Sim, a culpa é da Matriz

Sensacional. Tombini, acabou. Agora está tudo bem claro.

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Napoleão é um bom instrumento?

Eis um artigo interessante para quem deseja entender o básico de variáveis instrumentais. O autor usa a pressão napoleônica como instrumento para o desempenho dos alunos. Como assim? Vejamos a explicação, em primeiro lugar.

The theory of Ramirez and Boli (1987) can best be described by a quote from their paper: “Our view is that European states became engaged in authorizing, funding, and managing mass schooling as a part of the endeavour to construct a unified national policy.” […] “External challenges […] were important stimuli to state action in education […]” (Ramirez and Boli, 1987, p. 3). Napoleon can be seen as one of the most pronounced external challenges of this era. Ramirez and Boli (1987) illustrate their theory by describing this process in seven European regions: Prussia, Denmark, Austria, Sweden, Italy, France, and England. Sweden, France, and England experienced a general call from within for mandatory, universal and free education later than other countries. [p.4]

Dito isto, o autor estima:

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Para o desempenho, usa-se o teste PISA e, para o tracking:

Two aspects of tracking in education systems are used: the number of tracks available to 15- year-old pupils and the age of first selection. These measures are obtained from OECD (2007, table 5.2) and adjusted for the German states using Woessmann (2007) and Kultusminister Konferenz (2013) and for French and Flemish Belgium using Eurydice (2013).

A discussão que se segue sobre as limitações e a robustez do modelo valem a leitura. Divirta-se.

Economia é tudo de bom: mais um artigo interessante

Veja só o resumo de um dos artigos da última AER.

The Caloric Costs of Culture: Evidence from Indian Migrants

Article Citation

Atkin, David. 2016. “The Caloric Costs of Culture: Evidence from Indian Migrants.” American Economic Review, 106(4): 1144-81.

DOI: 10.1257/aer.20140297

Abstract

Anthropologists have documented substantial and persistent differences in food preferences across social groups. My paper asks whether such food cultures can constrain caloric intake? I first document that interstate migrants within India consume fewer calories per rupee of food expenditure compared to their neighbors. Second, I show that migrants bring their origin-state food preferences with them. Third, I link these findings by showing that the gap in caloric intake between locals and migrants depends on the suitability and intensity of the migrants’ origin-state preferences. The most affected migrants would consume seven percent more calories if they possessed their neighbors’ preferences. (JEL D12, I12, O15, R23, Z12, Z13)

Sensacional, não?

Um apanhado (bem) geral sobre nossa história recente, por Marcos Fernandes

Marcos Fernandes com um texto bastante eclético, aqui. Melhor trecho retórico:

Afirmei que a literatura, agora nomino-a, de economia política do desenvolvimento, não refuta a ideia de que o estado inclusive ajudou na formação do capitalismo. O ponto é, que tipo de instituições foram criadas de forma a alinhar incentivos privados aos sociais.

A nossa história de industrialização é diferente da coreana, por exemplo. Lá, além de investirem em capital humano, as empresas eram protegidas domesticamente mas tinham que competir nos mercados desenvolvidos. Inovação é a essência processo e depende de educação. O que é a Samsung hoje? É o que não é a Gradiente.

Exato! Samsung não é a Gradiente e, sim, precisamos estudar mais sobre o capitalismo de compadres/capitalismo de estado/rent-seeking, com dados empíricos, obviamente, antes de comprarmos hipóteses absurdas, tiradas da cartola, sobre a história econômica do Brasil. Marcos está certíssimo.

A economia do sumô

A partir de 12:55 até o final (vale a pena, assista, é a última luta entre o provável campeão desta temporada e o da última temporada…e é brevíssima) você encontra a explicação de como são pagos os lutadores de sumô. Incentivos importam? Descubra assistindo este curto trecho.

Como usar a Nova Economia Institucional para entender a economia política da Lava-Jato?

