Anti-Semitismo no Sacro Império Romano: história econômica

Como sempre, não posso deixar de divulgar pesquisas com temas interessantes. Eis aqui uma que me deixou intrigado. Veja só que resumo legal:

Plague, Politics, and Pogroms: The Black Death, Rule of Law, and the Persecution of Jews in the Holy Roman Empire

Theresa S Finley

Mark Koyama

Abstract:     

This paper explores the institutional determinants of persecution by studying the intensity of the Black Death pogroms in the Holy Roman Empire. Political fragmentation exacerbated rent-seeking in the Holy Roman Empire. We argue that this fragmentation led to Jewish communities facing more intense persecutions during the Black Death. We test this argument using data on the intensity of pogroms, historical trade routes, ecclesiastical and political boundaries. In line with our model, we find that communities close to Archbishoprics, Bishoprics, and Imperial Free cities experienced more intense and violent persecutions than did those governed by the emperor. We discuss the implications this has for the enforcement of the rule of law in weak states.

Bateu aquela inveja deste pessoal que coleta dados interessantes, não bateu?

Governo bolivariano inova: “Modelo IS-LM sem LM, Casa da Moeda, etc”

Depois do clássico artigo de Romer sobre o modelo IS-LM sem a curva LM, agora o governo venezuelano (que se reelege e elege seus candidatos com uma frequência incrível nos últimos anos, não?) inova e cria mais uma modalidade de política monetária: o aumento do custo para imprimir moeda.

Como é que nunca pensamos nisso antes? Era o que faltava nos modelos microfundamentados! A gente já colocou moeda na função utilidade (MIU models), já pensou nela como um ativo qualquer naquele modelo estranho do Tobin, em justificativas para congressos para tomar cerveja com os colegas e falar mal de quem (não) pensa em Keynes como um deus, etc.

Mas…………………………………………nunca pensamos em colocar em um modelo uma função para a Casa da Moeda! Até imagino como elaborar um modelo novo. Há várias opções. Podemos pensar em uma equação para uma função de destruição (podemos até criar um Teorema de Chavez-Keynes-Maduro-Groucho Marx) com retornos crescentes de escala. Ou podemos introduzir um meta-custo de menu novo que seria o custo de imprimir moeda para pagar o cara que imprime o menu.

Claro, tem os exercícios algébricos. “Imagine que o governo tem uma IS assim-assim, uma LM assado-assado. Aí o governo aumenta a oferta de moeda em R$ 5 bilhões. O que acontece? Agora, suponha que o governo quer aumentar a oferta de moeda em R$ 5 bilhões, mas para fazer isso tem que gastar R$ 10 bilhões. O que acontece?

O tragicômico é imaginar que é até capaz da inflação parar sua trajetória explosiva.

Sobre juros simples, compostos e pleitos sem sentido

Em tempos de discussões sobre supostas divergências entre argumentos “contábeis”, “financeiros” ou “políticos”, esta nota dos consultores do senado federal sobre a questão (questão?) dos juros simples e compostos da dívida pública vem a calhar.

Irracionalidade Racional e o Eleitor Mediano nas Manifestações

Fullscreen capture 6192014 75047 AMBryan Caplan criou o conceito de irracionalidade racional e fez até alguns vídeos explicando o que isto significa (procure lá no YouTube). Em resumo, há situações em que é barato, para o indivíduo, abraçar crenças irracionais. Citando direto de seu livro um exemplo sobre conhecimentos de história:

“Historical errors are rarely an obstacle to wealth, happiness, descendants, or any standard metric of success”. [Caplan, B. (2007) The Myth of the Rational Voter, Princeton University Press, p.120]

Há, claro, um contexto para esta frase. Considere, por exemplo, o sujeito que gerencia fundos de aplicação. Saber o ano da Independência do Brasil ou dizer que o país ficou independente em 1980 não o fará perder o emprego. Obviamente, se ele acreditar em duendes e usá-los como critério de desempenho de fundos, provavelmente não tardará a ser demitido.

