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O heroísmo no futebol (e minha bandeira nova)

20160411_175423-001Há um aspecto do ser humano que continuo achando inexplicável: o heroísmo. Certamente já trataram disto em várias áreas do conhecimento, mas, para mim, é – e sempre será – um fator inexplicável.

O fato gerador do parágrafo anterior é o que tentarei contar agora, em palavras (com algumas fotos para a diversão dos dois leitores do blog).

Trata-se do jogo do último dia 04, entre o Lobão e o São Gabriel, fora de casa. Poucos dias antes, o treinador que assumira o time no ano passado, Fabiano Daitx, surpreendeu a todos com um repentino pedido de demissão. Até então, o time estava invicto na competição. Para quem não sabe, o Esporte Clube Pelotas (conhecido como “Lobão”) está na luta para voltar à série A do campeonato gaúcho e eu acompanho o time desde, pelo menos o ano passado. Sou, de fato, um torcedor novo deste clube.

Mas como eu dizia, naquele fatídico dia 04 eu havia vencido (inexplicavelmente) o aspecto sovina de meu caráter e havia comprado uma bandeira do time na Lobomania. Como não poderia ouvir a transmissão do jogo, pensava em levá-la em minha mochila. Não sou de superstições, mas desde que comecei a torcer pelo E.C. Pelotas, adquiri umas manias de torcedor e aí vem a ironia da história: esqueci a bandeira em casa! Pensei comigo mesmo: “- Ah, sem problemas. Afinal de contas, minha sorte nunca me deu a mega-sena mesmo…”.

Passado algum tempo, lá estava eu em meio a uma reunião na faculdade. Ao terminar, fiz uma pesquisa na internet para me informar do jogo e quase caí de costas: o time perdia de três a zero (3 x 0)! Isso mesmo! O time saía de uma sequência de vitórias (com vários jogos em casa, é verdade) para uma inacreditável derrota com cheiro de goleada. Era o final do primeiro tempo e muita gente deve ter, como eu, imaginado que a derrota seria avassaladora. Senti uma tristeza mas, enfim, tinha que voltar ao trabalho: havia outra reunião.

20160411_174908Ao sair desta segunda reunião, a notícia chocante: o time havia arrancado o empate de seu (quase) eminente algoz! Foi uma sensação indescritível (bom, parcialmente, porque estou escrevendo aqui, então…). Senti uma felicidade imensa, destas que torcedor sente em situações como esta. Sorri como um menino ao ganhar quindim (ou um bom livro) e, ao cair da noite, com a queda da adrenalina, dormi. Confesso: demorei a dormir porque a sensação de alegria era imensa, embora eu não soubesse detalhes do jogo.

heroicoNo dia seguinte, sabendo que minha memória poderia me trair, e ainda emocionado com o fato de não ter podido ouvir a transmissão do jogo, recorri às simpáticas meninas da Central de Sócios (a equipe da Central e da Lobomania formam um cinturão de simpatia irresistível em torno da Boca do Lobo). Contei-lhes o que havia ocorrido: eu, um torcedor relativamente novo, que não pôde ouvir o jogo, e que comprara a bandeira na manhã do dia anterior…será que eu conseguiria os autógrafos da equipe que havia criado mais uma lenda destas que a gente conta como exemplo de superação e de heroísmo? (nota: sou meio ruim para pedir estas coisas, fico sem graça e tal…mas neste dia não resisti)

Não deu outra. Vou ser sincero: não conferi ainda se todos assinaram, ou se faltou alguém e se algum outro jogador assinou, só aumenta minha felicidade! Aliás, estou estou feliz até não poder mais com minha linda bandeira autografada que será, sim, guardada com muito carinho. Obrigado, equipe do empate, obrigado Lobomania, Central de Sócios: graças a vocês um torcedor está mais feliz hoje.

Ah sim, daqui a pouco tem jogo. Até mais.

p.s. É, eu nasci em Belo Horizonte e sou cruzeirense. Morei no Rio de Janeiro um tempo e fui vascaíno. Após a Copa de 82, o futebol se apagou em mim. Recentemente tenho recuperado este lado bom da minha infância e o Cruzeiro segue firme junto ao Lobão. O Vasco, por enquanto, ainda é uma boa lembrança apenas.

p.s.2. A partir do próximo post, volto à programação normal deste blog.

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Choques reais: vem aí a nanofibra de celulose

Lembra que eu falei do gás de xisto, né? Pois é. Agora eu anuncio a nanofibra de celulose como mais novo choque real. Trecho:

Carbon fiber may often be dubbed the next-generation material, but it’s another product — cellulose nanofiber — that is increasingly attracting attention among manufacturers.
A low-weight, high-strength material, cellulose nanofiber has potential use in a wide range of products, including auto parts, food packaging, clothing, cosmetics and inks.
Recognizing this, and in light of the nation’s existing forest farming industry, the government is promoting the material whose market is expected to reach ¥1 trillion annually in Japan by 2030.

Será? Vamos aguardar. A propósito, tinha passado batido esta referência do Tyler Cowen sobre ciclos reais…no Brasil.

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Uma das pinturas mais inspiradoras…em breve…na parede

Finalmente eu tenho um quadro com a cópia desta pintura. Eu a descobri por volta do final dos anos 80, quando fazia minha monografia de final de curso. Colei uma versão pequena na contracapa do caderno que usava para brainstorm e, para sua proteção, passei um plástico por cima. Até hoje tenho o caderno e a pintura está lá.

Como não nasci em berço de ouro, levei anos para juntar uma grana e, graças à internet, consegui comprar uma cópia do dito cujo, em tamanho ampliado. Foi sempre um sonho ter um quadro destes pendurado em meu local de trabalho e, sabemos, há locais e locais de trabalho, com regras muito estranhas (ou não) acerca do uso de quadros nas paredes. A diversidade de arranjos institucionais, claro, não é nenhuma novidade para mim.

Ter este quadro aqui, esperando para ser pendurado, contudo, é um exemplo de melhoria de Pareto. Logo, logo, dia destes, atinjo o equilíbrio. Por enquanto, eu apenas agradeço a Caspar David Friedrich por ter dado ao mundo esta obra de arte e aos choques tecnológicos  que ocorreram em um ambiente de internet economicamente (bastante) livre, por canalizar os desejos de empresários e consumidores. Foi assim que realizei um sonho que vinha desde os meus vinte e poucos anos.

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Sabe aquele “modelo neoclássico”?

Pois é. Ninguém consegue definir, embora adore usar como um adjetivo, geralmente associado com coisas ruins, feias ou com a sogra. Eis o que dizem Hansen e Ohanian no início de seu novo paper:

Since there is no generally recognized definition of neoclassical macroeconomics within the profession, we organize the development of these models around two principles. One is based on the exogenous factors driving changes in aggregate time series, and the other is based on the classes of model economies that we consider. [p.2]

Ou seja, eles fazem uma definição funcional para poderem trabalhar porque, como pesquisadores sérios, gostam de boas definições e não de chavões ideológicos. O resto do artigo? Bem, a leitura fica para depois, mas se você é daqueles que fala mal do modelo neoclássico porque é heterodoxo de porta de cadeia (seja de sabor marxista ou austríaco, etc), para você o estudo deste artigo é pré-requisito para sair das trevas da ignorância que está sob a falsa luz da ideologia. Sim, ilumine-se e seja menos ignorante. Depois você poderá até sair por aí falando mal “do modelo neoclássico” (se é que ainda acreditará na existência de um único…), mas pelo menos saberá do que fala.