Fusões e Aquisições: Cervejaria Ritter em Pelotas e a Brahma

Quem se lembra do CADE? Sim, o nosso órgão de defesa da concorrência. Aliás, ótima cartilha esta do link.

Sempre haverá alguma polêmica sobre se uma fusão é prejudicial à concorrência ou não, não é? Assim, eu me pergunto o que aconteceria se tivéssemos uma autoridade como o CADE, na década dos 40, analisando o caso da compra da Cervejaria Ritter de Pelotas pela Brahma.

Na virada do século XIX era uma das maiores cervejarias do Brasil, produzindo, 4.5 milhões de garrafas por ano. Nessa época já havia obtido prêmios internacionais, devido à qualidade garantida pela importação de equipamentos e técnicos alemães. Em 1911, era responsável pela metade da arrecadação da Mesa de Rendas de Pelotas.
(…)

A cervejaria fundiu-se, em 1889, com a Cervejaria Sul-Riograndense, fundada pelo imigrante alemão Leopoldo Haertel.
Suas atividades foram encerradas na década de 1940 quando foi comprada pela Cervejaria Brahma, não tendo sido utilizada mais para a produção de cerveja ou outros produtos, apenas como depósito e distribuidora. [Fonte: Wikipedia]

Será que esta compra seguida de fechamento da planta aumentou a eficiência ou apenas foi um ato anticoncorrencial?

p.s. Não se esqueça que as leis antitruste surgiram nos EUA muito antes da criação do CADE no Brasil. Sim, estamos falando do século XIX…

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Ngram, Google Trends, Japão, Adam Smith, Deus, etc

Um artigo jornalístico simples e interessante sobre Japão. O mais legal é conhecer o Ngram. Eis alguns exemplos de busca (clique na imagem para ampliar).

Milton Friedman vs John Maynard Keynes

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Adam Smith vs John Stuart Mill

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God vs Devil (no qual percebemos que o bem vence o mal, mas a coisa anda feia para o primeiro)

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Para mais detalhes, veja o Ngram aqui.

 

Mais bons artigos sobre Douglass North

Este, de Yoram Barzel, é bem legal, mostrando bem os problemas de incentivos dentro da academia e aspectos da vida de North sobre os quais jamais imaginei ouvir a respeito (sério? um avião particular?).

Outro, de Barry Weingast, o cientista político cujos trabalhos todos deveriam ler (mais). O artigo que ele cita com Milgrom, North e, claro, Weingast, sobre o código comercial medieval é um trabalho muito interessante de se ler e foi reproduzido em um livro chamado Reputation, organizado, salvo engano, por Daniel Klein.

Bra-Pel: a econometria do clássico de Pelotas

Pois é. Construí um banco de dados de confrontos Bra-Pel, pensando no grande Lobão, meu time em Pelotas. Tenho ali 362 clássicos, no período 1913-2014. Segui o livro de Éder (2010) [Éder, J. BRAPEL: A rivalidade no sul do Rio Grande, Editora Livraria Mundial, 2010] e os jogos de 2011 em diante foram coletados por mim (novamente, é impressionante como é difícil obter dados de jogos organizados em bases de dados no Brasil. Neste sentido, o Éder (2010) só tem um defeito: não ter a base de dados online, mas tudo bem).

Em resumo, temos: 487 vitórias gols do Lobão e 503 do Xavante. Temos também 109 gols vitórias do primeiro e 129 do segundo. Gostaria mesmo era de ter um banco de dados maior, com todos os jogos do Esporte Clube Pelotas, mas por enquanto minha base de dados é tudo o que tenho.

Alguns dados adicionais: os confrontos entre os dois times ocorrem desde 1913, exceto nos anos 1917, 1920, 1926, 1974, 1983, 1989, 1990, 1999, 2000, 2002, 2007, 2008, 2009 e 2010. O último confronto que tenho registrado ocorreu em 2014, o Bra-Pel n.362.

Antes de mais nada, alguns gráficos interessantes. Primeiro, a correlação entre os gols dos times (agrupados anualmente) é positiva (0.6439). Como sempre digo aqui, correlação não é causalidade, mas apenas uma visão inicial dos dados. O gráfico abaixo apenas nos diz que o total anual de gols de cada time é relacionado positivamente com o total anual de gols do outro time. Pode – atenção para o condicional! – ser que isto tenha algo a ver com alguma competitividade entre ambos os times, mas aí o melhor seria verificar se existe algum tipo de inércia nos dados, algo que não fiz aqui.

corr_gols

De forma similar, calculei a correlação entre as vitórias anuais dos times, que é negativa (-0.0977).

corr_vitorias

Desnecessário dizer que também há uma correlação positiva entre as vitórias de um time e o seu número de gols (ou mesmo o saldo de gols), não é?