Diferentemente do clássico conceito de ignorância racional, diz-nos Caplan, o de irracionalidade racional implica que o sujeito, deliberadamente, evita a verdade se isso não lhe custar caro, digamos, em termos de sua riqueza.

A verdade é que as discussões de boteco sobre “democracia” não valem um tostão furado quando vamos queremos, de fato, entender aspectos científicos subjacentes às imperfeições da democracia. Neste sentido, o que Caplan nos acrescenta é uma hipótese muito importante: existe demanda de irracionalidade por parte dos eleitores. Dizendo de outra forma, as falhas da democracia não são oriundas, exclusivamente, do lado da oferta de políticas públicas (burocratas, presidente, deputados, senadores, agências reguladoras, etc), mas também do lado da demanda (eleitores).

O vídeo abaixo mostra como diversos manifestantes que foram às ruas, supostamente, contra o impeachment, podem ser caracterizados como uma poderosa evidência em favor do argumento de Caplan. Repare que vários deles não parecem ter pensado muito sobre poucas conexões lógicas da situação que estão criando ao se manifestarem (as armadilhas do entrevistador não são tão sofisticadas).

A questão, note bem, não é que eu (não) acredito que (só) manifestantes anti-impeachment comportam-se assim. Nada disso. Qualquer eleitor deve apresentar maior ou menos irracionalidade em suas declarações. Basta que o custo de fazê-lo seja baixo (e políticos adoram diminuir este custo, pela lógica própria da política, independentemente da ideologia, se é que ela é relevante, de fato). O vídeo é tão somente um exemplo. Não estou emitindo opinião normativa aqui, embora o assunto seja irresistivelmente normativo. Estamos falando de uma hipótese científica sobre o comportamento humano.

Agora, veja bem, caso você acredite na hipótese da ignorância racional, interpretará os erros abaixo como, simplesmente, o reflexo de que, sabendo que a chance de mudar a situação é muito pequena, o sujeito não se preocupa em se informar muito (como diz Caplan, ele até quer buscar a verdade, mas o custo é alto). Por outro lado, acreditando na hipótese da irracionalidade racional, dirá que sai barato para o sujeito falar certas coisas sem sentido (ele não está nem aí para a verdade…ou melhor, depende do custo e ganhar camisa ou pão com mortadela só barateia o custo de ele ir para as ruas repetir slogans que podem refletir demandas que talvez nem façam sentido lógico).

Em algumas das respostas deste vídeo há reflexões aparentemente irracionais, neste sentido. Por exemplo, um senhor, que deve ter achado sua presença importante para estar nas ruas (ou então ficou barato para ele estar ali) justifica a corrupção alheia dizendo que é, ele próprio, apenas um ignorante sobre o que se faz “lá atrás das portas (do poder)”. Ou seja, é importante (para evitar um impeachment na Câmara dos Deputados) mas é, ao mesmo tempo, insignificante para saber de algo quando o assunto é a corrupção de políticos. No final, sua lógica parece ser exatamente aquela que encontramos em manuais de Public Choice: ele consente com o roubo, desde que lhe retornem algo de valor maior do que foi roubado. Quer ação mais racional que esta? Há várias interpretações para esta e outras respostas neste vídeo e, claro, a minha é apenas mais uma.

Para concluir, parece-me inegável que temos que ser mais cautelosos na discussão política e refletir melhor sobre estas bravatas que ouvimos por aí. Por exemplo, está claro para mim que o seu voto, o meu e o de qualquer um deste vídeo (entrevistado ou entrevistador) têm o mesmo valor diante da urna. Isto significa que boa parte das inconsistências observadas na política são fruto de nossas escolhas individuais. Não dá para culpar a elite porque o voto de um rico vale o mesmo que o de um pobre. No mínimo precisamos pensar um pouco, não acha?

É isso aí. Até a próxima. O vídeo está aqui embaixo. Espero que não o tirem do ar.

