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Ciclos reais e instituições: no diagnóstico das boas mentes desde, pelo menos, o século XIX

A locomotiva e o telégrafo são choques tecnológicos, ninguém duvida disto. Eles facilitam a transmissão de informações? Claro e as pessoas sempre perceberam isto (e não é à toa que os economistas incorporaram estes insights em seus modelos teóricos desde há tempos…), como se percebe neste entusiasmado artigo liberal na São Paulo do século XIX.

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Claro, existe também a questão institucional. Nem tudo é choque tecnológico, certo? Pois é. Novamente, o que economistas fizeram foi trazer este insight para dentro dos modelos. Ainda que não definidas explicitamente no trecho a seguir, creio que qualquer leitor moderno de Douglass North e da tradição criada por ele concordará que o redator do trecho abaixo tinha a mesma percepção…saopaulo_liberal2

Interessante como muitas vezes somos acusados de trazer conceitos “estranhos” à realidade para nossos modelos teóricos quando, na verdade, só fazemos observar o mundo à nossa volta e tentar entendê-lo de forma cientificamente organizada. Um pouco disto é culpa nossa, por não nos expressarmos tão bem, mas um pouco também é culpa de leitores que, a despeito de seus telhados de cristal, atiram pedras na vidraça dos economistas (e, como bem diria Bastiat, desperdiçam tempo precioso fazendo isto…).

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A especialização é um mal ou um bem? Um teste simples!

Todo mundo que assiste ao filme “Tempos Modernos” sai por aí falando mal de Adam Smith, da divisão do trabalho e da especialização. Eis um bom teste para ver até onde você mantém esta crença irracional (no sentido que lhe dá Bryan Caplan): você gostaria de se tratar com um médico como o do anúncio abaixo…

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…ou prefereria algo mais parecido com o catálogo de especializações do seu plano de saúde? Pode supor a mesma tecnologia de hoje, sem problemas, mas digamos que você está com problemas urinários. Prefere o urologista ou alguém que faz de tudo um pouco? Boa sorte com sua escolha!

p.s. sim, o anúncio está na Hemeroteca Digital e o jornal é o Radical Paulistano (10/05/1869) e agradeço ao Renato Colistete por me fazer voltar a este site ótimo após tanto tempo.

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Impostos sobre Portas e Janelas: taí uma idéia bem desagradável

Famoso exemplo de um imposto que deve ter gerado mais doenças do que bem-estar em França (gostaram do “em França”? Soa bem sábio, né?) e também no arquipélago britânico. O curioso é a forma de protesto dos cidadãos: construir janelas falsas. Na verdade, a idéia não é bem “protestar”, mas tentar gerar alguma “flexibilidade” neste bem de ativo fixo que é um imóvel. Como sempre, alguém já escreveu algo sobre este tema tão interessante (aqui).

Esta turma não deve ter pago este tipo de imposto…
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Fiscalismo excessivo é ruim? O caso do Império Romano

O fiscalismo excessivo do Baixo Império foi, como se sabe, uma das causas da decadência e da queda do Império Romano, tão magistralmente descritas por Gibbon.

Assim termina um artigo sobre os tributos no Direito Romano. Aparentemente, o artigo mostra uma evidência histórica interessante sobre o problema da obesidade governamental (que nunca é alvo de estudos pelo pessoal que adora falar em “nudges”, né?) que é ilustrado em bons livros de introdução à Economia quando se comenta sobre as perdas de peso morto.

É interessante, claro, mas fica a pergunta: por que um governo aumenta sua carga tributária? Segue-se do aumento da população e da demanda decorrente de bens públicos? Ou é fruto de uma irresponsabilidade do lado dos gastos e de uma incapacidade de se endividar?

Além disso, foi mesmo o fiscalismo excessivo a causa do fim do Império Romano? Não faço idéia, mas sei que gente boa já tentou estudar este período tão distante e há um verbete na Wikipedia sobre o tema.