A lei dos rendimentos decrescentes do fator, da utilidade marginal decrescente…e uma piada que virou duas

lumgdecrescenteSabem o que me agrada nesta piadinha? É que ela usa uma frase que está bem no início do livro-texto do Mankiw – o melhor que existe, atualmente – mas o faz de forma a induzir o leitor (pelo menos foi o meu caso) a refletir sobre um segundo conceito econômico interessante: a lei da utilidade marginal decrescente do bem (ou a lei dos rendimentos marginais decrescentes do fator que é, basicamente, a mesma coisa, só que na teoria da produção).

Para quem não conhece, a lei da utilidade marginal decrescente nos diz que o consumo de um bem nos satisfaz (por isso o chamamos de “bem”, não “mal”). Entretanto, aumentos em seu consumo, aumentos pequenos (marginais mesmo, na margem), causam retornos positivos cada vez menores em nossa satisfação de forma que chegará um ponto em que estaremos saciados com o consumo do bem e, qualquer consumo adicional vai é nos deixar tristes, bravos ou chateados.

O exemplo clássico é o das bolas de sorvete em um dia de sol. A satisfação trazida pelo consumo da primeira bola de sorvete é bem maior do que a segunda que, por sua vez…bem, você entendeu, creio.

Claro, tem um aspecto muito interessante e mais sutil ainda, talvez, na piada que é o de que ninguém, melhor do que nós mesmos, pode nos dizer o que é que nos traz felicidade: esta é uma jornada essencialmente pessoal. Ocorre que descobrir isto não é sinônimo de que não poderemos mudar de idéia no futuro, o que torna a coisa toda mais engraçada ainda (pelo menos para o meu tipo de humor), sem falar em questões hayekianas de ordem espontânea e outros baratos muito loucos(“, meu/véi!”).

O bichano aí queria tocar tambor, mas a cada rodada, sua satisfação aumentava menos chegando a um ponto em que ele se cansou. O que fazer? Talvez ele deva descobrir outras formas de se divertir – e que provavelmente terão retornos marginais decrescentes – e talvez ele também deva se empenhar em descobrir a melhor forma de administrar sua busca pela felicidade em várias frentes…

Não deixa de ser parecido com estas lições que a avó da gente nos ensina quando somos crianças, não é? A gente tem que se renovar, buscar a felicidade nas pequenas coisas, mas sempre cuidado para saber que coisas são estas (são as mesmas o tempo todo? Você ainda brinca de soldadinho?).

Como eu disse anteriormente, tudo na vida pode cansar. Então, o melhor mesmo é tentar ser feliz em várias margens, otimizando esta carteira de opções de cursos de ação com uma visão de longo prazo. Enfim, é a descoberta da felicidade um problema de otimização intertemporal em ambiente de incerteza (e foi o que sua avó quis dizer, embora ela não necessariamente entenda estes termos técnicos…).

Obviamente, neste momento, o leitor já percebe que a piada perdeu a graça (ou seja, os rendimentos decrescentes da leitura avançaram perigosamente para o ponto de se tornarem quase negativos…).

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