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Nomes bombásticos…

Sempre acho isso: nomes bombásticos para artigos só quando realmente você tem alguma coisa surpreendente. Eu também li o artigo e fiquei com a impressão de que os autores não fizeram a revisão da literatura completa.

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Batalha dos Sexos, versão comportamental: uma piada estranha

Penso em assistir o jogo de futebol em termos de dias, mas minha esposa pensa no mesmo evento em termos de semanas. Já a terrível (para mim) peça de teatro eu penso em semanas e minha esposa pensa em dias. O que acontecerá?

Não sei, mas pensei neste exemplo como um meta-jogo depois da dica do Mauro que eu, confesso, demorei a ler porque pensei em deixar para depois (mas aí a linha de tempo iria fazer com que o artigo sumisse…).

Achou tudo muito estranho? Então leia o texto sugerido pelo Mauro aqui.

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Assistente de Pesquisa em Economia: ontem e hoje

Estava pensando cá com meus botões: como mudou o ambiente de trabalho, não? Antes, para uma pesquisa boba em Economia, a gente precisava de um assistente que coletasse dados manualmente, soubesse usar planilhas e que fizesse as chatíssimas tabulações das regressões no final.

É verdade que ainda precisamos de assistentes que saibam fazer tudo isto. Mas, tanto no R, como no Stata (e no Eviews ou Gretl), já existe a tecnologia de se obter dados de forma muito rápida. Claro, ainda é preciso saber fazer tabulações em planilhas, mas sobra mais tempo, hoje em dia, para o assistente fazer isto.

A formatação ABNT ou a criação de tabelas com várias regressões era o pesadelo de todo mundo. Aparentemente, não mais. Tanto o R como o Stata possuem rotinas feitas por terceiros que geram tabelas para quase todos os tipos de regressões. Latex chegou e o Word virou uma espécie de brinquedo para se escrever cartas e notas de aula simples. Claro, existe a barreira à entrada (eu mesmo tenho dificuldades com o Latex ainda), mas basta que você se esforce.

De certa forma, uma boa formação escolar que inclua algum tipo de conhecimento básico de programação não é algo a ser desprezado. Pudesse um aluno chegar à faculdade sabendo princípios básicos, sua vida acadêmica e não-acadêmica seria bastante facilitada.

Mas um assistente de pesquisa bom pode concentrar seu tempo – o dia não mudou, ainda são 24 horas… – com leituras de bons artigos (e aí a língua inglesa é vital) e, sendo um sujeito inteligente, pode automatizar boa parte das tarefas cotidianas, desde que tenha boa habilidade  na pesquisa de ferramentas em rede (em linguagem cotidiana: seja rápido e certeiro na pesquisa no Google).

Isto significa que um bom assistente de pesquisa, hoje, tem uma vida melhor, relativamente, ao que nós tivemos no passado. Ainda é muito trabalho, mas é muito mais bacana, acho eu.

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A “doença do custo” é algo que eu gostaria de ver mais estudada no caso brasileiro…

baumol_costJá que estou numa onda de “Baumol” por estes dias, aqui vai mais um pouco sobre a “doença do custo”. Resumindo o argumento de seu livro de 2012, Baumol nos dá vários bons insights sobre o tema que desenvolveu junto com Bowen nos anos 60. Reproduzo um trecho da introdução do livro a seguir, comentando-o a cada item.

1. Rapid productivity growth in the modern economy has led to cost trends that divide its output into two sectors, which I call “the stagnant sector” and “the progressive sector.” In this book, productivity growth is defined as a labor-saving change in a production process so that the output supplied by an hour of labor increases, presumably significantly (Chapter 2).

Pergunto ao leitor: quais seriam estes setores, no Brasil atual?

2. Over time, the goods and services supplied by the stagnant sector will grow increasingly unaffordable relative to those supplied by the progressive sector. The rapidly increasing cost of a hospital stay and rising college tuition fees are prime examples of persistently rising costs in two key stagnant-sector services, health care and education (Chapters 2 and 3).

No Brasil, o setor educacional tem passado por mudanças no mercado – aumento do número de faculdades – mas…e quanto ao custo? Pergunta similar sobre o setor de saúde também é válida.

3. Despite their ever increasing costs, stagnant-sector services will never become unaffordable to society. This is because the economy’s constantly growing productivity simultaneously increases the community’s overall purchasing power and makes for ever improving overall living standards (Chapter 4).

Ou seja, como no Brasil a produtividade agregada não anda lá aquelas coisas ultimamente (mas tenho fé no longo prazo), podemos deduzir que o acesso à saúde e à educação tenderão a ser de difícil acesso, ainda por algum tempo? A recessão, como sabemos, não aumenta o poder de compra das pessoas. Muito menos a inflação.

4. The other side of the coin is the increasing affordability and the declining relative costs of the products of the progressive sector, including some products we may wish were less affordable and therefore less prevalent, such as weapons of all kinds, automobiles, and other mass-manufactured products that contribute to environmental pollution (Chapter 5).

