento de Joel – na verdade, são três pequenos argumentos – foi suficiente para me fazer rever minha posição quanto ao projeto.

O problema da doutrinação existe – e é assustador que muitos sequer reconheçam este fato óbvio – mas o projeto não é uma forma interessante de lidar com ele. De certa forma, ele toca numa ferida que, ironicamente, afeta vários colegas liberais. Refiro-me às eternas reclamações de que não há espaço, etc, seguida de uma quase declaração de inação voluntária (ironicamente temperada com apelos para que se leia sobre a “ação humana”) por parte de muitos.

Joel tem um ponto muito interessante e que não vi surgir no campo libertário, notadamente em seus membros que conhecem, muito mais do que eu, a pedagogia. Em outras palavras, onde estão as propostas liberais de formação de educadores para uma sociedade aberta (Popper, sim, sim…)?

Volto ao domingo. Até mais.

p.s. Não conheço Joel pessoalmente, mas tenho acompanhado sua trajetória em debates e acho-o um ótimo interlocutor. Tem algo que não tenho: paciência. ^_^

Anúncios

Uma resposta em “Quando o argumento é honesto e de qualidade, pode-se até mudar de opinião.

  1. A crítica do Joel é irrefutável.

    Em termos de contraposição ao que combate, muito mais efetivo seria se o movimento se dedicasse a divulgar e apoiar materialmente propostas como esta.

    “Nossa história começou com a prova “Matemática Sem Fronteiras”. http://projetolondresliys.wix.com/wesci

    Na contra-mão do que fazemos no Brasil, os iluministas enfatizaram a importância proeminente das ciências no ensino público.

    O iluminista Diderot, que na juventude sustentou-se com aulas particulares de matemática, foi um leitor acurado de Francis Bacon e de Locke, entre outros. Ele e o matemático d’Alembert tinham o entendimento de que a desigualdade entre as capacidades naturais dos indivíduos é um fato e que, por isso, para funcionar bem a sociedade precisa do trabalho da maior parte dos cidadãos. Portanto, nenhuma nação poderia se dar ao luxo de perder as potencialidades dos mais capazes, que, naturalmente, estariam dispersos em todas as classes sociais. Daí a defesa de escola pública aberta INDISTINTAMENTE a todos os filhos dessa nação.

    E onde estão em maior número os mais capazes? Diderot responde a essa pergunta raciocinando com base em cálculo estatístico:

    Eu digo indistintamente, porque seria tão cruel quanto absurdo condenar à ignorância as condições subalternas da sociedade. Em todas, há conhecimentos dos quais a gente não poderia se privar sem conseqüências. O número de choupanas e de outros edifícios particulares estando para o dos palácios na relação de dez mil para um, há dez mil para apostar contra um que o gênio, os talentos e a virtude sairão antes de uma choupana do que de um palácio (Diderot. Plano de universidade para a Rússia).

    E há quem diga que a instrução matemática não é libertadora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s