Federalismo verdadeiro ocorre quando… (ou: “as parcerias público-privadas podem salvar as finanças de sua cidade e ainda melhorar a qualidade dos serviços públicos”)

“Verdadeiro” porque não adianta nada, em termos de bem-estar, ter entidades federadas se elas não possuem independência para seguirem diversos modelos institucionais. Por isso acho que o maior presente que os EUA dão ao mundo é sua enorme capacidade (sua = da sociedade) de criar modelos alternativos para tudo.

Neste exemplo, trata-se da governnaça de uma cidade. Trata-se de Sandy Springs, na Georgia, e todos os interessados em Parcerias Público-Privadas deveriam passar os olhos por esta cidade. Veja o trecho abaixo, por exemplo (retirado do link anterior).

Sandy Springs is notable for contracting private companies to perform the majority of its services in a public-private partnership model of government. While many governments contract with private-sector companies on a per-project basis, Sandy Springs is believed to be the first American city to outsource its services for the majority of ongoing operations, and the city regularly hosts delegations from other governments that are interested in the model.[34] Services not outsourced include police, fire-rescue and city management.

No mínimo, interessante para se pesquisar, não?

Análise Econômica do Direito

lawandeconNovo livro na praça: Análise Econômica do Direito: Justiça e Desenvolvimento. Capítulos sobre rent-seeking, efeito Peltzman, teoria da captura, jurimetria, etc. Tudo em um pequeno livro.

O pessoal da ADEPAR tem feito um ótimo trabalho pela divulgação da Law & Economics no Brasil e este já é o segundo livro que eles editam.

Bem didático e com um preço bem em conta. ^_^

 

Vendendo a vaca morta com lucro

Encontrada na internet sem autoria...

Encontrada na internet sem autoria…

Eis a piada (reproduzida e com erros de português assinalados):

Com sérios problemas financeiros, um Baiano vendeu sua jumenta por R$ 100,00 a um Mineiro, que concordou em receber o animal somente no dia seguinte. No dia combinado o Baiano chegou e disse:

Bixin, cê me desculpa mas a jumenta morreu.

Mg— Morreu?

Ba— Morreu!

Mg— Então devolve o dinheiro, uai

Ba— Ihhh… já gastei.

Mg— Então me traz a jumenta morta, uai!!!

Ba— Mas o que você vai fazê com uma jumenta morta mi diga?

Mg— Vou rifá.

Ba— A jumenta morta? Quem vai querer?

Mg— É só eu não falar que ela morreu, uai!

Um mês depois os dois se encontram e o Baiano que vendeu a jumenta pergunta:

— Ô bixin, e a jumenta morta?

Mg— Rifei. Vendi 500 bilhetes a 2 real cada. Faturei 998 real.

Ba— Eita! E ninguém reclamou?

Mg— Só o homem que ganhou.

Ba— E o que vc fez bixin?

Mg— Devolvi os 2 real pra ele!

Esta piada me lembra muito a história dos custos dispersos e benefícios concentrados. Só para lembrar, você tributa a população toda (o tributo per capita sai barato) e dá o montante para um grupo de interesse de sua preferência.

Ou talvez a piada acima nos lembre do imposto inflacionário: o governo se financia com a inflação, entrega um bem público horroroso, e depois, quando o sujeito pede a restituição, ganha exatamente o que pagou (e ignora-se toda a transferência de recursos e a má qualidade do bem público).

Ou será que a piada pode ser interpretada de outra forma, economicamente falando? Comentários?

IS-LM…para gente grande

islm_advanced

Você achava que sabia o modelo IS-LM, não é? Bem, você sabia…a versão didática para um curso de graduação. Entretanto, quando você quer, por exemplo, analisar um problema real como o caso da economia japonesa, é necessário um pouco mais de fundamentação.

Legal, né?

Outro belo exemplo de que democracia é tudo menos o que os panfletos nos dizem

Veja, no caso, o problema da regra distrital japonesa que se encontra em debate. Buchanan estava certíssimo ao defender estudos do que chamou de Constitutional Political Economy (um braço da Public Choice).

Por falar em modelos DSGE…

Reproduzo:

The 12th annual DYNARE Conference (http://www.dynare.org) will be held in Rome at Banca d’Italia on September 29-30, 2016. The conference is organized by the Banca d’Italia, together with Banque de France, DSGE-net, and the Dynare project at CEPREMAP.

The DYNARE conference will feature the work of leading scholars in dynamic macroeconomic modeling and provide an excellent opportunity to present your own research results.

Pierpaolo Benigno (LUISS Guido Carli University and EIEF) and Raf Wouters (National Bank of Belgium) will be plenary speakers.

Submissions of papers dealing with different aspects of DSGE modeling and computational methods are all welcome. Papers using other software tools than DYNARE or theoretical contributions are also encouraged.

Paper submission procedure: please send a complete manuscript or a detailed abstract in PDF format at conference@dynare.org<mailto:conference@dynare.org>

Deadline for submissions is April 10, 2016. Authors of accepted papers will be informed by April 30, 2016.

