P-Valor…de novo: agora com mais ênfase

Onze a cada dez alunos que não estudam passavam em Econometria I e chegavam no meu curso de Econometria II com um papo de que não viram p-valor (e nem álgebra matricial, algarismos arábicos, o alfabeto, etc). Ok, o tema é difícil, eu sei. Ainda mais para quem não vai mexer com isto diretamente e prefere contratar alguém (e, como não entende, corre o risco de ser enganado por este alguém…mas, bem, já falei que o cara não estuda?) para fazer isto para ele.

Do nosso lado, tentava-se adaptar a explicação para a cabeça dos alunos da melhor forma possível. Os livros-texto, claro, nem sempre ajudavam e como não existe, vamos ser sinceros, quase nada de relevante, cientificamente falando, em língua portuguesa na internet, geralmente eu indicava leituras em inglês. Pronto, mais choro, acusações de que eu era um Delcídio, etc.

Pois é. Apesar de tudo, sobrevivemos todos e agora, bem, agora acabou. A poderosa ASA lançou uma nota que deve dar um empurrão na direção correta. Destaco os trechos mais importantes (na minha opinião):

The statement’s six principles, many of which address misconceptions and misuse of the p-value, are the following:

  1. P-values can indicate how incompatible the data are with a specified statistical model.
  2. P-values do not measure the probability that the studied hypothesis is true, or the probability that the data were produced by random chance alone.
  3. Scientific conclusions and business or policy decisions should not be based only on whether a p-value passes a specific threshold.
  4. Proper inference requires full reporting and transparency.
  5. A p-value, or statistical significance, does not measure the size of an effect or the importance of a result.
  6. By itself, a p-value does not provide a good measure of evidence regarding a model or hypothesis.

Desnecessário dizer que isto atinge a todos nós, praticantes de Econometria, né? Gente old school (como eu) tem que fazer um esforço para se livrar do vício. Encontraremos, claro, barreiras porque muita gente antiga tem preguiça de mudar e são potenciais pareceristas de artigos. Em outras palavras, ainda que entendam a mudança, são preguiçosos e vão te atazanar. Paciência.

Claro, há sempre a esperança de que mais gente boa entrará no jogo e, lentamente, a pesquisa empírica irá se redirecionar (claro, lembrando que outros choques tecnológicos como este ocorrerão…a vida não é fácil).

De qualquer forma, fico feliz em estar vivo para testemunhar esta revolução.

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