Dito isto, vejamos o ditado popular – e óbvio – de que, quem não marca, toma. Trata-se de um logit simples e a classificação dos campeonatos ainda é precária. De qualquer forma, o leitor chegado em Econometria pode constatar a importância dos gols no aumento da probabilidade de vitórias. Note que, entre as variáveis independentes (as “covariadas”), incluí as primeiras defasagens das vitórias de ambos os times, para ver se há algum tipo de inércia.

Cabe destacar que, para as regressões, usei os dados desagregados, ou seja, dados de cada partida e não os agregados anuais.

brapel2

Algumas observações importantes: alguns pequenos campeonatos foram classificados como “amistosos” e o leitor pode se reportar a Éder (2010) para esclarecimentos (por isso eu disse lá em cima sobre uma certa “precariedade”…). A idéia de incluir este tipo de variável era controlar para tipos de campeonatos (eu esperaria que alguns campeonatos pudessem ser mais importantes que outros). Eu poderia ter seguido o autor, e incluído os pequenos campeonatos mas: (a) são poucas observações, (b) algumas observações nem possuem o atributo “campeonato/torneio” associado.

Além disso, os resultados acima me mostraram que, em relação aos campeonatos, apenas o Gauchão parece ser um determinante importante nas vitórias em Bra-Pel, mesmo assim, com sinal oscilante (negativo para probabilidade de vitórias do Brasil e positivo para o Pelotas). Talvez algum leitor que conheça melhor a lógica dos campeonatos e a história dos times possa me ajudar a entender a importância de cada um no suposto empenho dos times. Mesmo assim, as evidências que veremos adiante mostrará que talvez isto não seja assim tão importante. Mas vamos em frente.

O número de gols do Pelotas, claro, tem impacto positivo nas vitórias do Lobão e negativo no número de vitórias do adversário. Eu poderia trocar a variável por gols do Brasil e, sim, logo mais mostrarei o que acontece. Aguarde.

Outros fenômenos testados foram os períodos de guerras (1914-1918, 1939-1945) e o da ditadura (1964-1985). Nas especificações (1) e (2), há o curioso efeito, quase simétrico, da ditadura nas vitórias dos dois times (positivo, no caso do Lobão e negativo no caso do Xavante). Mas este efeito desaparece se eu considerar dummies anuais.

As vitórias defasadas – o efeito “inercial” – parece apontar um impacto positivo apenas na probabilidade de vitórias do Lobão. Seria este resultado associado ao fato de eu estar usando apenas os gols do Lobão nas especificações? Para tirar esta dúvida, fiz mais alguns logits similares aos anteriores, mas trocando os gols do Pelotas pelos do Brasil nas equações em que a variável dependente é a dummy de vitórias do Xavante.

Os resultados não mudam muito no que diz respeito à inércia, mas vemos que o Gauchão deixa de ser significativo (talvez porque a inércia capture este efeito?) e a dummy de ditadura perde significância, embora ainda pareçam existir traços de sua influência nas duas primeiras especificações. Por que será que a inércia não aparece no caso do Xavante? Esta fica em aberto.

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Bem, estes são resultados preliminares. Com um pouco mais de informações (sim, preciso de ajuda na construção da base de dados), talvez seja possível fazer algo mais interessante. O que seria mais bacana?

Ora, os times poderiam investir em algo simples que é construir bases com as fichas técnicas de todos os seus jogos, resgatando, inclusive, dados do passado. Afinal de contas, se queremos estudar o desempenho de um time, não basta olhar para “clássicos”. O interessante seria olhar para todos os jogos ao longo dos anos.

Claro que isto foi somente um exercício e as especificações são muito preliminares. Em outras palavras, não devemos tentar inferir muito sobre as estimações. Elas só valem para os clássicos Bra-Pel e, mesmo assim, eu gostaria de ter mais variáveis para incluir na pesquisa. Mesmo assim, espero que o leitor tenha apreciado um pouco da Economia dos Esportes (veja também, por exemplo, este e mais este).

O espaço dos comentários está à disposição.

