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Peron estava certo e somos todos facilmente enganáveis o tempo todo?

Peron tested the elasticity of the Argentine economy on several occasions, and many other Latin American leaders have followed his advice. Although giveaway programs financed by increasing public debt or printing money might have been successful ways to maintain popularity and win elections at one time in Latin America, today they do not appear to be so. Latin American voters seem to have become more sophisticated in their understanding of the macroeconomy; Latin American politicians have consequently become more responsible in their choices of policy. [Mueller, D.C. (2003). Public Choice III, Cambridge University Press, p.469]

Será que Mueller foi muito/pouco/adequadamente otimista? Observando os eleitores latino-americanos, será que eles realmente aprenderam a controlar melhor seus políticos?

Ironicamente, o trecho acima aparece no final do capítulo sobre ciclos político-econômicos. Há quem seja otimista mas ainda acho que o problema principal dos ciclos econômicos está na falta de transmissão dos princípios econômicos básicos quanto ao desperdício de algumas políticas econômicas intergeracionalmente.

Já falei aqui e vou repetir: a frase “já sabemos como lidar com a inflação” é verdadeira, mas nem sempre o conhecimento é passado para a próxima geração. Temos a tecnologia, mas ela não se reproduz perfeitamente. Um exemplo: ninguém volta à carroça após conhecer o carro mas a economia brasileira vive sendo atacada por decisões ignorantes do ponto-de-vista da tecnologia que possuímos na forma de conhecimento econômico.

Ok, é este um dos problemas de se lidar com a sociedade e você pode escolher ser um irresponsável como Peron ou não e isso não resolverá nosso problema porque seu filho crescerá dizendo que “Peron não tentou o suficiente”, apesar de sabermos que ele tentou.

p.s. Bateu um pessimismo, né?

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Escolha Pública – um guia de Eamonn Butler com um prefácio exclusivo

Acabo de saber que o livro de Eamonn Butler foi publicado em português. Trata-se de um guia básico de Escolha Pública e, o melhor, tem um prefácio de minha autoria!

É, eu sei que existem versões traduzidas e que são gratuitas (e sem meu prefácio, claro) do mesmo livro e sei que meus prefácios não são a fina flor da literatura brasileira. De qualquer forma, foi uma honra aceitar o convite para prefaciar o livro. 

No meu prefácio, busquei fornecer ao leitor algumas dicas para que possam aprofundar suas leituras. Novamente, obrigado ao Filipe e à Bunker pelo convite.

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Quem introduziu o termo “burocracia”? Quem introduziu o termo “laissez faire”? Duas perguntas, uma resposta!

“The term ‘bureaucracy’ was introduced by the French philosopher, Vincent de Gourmay, in 1765, and has had since its introduction a negative connotation (…). While the term laissez faire, also introduced by de Gourmay, conjures up images of freedom of action and efficiency – at least to an economist – the term bureaucracy suggests routinized and constrained behavior, and inneficiency”. [Mueller, D.C. (2003) Public Choice III, Cambridge University Press, p. 359]

Este Gourmay

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O Carnaval no Laranjal é um exemplo de Bem de Clube

Acho interessantíssima a iniciativa de foliões pelotenses em buscar financiamento para seus blocos carnavalescos (ver aqui) porque:

(i) vejamos, um bloco carnavalesco é exatamente um bem de clube (na definição econômica do clássico artigo do falecido Nobel, James Buchanan). A definição? Tomo de empréstimo a da Wikipedia.

Club goods (also artificially scarce goods) are a type of good in economics, sometimes classified as a subtype of public goods that are excludable but non-rivalrous, at least until reaching a point where congestion occurs. These goods are often provided by a natural monopoly. Club goods have artificial scarcity. Club theory is the area of economics that studies these goods.

Excludente e não-rival? Sim. Isto significa que você pode excluir gente do bloco (quem não paga, não desfila) e também que não há congestionamento (um participante a mais no clube não atrapalha a diversão do outro, assumindo que o bloco tenha um tamanho compatível, conforme a definição acima nos lembra).

Um bloco carnavalesco é exatamente como um clube. Mas curto a idéia dos foliões procurarem bancar seu bloco por mais alguns motivos, a saber:

(ii) há quem queira que todos os pagadores de impostos, por meio do governo, financie qualquer bloco de carnaval, o que é economicamente errado: não há porque quem odeia carnaval financiar um bem que não é público, mas de clube (leitores que fizeram um semestre de Economia, favor rever o capítulo sobre bens públicos). Eu, aliás, não curto carnaval (mas curto teoria econômica);

(iii) no caso específico, a prefeitura preferiu realocar recursos para a saúde e qualquer um que saiba como vão as prefeituras brasileiras sabe que elas têm sérios problemas com gastos e receitas e, portanto, qualquer cidadão que prefira ver seu avô doente receber uma vacina ao invés de um saco de confete provavelmente achará interessante que esta realocação de verbas seja feita.

No caso brasileiro, vale insistir: ajustes fiscais são necessários e prefeituras não escapam à dura realidade (e a prefeitura de Pelotas não é uma exceção). Diante deste fato, acho inevitável que se passe a discutir iniciativas como as Parcerias Público-Privadas (recomendo a leitura de qualquer texto do meu amigo e colega de departamento, o Rodrigo, por exemplo).

Aliás, não lhe parece meio óbvio que uma iniciativa privada (bloco de foliões) com o apoio da prefeitura (segurança, regulação) não é uma espécie de parceria público-privada? No fundo, é tudo uma questão de se encontrar, para cada tipo de bem, o melhor arranjo, socialmente falando, para se ofertá-lo de forma a que o bem-estar social seja o maior possível (e olha que eu não curto carnaval…).

p.s. Há uma briga danada por conta do carnaval em Pelotas, como você pode conferir aqui (não sei se não-assinantes conseguem ler, mas, anyway…).