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Minha eterna aposta para o Nobel: William J. Baumol

Por coincidência, também é a do Leo, que lembra que ele já é quase centenário e, portanto, seria uma boa hora para lhe dar o Prêmio. Quem é? Trata-se de William J. Baumol.

Por que lhe dar o Nobel? Já falei antes, neste blog (ano passado). Vou de novo: (a) mercados contestáveis, que, inclusive, serviu de inspiração para a desregulamentação do mercado aéreo dos EUA nos anos Reagan (o prêmio seria dividido com os seus colaboradores, claro); (b) empreendedorismo (nos últimos anos, Baumol tem nos dado grandes contribuições para incorporar o elemento empreendedor na teoria da firma, inclusive, com toques neoinstitucionais); (c) a doença do custo (cost disease) que, honestamente, é um dos conceitos mais interessantes e úteis para se entender diversos fenômenos econômicos; (d) [eu sempre me esqueço deste…] a teoria da demanda por moeda (desenvolvida com Tobin).

Especialmente, no último caso, vale a pena lembrar que Baumol – que é um homem de sensibilidade artística – fez seu estudo original sobre a doença do custo usando como exemplo o quarteto de cordas de Beethoven.

The original study was conducted for the performing arts sector.[1] Baumol and Bowen pointed out that the same number of musicians is needed to play a Beethovenstring quartet today as was needed in the 19th century; that is, the productivity of classical music performance has not increased. On the other hand, real wages of musicians (as well as in all other professions) have increased greatly since the 19th century. [Fonte: Wikipedia]

Com a morte de Alchian, um dos proponentes do Teorema de Alchian-Allen, acaba a esperança que eu tinha de ver um Nobel conjunto de Baumol e Alchian pelos melhores insights já tidos usando apenas a teoria básica (mais ou menos como Coase, se é que posso falar isso).

Finalmente, o livro Economic Dynamics dele foi um dos mais didáticos que li na graduação, sem falar nos seus belíssimos gráficos em três dimensões.

Ah sim, ele tem um artigo que ficou famoso de forma infame sobre convergência (o clássico artigo com problema de viés de seleção) mas, honestamente, com tantas outras contribuições, esta pisada na bola, para mim, não faz cócegas.

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Policiamento da capital brasileira, circa 1808

Eu bem que tentei, mas não deu, gente.

O cumprimento da lei é muito importante, não? Ainda mais no Rio de Janeiro, na época em que a Corte estava aqui. Claro, sabemos que pessoas que bebem um pouco mais de cerveja e afins são potenciais arruaceiros. Que tal fechar as tavernas após às 22 horas e colocar a polícia nas ruas?

Então, o governo, com sua recém-criada Guarda Real de Polícia, entra em ação. Claro, vamos ver o cumprimento da lei e prisões, não?

Mas nem sempre isso acontecia. Em ofício dirigido ao general das Tropas, João Batista de Azevedo Coutinho, o intendente relata o tumulto provocado pelos soldados do Regimento de Cavalaria da Corte. Alguns deles foram presos por outra ronda militar. Interessante é o motivo da prisão. Esses soldados davam ‘proteção’ a um bar que descumpriu a determinação da Intendência de Polícia de fechar a ‘horas competentes’. [FARIAS, Juliana B.; GOMES, Flávio dos; SOARES, Carlos E. L. & ARAÚJO, Carlos E.M.de. “Cidades Negras – Africanos, crioulos e espaços urbanos no Brasil escravista do século XIX”. Alameda Casa Editorial, São Paulo, 2006, 2ª edição]

Incentivos importam e não há nada na descrição histórica dos fatos, seja aqui, lá ou acolá, que me façam pensar diferente. Não basta escrever uma lei em um pedaço de papel, como imaginam alguns calouros das faculdades de Direito, para que a realidade se transforme em um paraíso.