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Discriminação de cor ou de riqueza: o caso do Brasil escravocrata

Questão antiga e não menos polêmica, eu sei. Então, vamos à história brasileira. O século é o XIX e estamos falando da época em que a escravidão era a regra.

Para desagrado de muitos brancos, indivíduos com outra origem étnico-racial (negros e mestiços libertos) também foram senhores de escravos e muitas vezes compartilhavam com os brancos a visão de mundo destes.

(…)
Além disso, mesmo entre os brancos, existiam ‘brancos’ e ‘brancos’. Estes eram por excelência os senhores de escravos, mas isso não significava que todos os indivíduos desta cor tivessem o mesmo poderio econômico, político e social. [Soares, L.C. O “Povo de Cam” na Capital do Brasil: A Escravidão Urbana no Rio de Janeiro do Século XIX. 7Letras, 2007, p.69]

É, ficou mais interessante, não? Não é algo desconhecido – embora pouco divulgado – que ex-escravos tenham tido escravos. Existe, obviamente, o fato de que poucos escravos conseguiam sua liberdade (pouco em relação ao total de escravos, não estamos falando de seis pessoas apenas…), o que dificulta a pesquisa e divulgação do tema. Mas também é interessante que, segundo a narrativa do autor, a questão da discriminação pode ter muito mais a ver com a pobreza (e, claro, como a correlação entre ser “ex-escravo” e “ser pobre” é alta, há quem confunda uma coisa com a outra).

Por isso é que se deve ter muito cuidado antes de sair por aí de “heranças históricas”. Cada qual tem a sua herança e se alguém é filho de um ex-escravo que tinha escravo, melhor tomar cuidado.

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Educando os pais

Na biografia do Mussum (vários momentos aqui), um trecho que me chamou a atenção, logo no início do livro, é quando o autor descreve como o famoso sambista se alfabetizou e, quase ao mesmo tempo, alfabetizou a mãe. É um dos trechos mais bonitos do livro.

Bem, ele não é uma exceção. Tomando como base este artigo, para o Brasil, alfabetização é muito importante para quem é muito pobre.

Este trabalho tem por objetivo investigar a possível existência de um benefício positivo da educação das crianças em idade escolar para os adultos analfabetos, inseridos no Programa Bolsa Família, em decorrência das condicionalidades educacionais do Programa. Buscam-se sinais de externalidade da alfabetização no sentido dos filhos para os pais/adultos analfabetos, no quesito rendimento do trabalho. Utiliza-se o modelo de seleção de Heckman para corrigir o problema de autosseleção dos indivíduos em participar do mercado de trabalho. Os resultados apontam que os pais/adultos analfabetos, beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF), e que residem com ao menos um filho alfabetizado recebem, em média, 10,96% a mais do que os pais/adultos analfabetos, beneficiários do PBF, que não residem com filhos alfabetizados.

Legal, né?

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Prêmios

Olha que notícia legal! Uma competição da IAES, anual, com o que seria o melhor trabalho final (mas não precisa, pode ser um artigo derivado apenas da vontade do estudante de explorar um tema). Digo, os quatro melhores. Vou deixar em negrito o nome dos autores e os títulos dos trabalhos.

It is our pleasure to announce that the winner of the International Atlantic Economic Society’s 11th annual Best Undergraduate Paper Competition is:
Hameem Raees Chowdhury, Joint-liability in microcredit: Evidence from Bangladesh, University of Warwick, UK

Mr. Chowdhury received a $500 check and will have his paper printed in an upcoming issue of the Atlantic Economic Journal. In addition, each of the three finalists, listed alphabetically below, received $100 from the Society and will have 800-word summaries of their papers published in the Atlantic Economic Journal. All of the students also received handsome commemorative plaques to mark the occasion.

Alexander Billy, Granger-causality testing within the Eurozone: Policy analysis of the efficacy of the European Central Bank’s policy tools, St. Vincent College, U.S.

Evelina Lazareva, Do rating agencies confirm or surprise the market? Market efficiency hypothesis vs conspiracy theory, Nottingham Trent University, UK

Virginia Minni, Can greater bank capital lead to less bank lending? An analysis of the bank-level evidence from Europe, University of Warwick, UK
The IAES and the http://www.EconSources.com underwriting sponsor would like to extend our congratulations to all of the students who entered the competition and submitted so many fine papers. While it is not possible to acknowledge more than one winning entry in a competition such as this, we would like everyone to know that all of the students did an outstanding job!
In addition, we would also like to extend our appreciation to the universities and colleges that promised to provide the financial support that enabled their students to enter the competition and travel to Boston where the final stage of the competition took place. Finally, we would also like to thank all of the judges for the many hours they spent reading the many fine entries.

Acho que todo mundo que faz monografia sabe que a diversidade de temas nunca foi um problema, não é? Claro, a famosa econometria (que muitos acham que não serve para nada) está sempre presente nestes prêmios, seja diretamente, no título, ou indiretamente, no artigo.

Muito legal mesmo deve ser o cara ganhar um prêmio assim. Meus parabéns a todos.