Cobertura de Internet da Nigéria e Pacotes de Preços dos EUA? As Empresas Deseducam Consumidores??

Neste vídeo, o youtuber Pirula mostrou um mapa que, aparentemente, mostra o que ele, apressadamente, chama de “qualidade da internet” no Brasil (ele está aqui). Fato ruim: o mapa que ele mostra não nos permite comparar o que acontece no Brasil com o restante do mundo. Suponha, para efeitos do argumento, que estejamos com um mapa parecido com o de algum país tão subdesenvolvido quanto. Suponha também que países desenvolvidos têm malhas mais densas de internet. Acho que são duas hipóteses razoáveis. Aí sim, teríamos uma boa comparação. Mesmo assim, aposto que ele tem razão: a qualidade, aqui, é, comparativamente, pior.

Pois é. Mas aí o presidente da ANATEL, em entrevista no Estadão de hoje, fala de uma situação existente que seria derivada de uma relação consumidor-empresa, no mínimo, deficiente e estranha para quem pensa em oferta e demanda. Em suas palavras:

O presidente da Anatel reconheceu, porém, que a culpa, nesse caso, é das empresas, que “deseducaram” o cliente. “Acho que as empresas, ao longo do tempo, deseducaram os consumidores, com essa questão da propaganda de serviço ilimitado, infinito. Isso acabou, de alguma maneira, desacostumando o usuário. Foi má-educação”, afirmou.
Para Rezende, é importante que a Anatel dê garantias para que não haja um desestímulo aos investimentos pelas companhias nas redes. “Acreditamos que isso [a garantia] é um pilar importante do sistema. Não podemos imaginar um serviço ilimitado.”

Ok, todo mundo sabe que não existe almoço grátis. Nada a declarar. Agora, a ANATEL passou todo este tempo assistindo as empresas deseducarem (sic) os consumidores sem fazer nada? Mais ainda: as empresas promovem a má educação dos consumidores? Posso dizer, usando o mesmo raciocínio exposto acima que: “o governo federal passou muito tempo dando Bolsa-Família para os pobres subsídio tem um preço, agora temos que cortar e a culpa é do governo que promoveu a má educação dos eleitores”? Acho que sim, não?

Este é meu primeiro ponto: acho estranho que empresas deseduquem consumidores. Até entendo que tem uma turma que acredita que tirar o sal da mesa é importante, mas acho difícil que esta mesma turma defenda que tirar a internet ajuda a educar os consumidores. Ou que tirar os livros de Economia da mesa é importante para fazer as pessoas se exercitarem mais. Combinamos assim: não tem mais download de textos para discussão e você terá que subir um morro para ir até a biblioteca pública da sua cidade para obter uma versão impressa do mesmo. Para te educar mais ainda, vamos colocar um preço alto na impressão do artigo. Combinado?

Ironias – nem estou sendo tão irônico assim – à parte, a outra pergunta é: após tantos anos de regulação, por que temos um mapa tão raso quanto o mostrado pelo youtuber? O órgão regulador não se preocupou em cuidar dos consumidores e incentivar a expansão da concorrência, o aumento da cobertura? Não vou falar dos preços porque acabei de falar, a menos de vinte palavras, sobre expansão da concorrência, ok?

anatal_internetlimitadaA teoria econômica nos fala de captura do regulador. Lembro-me de ler que a teoria é interessante mas nem sempre encontra suporte empírico. É verdade. É difícil testar se o regulador foi capturado. Peltzman, há muitos anos, ofereceu-nos um modelo simples (basicamente uma extensão da hipótese de Stigler, motivo pelo qual, acredito, o modelo é muitas vezes chamado de modelo de Stigler-Peltzman, ou vice-versa).

Neste modelo, o regulador tem preferências que se dividem entre atender (proteger) os consumidores ou atender (proteger) as empresas reguladas. Você, facilmente, encontra-o explicado na internet. Uma ilustração gráfica está aí em cima. O regulador ganha quando existem empresas (por isso o lucro deve ser positivo) e também quando ajuda os consumidores (buscando estabelecer um preço (tarifa) compatível com o apoio que estes vão lhe dar para se manter no cargo, por exemplo).

