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A conta de água em Pelotas e a restrição orçamentária: um exercício de microeconomia

A prefeitura de Pelotas está na direção correta no que diz respeito à conta de água. Até então, cobrava-se uma taxa por tamanho do imóvel, independente de seu consumo. Em outras palavras, uma viúva que morasse em um apartamento de três quartos poderia pagar mais pela água do que quatros estudantes que dividem um apartamento de dois quartos. Desnecessário dizer que a teoria econômica básica nos diz que este não é o melhor critério, não é?

Para quem já estudou a restrição orçamentária em Microeconomia, é como se tivéssemos dois bens: D e x. D é o gasto com outros bens (e o preço do gasto em reais com outros bens é o preço de um real que é, claro, um real) e x é o consumo de água. Imaginando que haja uma renda a ser gasta com isso, teríamos: m = D + px em que p é o preço do consumo de água.

A sutileza, no caso da regra atual de cobrança, é que “p” não varia inversamente com o consumo de “x”, mas sim com o tamanho do imóvel, independente do consumo em cada um deles (há, claro, uma suposição implícita de que imóveis maiores significam consumos maiores de água, mas o que importa é o número de pessoas no imóvel e não o tamanho do mesmo, pois imóveis não consomem água sem pessoas, certo?) .

Como funcionará a nova regra da prefeitura? Há um pagamento básico de R$ 18.13 e o restante depende de intervalos no consumo, de forma crescente. Por exemplo, até 10 m3, paga-se, além dos R$ 18.13, R$ 3.83 a cada m3 consumido (ou seja, se você consumir 10 m3, pagará R$ (18.13 + 38.30) =  R$ 56.43. Os intervalos de consumo são: [0, 10], [11, 20], [21, 30], [31, 50], [51, 100] e [100, infinito [.

A restrição orçamentária do consumidor, agora, é composta de vários segmentos de reta. Podemos expressá-la usando matemática básica.

res_orcamen_pel

Perceba que a nova restrição é formada por vários segmentos de reta. Para ilustrar, veja a imagem abaixo.

rest_orca_pelotas_1

Cada marcação mostra, aproximadamente, de cada segmento até a interseção com o segmento seguinte. De maneira mais organizada…

rest_orca_pelotas_2

Pronto. Agora sim, temos a restrição orçamentária que deve prevalecer em Pelotas a partir de Março do ano que vem, com o novo sistema de cobrança de água. Você que já estudou um pouco de Microeconomia já sabe: a única diferença para o caso mais comum dos livros-texto é que o conjunto orçamentário não é mais um belo triângulo, mas um polígono. No mais, é a mesma coisa.

Note que uma desvantagem deste sistema, tanto quanto do anterior, é o sistema de intervalos. No anterior, por exemplo, tínhamos uma taxa distinta para imóveis de 39 m2 e outros de 40 a 79 m2. Neste, por exemplo, temos o preço diferente para consumo até 10 m3 ou 11 a 20 m3. Em ambos os casos, é difícil justificar que o consumo mude tanto na margem da mudança de uma faixa para outra.

De qualquer forma, o exercício está feito. Até mais.

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Concorrência monopolista, na prática

Uma das características da concorrência monopolista é que o consumidor seja, de alguma forma, atraído pela marca. Claro, tem mais coisas no modelo, mas este é um ponto importante.

Agora, quanto custa consumir um produto levando em conta sua marca? Pergunta com resposta essencialmente empírica e uma pista, neste Natal, é que o peso da marca, na Santa Ceia, pode ser 64% maior em relação a uma cesta com produtos, digamos assim, genéricos.