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Clique na imagem para ler o artigo.

O Brasil se encontra nesta situação? A produção de armas não me parece a prioridade nacional, mas automóveis e outros produtos similares têm ido bem, obrigado. A piada, há alguns anos, era que a Nova Matriz Econômica (fruto de anos e anos de pensamento heterodoxo) havia criado o mais interessante dos paradoxos: favoreceu um bocado as montadoras e gerou os congestionamentos que hoje vemos. Não é tão piada assim porque, ceteris paribus, foi isso mesmo. Mas houve também o crescimento da renda no período, mais forte para os mais pobres durante um bom tempo.

Mas, será que podemos falar em aumento de produtividade do setor automobilístico sem descontarmos o efeito distorcivos dos subsídios específicos ao setor? Gostaria de ver esta conta.

5. The declining affordability of stagnant-sector products makes them politically contentious and a source of disquiet for average citizens. But paradoxically, it is the developments in the progressive sector that pose the greater threat to the general welfare by stimulating such threatening problems as terrorism and climate change. This book will argue that some of the gravest threats to humanity’s future stem from the falling costs of these products, rather than from the rising costs of services like health care and education (Chapter 5)

Taí um ponto mais polêmico, mas que não cabe apenas sob o guarda-chuva da análise circunscrita à economia brasileira apenas. Talvez seja o ponto menos bem elaborado do livro. Aqui eu não teria muito o que perguntar, neste momento. Entretanto, eu gostaria muito de ver algum tipo de artigo simples (como este) para a economia brasileira.

p.s. de certa forma, o que Baumol e Bowen fizeram com o artigo clássico de 1978, acredito eu, foi dizer que a destruição criativa Schumpeteriana não é homogênea. Não me lembro mais do livro do Schumpeter em detalhes, mas não me lembro de ele ter atentado para o fenômeno do custo. Leitores mais especializados no argumento schumpeteriano podem me corrigir nos comentários.

p.s.2. aqui está um artigo com alguma formalização e estimação só para exemplificar o tipo de trabalho que poderia ser feito, estudando teatros públicos alemães.

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Mais governo, menos mercado…menos liberdade: o ‘credit score’ na China

A notícia, em si, é uma demonstração de que, sim, quando o mercado é contaminado por intervenções governamentais a um determinado nível, propostas absurdas surgem. Eis a notícia. Trechos:

This Chinese credit score, which seemed innocent at first, was introduced this summer. More precisely, it was introduced by Alibaba and Tencent, China’s IT giants who run the Chinese equivalents of all social networks, and who therefore have any and all data about you. People can download an app named “Sesame Credit” from the Alibaba network, and the score has become something of a bragging contest, being interpreted as a kind of “citizen status” – and not entirely falsely so. Almost 100,000 people have posted their “status” online on Weibo, the Chinese equivalent of Twitter.

Até aí, ok, não? Mais ou menos, certo? O aplicativo é opcional, mas o governo chinês quer torná-lo, digamos, não-opcional em breve. O que é que há neste aplicativo que incomoda tanto?

Things that will make your score deteriorate include posting political opinions without prior permission, talking about or describing a different history than the official one, or even publishing accurate up-to-date news from the Shanghai stock market collapse (which was and is embarrassing to the Chinese regime).
But the kicker is that if any of your friends do this — publish opinions without prior permission, or report accurate but embarrassing news — your score will also deteriorate. And this will have a direct impact on your quality of life.

Notou? É o sonho bolivariano. Em termos de princípios (i)morais, é a mesma coisa que foi feita quando Chavez violou as votações do referendo e passou a controlar a vida dos opositores (dificultando, por exemplo, seu acesso ao emprego e nem preciso comentar as consequências de uma intervenção assim sobre a vida das famílias, né?) sob a silenciosa cumplicidade da diplomacia continental.

A Economia Política já me parece ter maturidade – após anos e anos de Public Choice – para responder à pergunta sobre qual é o preço que eleitores pagam para se submeterem a este tipo de coisa. Lembro-me de alguns supostos intelectuais (muitos deles, hoje, com cargos em governos e bem calados…) que diziam que “o problema do (neo)liberalismo é que você troca igualdade por liberdade”, o que, todos sabemos, é uma leitura muito rasa, superficial e pouco informada do pensamento liberal: no mínimo, quem diz isto nunca leu o que disse Milton Friedman sobre o imposto de renda negativo, por exemplo.

Mas tudo bem. Quero ver é o cara me explicar como ele mesmo trocar sua privacidade e seu direito de discordar em troca de uma viagem para fora de um país pode ser ‘bom para o social’. Esta é a pergunta que muito intelectual que se diz moderninho e ‘cool’ não quer enfrentar porque sabe que a resposta entrará em choque com suas convicções.