Um exemplo é este texto do prof. Salama, que usa os conceitos que North desenvolveu nos últimos anos de sua vida (com seus co-autores, notadamente Weingast, Wallis e Summerhill) para entender os problemas da complexa relação entre economia e instituições. Cito um breve trecho:

In a country with a “limited access” social order, the political system manipulates the economic system so that elites can rent-seek and block access by non-elites to economic opportunity. In such countries, appearances can be deceiving. Formally speaking, there may be a tripartite distribution of power, professional state bureaucracies, and elections by private ballot. The restrictions to access, however, are largely informal, and arise because the dominant structure in society is personal interaction rather than impersonal laws. In these settings, stability is achieved through the collaboration and exchange of favours among the political elite and the economic plutocracy. Corruption small and large, both inside and outside bureaucracy, is pervasive. When everyone has an implicit glass ceiling, cooperation is better than competition.

Termine de ler por lá. Ótima dica do prof. Marcos Fernandes.

Luto pela inteligência

Vou fazer uma pausa para comentar que não gosto de barroco mineiro, de quiabo e nunca achei nada que Oscar Niemeyer fez bonito. Dito isto, também quero deixar claro que estou muito decepcionado com o que fizeram com a Igrejinha da Pampulha em dois ataques: um, de vandalismo, e outro, intelectual. Ambos noticiados aqui.

A desigualdade criada por lei: por que sindicatos não precisam prestar contas sobre o uso que fazem do dinheiro dos cidadãos brasileiros?

Spotniks nos traz um fato muito revelador sobre o (mau ou bom) uso do dinheiro dos impostos que as pessoas pagam de forma mais estranha no Brasil: o imposto sindical. Não só ele, mas também qualquer outro recurso recebido por centrais sindicais.

Os itens 3 e 4 do didático texto nos ajudam a pensar em boas hipóteses – bastante compatíveis com a literatura de Public Choice – sobre a oferta e demanda de privilégios como o de não ter que prestar contas sobre o uso do dinheiro recebido.

Repare: estou apenas propondo uma hipótese de investigação, não estou dizendo nada sobre como eu acho que as coisas deveriam ser.

Caso você me pergunte sobre isto, ou seja, sobre o aspecto normativo, eu já te digo que não, eu não acho decente que nenhum sindicato financiado com dinheiro alheio seja privilegiada com a não-obrigatoriedade de prestar contas sobre o uso do mesmo.

Imposto Inflacionário no Brasil

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Calculado conforme este texto, ok?

Comentários rápidos: a primeira administração da Silva conseguiu, seguindo as políticas estabelecidas pela equipe do Plano Real, manter a inflação em níveis baixos. Entretanto, a partir de 2006, percebe-se uma leve alteração para cima e parece que o final da história não é muito bonito.

O mérito do Plano Real está na queda que se observa no pré e pós 1994. As administrações da Silva e Rousseff parecem ter uma certa dificuldade (anedoticamente bem saliente…) em manter a inflação sob controle, não?

Sabe aquele monte de vovôs e vovós simpáticas nas ruas de Pelotas?

Não é algo que você, mesmo que seja do RS, talvez ache normal. Aliás, os dados nos dizem que, em termos de vovós, a cidade ultrapassa o estado (mas os vovôs ficam ali no empate, ou seja, deve ter muito vovô em clássicos Bra-Pel ainda…).

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Claro que se você andar pelo centro de Pelotas, um bairro, como me lembra o prof. Rodrigo Nobre Fernandez (o cara que mais conhece de Parcerias Público-Privadas na cidade), é cheio de jovens universitários, notará que a pirâmide é um pouco diferente.

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A dica da ferramenta do IBGE foi do Matizes Escondidos, um cara sempre que nunca tem um papo ruim.