Accepted papers will be automatically considered for publication in the Dynare Working Papers series (http://www.dynare.org/wp) conditional on the agreement of the submitter. Note that publication in the Dynare WP does not prohibit submission to another working paper series.

Contact: conference@dynare.org<mailto:conference@dynare.org>

Conference organizers: Andrea Gerali (Banca d’Italia), Michel Juillard (Banque de France), Alessandro Notarpietro (Banca d’Italia), and Massimiliano Pisani (Banca d’Italia).

Passe livre…não existe almoço grátis e isto não é um jargão, mas um fato

Joel Pinheiro faz um ótimo trabalho com uma análise correta – economicamente falando – imparcial e realista de propostas que, honestamente, não fazem sentido algum (mas o mérito dele é justamente explicar porque não fazem sentido, coisa que não tenho mais paciência para fazer nesta altura da minha vida…).

Filas e violência: uma análise básica

Um ótimo – e didático – artigo usando a oferta e a demanda que você viu no primeiro período do seu curso para entender o fenômeno das filas e da eventual violência que elas geram.

filas_e_violencia

Eis o resumo:

Abstract Queuing in response to prices below market-clearing levels increases the potential for conflict and violence among consumers. We consider how the potential for violence in queues varies with differences in demand and supply characteristics of the goods being considered, and the cause of submarket-clearing prices. In general, the potential for queue-related conflict and violence is greater when the price elasticities of demand and supply for the good are smaller and higher, respectively. Also, the potential for conflict and violence is greater when the queue results from government policy than when it results from private-sector activity.

Muito legal, não é? Aprecio artigos com este tom didático que nos mostram, de forma simples, como podemos aplicar os conceitos básicos a problemas do dia-a-dia sem, como eu disse outro dia, precisarmos apelar para modelos mais complexos.

Obviamente, como eu também disse outro dia, vale repetir, quem quiser ir além da análise insightful deve estudar mais e fazer disciplinas intermediárias ou avançadas em Economia. Entretanto, note, os pontos básicos de Economia, intuitivos, continuam sendo a base sólida sobre a qual construímos modelos mais sofisticados.

De qualquer forma, fila é um negócio chato, não?

A ética islâmica do subdesenvolvimentismo

Citando Timur Kuran em seu livro, Caplan nos dá uma ótima pista sobre o porquê de alguns países terem uma pedra adicional amarrada a seus pés, tornando-os eternos emergentes que nunca emergem. Assim, governos islâmicos seguem ao pé da letra a religião e proíbem a cobrança de juros. Por que?

The objective is not simply to make Islamic banking more accessible. It is to make all banking Islamic. Certain campaigns against conventional banking have succeeded in making ‘interest-laden’ banking illegal. In Pakistan all banks were ordered in 1979 to purge interest from their operations within five years, and in 1992 the Sharia court removed various critical exemptions. Interest prohibitions have gone into effect also in Iran and the Sudan. [Caplan, B. (2007). The Myth of the Rational Voter, p.33]

Perguntas que me ocorrem: suponha que os refugiados sírios que vieram ao Brasil recentemente não sejam predominantemente católicos. Como eles enxergam a questão dos juros? Como conciliarão sua oposição à cobrança de juros com a prática brasileira?

Interessante pensar nesta questão. Nós, cristão, também já tivemos este pensamento errado sobre juros. Errado, sim, do ponto de vista científico mas não necessariamente do ponto de vista religioso porque uma religião pode pregar o que quiser sem checar fatos empíricos (é questão de fé apenas).

Economia de mercado e você

Esqueça o “Tradutores de Direita”. O rótulo “Direita” não significa nada aqui porque a tradução não foi alterada ou adaptada. Dito isto, para quem chega na faculdade acreditando em mitos criados por vídeos superficiais, este é um vídeo que serve como bom contraponto.

Obviamente, sabemos que há vários detalhes importantes que podem qualificar um ou outro ponto exposto no vídeo. Entretanto, a boa didática nos diz que primeiro devemos aprender o básico e, depois, em um curso intermediário (ou avançado), seguimos adiante.

Soa estranho para você? Não deveria. Ou você que, por exemplo, engenheiros aprendem sobre ondas gravitacionais antes de aprender as leis newtonianas da Física? Ou, digamos, os estudantes de medicina aprendem sobre exceções às regras antes da  regras?

Portanto, ligue seu áudio e divirta-se com este ótimo vídeo.

O que um pouco de evidência empírica nos diz? Um exemplo de bom artigo sobre economia brasileira

Você não precisa ter o modelo mais “perfeito” (se isso for cientificamente possível…) para analisar a realidade. Muitos alunos ficam apavorados quando têm que estudar Econometria (com “E” maiúsculo) e, dos que avançam, alguns entram em um conundrum filosófico sobre a aplicabilidade dos modelos, imaginando que devem explicar o mundo inteiro no mesmo (o que destrói a própria noção de modelo, em termos científicos).