A restrição é uma combinação dos custos de produção do bem e do preço cobrado (no caso, a tarifa regulada): é o potencial de ganho das empresas reguladas. Digamos que os regulados e o regulador encontrem-se no equilíbrio inicial “B”. Então, suponha que as empresas fiquem mais eficientes (seus custos caiam). No novo equilíbrio, o ponto “A”, o regulador poderá baixar a tarifa, ao mesmo tempo em que os regulados lucram mais. Seria este o nosso caso? Não sei.

Em primeiro lugar, há vários outros modelos para explicar a regulação. Em segundo lugar, supondo que este fosse o nosso caso, acho que seriam necessárias algumas alterações no modelo, a saber: (a) o poder político do regulador quase não é função dos consumidores e, por isso, acho que as curvas de suporte político, MM são quase horizontais; (b) os nossos provedores de internet ficaram mais eficientes ao longo do tempo? Tenho minhas dúvidas. Afinal, a própria ANATEL, na figura do seu presidente, diz que as empresas deseducaram os consumidores por anos (sob sua própria regulação, o que é mais estranho de se ouvir).

Finalmente, não sei se há captura, mas acho uma hipótese que merece um bom teste (minha intuição me diz que a captura tem aumentado nos últimos anos). Também não sei se a mudança – o aumento do preço – vai, de fato, estimular a melhoria na qualidade do serviço, mas suspeito que não. Afinal, não ouvi nada sobre novas empresas no setor, aumento da concorrência. Não estou otimista.

Eu sempre soube!

okishio

Ahá! Eu sabia! Eu sabia!

morishima

Eu avisei! Eu avisei! Sem falar que sempre usam a Von Neumann economy. Para quem não sabe, Von Neumann é o pai da microeconomia com incerteza (ele e o Morgenstern são os pais, digamos assim). Alguns adoram ver “austríacos” em tudo que é contribuição científica de algum economista…austríaco. Neste caso, a ironia é sensacional (ok, você pode jogar a culpa no Morgenstern).

Só neste blog você encontra economistas definindo exploração, amor e traição (este último, no falecido blog do Nepom).

O modelo previu 72%

Fazendo as contas, teríamos 368 deputados votando a favor da admissibilidade. Foram 367. I rest my case (but not my briefcase…yet).

Frases como: “econometria não serve para nada”, “pluralismo metodológico pode ser com a Sociologia, mas não com a Estatística”, “o importante é entender o materialismo histórico” perderam sua falsa potência argumentativa. Simplesmente foram enterradas.

A grande vitória desta previsão é lembrar aos estudantes da Ciência Econômica que devemos estudar os fundamentos das ações individuais (ou o comportamento individual não foi importante no que culminou na votação de ontem?) e os métodos estatísticos – chame-se de Econometria se quiser, não me importa, não faz diferença e não é relevante neste contexto – adaptando-os para estudar situações que envolvam trocas (uma lição de James Buchanan).

É só um modelo, claro, é só uma previsão, mas, neste caso, a prova dos pudim, como dizem os americanos, é única: não há outros impeachments sendo julgados no Brasil (ainda bem) de forma a gerar um número grande de observações, etc.

O aluno que estuda a boa Ciência Econômica pode ganhar dinheiro fazendo previsões? Pode. Veja bem, não é apenas a parte estatística da brincadeira: modelos são construídos com base em pressupostos teóricos. Assim, menosprezar as aulas de Microeconomia e achar que vai enriquecer fazendo vinte disciplinas de Cálculo equivale a jogar fora um remo e remar, furiosamente, com o outro: o barco fará belos círculos na lagoa.