Consumo de água na Pelotas do início do século XX e os incentivos econômicos

Graças à indicação do Leo Monasterio, fui a um sebo cujo dono não é um amador em história(s) – e ele tem um blog –  e adquiri o fascículo terceiro de “Pelotas Memória”, publicado em 1989. O motivo de comprar exatamente este fascículo foi o que encontrei em sua página dezenove: um pequeno resumo de como a prefeitura cobrava pela água em 1913. Vamos à mesma:

“ÁGUA – O fornecimento d’água é feito do seguinte modo, sendo responsáveis pelo pagamento os proprietários dos prédios:
Pena de 500 litros diários 5$000, por mês.
Hidrômetros, à razão de 3 litros por um real.
Serão concedidos os seguintes abatimentos para os consumos mensais de:

100.000 a 500.000 litros………5%
500.000 a 1.000.000 litros….10%

O fornecimento d’água é cobrado adiantadamente, por trimestre.” [Magalhães, N.N. “Pelotas Memória”, fascículo III, 1989, p.19]

Curiosamente, o abatimento era maior para quem consumia mais água e, ao contrário do que se faz hoje, a cobrança se dava no início do trimestre. Há também a multa (pena). Como será que podemos explicar estas características da regulação acima?

Um pouco de Economia…

Primeiramente, por que cobrar no início do trimestre? Imagino que a inflação praticamente desprezível (o efeito Olivera-Tanzi era praticamente zero) possibilitava a cobrança não apenas trimestral, mas também no início do mês. Quem leu aquele pequeno “30 Anos de Indexação”, do falecido M.H. Simonsen, provavelmente vai se lembrar da relação entre inflação e indexação, que se tornou mais forte bem depois do período em questão (1913).

Quanto à “pena”, recorro a outra fonte, Silveira [Silveira, Alice M. “De fontes e aguadeiros à penas d’água: reflexões sobre o sistema de abastecimento de água e as transformações da arquitetura residencial do final do século XIX em Pelotas – RS”, Tese de Doutorado, FAU/USP, 2009]:

As reclamações da companhia quanto a esta situação referiam-se ao fato de que os usuários permitiam que outras pessoas se abastecessem de água nas suas penas, sem pagar as taxas de adesão ao serviço da empresa. [Silveira (2009) : 207]

Em outras palavras, a água ainda não era tão rival e excludente assim, para que seu consumo pudesse ser racionado de forma precisa pelo sistema de preços (a existência de “gatos” era comum no caso da água, tal qual o é no fornecimento de TV por assinatura hoje em dia…). É interessante pensar em como era a “entrega” da mercadoria “água” ao consumidor final no início do século XX, não?

Quanto aos descontos por volume, acho curioso porque a empresa privada que fornecia a água – e que tinha problemas com os “gatos” – foi municipalizada em 1908. Neste ponto específico, não sei qual seria a motivação para fornecer descontos maiores para consumos maiores. Eu imaginaria que o poder público iria, ao menos no discurso, dizer que iria se esforçar para diminuir o desperdício de água. Algumas hipóteses me passam pela cabeça, mas prefiro deixar esta questão para a sugestão dos leitores.

Ah sim, pensando na Teoria do Consumidor, eis um exercício simples: mostre, graficamente, qual é a restrição orçamentária de um consumidor levando em conta o sistema de descontos citado acima. Este, contudo, fica para o leitor que está estudando microeconomia.

Temperatura média em Pelotas?

Usando o R – e não sem percalços com a base de dados, que tinha, em certo período no meio de 2009 até algum momento de 2011, dados repetidos (o que foi resolvido com um comando simples, mas que exigiu uma rápida pesquisa) – gerei o gráfico das temperaturas médias em Pelotas.

temperaturamediapelotas

Interessante, não?

Por que você aprende autocorrelação serial? Para aprender a ganhar dinheiro!

Passam-se os anos e alunos continuam achando que aprender o significado de autocorrelação é apenas uma forma oca, chata e pálida de se engolir estatística com temperos de operador esperança e defasagens.

Pois é. Eu já tive a esperança de mudar isto, mas desisti. O desânimo venceu a boa vontade e resolvi que só aprenderia coisas legais para mim mesmo.

Algum tempo se passou e eu encontrei algumas pessoas legais que me mostraram que seria possível fazer com que meu gosto pelo ensino pudesse ser resgatado. É, a comunidade de usuários e desenvolvedores do R foram meu ponto de apoio para este resgate valioso.