O contra-exemplo das instituições que funcionam no Brasil: o dia em que o tombamento de um carrinho de ambulante não foi seguido de saque

Exemplo anedótico clássico de que há um problema institucional (no sentido da tradição iniciada com Douglass North e Ronald Coase, ok?) é o do caminhão tombado que é saqueado por pessoas. Observa-se que em países que operam sob diferentes instituições nem sempre apresentam saques a caminhões tombados. Ok, você está com preguiça, não é? Eis a descrição de instituições dada no link acima:

The rules of the game: the humanly devised constraints that structure human interaction.  They are made up of formal constraints (such as rules, laws, constitutions), informal constraints (such as norms of behavior, conventions, self-imposed codes of conduct), and their enforcement characteristics.

Perceba que há dois níveis distintos: formal e informal. A literatura econômica moderna é pródiga em debates sobre o impacto das duas (qual tem maior impacto, em que situação, etc). Este blog mesmo sempre aborda o tema porque, bem, é uma das minha áreas de interesse em pesquisa econômica.

Agora, faz uma pausa e respira. Ontem, em uma passeata, presenciei uma cena que sempre achei improvável no Brasil. Como toda passeata, havia toda uma logística privada ofertada por ambulantes (tipicamente um exemplo para uma aula de microeconomia, mas isto fica para depois). Uns com carros de pipoca, outros com bandeiras, enfim, gente que procura ganhar a vida em um país de traços notoriamente emporiofóbicos.

De repente, vejo um aglomerado de pessoas rodeando um dos ambulantes, um que transportava seu isopor sobre rodas cheio de água mineral, cerveja e refrigerante andando em meio aos milhares de manifestantes. Pensei prontamente estar diante de mais um saque e já ia lá protestar quando fui supreendido. Na verdade, o ambulante, na descida, parece ter perdido o controle e várias latas de cerveja e refrigerante haviam caído e o grupo de manifestantes, em sua volta, estavam a ajudá-lo a recuperá-las.

Ou seja, não era um saque. Era o contrário do saque.

Pode-se argumentar que a situação é distinta da do caminhão que tomba em termos, por exemplo, de volume, mas não vejo como isto seria relevante. Outra pronta observação seria a de que não falamos de uma beira de estrada, onde a população presumivelmente é mais pobre, mas não há qualquer pesquisa indicando que o nível de pobreza dos saqueadores de caminhões tombados é homogêneo e nem há evidências de que “todo pobre é saqueador”. É bom lembrar que em outros países – que também têm seus pobres e ricos – caminhões tombados nem sempre são saqueados.

20160317_173837Há pobres que não saqueiam e há ricos que não saqueiam. Por que? Há alguma coisa aí. Meu “chute educado” é de que o problema está nas instituições informais da sociedade e, sim, não consigo dar uma explicação mais elaborada agora, mas desconfio que temos que avançar na compreensão do impacto das instituições informais (algo que já me foi apontado em pesquisa anterior).

Claro, o mais legal é a sensação de que, se for possível encontrar mais contra-exemplos como este, então nem todos os cidadãos deste país seriam de tão má qualidade e, como estamos em um sistema com democracia representativa, pode ser que haja uma chance de que tenhamos representantes melhores em eleições futuras.

Economia normativa, positiva…e algo mais

Lucas Mafaldo “comete” este importante texto em que mostra o que, para mim, é uma das melhores defesas intelectuais da importância da distinção entre economia positiva e normativa. Ter sido colega dele por um semestre foi um dos pontos marcantes na minha eterna trajetória pelo auto-(des)conhecimento. Vamos aproveitar que ele reativou o blog, gente!

Passar a manta

Enganar a outrem numa transação qualquer. Referência talvez à manta ou capa com que se apresenta o Demo quando quer iludir, fazendo-se de santo. Cf. a expressão com capa de santo, que indica o modo com que alguém age com ardiloso fingimento. (Lindolfo gomes, Contos Populares Brasileiros, S. Paulo, 1949). É mais vulgar no Sul e Centro do Brasil.

O trecho acima é a reprodução integral da expressão número 472 de Cascudo, L. da C. (1986). Locuções Tradicionais no Brasil, Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo, p.212.

É minha homenagem a famoso político brasileiro, muito ativo no momento atual.