Repare que “estudar Microeconomia”, por sua vez, não implica que você apenas faça exercícios envolvendo lagrangianos (ou hamiltonianos). Significa também que não deve desprezar – sempre de forma cética e crítica, claro – notícias citadas como “avanços” na sua área de pesquisa. Surgem várias idéias alternativas de como o ser humano age e somente poucas provam-se úteis para o avanço de nosso conhecimento sobre as ações dos indivíduos (ou grupos).

Agora, vamos em frente. Bom dia.

 

Questionando a existência de Deus ou “Deus, você só pode estar brincando comigo!”

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Deus, se você existe…(a) por que eu não nasci uns 40 anos antes? Por que? Crueldade!!!

Deus, você existe pois…(b) olha que alegria as crianças podem ter hoje! Amor infinito!!!!

Deus é infinito e você vive só algumas rodadas. O problema intergeracional causa estes paradoxos. ^_ ^

p.s. inspirada na profunda depressão que senti ao ver isto hoje (hoje e hoje, com minha idade, entenda-se bem).

Domingo Legal (?) vem aí e…a ordem de votação importa?

Eu e meus alunos de Microeconomia III vimos, outro dia, este exemplo, do ótimo livro do James Morrow [famoso Morrow (1995), para os íntimos] que é usado para explicar o chamado mecanismo da indução retroativa (backwards induction) usado para solucionar um jogo na forma extensiva com informação perfeita.

Vou resumir a história, adaptando-a, ok? Suponha que existam três políticos em uma assembléia, votando uma medida altamente impopular, mas bem agradável para eles: o aumento de salário…dos políticos. Calma, é só um caso hipotético!

Digamos que o aumento de salário dá, a cada um, um benefício “b”, mas a aprovação do mesmo vai se dar a um custo “c” eleitoral (eleitores irão para as ruas, farão campanha contra eles, etc). A votação é televisionada e sequencial, o que tornam “b” e “c” informações conhecidas dos políticos e também dos eleitores.

Ok, está meio óbvio que o político ficará feliz se b-c > 0, certo? Dizemos que seu benefício líquido será positivo, neste caso. Este benefício líquido só existirá se o aumento de salário for aprovado e, como bons economistas (ou como cientistas políticos sem medo de álgebra), sabemos que a regra do jogo importa. Bem, neste exemplo, a regra de aprovação é a da maioria simples. Como temos três políticos, basta que dois sejam a favor e os salários deles aumentará.

Agora que você já sabe o contexto do jogo, veja a figura a seguir (gerada no Gambit), que ilustra o jogo sequencial dos três políticos. Para facilitar, fiz b = 3 e c = 1. Caso três políticos votem contra o aumento, o mesmo não ocorrerá e tudo fica como antes. Cada um ganhará “0” (que é o mesmo que dizer que não há mudança).

Caso dois deles votem a favor, o aumento ocorrerá mas, quem votou a favor terá um custo eleitoral e quem não votou a favor terá apenas o benefício. Isto ocorre, por exemplo, no topo da árvore, na sequência em que os dois primeiros políticos votam “Sim” e o terceiro vota “Não”. Repare nos ganhos dos respectivos: 2 (=3 – 1), 2(=3 – 1) e 3 (= 3 – 0). Dê uma olhada nos casos em que isto ocorre. Outra possibilidade é que dois votem contra e um vote a favor. Neste caso, os que votarem contra ganharão “0” e o que votou a favor, “-1”. Acho que já deu para ter uma idéia do que acontece (e você pode se certificar disto analisando os outros resultados).

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Pergunto: digamos que você é um dos três políticos. O que é melhor para você: votar no início ou no fim? Pense bem antes de responder (uma dica para você está aqui).

Moral da história (espero que você tenha acertado a resposta): (a) regras do jogo importam (a votação é aberta? É secreta? É simultânea? É sequencial?, a regra de votação é maioria simples? Não? Qual é?); (b) políticos que pensam em seu próprio interesse terão chances de obterem maiores ganhos quanto mais entenderem o jogo em que estão inseridos; (c) falar de “democracia” pode ser algo estúpido ou inteligente (pare de repetir jargões e vá estudar a ciência que explica as falhas de governo, ou nunca sairemos da discussão rasteira).