Hoje, a Zeina Latif, economista que trabalha no setor privado, tem um artigo simples – no sentido de didático – e interessante sobre os problemas fiscais que o governo parece não querer resolver (que não consegue, já sabemos). Chamou-me a atenção, para fins deste blog, estes trechos:

Neste artigo, apresento um modelo simplificado desenvolvido por Tatiana Pinheiro que busca estimar o efeito do impulso fiscal do governo federal sobre a demanda privada. Ficam de fora, portanto, o impulso de entes subnacionais e a política para-fiscal, por falta de dados suficientes. Trata-se de um modelo econométrico (VAR) que associada a variação da demanda privada ao impulso fiscal (superávit primário estrutural), taxa real de juros (ex-ante), taxa real efetiva de câmbio e atividade econômica global.
O modelo foi estimado para vários intervalos temporais, estendendo-se o final da amostra a cada etapa, com o intuito de observar a evolução do coeficiente que mede o poder do impulso fiscal para estimular a demanda. O período compreendido foi de 2000 a 2015 (3º trimestre).
O exercício revelou que a política fiscal afeta a demanda privada num intervalo de 3 a 6 trimestres, o que significa que o grosso da política fiscal em um determinado ano afeta a economia apenas no ano seguinte. O principal resultado é que a política fiscal perdeu a eficácia a cada ano (coeficiente em queda), com maior redução a partir de 2014, sendo nula para o período 2000-15. Os resultados indicam que a política fiscal pode ter se tornado contraproducente a partir de 2014. Assim, os excessos fiscais de 2013 e 2014 ajudam a explicar o quadro recessivo iniciado em 2014 e seriamente agravado em 2015.

 

Reparou? O modelo tem limitações (como qualquer modelo), brevemente citadas logo no início do artigo no Estadão (um dos poucos jornais que publica artigos de bom nível para aqueles que estudaram Economia com afinco, a despeito de faculdades ou professores). Em seguida, discute-se o resultado do VAR (vetor(es) autorregressivo(s), que não deve se confundido com VaR, Value at Risk, de Finanças).

O VAR já apareceu neste blog várias vezes. Vez por outra, o Vitor Wilher implementava um exercício simples em seu blog antes de iniciar seu empreendimento ensinando a linguagem R (quantas vezes você viu, aqui, os “Momento R do Dia” e “Dica R do Dia”?). Não é um modelo complicado de se entender, muito menos de se estimar. O que é preciso, claro, é que você saiba o que está fazendo. Isto implica que saiba onde quer chegar.

No trecho acima, a citada Tatiana quer chegar em uma resposta à pergunta: “a eficácia da política fiscal mudou o longo do tempo”? Para tanto, resolveu usar um VAR ao invés de jogos retóricos que poderiam começar dizendo que nem tudo na vida é quantificável – agradando aos que têm dificuldades com Matemática e, adicionalmente, são preguiçosos – e seguir adiante.

Também evitou usar modelos tecnologicamente defasadas para o problema em questão. Em outras palavras, uma regressão múltipla não basta e, portanto, o papo de que hoje em dia os economistas jovens só pensam em Estatística, esquecendo-se de ler os clássicos, não é um papo com o qual eu e o leitor devamos investir tempo. Claro que, digamos, na história da matemática, seria bizarro se um hipotético movimento de adoradores dos números reais tentasse criticar os matemáticos que usam números reais e imaginários, não é? O mesmo ocorre aqui.

Ainda que seja uma aplicação simples e, como sempre, criticável, há aí um modelo feito com uma tecnologia econometricamente difundida e compreendida por qualquer economista que atue no setor privado ou público.

Finalmente, sobre as conclusões, a triste realidade se impõe. A celebrada – por alguns – política fiscal perdeu eficácia. Não é que não seja importante, teoricamente falando, mas, dadas as escolhas de política econômica, transformou-se em algo quase inócuo para o que desejamos (maior bem-estar para a sociedade), senão contraproducente. Não precisa, claro, demonizar a política fiscal, diz o artigo. O ponto é torná-la novamente eficaz. Bem, isso vai dar trabalho.

Não é um artigo interessante? No final, o leigo entende o que acontece sem precisar fazer um curso de Econometria. Claro, caso queira saber mais, basta procurar bons cursos. Gosto de ler artigos para leigos do calibre deste da Zeina (com Tatiana). Educam e disseminam boas práticas científicas.

 

R em cursos introdutórios de Econometria

Agora não tem mesmo mais desculpa. Só sua preguiça vai impedí-lo de seguir em frente: livro do R gratuito na rede, especificamente para Econometria (ou numa versão barata, na Amazon).

O livro é específico para quem usa aquele livro introdutório do Wooldridge. Eu, particularmente, não gosto muito dele, mas sei que é uma referência importante. Talvez este lançamento me faça mudar de opinião sobre o livro. ^_^