Aí deu aquela vontade de fazer um exemplo legal sobre autocorrelação e, como sempre, descobri que alguém já fez. Trata-se deste aqui. Claro, se você não acredita em Econometria ou pensa que Estatística é só mais uma barreira ao seu diploma barato, esqueça, sua vida já está ganha. Você é apenas um gênio incompreendido que está na faculdade porque o mundo é cruel com sua inteligência superior.

Há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há há 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Mas se você está no meu time, pense em quão bacana é este exemplo para você, que diz gostar de Finanças (e, de fato, investe tempo pesquisando sobre o tema), aprender sobre o siginificado da autocorrelação serial em sua vida. Legal, demais, né?

McCloskey fala sobre um dos temas mais difíceis para qualquer um

Parece que novos episódios virão. McCloskey é uma das melhores economistas no ramo da História Econômica. Além disso, escreve bem e seus artigos/livros são bem legais.

No Brasil, alguns divulgaram um de seus artigos sobre retórica de forma errada, como se fosse um argumento contra a teoria econômica (pterodoxos nunca fazem uma leitura estudiosa dos textos…acho que querem tanto mudar a realidade que se abstêm de pensá-la…). Mesmo assim, é um artigo importante. Cá para nós, o artigo dela mais legal é aquele em que chama a atenção para o problema do p-valor e da significância estatística (vs econômica). Dois livros recentes dela estão na minha pilha de “leituras-que-não-posso-adiar-mais”.

O meu exemplar chegou…

20151113_172259Auto-propaganda deslavada? Sim. Como o Leo já divulgou, eu finalmente recebi o novo livro do William Summerhill e, sim, também me sinto mais um carona neste time de craques (que inclui o Leo, obviamente) citados nos agradecimentos.

O prof. Summerhill tem sido um grande estímulo à minha insistência em acreditar que é possível fazer História Econômica de uma forma séria, cientificamente correta e, claro, com temas interessantes.

Aí está a capa do livro (eu diria que está até bem mais atual e que poderíamos trocar os cafeicultores por alguns capitalistas que se comportam mais como crony capitalists do que como empreendedores).

É, vou começar a leitura do livro em breve e, sim, eu acho que sua faculdade deveria comprar ao menos um exemplar. Já passou da hora de tratarmos a História Econômica com o carinho que ela merece.
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Sabe aquela história de oferta e demanda? Funciona até na Avenida Paulista.

Oferta e demanda. Cai a renda, demanda é deslocada e, ceteris paribus, o preço de equilíbrio cai. Quer um exemplo? Este aqui, com as devidas adaptações (pode-se discutir um deslocamento conjunto de oferta e demanda, mas aposto que a última se desloca mais).

p.s. tem até discussão de impacto do preço sobre a receita, algo que todo aluno já estudou no início do curso.

p.s.2. Veja este trecho: “O mesmo aconteceu no Progress Park que, após o aumento da diária de R$ 35 para R$ 40, viu o movimento cair 30%”. Preciso dizer que dá para fazer um exercício simples de cálculo de elasticidade-preço da demanda?

Poesias em Economia?

Todos os alunos participaram e o resultado foi…este aqui. Foi um desafio que meus alunos superaram de forma variada e interessante. Ficou tão bom que fiz a coletânea, editei, fiz um texto introdutório e, quem sabe, fica como sugestão para outros professores.

Dei-lhe o nome de: “A poesia que é a Economia na visão de vinte autores-estudantes” e sinto-me satisfeito com o resultado. Parabenizo a turma dedicando esta coletânea e eles, aos seus, ao coordenador do curso de Engenharia (que certamente não esperava por esta minha iniciativa) e, sim, antes de mais nada, leia a introdução para entender tudo (inclusive, porque abreviei parcialmente os nomes dos novos poetas).

Minha Despedida: “Hello, I must be going!”

Olha, caso algum dia você perceba que estou me despedindo de você, não fique triste (nem feliz). Fique, digamos, assim, com esta sensação de que a despedida é o fim de um breve “alô” que durou mais do que deveria – talvez por restrições à minha partida, talvez por simpatia mútua (in)esperada, vai saber – pois, penso, existe um tempo ótimo para tudo nesta vida.

A melhor despedida, a melhor de todos os tempos, tem que ser divertida, ao menos para quem está partindo (conceito de melhoria de Pareto aplicado).

Assim, com vocês, sem mais, Groucho Marx, mostrando a todos como chegar se despedindo (ou o contrário).

A música do vídeo tem sua letra mais ou menos no meio desta página.