Divagação pouco elaborada (embora o título seja pomposo e grande, ainda mais com este parênteses) sobre a formação do economista em tempos de impeachment

Lembrando do trabalho do meu amigo Regis, pioneiro de uma interessantíssima discussão que agora se disseminou nas redes sociais, vejo para você, meu amigo leitor (ou leitora) que curte Ciências Econômicas um bom material para refletir. Como a Ciência Econômica estuda a alocação de recursos escassos em como disse Armen Alchian, as questões não são apenas estas “de engenheiro” sobre “o que, como e para quem produzir” (várias gerações de economistas foram educadas neste paradigma…eu inclusive), mas sim sobre quais são os problemas e quais as instituições envolvidas (algo muito mais interessante, convenhamos), o jogo acima nos mostra que nosso treinamento deve(ria), teoricamente, privilegiar as motivações das ações dos indivíduos e, empiricamente, fornecer ao estudante ferramentas estatísticas para o tratamento de dados derivados das ações das pessoas (a famosa preferência revelada) (*).

Por agora é só. Abraços.

(*) Notem como não estou idolatrando ou maltratando o excelente Paul Samuelson neste último parágrafo. Estamos fazendo ciência, não caçando bruxas(os).

p.s. a resposta é: o melhor é votar primeiro. O Equilíbrio de Nash Perfeito em Subjogos deste jogo é (Não, Sim, Sim)

O heroísmo no futebol (e minha bandeira nova)

20160411_175423-001Há um aspecto do ser humano que continuo achando inexplicável: o heroísmo. Certamente já trataram disto em várias áreas do conhecimento, mas, para mim, é – e sempre será – um fator inexplicável.

O fato gerador do parágrafo anterior é o que tentarei contar agora, em palavras (com algumas fotos para a diversão dos dois leitores do blog).

Trata-se do jogo do último dia 04, entre o Lobão e o São Gabriel, fora de casa. Poucos dias antes, o treinador que assumira o time no ano passado, Fabiano Daitx, surpreendeu a todos com um repentino pedido de demissão. Até então, o time estava invicto na competição. Para quem não sabe, o Esporte Clube Pelotas (conhecido como “Lobão”) está na luta para voltar à série A do campeonato gaúcho e eu acompanho o time desde, pelo menos o ano passado. Sou, de fato, um torcedor novo deste clube.

Mas como eu dizia, naquele fatídico dia 04 eu havia vencido (inexplicavelmente) o aspecto sovina de meu caráter e havia comprado uma bandeira do time na Lobomania. Como não poderia ouvir a transmissão do jogo, pensava em levá-la em minha mochila. Não sou de superstições, mas desde que comecei a torcer pelo E.C. Pelotas, adquiri umas manias de torcedor e aí vem a ironia da história: esqueci a bandeira em casa! Pensei comigo mesmo: “- Ah, sem problemas. Afinal de contas, minha sorte nunca me deu a mega-sena mesmo…”.

Passado algum tempo, lá estava eu em meio a uma reunião na faculdade. Ao terminar, fiz uma pesquisa na internet para me informar do jogo e quase caí de costas: o time perdia de três a zero (3 x 0)! Isso mesmo! O time saía de uma sequência de vitórias (com vários jogos em casa, é verdade) para uma inacreditável derrota com cheiro de goleada. Era o final do primeiro tempo e muita gente deve ter, como eu, imaginado que a derrota seria avassaladora. Senti uma tristeza mas, enfim, tinha que voltar ao trabalho: havia outra reunião.

20160411_174908Ao sair desta segunda reunião, a notícia chocante: o time havia arrancado o empate de seu (quase) eminente algoz! Foi uma sensação indescritível (bom, parcialmente, porque estou escrevendo aqui, então…). Senti uma felicidade imensa, destas que torcedor sente em situações como esta. Sorri como um menino ao ganhar quindim (ou um bom livro) e, ao cair da noite, com a queda da adrenalina, dormi. Confesso: demorei a dormir porque a sensação de alegria era imensa, embora eu não soubesse detalhes do jogo.

heroicoNo dia seguinte, sabendo que minha memória poderia me trair, e ainda emocionado com o fato de não ter podido ouvir a transmissão do jogo, recorri às simpáticas meninas da Central de Sócios (a equipe da Central e da Lobomania formam um cinturão de simpatia irresistível em torno da Boca do Lobo). Contei-lhes o que havia ocorrido: eu, um torcedor relativamente novo, que não pôde ouvir o jogo, e que comprara a bandeira na manhã do dia anterior…será que eu conseguiria os autógrafos da equipe que havia criado mais uma lenda destas que a gente conta como exemplo de superação e de heroísmo? (nota: sou meio ruim para pedir estas coisas, fico sem graça e tal…mas neste dia não resisti)

Não deu outra. Vou ser sincero: não conferi ainda se todos assinaram, ou se faltou alguém e se algum outro jogador assinou, só aumenta minha felicidade! Aliás, estou estou feliz até não poder mais com minha linda bandeira autografada que será, sim, guardada com muito carinho. Obrigado, equipe do empate, obrigado Lobomania, Central de Sócios: graças a vocês um torcedor está mais feliz hoje.

Ah sim, daqui a pouco tem jogo. Até mais.

p.s. É, eu nasci em Belo Horizonte e sou cruzeirense. Morei no Rio de Janeiro um tempo e fui vascaíno. Após a Copa de 82, o futebol se apagou em mim. Recentemente tenho recuperado este lado bom da minha infância e o Cruzeiro segue firme junto ao Lobão. O Vasco, por enquanto, ainda é uma boa lembrança apenas.

p.s.2. A partir do próximo post, volto à programação normal deste blog.

Choques reais: vem aí a nanofibra de celulose

Lembra que eu falei do gás de xisto, né? Pois é. Agora eu anuncio a nanofibra de celulose como mais novo choque real. Trecho:

Carbon fiber may often be dubbed the next-generation material, but it’s another product — cellulose nanofiber — that is increasingly attracting attention among manufacturers.
A low-weight, high-strength material, cellulose nanofiber has potential use in a wide range of products, including auto parts, food packaging, clothing, cosmetics and inks.
Recognizing this, and in light of the nation’s existing forest farming industry, the government is promoting the material whose market is expected to reach ¥1 trillion annually in Japan by 2030.

Será? Vamos aguardar. A propósito, tinha passado batido esta referência do Tyler Cowen sobre ciclos reais…no Brasil.

Uma das pinturas mais inspiradoras…em breve…na parede

Finalmente eu tenho um quadro com a cópia desta pintura. Eu a descobri por volta do final dos anos 80, quando fazia minha monografia de final de curso. Colei uma versão pequena na contracapa do caderno que usava para brainstorm e, para sua proteção, passei um plástico por cima. Até hoje tenho o caderno e a pintura está lá.

Como não nasci em berço de ouro, levei anos para juntar uma grana e, graças à internet, consegui comprar uma cópia do dito cujo, em tamanho ampliado. Foi sempre um sonho ter um quadro destes pendurado em meu local de trabalho e, sabemos, há locais e locais de trabalho, com regras muito estranhas (ou não) acerca do uso de quadros nas paredes. A diversidade de arranjos institucionais, claro, não é nenhuma novidade para mim.

Ter este quadro aqui, esperando para ser pendurado, contudo, é um exemplo de melhoria de Pareto. Logo, logo, dia destes, atinjo o equilíbrio. Por enquanto, eu apenas agradeço a Caspar David Friedrich por ter dado ao mundo esta obra de arte e aos choques tecnológicos  que ocorreram em um ambiente de internet economicamente (bastante) livre, por canalizar os desejos de empresários e consumidores. Foi assim que realizei um sonho que vinha desde os meus vinte e poucos anos.